A Trisul encerrou 2021 com lucro positivo, margem bruta saudável e patrimônio líquido em expansão, mas com desaceleração frente ao desempenho de 2020. A companhia continuou lucrativa e com estrutura patrimonial sólida, porém apresentou queda de receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido e piora no resultado financeiro. A receita líquida consolidada foi de R$774,1 milhões em 2021, contra R$878,9 milhões em 2020. O lucro bruto consolidado foi de R$283,8 milhões, contra R$309,9 milhões no ano anterior.
TRIS3 - Trisul
Construtora e incorporadora imobiliária com forte atuação no desenvolvimento de empreendimentos residenciais de médio e alto padrão. A companhia opera de forma verticalizada — controlando desde a prospecção de terrenos estratégicos até a execução das obras e comercialização das unidades —, concentrando suas atividades e lançamentos na cidade de São Paulo e na região metropolitana paulista.
26/12/2025 R$ 0,14
18/11/2025 R$ 0,56
25/04/2025 R$ 0,30
29/04/2024 R$ 0,02
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas com margem sob pressão
Com valor de mercado de R$938,74 mi e cotação de R$4,05, próxima da mínima de 52 semanas (R$3,85) e bem abaixo da máxima de R$7,64, a Trisul aparece descontada frente aos fundamentos. Os múltiplos estão comprimidos: P/L de 4,4x, EV/EBITDA de 6,0x e P/VP de 0,6x, ou seja, o valor de mercado está abaixo do patrimônio líquido. O ano de 2025 foi de lucro recorde (R$213,1 mi), melhora de margem bruta e lançamentos fortes, incluindo o maior empreendimento da história da companhia, o que dá base histórica para sustentar parte da leitura de desconto.
A ressalva, porém, é material e impede uma leitura totalmente limpa. No 1T26, mesmo com receita crescendo 26,2% para R$343,17 mi e a dívida líquida caindo para R$458,32 mi (30,88% do patrimônio), a margem bruta recuou de cerca de 32,6% para 25,5%, o EBITDA caiu 15,1% e o lucro atribuído aos controladores recuou para R$28,32 mi. O custo de obra subiu acima da receita e os juros pagos aumentaram. O desconto convive, portanto, com compressão de margem e recuo de lucro que ainda precisam ser revertidos; a margem a apropriar de 35,4% sinaliza carteira melhor à frente, mas só confirma a tese se for efetivamente convertida em resultado e caixa nos próximos trimestres.
Indicadores principais
Trisul inicia 2026 com alta na receita e forte geração de caixa, mas queda no lucro e compressão de margens acendem alerta e exigem postura neutra.
A Trisul iniciou 2026 com crescimento de receita, geração de caixa e melhora de alavancagem. A receita líquida consolidada cresceu 26,2%, para R$343,1 milhões, o caixa operacional consolidado foi positivo em R$111,4 milhões e a dívida líquida caiu para R$458,3 milhões, equivalente a 30,88% do patrimônio líquido, abaixo dos 36,12% do fim de 2025. Além disso, o resultado a apropriar subiu para R$465,9 milhões, com margem bruta a apropriar de 35,4%. A cautela vem da compressão de margem e da queda do lucro: o lucro bruto ficou praticamente estável em R$87,4 milhões, a margem bruta caiu para cerca de 25,5%, o resultado antes do financeiro e tributos caiu para R$30 milhões e o lucro atribuído aos controladores recuou para R$28,3 milhões. A companhia segue em crescimento, mas o trimestre exige postura neutra/cautelosa.
Trajetória recente
Trisul encerrou 2022 com lucro positivo, mas em clara desaceleração operacional e financeira frente a 2021. A companhia adotou postura mais conservadora em lançamentos, priorizou a venda de estoques e operou em ambiente macroeconômico adverso, marcado por Selic elevada, piora do crédito imobiliário e menor poder de compra das famílias. Os lançamentos parte Trisul somaram aproximadamente R$1 bilhão em 2022, queda de 42% frente ao ano anterior. No 4T22, os lançamentos parte Trisul somaram R$617 milhões, queda de 7% frente ao trimestre anterior.
Trisul encerrou 2023 com recuperação relevante frente a 2022. A companhia voltou a crescer receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido, ao mesmo tempo em que apresentou forte avanço de vendas e melhora da velocidade comercial. A receita líquida consolidada foi de R$1,047 bilhão em 2023, contra R$760,2 milhões em 2022, crescimento de 37,7%. O lucro bruto consolidado foi de R$244,5 milhões, contra R$225,2 milhões no ano anterior, crescimento de 8,6%.
Encerrou 2024 com desempenho operacional e financeiro muito positivo. A companhia cresceu receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido, caixa e patrimônio líquido, ao mesmo tempo em que reduziu de forma relevante a dívida líquida e melhorou a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido. A receita líquida consolidada foi de R$1,34 bilhão em 2024, contra R$1,047 bilhão em 2023, crescimento de 28,7%. O lucro bruto consolidado foi de R$374,7 milhões, contra R$244,5 milhões no ano anterior, crescimento de 53,3%.
Trisul encerrou 2025 com lucro recorde, margem bruta mais alta, forte volume de lançamentos e aumento relevante de caixa, mantendo a trajetória positiva observada em 2024. A companhia atingiu a banda superior do guidance de lançamentos, fez o maior lançamento de sua história em VGV e ampliou lucro líquido, mas voltou a aumentar a dívida líquida e carregou maior necessidade de capital de giro. A receita líquida consolidada foi de R$1,37 bilhão em 2025, contra R$1,34 bilhão em 2024, crescimento de 2,4%. O crescimento da receita foi modesto, mas a companhia conseguiu elevar o lucro bruto e a margem.
Resumo fundamentalista
A Trisul iniciou 2026 com crescimento de receita, geração de caixa operacional positiva e redução da dívida líquida frente ao fim de 2025, mas com queda de margem, resultado operacional e lucro líquido frente ao 1T25.
A receita líquida consolidada foi de R$343,1 milhões no 1T26, contra R$271,9 milhões no 1T25, crescimento de 26,2%. O avanço confirma continuidade de escala e maior reconhecimento de receita dos projetos em andamento.
O lucro bruto consolidado foi de R$87,4 milhões, levemente abaixo dos R$88,7 milhões do 1T25. Como a receita cresceu e o lucro bruto não acompanhou, a margem bruta contábil caiu de aproximadamente 32,6% para cerca de 25,5%.
O resultado antes do financeiro e dos tributos foi de R$30 milhões, contra R$39,4 milhões no 1T25. Essa queda mostra que a expansão da receita veio com menor eficiência operacional no trimestre.
O resultado financeiro consolidado foi positivo em R$7,76 milhões, contra positivo em R$11,9 milhões no 1T25. A empresa continuou com resultado financeiro positivo, mas menor que no ano anterior, porque as despesas financeiras cresceram mais que as receitas financeiras.
O lucro líquido consolidado foi de R$28,2 milhões, contra R$42,9 milhões no 1T25. O lucro atribuído aos controladores foi de R$28,3 milhões, contra R$41,2 milhões no mesmo período do ano anterior.
A leitura central para o usuário é de empresa ainda em crescimento, mas com postura neutra/cautelosa no trimestre. A Trisul preservou lucro positivo, caixa operacional forte, patrimônio líquido elevado e redução da dívida líquida. Porém, a margem bruta caiu, o lucro diminuiu, o EBITDA caiu e as despesas comerciais, administrativas e financeiras subiram.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é a compressão da margem bruta. A margem bruta contábil caiu para cerca de 25,5%, contra aproximadamente 32,6% no 1T25. O custo dos imóveis vendidos cresceu acima da receita.
O segundo ponto é a queda do lucro. O lucro líquido consolidado caiu de R$42,9 milhões para R$28,2 milhões, e o lucro atribuído aos controladores caiu de R$41,2 milhões para R$28,3 milhões.
O terceiro ponto é a queda do resultado operacional. O resultado antes do financeiro e tributos caiu de R$39,4 milhões para R$30 milhões, mesmo com crescimento de receita.
O quarto ponto é o aumento das despesas operacionais. Despesas com vendas e despesas gerais e administrativas cresceram frente ao 1T25, pressionando a margem operacional.
O quinto ponto é o resultado financeiro menor. O resultado financeiro continuou positivo, mas caiu de R$11,9 milhões para R$7,76 milhões. As despesas financeiras aumentaram 33,8%.
O sexto ponto é o aumento dos juros pagos no fluxo consolidado. Os encargos sobre empréstimos e debêntures pagos somaram R$31,8 milhões, bem acima do 1T25.
O sétimo ponto é o nível ainda relevante de dívida líquida. A dívida líquida caiu para R$458,3 milhões e a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido caiu para 30,88%, mas o endividamento segue sendo item de acompanhamento.
O oitavo ponto é a base elevada de contas a receber. Contas a receber totais permaneceram próximas de R$1,18 bilhão, exigindo repasses, crédito imobiliário e boa qualidade da carteira.
Também é importante acompanhar se a margem a apropriar de 35,4% será convertida em resultado efetivo nos próximos trimestres, já que a margem contábil do 1T26 ficou pressionada.
Leitura final
A Trisul iniciou 2026 com crescimento de receita, geração de caixa e melhora de alavancagem. A receita líquida consolidada cresceu 26,2%, para R$343,17 milhões, o caixa operacional consolidado foi positivo em R$111,4 milhões e a dívida líquida caiu para R$458,3 milhões, equivalente a 30,88% do patrimônio líquido, abaixo dos 36,12% do fim de 2025. Além disso, o resultado a apropriar subiu para R$465,9 milhões, com margem bruta a apropriar de 35,4%. A cautela vem da compressão de margem e da queda do lucro: o lucro bruto ficou praticamente estável em R$87,4 milhões, a margem bruta caiu para cerca de 25,5%, o resultado antes do financeiro e tributos caiu para R$30 milhões e o lucro atribuído aos controladores recuou para R$28,3 milhões. A companhia segue em crescimento, mas o trimestre exige postura neutra/cautelosa.