A Vulcabras iniciou 2026 com crescimento de receita, aumento de volume, margem bruta levemente maior e EBITDA recorrente em alta, mas com lucro líquido menor por pressão financeira, maior carga tributária e evento não recorrente ligado à baixa de softwares do e-commerce. O trimestre confirma que a operação segue forte, especialmente no mercado interno e nas marcas esportivas, mas também mostra que a alavancagem financeira assumida em 2025 passou a pesar mais no resultado final.
A receita líquida consolidada foi de R$776,4 milhões no 1T26, crescimento de 10,7% frente ao 1T25. O volume bruto faturado foi de 7,6 milhões de pares e peças, alta de 6,8%. A receita operacional bruta foi de R$923,1 milhões, crescimento de 11,7%.
O lucro bruto foi de R$313,5 milhões, crescimento de 11,2%. A margem bruta foi de 40,4%, avanço de 0,2 p.p. frente ao 1T25. Esse ponto é positivo porque mostra que a companhia cresceu mantendo rentabilidade bruta, mesmo em um ambiente competitivo e com maior complexidade de portfólio.
O EBITDA contábil foi de R$150,9 milhões, crescimento de 7,5%, com margem EBITDA de 19,4%. O EBITDA foi impactado negativamente em R$6 milhões por baixa de ativo intangível relacionada a softwares descontinuados das plataformas de backoffice do e-commerce. Excluindo esse efeito, o EBITDA recorrente foi de R$156,9 milhões, alta de 11,8%, com margem de 20,2%.
O lucro líquido contábil foi de R$80,1 milhões, queda de 24,5%. O lucro líquido recorrente foi de R$86,1 milhões, queda de 18,9%, com margem líquida recorrente de 11,1%. A queda do lucro veio principalmente do resultado financeiro negativo e do aumento da carga tributária, apesar do crescimento operacional.
A leitura central é positiva na operação e cautelosa no resultado final. A companhia segue crescendo, com marcas fortes, margem bruta preservada, e-commerce relevante e EBITDA recorrente em alta. A cautela está na queda do lucro líquido, no aumento da dívida líquida frente ao histórico recente, na pressão financeira, na concentração ainda maior no mercado interno e no aumento dos estoques.