O IGP-M é o Índice Geral de Preços – Mercado, calculado pela FGV/IBRE. Ele mede a variação de preços em diferentes etapas da economia, incluindo preços no atacado, preços ao consumidor e custos da construção civil.
Na prática, o IGP-M é formado por três componentes: o IPA, que acompanha preços no atacado; o IPC, que acompanha preços ao consumidor; e o INCC, que acompanha custos da construção. Como o peso do atacado é maior na composição do índice, o IGP-M costuma ser bastante sensível a variações de commodities, câmbio, combustíveis, energia e preços industriais.
No mercado imobiliário, o IGP-M ficou conhecido principalmente por ser usado como referência em contratos de aluguel. Durante muitos anos, ele foi o índice mais comum para reajustar aluguéis residenciais e comerciais. Quando o IGP-M subia muito, os reajustes ficavam pesados para o inquilino. Quando o índice desacelerava ou ficava negativo, os reajustes tendiam a ser menores ou até abrir espaço para negociação.
Hoje, muitos contratos passaram a usar também o IPCA ou outros índices, especialmente depois dos períodos em que o IGP-M teve altas muito fortes. Mesmo assim, o indicador continua importante para entender pressões inflacionárias que podem afetar contratos, aluguéis, negociações e expectativas do mercado imobiliário.
O IGP-M 12 meses mostra a variação acumulada do índice em um ano. Essa leitura é mais útil para o mercado imobiliário do que a variação mensal isolada, porque os contratos costumam ser reajustados em ciclos anuais. Por isso, acompanhar o IGP-M acumulado em 12 meses ajuda locadores, inquilinos, investidores e administradoras a entenderem o tamanho da pressão de reajuste nos contratos.
2015 – 2016
Crise econômica e reajustes em ambiente de renda pressionada
Fim de 2015: 10,54%
Fim de 2016: 7,17%
Entre 2015 e 2016, o Brasil enfrentou recessão, alta do desemprego, queda de renda e perda de confiança. O IGP-M acumulado em 12 meses ficou elevado, encerrando 2015 em 10,54% e 2016 em 7,17%.
Para o mercado imobiliário, esse foi um período delicado. Embora o índice indicasse reajustes relevantes em contratos indexados ao IGP-M, muitos inquilinos tinham menor capacidade de absorver aumentos. Na prática, o valor teórico de reajuste nem sempre era aplicado integralmente, porque locadores precisavam equilibrar correção contratual, risco de inadimplência e risco de vacância.
Esse período mostrou que o IGP-M é uma referência importante para contratos, mas não funciona sozinho. Em momentos de crise econômica, renda fraca e mercado de locação pressionado, a negociação entre locador e inquilino ganha peso.
2017 – 2019
Inflação mais controlada e reajustes mais previsíveis
Fim de 2017: -0,52%
Fim de 2018: 7,54%
Fim de 2019: 7,30%
Entre 2017 e 2019, o IGP-M passou por um período de maior normalização, mas ainda com oscilações importantes. Em 2017, o índice terminou negativo em 12 meses, em -0,52%, refletindo menor pressão de preços. Em 2018 e 2019, voltou a acelerar, encerrando os anos em 7,54% e 7,30%.
Para contratos de aluguel, esse comportamento exigiu atenção. Em 2017, contratos indexados ao IGP-M tiveram menor pressão de reajuste e, em alguns casos, espaço para manutenção ou renegociação de valores. Já em 2018 e 2019, o índice voltou a indicar reajustes mais fortes, mas ainda dentro de um ambiente econômico mais previsível do que o choque que viria na pandemia.
Esse período reforçou uma característica do IGP-M: ele é mais volátil do que índices de inflação ao consumidor, porque sofre influência relevante de atacado, câmbio, commodities e preços industriais.
2020 – 2021
Choque de commodities, câmbio e explosão do IGP-M
Fim de 2020: 23,14%
Fim de 2021: 17,78%
Durante a pandemia, o IGP-M passou por um dos movimentos mais fortes da história recente. O índice acumulado em 12 meses encerrou 2020 em 23,14% e 2021 ainda muito elevado, em 17,78%.
A alta foi puxada por uma combinação de câmbio depreciado, commodities, gargalos nas cadeias globais, energia e preços no atacado. Como o IGP-M tem forte peso de preços no atacado, ele capturou pressões que nem sempre refletiam diretamente a realidade da renda dos inquilinos.
Para o mercado imobiliário, esse período foi um divisor de águas. Muitos contratos de aluguel indexados ao IGP-M passaram a enfrentar reajustes considerados inviáveis. Locadores, inquilinos e administradoras passaram a renegociar com mais frequência, usando descontos, reajustes intermediários ou troca para outros índices, como o IPCA. O IGP-M continuou relevante, mas perdeu parte da aceitação automática como indexador de aluguel residencial.
2022 – 2023
Desaceleração forte e virada para deflação em 12 meses
Fim de 2022: 5,45%
Fim de 2023: -3,18%
Depois do choque de 2020 e 2021, o IGP-M perdeu força. Em 2022, o acumulado em 12 meses caiu para 5,45%. Em 2023, o índice terminou negativo, em -3,18%.
Essa mudança refletiu a normalização parcial de preços no atacado, desaceleração de commodities e efeitos da política monetária mais restritiva. Para contratos de aluguel, o cenário mudou completamente. O índice deixou de pressionar fortemente os reajustes e passou a abrir espaço para negociações menores ou até ausência de reajuste em contratos vinculados estritamente ao IGP-M.
Para locadores, esse período exigiu uma leitura mais prática do mercado. Um IGP-M negativo não significa necessariamente queda automática do aluguel em todos os casos, porque isso depende do contrato e da negociação. Mas, do ponto de vista de mercado, reduziu muito a pressão de reajuste sobre inquilinos.
2024 – 2025
Recuperação em 2024 e nova queda em 2025
Fim de 2024: 6,54%
Fim de 2025: -1,05%
Em 2024, o IGP-M voltou a acelerar e encerrou o ano em alta de 6,54% no acumulado em 12 meses. Esse movimento indicou retorno de pressões em componentes do índice, especialmente ligados ao atacado e preços sensíveis a câmbio e commodities. Em 2025, porém, o índice perdeu força novamente e terminou o ano em -1,05%. A FGV mostra dezembro de 2025 com queda mensal de 0,01% e acumulado de -1,05% em 12 meses.
Para o mercado imobiliário, esse período reforçou a volatilidade do IGP-M. Em 2024, contratos indexados ao índice voltaram a indicar reajustes positivos. Em 2025, a leitura mudou, com o índice acumulado voltando ao campo negativo. Isso reforça a importância de negociar reajustes olhando não apenas o índice contratual, mas também a renda do inquilino, a vacância, o preço de mercado do aluguel e a relação entre locador e locatário.
2026 – atual
IGP-M ainda baixo, mas com recomposição recente
março de 2026: -1,83%
abril de 2026: 0,61%
No início de 2026, o IGP-M acumulado em 12 meses ainda estava em terreno negativo, registrando -0,91% em janeiro, -2,67% em fevereiro e -1,83% em março. Em abril, porém, o índice voltou ao campo positivo, chegando a 0,61% em 12 meses segundo a FGV.
Esse cenário mostra que o IGP-M segue volátil. Para inquilinos, o índice baixo ou negativo reduz a pressão de reajuste em contratos indexados a ele. Para proprietários, limita o crescimento nominal da renda do aluguel quando o contrato segue estritamente o IGP-M. Para investidores, reforça que o retorno do aluguel não depende apenas do índice de reajuste, mas também da demanda local, vacância, qualidade do imóvel e capacidade de pagamento do inquilino.
No mercado atual, o IGP-M continua sendo uma referência importante, mas deve ser analisado com cuidado. Depois dos choques de 2020 e 2021, muitos contratos passaram a considerar alternativas como IPCA ou reajustes negociados. Por isso, o IGP-M 12 meses ajuda a medir a pressão contratual, mas o reajuste efetivo do aluguel depende da negociação e das condições do mercado.