Veste encerrou 2021 com recuperação relevante de vendas em relação a 2020, mas ainda em situação financeira e patrimonial muito delicada. A companhia conseguiu crescer receita, melhorar lucro bruto e voltar a gerar caixa operacional, porém continuou reportando prejuízo líquido elevado, resultado operacional fortemente negativo, impairment relevante e patrimônio líquido negativo. A receita líquida consolidada subiu de R$598,8 milhões em 2020 para R$875,9 milhões em 2021. O lucro bruto consolidado avançou de R$295 milhões para R$457,2 milhões.
VSTE3 - Veste
A Infracommerce (negociada sob o ticker VSTE3, após a unificação e mudança de marca corporativa da antiga Veste S.A. Estilo / Restoque) é uma empresa líder em soluções digitais que atua no desenvolvimento, gestão e operação de ecossistemas de comércio eletrônico para grandes marcas. Opera no modelo de Full Commerce, sendo responsável por toda a jornada digital de seus clientes — desde a criação da plataforma de e-commerce e marketing digital até a logística de armazenamento, entrega e atendimento pós-venda (customer service) —, além de comercializar vestuário e acessórios de alto padrão por meio de suas marcas próprias consolidadas, como Le Lis, Dudalina, John John, Bo.Bô e Individual.
28/04/2026 R$ 0,05
30/04/2025 R$ 0,00
26/04/2024 R$ 0,05
04/05/2023 R$ 0,12
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas recuperação ainda precisa confirmar
Com valor de mercado de R$497,35 mi e cotação de R$4,37, em posição intermediária da faixa de 52 semanas (mínima de R$3,30 e máxima de R$6,12), a Veste negocia com múltiplos comprimidos: EV/EBITDA de 2,9x e P/VP de 0,5x, ou seja, abaixo do próprio patrimônio líquido de R$1,07 bi. O P/L de 20,4x é mais elevado por causa do lucro líquido ainda modesto (R$24,4 mi em 2025), mas a base operacional vem melhorando de forma consistente: receita anual cresceu para R$1,23 bi, margem EBITDA subiu para 21,3%, dívida líquida/EBITDA recuou para 1,0x e o 1T26 reverteu prejuízo em lucro líquido de R$11,4 mi, com SSS de 11,7% e EBITDA em forte expansão. Esse conjunto sustenta a leitura de valor de mercado descontado frente aos ativos e à geração operacional.
O desconto, porém, não é limpo. O resultado financeiro segue negativo (R$61 mi em 2025) e ainda consome parte relevante do lucro operacional, enquanto a rentabilidade sobre o patrimônio permanece baixa para justificar reavaliação mais robusta. O capital de giro continua exigindo atenção, com contas a receber em alta no fechamento de 2025 e estoques subindo no 1T26, além de queda do caixa no trimestre e investimentos relevantes em intangível. A recuperação é real e recente, mas ainda precisa ser confirmada nos próximos trimestres em termos de caixa livre e retorno sobre capital, motivo pelo qual o desconto deve ser tratado com cautela e não como oportunidade sem risco.
Indicadores principais
Veste inicia 2026 com lucro, expansão de EBITDA e forte SSS, confirmando a melhora operacional de 2025. Atenção ao caixa e resultado financeiro.
Veste iniciou 2026 com crescimento consistente de receita, SSS forte, margem bruta maior, EBITDA em forte expansão, lucro líquido positivo, caixa operacional positivo e revisão especial sem ressalva. O trimestre confirma a melhora operacional de 2025 e mostra que a companhia conseguiu crescer com disciplina comercial e melhor rentabilidade. A leitura é positiva, com atenção a capital de giro, estoques, queda de caixa no trimestre, investimentos em intangível, resultado financeiro ainda negativo e necessidade de melhorar o retorno sobre patrimônio.
Trajetória recente
Veste encerrou 2022 com uma virada relevante em relação a 2021. O ano foi marcado por melhora operacional, crescimento de receita, avanço expressivo de margem, lucro operacional positivo, lucro líquido e recomposição patrimonial. A principal mudança estrutural foi a capitalização de quase toda a dívida em debêntures, que reduziu drasticamente a alavancagem e tirou a companhia da situação de patrimônio líquido negativo. A receita líquida consolidada subiu de R$875,9 milhões em 2021 para R$1,06 bilhão em 2022.
Encerrou 2023 em condição financeira e patrimonial muito melhor do que a observada em 2021, mantendo lucro líquido, patrimônio líquido positivo e caixa operacional relevante. O ano confirmou a estabilização após a reestruturação de capital de 2022, mas também mostrou desaceleração importante do lucro operacional e do lucro líquido. A receita líquida consolidada subiu de R$1,06 bilhão em 2022 para R$1,11 bilhão em 2023. O lucro bruto consolidado avançou de R$660,4 milhões para R$728,8 milhões.
Veste encerrou 2024 com operação estável, caixa operacional forte e estrutura patrimonial preservada, mas com lucro líquido praticamente zerado. O ano mostrou continuidade da empresa pós-reestruturação, porém sem avanço relevante de receita e com queda do lucro bruto. A receita líquida consolidada ficou praticamente estável, saindo de R$1,11 bilhão em 2023 para R$1,112 bilhão em 2024. O lucro bruto consolidado caiu de R$728,8 milhões para R$703,2 milhões, indicando pressão de margem ou mix.
Veste encerrou 2025 com avanço operacional claro em relação a 2024. A companhia voltou a crescer receita de forma relevante, ampliou lucro bruto, dobrou o resultado operacional e apresentou lucro líquido maior, desta vez sem depender de imposto de renda e contribuição social diferidos para ficar positivo. A receita líquida consolidada subiu de R$1,112 bilhão em 2024 para R$ 1,2 bilhão em 2025. O lucro bruto consolidado avançou de R$703,2 milhões para R$783,7 milhões.
Resumo fundamentalista
A Veste iniciou 2026 com forte melhora operacional frente ao 1T25. A companhia cresceu receita, ampliou lucro bruto, reverteu prejuízo operacional para lucro operacional e saiu de prejuízo líquido para lucro líquido. O trimestre reforça a continuidade da recuperação observada em 2025.
A receita líquida consolidada subiu de R$265,8 milhões no 1T25 para R$304,5 milhões no 1T26. O lucro bruto consolidado avançou de R$166,3 milhões para R$196,9 milhões. O resultado antes do financeiro e dos tributos saiu de prejuízo de R$745 mil para lucro de R$24,7 milhões.
O resultado financeiro seguiu negativo, em R$13,3 milhões, mas melhorou frente ao resultado negativo de R$14,5 milhões no 1T25. Com isso, o resultado antes dos tributos foi positivo em R$11,3 milhões.
O lucro líquido consolidado foi de R$11,3 milhões, contra prejuízo de R$15,3 milhões no 1T25. A virada é relevante porque veio com lucro operacional positivo, margem maior e sem depender de imposto diferido.
A leitura central é positiva. A companhia mostra crescimento com margem, EBITDA maior, lucro líquido positivo e caixa operacional positivo. A cautela fica no consumo de capital de giro, aumento de estoques, queda do caixa no trimestre e continuidade dos investimentos em intangível.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é o capital de giro. Apesar do caixa operacional positivo, as variações de ativos e passivos consumiram caixa, principalmente por aumento de estoques.
O segundo ponto é o aumento dos estoques. No balanço, os estoques subiram de R$218 milhões no fim de 2025 para R$246,9 milhões no fim do 1T26. A administração menciona estoques de R$247 milhões, com redução de 8,8% em comparação anual, mas frente ao fim de 2025 houve alta sazonal importante.
O terceiro ponto é a queda do caixa. O caixa consolidado caiu de R$40,5 milhões para R$32,3 milhões no trimestre, porque a geração operacional foi consumida por investimentos e financiamentos.
O quarto ponto é o investimento em intangível. A companhia segue investindo de forma relevante em intangível, com saída de R$24,5 milhões no trimestre. O agente deve acompanhar se esses investimentos sustentam crescimento, digital, omnichannel e eficiência operacional.
O quinto ponto é o resultado financeiro ainda negativo. Embora tenha melhorado, o resultado financeiro de -R$13,3 milhões ainda consome parte relevante do lucro operacional.
O sexto ponto é a rentabilidade sobre patrimônio. O patrimônio líquido consolidado é elevado, em R$1,077 bilhão, enquanto o lucro líquido trimestral foi de R$11,3 milhões. A companhia melhorou, mas ainda precisa elevar retorno sobre capital.
O sétimo ponto é positivo: o relatório de revisão especial veio sem ressalva, mantendo a consistência das demonstrações.
Leitura final
Veste iniciou 2026 com crescimento consistente de receita, SSS forte, margem bruta maior, EBITDA em forte expansão, lucro líquido positivo, caixa operacional positivo e revisão especial sem ressalva. O trimestre confirma a melhora operacional de 2025 e mostra que a companhia conseguiu crescer com disciplina comercial e melhor rentabilidade. A postura recomendada é positiva, com atenção a capital de giro, estoques, queda de caixa no trimestre, investimentos em intangível, resultado financeiro ainda negativo e necessidade de melhorar o retorno sobre patrimônio.