A Vamos iniciou 2026 com melhora operacional relevante, avanço de receita, maior ocupação da frota, crescimento de locação, melhor desempenho de Seminovos, efeito positivo da indústria e virada importante do fluxo de caixa operacional para o campo positivo.
A receita individual de venda de bens e serviços foi de R$1,5 bilhão no 1T26, contra R$1,2 bilhão no 1T25. O crescimento mostra continuidade da expansão da operação pós-cisão, com a empresa mais concentrada em locação de caminhões, máquinas e equipamentos.
O lucro bruto individual foi de R$739,3 milhões, contra R$717,1 milhões no 1T25. A melhora foi modesta frente ao crescimento da receita, porque o custo dos bens e serviços vendidos também subiu, especialmente o custo de venda de ativos desmobilizados.
O resultado antes do financeiro e dos tributos foi de R$652,2 milhões, contra R$636,8 milhões no 1T25. A operação cresceu, mas ainda não gerou expansão expressiva nessa linha, porque despesas comerciais, administrativas e custos de desmobilização continuaram relevantes.
O lucro líquido individual foi de R$86,6 milhões, contra R$107,8 milhões no 1T25. A queda ocorreu apesar da melhora operacional, principalmente por causa do resultado financeiro negativo e das despesas financeiras elevadas.
O resultado financeiro individual foi negativo em R$535,1 milhões, contra negativo de R$487,3 milhões no 1T25. As despesas financeiras foram de R$693,4 milhões, parcialmente compensadas por receitas financeiras de R$158,3 milhões. Esse segue sendo o principal limitador da tese.
A mensagem da administração destacou melhora da ocupação da frota pelo terceiro trimestre consecutivo, chegando a 88%, maior patamar desde 2020. A empresa ficou mais próxima da meta de 90% até o fim do ano, o que é positivo para diluição de custos e retorno sobre capital.
A receita de locação cresceu com aumento da ocupação, imobilizado bruto locado recorde, aumento de yields marginais, reajustes de preços e extensões de contratos. A administração também destacou redução da concentração de receita nos top 100 clientes, o que melhora a diversificação da base.
O fluxo de caixa operacional individual foi positivo em R$234 milhões, revertendo consumo de R$1,5 bilhão no 1T25. Essa virada é um dos principais pontos positivos do trimestre.
A melhora de caixa veio de maior geração operacional bruta e menor necessidade de capex líquido. O caixa gerado nas operações foi de R$1,6 bilhão, contra R$1,3 bilhão no 1T25.
A compra de ativo imobilizado operacional para locação consumiu R$486,7 milhões, bem menos que os R$834,5 milhões do 1T25. Essa redução ajuda a explicar a melhora do fluxo operacional.
Os juros pagos foram de R$331,5 milhões, contra R$248,5 milhões no 1T25. A alta mostra que a pressão financeira continua relevante, mesmo com melhora operacional.
O ativo total individual foi de R$22,7 bilhões. O imobilizado em operação ficou em R$15,7 bilhões, ainda a principal linha do ativo e base econômica da tese.
O patrimônio líquido individual subiu levemente, de R$ 2,562 bilhões no fim de 2025 para R$ 2,605 bilhões no 1T26. A alta foi limitada porque o lucro líquido de R$86,6 milhões foi parcialmente compensado por outros resultados abrangentes negativos de R$ 44 milhões, principalmente ligados a ajustes de instrumentos financeiros/hedge.
A leitura central para o usuário é de recuperação operacional em andamento, mas ainda com cautela financeira. A Vamos melhorou ocupação, caixa operacional, receita, ROIC e eficiência de capital, mas ainda convive com dívida elevada, resultado financeiro pesado, juros altos e lucro líquido pressionado.