Neutro / cautela

VAMO3

Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos

1T/2026

Bens industriais

Transporte e aluguel de bens pesados

Matriz: Mogi das Cruzes - SP

Empresa líder do mercado brasileiro na locação e terceirização de caminhões, máquinas agrícolas e equipamentos pesados, operando com contratos de longo prazo que garantem alta previsibilidade de receita. Integrada ao Grupo Simpar, a companhia complementa seu ecossistema por meio de uma rede de concessionárias de marcas renomadas (como Volkswagen Caminhões e Valtra) e de lojas próprias de seminovos, canais utilizados para a comercialização de ativos desativados e renovação contínua de sua frota.

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Total de ações 1.221.826.865
Ações ordinárias 1.221.826.865
Ações preferenciais Não
Free float 527.008.106 — 43,13%
Controlador Simpar S.A. — 51,16%
Tesouraria Não

Data: 2026-06-08

R$ 2,88
2,13% no dia
R$ 15,34 R$ 2,68
2021 2026
Valor de mercado R$ 3,40 bi
Volume 9,85 mi
P/L externo 10,0x
Dividend yield 12m 4,89%
JCP
18/12/2025
R$ 0,14
JCP
29/11/2024
R$ 0,27
JCP
19/12/2023
R$ 0,32
DIVIDENDO
05/05/2023
R$ 0,02

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 10,3x
EV/EBITDA 4,2x
P/VP 1,3x
Dividend yield 12m 4,89%
Data da análise 27/06/2026

Múltiplos comprimidos, mas lucro e caixa ainda pressionados

A Vamos apresenta valor de mercado de R$3,40 bilhões, cotação próxima da mínima de 52 semanas e múltiplos comprimidos: P/L de 10,3x, EV/EBITDA de 4,2x e P/VP de 1,3x. A receita cresceu 103,9% no período 2021–2025, o EBITDA evoluiu positivamente e o último anual foi lucrativo. No 1T26, a operação melhorou com receita 21,6% maior, EBITDA mais forte, dívida líquida menor, fluxo de caixa operacional positivo em R$234,0 milhões e ocupação de frota de 88%, maior nível desde 2020.

O desconto exige cautela porque o lucro líquido caiu para R$86,6 milhões no 1T26, o resultado financeiro foi negativo em R$535,1 milhões, as despesas financeiras consumiram R$693,4 milhões, os juros pagos ficaram em R$331,5 milhões e a dívida segue elevada em R$16,7 bilhões. A recuperação operacional está em andamento, mas ainda precisa se transformar em lucro líquido mais robusto, caixa livre recorrente e desalavancagem consistente antes de uma leitura mais limpa de valuation.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 1.620.290
EBITDA R$ 951.345
Lucro líquido R$ 86.638
Dívida líquida R$ 11.846.017
Margem líquida 5,35%
FCO R$ 233.156

Vamos melhora operação no 1T26 com receita de R$1,5 bilhão, mas alto custo da dívida derruba o lucro e mantém o sinal amarelo pelo risco financeiro.

A Vamos mostra melhora operacional clara no 1T26, com receita individual de R$1,5 bilhão, ocupação de frota em 88%, fluxo operacional individual positivo em R$234 milhões, ROIC UDM de 14% e ROIC anualizado normalizado de 17,1%. A empresa também reduziu a necessidade de compra de ativos para locação no trimestre e manteve liquidez financeira elevada. Mesmo assim, a leitura ainda exige cautela porque o lucro líquido caiu para R$86,6 milhões, o resultado financeiro foi negativo em R$535,1 milhões, as despesas financeiras foram de R$693,4 milhões, os juros pagos consumiram R$331,5 milhões e a dívida segue elevada. A postura é neutra/cautelosa porque a recuperação operacional está acontecendo, mas ainda precisa se transformar em lucro líquido mais robusto, caixa livre recorrente e desalavancagem consistente. O sinal é amarelo porque há avanço real, mas o risco financeiro ainda impede uma leitura plenamente verde.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Vamos encerrou 2021 com forte crescimento operacional, expansão de receita, ganho de escala, avanço de EBITDA e lucro líquido muito superior ao de 2020. O ano também foi marcado por reforço de capital via IPO e follow-on, aumento expressivo da base de ativos e preparação financeira para um novo ciclo de crescimento. A receita líquida consolidada foi de R$2,8 bilhões, contra R$1,5 bilhão em 2020. O crescimento veio da combinação entre locação de caminhões, máquinas e equipamentos, concessionárias e venda de ativos.

Demonstrações Financeiras 2022

Vamos encerrou 2022 com forte expansão operacional, crescimento relevante de receita, aumento do lucro bruto, lucro líquido maior e avanço expressivo da base de ativos para locação. O ano reforçou a tese de crescimento da companhia, mas também evidenciou aumento relevante da dívida, do custo financeiro e da necessidade de capital para sustentar a expansão da frota. A receita individual de venda de bens e serviços foi de R$1,9 bilhão, contra R$1,1 bilhão em 2021. O crescimento foi puxado pela expansão da operação de locação, pela venda de ativos desmobilizados e pela maior escala do negócio.

Demonstrações Financeiras 2023

A Vamos encerrou 2023 com crescimento operacional relevante, expansão da receita, avanço de EBITDA, aumento do EBIT e cumprimento da projeção de crescimento da receita líquida de locação. O ano confirmou a força do modelo de locação de caminhões, máquinas e equipamentos, mas também mostrou pressão financeira mais forte e queda do lucro líquido. A receita líquida consolidada foi de R$6,1 bilhões, contra R$4,9 bilhões em 2022. O crescimento foi de 23,9% e teve contribuição importante da locação, da venda de ativos e da industrialização e customização.

Demonstrações Financeiras 2024

Vamos encerrou 2024 com crescimento operacional relevante no negócio de locação, avanço de receita, EBITDA e EBIT, mas com lucro líquido contábil pressionado por resultado financeiro elevado e pelo efeito das operações descontinuadas ligadas à cisão das concessionárias. O principal evento do ano foi a conclusão da cisão das concessionárias. Com essa operação, a Vamos passou a ficar dedicada ao segmento de locação de caminhões, máquinas e equipamentos.

Demonstrações Financeiras 2025

A Vamos encerrou 2025 com crescimento de receita, maior base de ativos de locação, aumento de liquidez financeira e melhora do consumo de caixa operacional, mas com lucro líquido menor e pressão financeira ainda muito relevante. A receita individual de venda de bens e serviços foi de R$5,4 bilhões, contra R$4,4 bilhões em 2024. O crescimento mostra avanço da operação de locação e maior volume de venda de ativos desmobilizados. O lucro bruto individual ficou em R$3 bilhões, praticamente estável frente a 2024.

Resumo fundamentalista

A Vamos iniciou 2026 com melhora operacional relevante, avanço de receita, maior ocupação da frota, crescimento de locação, melhor desempenho de Seminovos, efeito positivo da indústria e virada importante do fluxo de caixa operacional para o campo positivo.

A receita individual de venda de bens e serviços foi de R$1,5 bilhão no 1T26, contra R$1,2 bilhão no 1T25. O crescimento mostra continuidade da expansão da operação pós-cisão, com a empresa mais concentrada em locação de caminhões, máquinas e equipamentos.

O lucro bruto individual foi de R$739,3 milhões, contra R$717,1 milhões no 1T25. A melhora foi modesta frente ao crescimento da receita, porque o custo dos bens e serviços vendidos também subiu, especialmente o custo de venda de ativos desmobilizados.

O resultado antes do financeiro e dos tributos foi de R$652,2 milhões, contra R$636,8 milhões no 1T25. A operação cresceu, mas ainda não gerou expansão expressiva nessa linha, porque despesas comerciais, administrativas e custos de desmobilização continuaram relevantes.

O lucro líquido individual foi de R$86,6 milhões, contra R$107,8 milhões no 1T25. A queda ocorreu apesar da melhora operacional, principalmente por causa do resultado financeiro negativo e das despesas financeiras elevadas.

O resultado financeiro individual foi negativo em R$535,1 milhões, contra negativo de R$487,3 milhões no 1T25. As despesas financeiras foram de R$693,4 milhões, parcialmente compensadas por receitas financeiras de R$158,3 milhões. Esse segue sendo o principal limitador da tese.

A mensagem da administração destacou melhora da ocupação da frota pelo terceiro trimestre consecutivo, chegando a 88%, maior patamar desde 2020. A empresa ficou mais próxima da meta de 90% até o fim do ano, o que é positivo para diluição de custos e retorno sobre capital.

A receita de locação cresceu com aumento da ocupação, imobilizado bruto locado recorde, aumento de yields marginais, reajustes de preços e extensões de contratos. A administração também destacou redução da concentração de receita nos top 100 clientes, o que melhora a diversificação da base.

O fluxo de caixa operacional individual foi positivo em R$234 milhões, revertendo consumo de R$1,5 bilhão no 1T25. Essa virada é um dos principais pontos positivos do trimestre.

A melhora de caixa veio de maior geração operacional bruta e menor necessidade de capex líquido. O caixa gerado nas operações foi de R$1,6 bilhão, contra R$1,3 bilhão no 1T25.

A compra de ativo imobilizado operacional para locação consumiu R$486,7 milhões, bem menos que os R$834,5 milhões do 1T25. Essa redução ajuda a explicar a melhora do fluxo operacional.

Os juros pagos foram de R$331,5 milhões, contra R$248,5 milhões no 1T25. A alta mostra que a pressão financeira continua relevante, mesmo com melhora operacional.

O ativo total individual foi de R$22,7 bilhões. O imobilizado em operação ficou em R$15,7 bilhões, ainda a principal linha do ativo e base econômica da tese.

O patrimônio líquido individual subiu levemente, de R$ 2,562 bilhões no fim de 2025 para R$ 2,605 bilhões no 1T26. A alta foi limitada porque o lucro líquido de R$86,6 milhões foi parcialmente compensado por outros resultados abrangentes negativos de R$ 44 milhões, principalmente ligados a ajustes de instrumentos financeiros/hedge.

A leitura central para o usuário é de recuperação operacional em andamento, mas ainda com cautela financeira. A Vamos melhorou ocupação, caixa operacional, receita, ROIC e eficiência de capital, mas ainda convive com dívida elevada, resultado financeiro pesado, juros altos e lucro líquido pressionado.

Pontos de atenção

O primeiro risco é o resultado financeiro. O resultado financeiro individual foi negativo em R$535,1 milhões no trimestre.

O segundo risco é o custo financeiro. As despesas financeiras foram de R$693,4 milhões, ainda muito elevadas frente ao lucro líquido.

O terceiro risco é o pagamento de juros. Os juros pagos consumiram R$331,5 milhões no fluxo de caixa.

O quarto risco é a dívida elevada. Empréstimos e financiamentos de curto e longo prazo somavam aproximadamente R$16,7 bilhões.

O quinto risco é a dívida de curto prazo. Empréstimos e financiamentos circulantes subiram para R$1,8 bilhão.

O sexto risco é o aumento de contas a receber. A linha subiu para R$698,1 milhões no curto prazo e R$137,1 milhões no longo prazo.

O sétimo risco é a necessidade de manter ocupação alta. A taxa de 88% é positiva, mas a tese depende de avanço para perto de 90% e manutenção de contratos rentáveis.

O oitavo risco é a dependência de Seminovos. A venda de ativos continua essencial para liberar capital e ajudar na desalavancagem.

O nono risco é o capex futuro. Embora o capex tenha sido menor no trimestre, o guidance 2026 ainda prevê capex implantado relevante ao longo do ano.

O décimo risco é a exposição a derivativos. Instrumentos financeiros derivativos ficaram relevantes no ativo e no passivo, com impacto em resultado financeiro e outros resultados abrangentes.

O décimo primeiro risco é a sazonalidade do setor sucroalcooleiro. A companhia indicou redução de demanda desse setor no 1T26, com expectativa de compensação ao longo do ano.

O décimo segundo risco é a governança intragrupo. A Simpar controla a companhia e o usuário deve acompanhar decisões de capital, partes relacionadas e prioridades estratégicas do grupo.

Leitura final

O 1T26 foi positivo para a Vamos em termos operacionais e de caixa. A companhia aumentou receita, melhorou ocupação da frota, ampliou produtividade, teve contribuição de Seminovos e indústria, reduziu necessidade de capex no trimestre e voltou a gerar caixa operacional positivo.

A leitura, porém, ainda exige cautela. O lucro líquido caiu, o resultado financeiro continuou pesado, os juros pagos subiram e a dívida permanece elevada. A empresa mostrou evolução, mas ainda precisa provar que consegue transformar ocupação, ROIC e receita em desalavancagem e geração recorrente de caixa livre.

Para o usuário, o trimestre deve ser interpretado como avanço da recuperação pós-cisão, mas não como virada completa. A Vamos está melhorando os indicadores certos, especialmente ocupação, caixa operacional e retorno, porém o caso ainda depende de juros menores, disciplina de capex, venda eficiente de ativos, controle da dívida e manutenção de ROIC acima do custo financeiro.

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