Neutro / cautela

TUPY3 - Tupy

1T/2026

Bens industriais

Material rodoviário

Matriz: Joinville - SC

Multinacional brasileira líder global no desenvolvimento e fabricação de componentes estruturais de ferro fundido de alta complexidade geométrica e metalúrgica. O foco principal do seu negócio está na produção de blocos e cabeçotes de motor, além de peças de engenharia e conexões hidráulicas. A companhia possui fábricas no Brasil, México e Portugal, atendendo globalmente a grandes montadoras nos setores de bens de capital, o que engloba o transporte de carga pesada, infraestrutura, agricultura e sistemas de geração de energia. Recentemente, a empresa também expandiu sua operação para a montagem de motores e transição energética através da aquisição da MWM.

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Total de ações 132.450.415
Ações ordinárias 132.450.415
Ações preferenciais Não
Free float 130.913.780 — 98,84%
Maior acionista BNDES Participações S.A. — 30,69%
Tesouraria 1.364.239 — 1,03%

Data: 2026-05-29

R$ 12,58
1,94% no dia
R$ 31,40 R$ 10,49
2016 2026
Valor de mercado R$ 1,63 bi
Volume 506,10 mil
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
JCP
30/12/2024
R$ 1,39
JCP
30/12/2024
R$ 1,34
DIVIDENDO
29/05/2024
R$ 0,15
JCP
22/01/2024
R$ 0,26

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -2,5x
EV/EBITDA 17,2x
P/VP 0,7x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 07/06/2026

Desconto com risco operacional elevado

A Tupy negocia com valor de mercado de R$1,63 bi e cotação de R$12,58, próxima da mínima de 52 semanas (R$10,59) e bem distante da máxima de R$19,30, o que comprime os múltiplos e dá aparência de desconto. O P/VP de 0,7x mostra valor de mercado abaixo do patrimônio líquido, e o múltiplo está em linha com a mediana do grupo de autopeças e indústria; já o EV/EBITDA de 17,2x aparece esticado e o P/L de -2,5x reflete prejuízo, sinalizando que o suposto desconto se apoia mais no valor patrimonial do que em geração de lucro saudável. O ponto que sustenta alguma leitura construtiva é a geração de caixa operacional, recorde para um primeiro trimestre, e a redução da dívida líquida para cerca de R$2,1 bi no 1T26.

O desconto, porém, vem carregado de risco e não pode ser tratado como limpo. O último anual fechou com prejuízo de R$654,5 mi, margem EBITDA esmagada para 2,3% e alavancagem de 10,0x dívida líquida/EBITDA, enquanto o 1T26 trouxe receita 7,1% menor, EBITDA ajustado 60% abaixo, margem caindo para 4,3% e novo prejuízo de R$94,2 mi, com a alavancagem ajustada subindo para 4,02x mesmo após a queda da dívida, justamente porque o EBITDA encolheu. A tese só ganha qualidade se a empresa recuperar volumes, margem e lucro, confirmar os ganhos de eficiência prometidos e aliviar o peso financeiro; até lá, o valor de mercado descontado convive com deterioração operacional que precisa ser acompanhada de perto.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 2.306.159
EBITDA R$ 55.249
Lucro líquido R$ -94.191
Dívida líquida R$ 2.074.007
Margem líquida -4,08%
FCO R$ 198.274

Tupy teve prejuízo e queda de 60% no EBITDA no 1T26, com alavancagem em 4,02x. Ponto positivo foi o caixa recorde. Tese exige cautela e margens melhores.

A Tupy teve queda de receita, EBITDA ajustado 60% menor, margem pressionada e prejuízo líquido de R$94 milhões no 1T26. O ponto positivo foi a geração operacional de caixa recorde para um primeiro trimestre, redução da dívida líquida e avanço de projetos de eficiência. A tese exige cautela até a empresa recuperar volumes, margem e lucro, reduzindo a alavancagem que subiu para 4,02x dívida líquida/EBITDA ajustado.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Tupy encerrou 2021 com forte recuperação operacional em relação a 2020. A companhia voltou ao lucro, aumentou significativamente a receita consolidada, melhorou o lucro bruto e apresentou resultado operacional antes do financeiro muito superior ao do ano anterior. O desempenho refletiu a retomada da demanda global por componentes estruturais em ferro fundido, motores, veículos comerciais, máquinas agrícolas, equipamentos industriais e aplicações fora de estrada. A leitura central para o usuário é que 2021 foi um ano de recuperação forte, mas ainda com pressão relevante de capital de giro.

Demonstrações Financeiras 2022

Tupy encerrou 2022 com forte avanço operacional em relação a 2021. A companhia ampliou de forma expressiva sua receita consolidada, elevou o lucro bruto, aumentou o resultado antes do financeiro e tributos e multiplicou o lucro líquido consolidado. O ano confirmou a recuperação iniciada em 2021 e colocou a companhia em um patamar maior de escala, receita e rentabilidade. A leitura central para o usuário é que 2022 foi um ano positivo para a Tupy, mas com aumento importante de capital empregado.

Demonstrações Financeiras 2023

Tupy encerrou 2023 com crescimento de receita mais moderado, lucro líquido consolidado praticamente estável e forte melhora na geração de caixa operacional. Depois de um 2022 marcado por expansão acelerada, aquisição, aumento de escala e forte consumo de capital de giro, 2023 mostrou uma companhia mais eficiente na conversão de resultado em caixa. A leitura central para o usuário é que 2023 foi um ano positivo em qualidade financeira, mesmo sem grande crescimento de lucro. A empresa aumentou a receita consolidada, manteve lucro em patamar elevado e gerou caixa operacional muito superior ao de 2022.

Demonstrações Financeiras 2024

Tupy encerrou 2024 com uma leitura mais cautelosa do que em 2023. A companhia manteve escala elevada e apresentou forte geração de caixa operacional, mas teve queda de receita, forte redução do lucro líquido, piora relevante do resultado operacional e aumento da dívida consolidada. O ano mostra uma empresa ainda grande, global e importante em sua cadeia industrial, mas enfrentando pressão de rentabilidade. A leitura central para o usuário é que 2024 foi um ano de boa geração de caixa, porém fraco em lucro e margem.

Demonstrações Financeiras 2025

Tupy encerrou 2025 com forte deterioração operacional e financeira. A companhia manteve escala relevante, presença global e geração de caixa operacional positiva, mas apresentou queda de receita, forte compressão do lucro bruto, resultado operacional negativo e prejuízo líquido consolidado elevado. Depois de um 2024 já fraco em lucro, 2025 confirmou uma piora mais profunda da tese fundamentalista. A leitura central para o usuário é que Tupy continua sendo uma empresa industrial global importante, mas atravessando um período de risco elevado.

Resumo fundamentalista

A Tupy apresentou um 1T26 fraco em rentabilidade, mas com sinais positivos de disciplina financeira e eficiência operacional. A companhia enfrentou queda de volumes, câmbio desfavorável, menor diluição de custos fixos e pressão nos mercados de veículos comerciais e aplicações off-road. Como resultado, a receita caiu, o EBITDA ajustado recuou fortemente e o prejuízo líquido aumentou.

A receita líquida consolidada foi de R$2,306 bilhões no 1T26, queda de 7% contra o 1T25. A administração explicou que o desempenho foi impactado principalmente pela redução de 9% nos volumes físicos de venda de veículos comerciais e aplicações off-road nos mercados interno e externo, além da apreciação do real frente ao dólar. Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo desempenho das unidades de Contratos de Manufatura e Energia & Descarbonização.

O EBITDA ajustado foi de R$99 milhões, queda de 60% contra o 1T25, com margem de 4,3%, abaixo dos 10% do 1T25. O prejuízo líquido consolidado foi de R$94,2 milhões, pior que o prejuízo de R$12,2 milhões do 1T25. O resultado antes do financeiro e tributos foi negativo em R$39,9 milhões.

O ponto positivo foi o caixa. O fluxo de caixa operacional consolidado foi positivo em R$198,3 milhões, o melhor resultado da companhia em um primeiro trimestre, segundo a administração. A dívida líquida caiu para R$2,1 bilhões, redução de 18% contra o 1T25 e de 7% contra o 4T25. A leitura central é de cautela: a empresa tem escala, liquidez e plano de eficiência, mas precisa recuperar margem, EBITDA e lucro.

Pontos de atenção

O primeiro risco é margem. O EBITDA ajustado caiu 60%, e a margem caiu para 4,3%. A empresa precisa provar que os ganhos de eficiência, novos contratos e recuperação de volumes conseguirão recompor rentabilidade.

O segundo risco é alavancagem. A dívida líquida caiu, mas a relação dívida líquida/EBITDA ajustado subiu para 4,02x, por causa da queda do EBITDA acumulado. Esse nível exige disciplina financeira e recuperação operacional.

O terceiro risco é demanda. A queda de 9% nos volumes físicos mostra que os mercados de veículos comerciais e aplicações off-road seguem fracos. A recuperação esperada no segundo semestre precisa se materializar em pedidos, produção, faturamento e margem.

O quarto risco é câmbio. A apreciação do real e do peso mexicano frente ao dólar impactou negativamente o resultado. Como a companhia tem operação e receitas globais, variações cambiais podem afetar receita, custos, margens e dívida.

O quinto risco é Brasil. Juros altos, inadimplência elevada e desempenho fraco do agronegócio pressionaram veículos comerciais e off-road no mercado doméstico. Esse ambiente pode continuar afetando volumes.

O sexto risco é execução da reestruturação. O projeto de otimização industrial pode gerar ganhos relevantes, mas exige execução, realocação de produção, controle de qualidade, manutenção do nível de serviço e preservação do relacionamento com clientes.

O sétimo risco é prejuízo líquido. O prejuízo aumentou para R$94 milhões, e o resultado operacional ficou negativo. A tese só melhora se a companhia voltar a gerar lucro operacional e líquido de forma consistente.

Leitura final

A Tupy teve um 1T26 fraco em resultado, com queda de receita, forte recuo de EBITDA ajustado, margem baixa e prejuízo líquido elevado. O trimestre foi pressionado por menor volume, câmbio desfavorável e baixa diluição de custos fixos.

O lado positivo é que a empresa mostrou disciplina financeira. A geração operacional de caixa foi recorde para um primeiro trimestre, a dívida líquida caiu, o ciclo de conversão de caixa melhorou e a companhia preservou caixa relevante. Além disso, há sinais de recuperação externa, novos contratos, ramp-up de projetos e ganhos esperados de eficiência.

Para o usuário, Tupy deve ser classificada como cautela. A empresa não parece ativo de risco extremo, porque tem escala global, liquidez, ativos industriais, carteira de clientes e plano de eficiência. Porém, também não merece sinal verde neste momento, porque EBITDA, margem, lucro e alavancagem estão pressionados. A tese melhora se a recuperação de volumes aparecer no segundo semestre, se os novos contratos acelerarem e se a margem voltar a patamar mais saudável.

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