2001 – 2008
Formação da série e início da expansão imobiliária
IVG-R (março de 2001): 100,00
IVG-R (fim de 2008): 242,39
Variação aproximada no período: +142,39%
O início da série do IVG-R mostra um mercado residencial em forte processo de valorização. Entre 2001 e 2008, o índice saiu de 100,00 para 242,39, refletindo uma combinação de melhora gradual do crédito imobiliário, aumento da renda, maior formalização do financiamento habitacional e expansão da demanda por imóveis residenciais.
Esse período marcou a base do ciclo moderno de valorização imobiliária no Brasil. O mercado ainda partia de um nível relativamente baixo de crédito em relação ao tamanho da economia, o que abriu espaço para crescimento acelerado dos preços à medida que os bancos passaram a financiar mais compradores e os imóveis residenciais ganharam maior relevância como garantia em operações de crédito.
2009 – 2014
Ciclo forte de valorização residencial
IVG-R (início de 2009): 246,90
IVG-R (fim de 2014): 550,72
Variação aproximada no período: +123,05%
Entre 2009 e 2014, o IVG-R registrou o ciclo mais forte de valorização da série. O índice mais que dobrou no período, acompanhando a expansão do crédito habitacional, o crescimento da renda, o aumento do emprego formal e o forte apetite dos bancos por financiamento imobiliário.
Esse foi um momento em que os imóveis residenciais ganharam grande força como ativo patrimonial. O crédito mais disponível permitiu que mais famílias comprassem imóveis, enquanto construtoras e incorporadoras ampliaram lançamentos. Para vendedores, foi um ambiente favorável de valorização e liquidez. Para compradores, foi um período em que esperar muitas vezes significava pagar mais caro no futuro.
2015 – 2016
Crise econômica e queda no valor das garantias
IVG-R (início de 2015): 551,05
IVG-R (fim de 2016): 526,72
Variação aproximada no período: -4,42%
A partir de 2015, o ciclo virou. A recessão econômica, o aumento do desemprego, a perda de renda das famílias e a restrição de crédito reduziram a força do mercado imobiliário. O IVG-R caiu de 551,05 no início de 2015 para 526,72 no fim de 2016, mostrando perda de valor nas garantias residenciais financiadas.
Esse período foi importante porque mostrou que imóveis também podem passar por ciclos de ajuste. A demanda ficou mais fraca, compradores ficaram mais cautelosos e os bancos passaram a avaliar o crédito com mais rigor. Para vendedores, o ambiente exigiu mais realismo na precificação. Para compradores com renda estável e crédito aprovado, surgiram oportunidades melhores de negociação.
2017 – 2019
Retomada gradual e valorização moderada
IVG-R (início de 2017): 525,72
IVG-R (fim de 2019): 554,87
Variação aproximada no período: +5,54%
Entre 2017 e 2019, o IVG-R voltou a subir, mas de forma lenta. O índice saiu de 525,72 para 554,87, indicando estabilização do mercado após a crise e uma retomada gradual dos valores dos imóveis residenciais financiados.
Esse foi um período de transição. A economia ainda se recuperava com dificuldade, mas a queda da inflação e dos juros começou a melhorar as condições de crédito. O mercado imobiliário deixou de cair, mas ainda não apresentava a mesma força do ciclo anterior. Para compradores, foi um ambiente mais equilibrado. Para vendedores, a valorização voltou, mas com menor intensidade e maior dependência da localização e qualidade do imóvel.
2020 – 2021
Juros baixos, crédito e nova aceleração dos preços
IVG-R (início de 2020): 558,21
IVG-R (fim de 2021): 641,82
Variação aproximada no período: +14,98%
Em 2020 e 2021, o mercado residencial voltou a ganhar força. Mesmo com a pandemia, a queda da taxa Selic para níveis historicamente baixos barateou o financiamento imobiliário e aumentou o interesse por compra de imóveis. O IVG-R subiu de 558,21 no início de 2020 para 641,82 no fim de 2021.
Esse movimento refletiu uma combinação de crédito mais acessível, mudança de preferência das famílias por imóveis maiores ou melhor localizados e maior busca por ativos reais em um ambiente de juros baixos. Para quem já tinha imóvel, o período foi positivo em termos de valorização patrimonial. Para quem queria comprar, a concorrência aumentou e os preços voltaram a subir com mais força.
2022 – 2023
Selic alta e desaceleração do ciclo
IVG-R (início de 2022): 643,21
IVG-R (fim de 2023): 684,58
Variação aproximada no período: +6,43%
Entre 2022 e 2023, o IVG-R continuou subindo, mas em ritmo mais moderado. A alta da Selic encareceu o financiamento, reduziu a capacidade de pagamento dos compradores e tornou o crédito imobiliário mais seletivo. Ainda assim, o índice avançou de 643,21 para 684,58.
Esse período mostrou uma desaceleração, não uma queda generalizada. O mercado perdeu parte do impulso dos juros baixos, mas os imóveis residenciais continuaram sustentados por fatores como escassez de oferta em boas localizações, renda de famílias mais qualificadas e preferência por moradia própria. Para compradores, o custo financeiro ficou mais pesado. Para vendedores, a liquidez passou a depender mais do preço correto e da qualidade do imóvel.
2024 – 2026
Valorização mais seletiva e mercado dependente de crédito
IVG-R (início de 2024): 688,18
IVG-R (março de 2026): 764,21
Variação aproximada no período: +11,05%
A partir de 2024, o IVG-R voltou a mostrar valorização mais consistente, chegando a 764,21 em março de 2026, o maior nível da série. O avanço indica que os imóveis residenciais financiados continuaram sendo avaliados por valores maiores, mesmo em um ambiente de crédito ainda seletivo e juros elevados.
Esse movimento sugere um mercado mais maduro e heterogêneo. A valorização não acontece da mesma forma em todos os imóveis ou regiões. Localizações com boa infraestrutura, liquidez, segurança, oferta limitada e demanda qualificada tendem a sustentar melhor os preços. Já imóveis mal localizados, com baixa liquidez ou preço acima do mercado podem ter dificuldade de venda, mesmo com o índice nacional em alta.
Para compradores, o IVG-R em máxima histórica reforça a importância de comparar preço, financiamento e potencial de valorização local. Para vendedores, o indicador mostra um ambiente de sustentação dos valores residenciais, mas não elimina a necessidade de precificação realista. Para investidores, o ciclo atual exige olhar não apenas a valorização do imóvel, mas também o retorno do aluguel, os custos de manutenção, a liquidez e o custo de oportunidade frente a outras aplicações.