IGP-M 12 meses

O IGP-M é o Índice Geral de Preços – Mercado, calculado pela FGV/IBRE. Ele mede a variação de preços em diferentes etapas da economia, incluindo preços no atacado, preços ao consumidor e custos da construção civil. Na prática, o IGP-M é formado por três componentes: o IPA, que acompanha preços no atacado; o IPC, que acompanha preços ao consumidor; e o INCC, que acompanha custos da construção. Como o peso do atacado é maior na composição do índice, o IGP-M costuma ser bastante sensível a variações de commodities, câmbio, combustíveis, energia e preços industriais. No mercado imobiliário, o IGP-M ficou conhecido principalmente por ser usado como referência em contratos de aluguel. Durante muitos anos, ele foi o índice mais comum para reajustar aluguéis residenciais e comerciais. Quando o IGP-M subia muito, os reajustes ficavam pesados para o inquilino. Quando o índice desacelerava ou ficava negativo, os reajustes tendiam a ser menores ou até abrir espaço para negociação. Hoje, muitos contratos passaram a usar também o IPCA ou outros índices, especialmente depois dos períodos em que o IGP-M teve altas muito fortes. Mesmo assim, o indicador continua importante para entender pressões inflacionárias que podem afetar contratos, aluguéis, negociações e expectativas do mercado imobiliário. O IGP-M 12 meses mostra a variação acumulada do índice em um ano. Essa leitura é mais útil para o mercado imobiliário do que a variação mensal isolada, porque os contratos costumam ser reajustados em ciclos anuais. Por isso, acompanhar o IGP-M acumulado em 12 meses ajuda locadores, inquilinos, investidores e administradoras a entenderem o tamanho da pressão de reajuste nos contratos.

Como afeta quem quer comprar

Para quem quer comprar imóveis, o IGP-M afeta principalmente o ambiente de aluguel, negociação e comparação entre comprar ou continuar alugando. Quando o IGP-M acumulado em 12 meses está alto, contratos de aluguel indexados a esse índice podem sofrer reajustes maiores. Para quem mora de aluguel, isso pode aumentar o incentivo para comprar um imóvel, especialmente quando o valor da parcela do financiamento se torna mais previsível do que os reajustes anuais do aluguel. Por outro lado, o IGP-M alto também pode indicar pressões inflacionárias mais amplas na economia. Como o índice é sensível a atacado, câmbio, commodities e custos de produção, altas fortes podem vir acompanhadas de juros maiores, crédito mais caro e menor poder de compra das famílias. Nesse caso, mesmo que o aluguel pese mais, comprar um imóvel financiado pode ficar mais difícil. Quando o IGP-M desacelera ou fica negativo, os reajustes de aluguel tendem a ser menores nos contratos indexados ao índice. Isso pode reduzir a urgência de compra para quem está alugando, porque o custo de permanecer no imóvel alugado fica mais controlado. Ao mesmo tempo, um IGP-M baixo pode indicar menor pressão inflacionária, o que ajuda o ambiente de juros e crédito no médio prazo. Na prática, quem quer comprar deve acompanhar o IGP-M junto com Selic, IPCA, valor do aluguel, taxa de financiamento, renda familiar e preço do imóvel. O IGP-M não define sozinho se é melhor comprar ou alugar, mas ajuda a entender se o custo de permanecer no aluguel está pressionando a decisão de compra.

Como afeta quem quer vender

Para quem quer vender imóveis, o IGP-M afeta principalmente o comportamento dos aluguéis, a atratividade do imóvel para investidores e a percepção de custo de quem ainda está decidindo entre comprar ou alugar. Quando o IGP-M acumulado em 12 meses está alto, contratos de aluguel indexados a esse índice podem ter reajustes maiores. Isso pode tornar a compra mais atrativa para famílias que estão alugando e querem fugir de reajustes elevados. Para o vendedor, esse movimento pode aumentar o interesse de compradores que passam a comparar o custo do aluguel com a parcela de um financiamento. Por outro lado, um IGP-M muito alto também pode gerar resistência no mercado de locação. Inquilinos podem negociar reajustes menores, trocar de imóvel ou pressionar proprietários por descontos. Para investidores que compram imóveis pensando em renda de aluguel, um índice muito volátil pode aumentar a incerteza sobre a capacidade real de repassar reajustes ao inquilino. Quando o IGP-M está baixo ou negativo, os reajustes de aluguel tendem a ser menores em contratos indexados ao índice. Isso pode reduzir a urgência de alguns inquilinos em comprar imóvel próprio, porque o custo de permanecer alugando fica mais controlado. Para o vendedor, esse cenário pode diminuir parte da pressão de compra motivada por aumento de aluguel. Na prática, o IGP-M não define sozinho o preço de venda de um imóvel, mas influencia a comparação entre comprar, alugar e investir. Para vender bem, é importante analisar o IGP-M junto com Selic, IPCA, crédito habitacional, aluguel praticado na região, retorno esperado do investidor e liquidez do imóvel.

Como afeta o aluguel ou investimento

Para quem quer alugar ou investir, o IGP-M é um dos indicadores mais importantes para entender reajustes de aluguel e retorno de imóveis alugados. Durante muitos anos, o IGP-M foi o principal índice usado para corrigir contratos de locação. Por isso, quando o IGP-M acumulado em 12 meses sobe muito, contratos indexados a esse indicador podem ter reajustes elevados. Para o inquilino, isso pode pesar no orçamento e aumentar a necessidade de renegociação. Para o proprietário, pode representar aumento nominal da receita de aluguel, desde que o mercado aceite o reajuste. Quando o IGP-M fica muito alto, nem sempre o reajuste é aplicado integralmente. Em muitos casos, locador e inquilino negociam um índice menor, usam o IPCA como referência alternativa ou aplicam um reajuste intermediário para evitar vacância. Por isso, o IGP-M mostra a pressão teórica de reajuste, mas o aluguel efetivamente praticado depende da negociação, da demanda local e da capacidade de pagamento do inquilino. Quando o IGP-M desacelera ou fica negativo, os reajustes de aluguel tendem a ser menores em contratos indexados ao índice. Para o inquilino, isso reduz a pressão de custo. Para o proprietário, pode limitar o crescimento da renda do aluguel, especialmente em regiões onde a demanda não permite aumentos acima do índice contratual. Para investidores, o IGP-M ajuda a avaliar a previsibilidade da renda de aluguel. Um índice muito volátil pode dificultar o planejamento, porque o reajuste contratual pode variar bastante de um ano para outro. Por isso, muitos investidores analisam o IGP-M junto com IPCA, Selic, vacância, aluguel praticado na região, preço do imóvel e retorno líquido esperado. Na prática, o IGP-M não determina sozinho se vale a pena alugar ou investir. Ele é uma referência importante para contratos e reajustes, mas a decisão depende também da localização, liquidez, qualidade do imóvel, perfil do inquilino, risco de vacância e comparação com outras alternativas de investimento.

2015 – 2016

Crise econômica e reajustes em ambiente de renda pressionada

Fim de 2015: 10,54% Fim de 2016: 7,17% Entre 2015 e 2016, o Brasil enfrentou recessão, alta do desemprego, queda de renda e perda de confiança. O IGP-M acumulado em 12 meses ficou elevado, encerrando 2015 em 10,54% e 2016 em 7,17%. Para o mercado imobiliário, esse foi um período delicado. Embora o índice indicasse reajustes relevantes em contratos indexados ao IGP-M, muitos inquilinos tinham menor capacidade de absorver aumentos. Na prática, o valor teórico de reajuste nem sempre era aplicado integralmente, porque locadores precisavam equilibrar correção contratual, risco de inadimplência e risco de vacância. Esse período mostrou que o IGP-M é uma referência importante para contratos, mas não funciona sozinho. Em momentos de crise econômica, renda fraca e mercado de locação pressionado, a negociação entre locador e inquilino ganha peso.
2017 – 2019

Inflação mais controlada e reajustes mais previsíveis

Fim de 2017: -0,52% Fim de 2018: 7,54% Fim de 2019: 7,30% Entre 2017 e 2019, o IGP-M passou por um período de maior normalização, mas ainda com oscilações importantes. Em 2017, o índice terminou negativo em 12 meses, em -0,52%, refletindo menor pressão de preços. Em 2018 e 2019, voltou a acelerar, encerrando os anos em 7,54% e 7,30%. Para contratos de aluguel, esse comportamento exigiu atenção. Em 2017, contratos indexados ao IGP-M tiveram menor pressão de reajuste e, em alguns casos, espaço para manutenção ou renegociação de valores. Já em 2018 e 2019, o índice voltou a indicar reajustes mais fortes, mas ainda dentro de um ambiente econômico mais previsível do que o choque que viria na pandemia. Esse período reforçou uma característica do IGP-M: ele é mais volátil do que índices de inflação ao consumidor, porque sofre influência relevante de atacado, câmbio, commodities e preços industriais.
2020 – 2021

Choque de commodities, câmbio e explosão do IGP-M

Fim de 2020: 23,14% Fim de 2021: 17,78% Durante a pandemia, o IGP-M passou por um dos movimentos mais fortes da história recente. O índice acumulado em 12 meses encerrou 2020 em 23,14% e 2021 ainda muito elevado, em 17,78%. A alta foi puxada por uma combinação de câmbio depreciado, commodities, gargalos nas cadeias globais, energia e preços no atacado. Como o IGP-M tem forte peso de preços no atacado, ele capturou pressões que nem sempre refletiam diretamente a realidade da renda dos inquilinos. Para o mercado imobiliário, esse período foi um divisor de águas. Muitos contratos de aluguel indexados ao IGP-M passaram a enfrentar reajustes considerados inviáveis. Locadores, inquilinos e administradoras passaram a renegociar com mais frequência, usando descontos, reajustes intermediários ou troca para outros índices, como o IPCA. O IGP-M continuou relevante, mas perdeu parte da aceitação automática como indexador de aluguel residencial.
2022 – 2023

Desaceleração forte e virada para deflação em 12 meses

Fim de 2022: 5,45% Fim de 2023: -3,18% Depois do choque de 2020 e 2021, o IGP-M perdeu força. Em 2022, o acumulado em 12 meses caiu para 5,45%. Em 2023, o índice terminou negativo, em -3,18%. Essa mudança refletiu a normalização parcial de preços no atacado, desaceleração de commodities e efeitos da política monetária mais restritiva. Para contratos de aluguel, o cenário mudou completamente. O índice deixou de pressionar fortemente os reajustes e passou a abrir espaço para negociações menores ou até ausência de reajuste em contratos vinculados estritamente ao IGP-M. Para locadores, esse período exigiu uma leitura mais prática do mercado. Um IGP-M negativo não significa necessariamente queda automática do aluguel em todos os casos, porque isso depende do contrato e da negociação. Mas, do ponto de vista de mercado, reduziu muito a pressão de reajuste sobre inquilinos.
2024 – 2025

Recuperação em 2024 e nova queda em 2025

Fim de 2024: 6,54% Fim de 2025: -1,05% Em 2024, o IGP-M voltou a acelerar e encerrou o ano em alta de 6,54% no acumulado em 12 meses. Esse movimento indicou retorno de pressões em componentes do índice, especialmente ligados ao atacado e preços sensíveis a câmbio e commodities. Em 2025, porém, o índice perdeu força novamente e terminou o ano em -1,05%. A FGV mostra dezembro de 2025 com queda mensal de 0,01% e acumulado de -1,05% em 12 meses. Para o mercado imobiliário, esse período reforçou a volatilidade do IGP-M. Em 2024, contratos indexados ao índice voltaram a indicar reajustes positivos. Em 2025, a leitura mudou, com o índice acumulado voltando ao campo negativo. Isso reforça a importância de negociar reajustes olhando não apenas o índice contratual, mas também a renda do inquilino, a vacância, o preço de mercado do aluguel e a relação entre locador e locatário.
2026 – atual

IGP-M ainda baixo, mas com recomposição recente

março de 2026: -1,83% abril de 2026: 0,61% No início de 2026, o IGP-M acumulado em 12 meses ainda estava em terreno negativo, registrando -0,91% em janeiro, -2,67% em fevereiro e -1,83% em março. Em abril, porém, o índice voltou ao campo positivo, chegando a 0,61% em 12 meses segundo a FGV. Esse cenário mostra que o IGP-M segue volátil. Para inquilinos, o índice baixo ou negativo reduz a pressão de reajuste em contratos indexados a ele. Para proprietários, limita o crescimento nominal da renda do aluguel quando o contrato segue estritamente o IGP-M. Para investidores, reforça que o retorno do aluguel não depende apenas do índice de reajuste, mas também da demanda local, vacância, qualidade do imóvel e capacidade de pagamento do inquilino. No mercado atual, o IGP-M continua sendo uma referência importante, mas deve ser analisado com cuidado. Depois dos choques de 2020 e 2021, muitos contratos passaram a considerar alternativas como IPCA ou reajustes negociados. Por isso, o IGP-M 12 meses ajuda a medir a pressão contratual, mas o reajuste efetivo do aluguel depende da negociação e das condições do mercado.

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