Neutro / cautela

VULC3

Vulcabras

1T/2026

Consumo cíclico

Calçados

Matriz: Jundiaí - SP

Maior gestora de marcas de calçados esportivos do Brasil, atuando no design, fabricação e comercialização em larga escala de artigos de alta performance. O modelo de negócios da companhia baseia-se na gestão integrada de um robusto portfólio de marcas líderes — composto de forma proprietária pela Olympikus e pelas licenças e distribuições exclusivas globais da Under Armour e Mizuno no mercado nacional —, escoando a produção por meio de e-commerce próprio, franquias e uma capilarizada rede de varejistas multimarcas.

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Total de ações 317.982.170
Ações ordinárias 317.982.170
Ações preferenciais Não
Free float 108.236.716 — 34,04%
Maior acionista Pedro Grendene Bartelle — 20,97%
Tesouraria 3.879.382 — 1,22%

Data: 2026-05-29

R$ 14,10
-1,40% no dia
R$ 23,30 R$ 2,03
2016 2026
Valor de mercado R$ 4,49 bi
Volume 225,80 mil
P/L externo 3,5x
Dividend yield 12m 33,36%
DIVIDENDO
22/12/2025
R$ 0,65
DIVIDENDO
27/11/2025
R$ 0,12
DIVIDENDO
17/11/2025
R$ 0,12
DIVIDENDO
04/11/2025
R$ 2,20

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 3,9x
EV/EBITDA 6,0x
P/VP 1,9x
Dividend yield 12m 33,36%
Data da análise 30/06/2026

Desconto real, mas com dívida pesando

Com valor de mercado de R$4,49 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$14,05), a Vulcabras negocia com múltiplos comprimidos frente aos fundamentos: P/L de 3,9x, EV/EBITDA de 6,0x e P/VP de 1,9x. A trajetória anual de 2021 a 2025 reforça essa leitura, com receita crescendo 90,7% no período, EBITDA em expansão, margens saudáveis e marcas fortes como Olympikus, Mizuno e Under Armour sustentando escala no mercado interno e no e-commerce. O dividend yield de 12 meses chama atenção pela magnitude, mas reflete distribuição muito elevada de proventos no período, o que ajuda a explicar parte do desconto, mas não deve ser projetado de forma linear para frente.

A ressalva é material e impede uma leitura de desconto limpo. No 1T26, mesmo com receita crescendo 10,7% e EBITDA recorrente em alta, o lucro líquido caiu 24,5%, pressionado por resultado financeiro negativo e maior carga tributária. A dívida líquida subiu de forma relevante frente ao histórico recente, os estoques avançaram para perto de R$987 mi e o mercado externo recuou 30,4%, deixando a receita ainda mais concentrada no Brasil. O lucro anual de 2025 também foi inflado por equivalência patrimonial, o que reduz a qualidade do múltiplo aparente. Por isso a classificação fica como descontada com risco: o desconto existe, mas depende de a companhia executar a desalavancagem prometida, controlar capital de giro e preservar margens nos próximos trimestres.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 776.382
EBITDA R$ 150.963
Lucro líquido R$ 80.133
Dívida líquida R$ 658.947
Margem líquida 10,32%
FCO R$ 138.262

Vulcabras cresce no 1T26 com receita recorde e EBITDA em alta, mantendo sinal verde apesar de lucro menor e custos financeiros que exigem desalavancagem.

A Vulcabras iniciou 2026 com operação ainda forte, sustentada por crescimento de receita, aumento de volume, margem bruta preservada, EBITDA recorrente em alta, marcas esportivas relevantes e avanço do e-commerce. A leitura permanece construtiva porque a companhia segue ganhando escala no mercado interno e mantendo rentabilidade operacional saudável. A cautela vem da queda do lucro líquido, da piora do resultado financeiro, da dívida líquida ainda elevada frente ao histórico recente, dos estoques em alta e da retração do mercado externo. A tese segue como empresa em crescimento, mas depende de executar a desalavancagem prometida, controlar capital de giro e preservar margens sem perder o ritmo das marcas Olympikus, Mizuno e Under Armour.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Vulcabras encerrou 2021 com um ano de forte recuperação operacional, crescimento expressivo de receita, expansão de margem, EBITDA muito superior ao de 2020 e lucro líquido recorde no ciclo recente. O resultado mostra uma companhia que se beneficiou da retomada do consumo esportivo, da entrada da Mizuno no portfólio, do bom desempenho da Olympikus e Under Armour e da recomposição de rentabilidade após o período mais difícil da pandemia. A receita líquida consolidada foi de R$1,9 bilhão em 2021, crescimento de 58,3% frente a 2020. A receita operacional bruta foi de R$2,2 bilhões, alta de 56,4%.

Demonstrações Financeiras 2022

A Vulcabras encerrou 2022 com novo avanço operacional relevante, consolidando a virada iniciada em 2021. A companhia cresceu receita, ampliou lucro bruto, elevou lucro líquido, reforçou patrimônio líquido e confirmou a estratégia de concentração no mercado esportivo, com Olympikus, Mizuno e Under Armour como principais vetores comerciais. A receita líquida consolidada foi de R$2,5 bilhões em 2022, crescimento de 35,9% frente a 2021. O avanço mostra que a companhia não apenas manteve a recuperação pós-pandemia, mas também ganhou escala em seu novo posicionamento de portfólio.

Demonstrações Financeiras 2023

A Vulcabras encerrou 2023 com crescimento de receita, forte expansão de lucro bruto, margem bruta maior, lucro líquido em alta e geração operacional de caixa muito superior à de 2022. O ano consolidou a tese de transformação da companhia em uma plataforma de marcas esportivas, com Olympikus, Mizuno e Under Armour como principais vetores comerciais. A receita líquida consolidada foi de R$2,8 bilhões em 2023, crescimento de 11,1% frente a 2022. O avanço foi menor que o salto observado no ano anterior, mas ocorreu sobre uma base já elevada, indicando continuidade de expansão.

Demonstrações Financeiras 2024

A Vulcabras encerrou 2024 com o melhor ano de sua história operacional recente, combinando crescimento de receita, margem bruta preservada em patamar elevado, EBITDA recorrente maior, lucro líquido recorrente em alta e forte expansão do canal digital. O resultado confirmou a força da estratégia de marcas esportivas, com Olympikus, Mizuno e Under Armour sustentando crescimento, inovação e maior valor agregado. A receita líquida consolidada foi de R$3 bilhões em 2024, crescimento de 8,2% frente a 2023. No 4T24, a receita líquida foi de R$905,7 milhões, alta de 14,5% frente ao 4T23.

Demonstrações Financeiras 2025

A Vulcabras encerrou 2025 com novo avanço relevante de escala, receita recorde, lucro contábil muito forte, expansão no mercado interno, crescimento expressivo do e-commerce e desempenho positivo nas principais categorias. O ano confirmou a força da estratégia de marcas esportivas, com Olympikus, Mizuno e Under Armour mantendo protagonismo no portfólio. A receita líquida consolidada foi de R$3,6 bilhões em 2025, crescimento de 16,8% frente a 2024. No 4T25, a receita líquida foi de R$1 bilhão, alta de 11,4% frente ao 4T24.

Resumo fundamentalista

A Vulcabras iniciou 2026 com crescimento de receita, aumento de volume, margem bruta levemente maior e EBITDA recorrente em alta, mas com lucro líquido menor por pressão financeira, maior carga tributária e evento não recorrente ligado à baixa de softwares do e-commerce. O trimestre confirma que a operação segue forte, especialmente no mercado interno e nas marcas esportivas, mas também mostra que a alavancagem financeira assumida em 2025 passou a pesar mais no resultado final.

A receita líquida consolidada foi de R$776,4 milhões no 1T26, crescimento de 10,7% frente ao 1T25. O volume bruto faturado foi de 7,6 milhões de pares e peças, alta de 6,8%. A receita operacional bruta foi de R$923,1 milhões, crescimento de 11,7%.

O lucro bruto foi de R$313,5 milhões, crescimento de 11,2%. A margem bruta foi de 40,4%, avanço de 0,2 p.p. frente ao 1T25. Esse ponto é positivo porque mostra que a companhia cresceu mantendo rentabilidade bruta, mesmo em um ambiente competitivo e com maior complexidade de portfólio.

O EBITDA contábil foi de R$150,9 milhões, crescimento de 7,5%, com margem EBITDA de 19,4%. O EBITDA foi impactado negativamente em R$6 milhões por baixa de ativo intangível relacionada a softwares descontinuados das plataformas de backoffice do e-commerce. Excluindo esse efeito, o EBITDA recorrente foi de R$156,9 milhões, alta de 11,8%, com margem de 20,2%.

O lucro líquido contábil foi de R$80,1 milhões, queda de 24,5%. O lucro líquido recorrente foi de R$86,1 milhões, queda de 18,9%, com margem líquida recorrente de 11,1%. A queda do lucro veio principalmente do resultado financeiro negativo e do aumento da carga tributária, apesar do crescimento operacional.

A leitura central é positiva na operação e cautelosa no resultado final. A companhia segue crescendo, com marcas fortes, margem bruta preservada, e-commerce relevante e EBITDA recorrente em alta. A cautela está na queda do lucro líquido, no aumento da dívida líquida frente ao histórico recente, na pressão financeira, na concentração ainda maior no mercado interno e no aumento dos estoques.

Pontos de atenção

O primeiro risco é a queda do lucro líquido contábil para R$80,1 milhões.

O segundo risco é a queda do lucro líquido recorrente para R$86,1 milhões.

O terceiro risco é a piora do resultado financeiro para negativo em R$27,8 milhões.

O quarto risco é o aumento das despesas financeiras para R$50,1 milhões.

O quinto risco é a dívida líquida de R$658,9 milhões, ainda elevada frente ao histórico recente.

O sexto risco é o aumento dos estoques consolidados para R$986,8 milhões.

O sétimo risco é a queda de 30,4% no mercado externo.

O oitavo risco é a concentração de 97,3% da receita no mercado interno.

O nono risco é a dependência elevada da categoria de calçados esportivos.

O décimo risco é a baixa de R$6 milhões em ativos intangíveis do e-commerce.

O décimo primeiro risco é a necessidade de manter margem no e-commerce em ambiente promocional intenso.

O décimo segundo risco é equilibrar crescimento, CAPEX, capital de giro, dívida e remuneração ao acionista.

Leitura final

O 1T26 foi positivo na operação, mas mais cauteloso no lucro final. A Vulcabras cresceu receita, volume, lucro bruto e EBITDA recorrente, manteve margem bruta estável em patamar alto e continuou avançando no mercado interno e no e-commerce.

A leitura positiva vem da força das marcas esportivas, da escala no Brasil, do crescimento do volume, da resiliência da margem bruta e do EBITDA recorrente em alta. A companhia continua mostrando execução comercial consistente e presença relevante em categorias esportivas.

A cautela está na estrutura financeira e na concentração. A dívida líquida segue elevada frente ao histórico recente, o resultado financeiro virou pressão relevante, o lucro líquido caiu e o mercado externo continuou fraco. Para o usuário, o 1T26 deve ser lido como trimestre de operação forte, mas com tese dependente de desalavancagem, controle de estoques, recuperação do mercado externo e preservação de margens nos próximos períodos.

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