Ativo de risco

TPIS3 - Triunfo

1T/2026

Bens industriais

Exploração de rodovias

Matriz: São Paulo - SP

Uma das principais empresas brasileiras focadas no setor de infraestrutura, atuando por meio da gestão de concessões públicas e ativos estratégicos. O principal motor de seus negócios está na exploração e administração de rodovias pedagiadas, mas a holding possui um modelo diversificado que inclui participações na administração aeroportuária (como o Aeroporto de Viracopos), operações de terminais portuários e logística, além de investimentos no segmento de geração de energia elétrica através de usinas hidrelétricas.

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Total de ações 44.000.000
Ações ordinárias 44.000.000
Ações preferenciais Não
Free float 18.522.521 — 42,10%
Controlador THP S.A. — 54,97%
Tesouraria 624.800 — 1,42%

Data: 2026-05-29

R$ 9,25
-2,53% no dia
R$ 19,32 R$ 2,88
2016 2026
Valor de mercado R$ 393,90 mi
Volume 115,40 mil
P/L externo -
Dividend yield 12m 5,93%
DIVIDENDO
30/12/2025
R$ 0,55
DIVIDENDO
16/12/2024
R$ 0,23
DIVIDENDO
27/04/2023
R$ 0,05
DIVIDENDO
29/04/2022
R$ 0,02

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -1,0x
EV/EBITDA -3,5x
P/VP 0,8x
Dividend yield 12m 5,93%
Data da análise 07/06/2026

Desconto com risco elevado

Com valor de mercado de R$393,90 mi e cotação em R$9,25, próxima da máxima de 52 semanas (R$11,50) e bem acima da mínima (R$3,53), a Triunfo negocia a um P/VP de 0,8x, abaixo do valor patrimonial. Os múltiplos de lucro e EBITDA estão distorcidos e negativos (P/L de -1,0x e EV/EBITDA de -3,5x), reflexo do prejuízo anual de R$402,66 mi em 2025 e do EBITDA negativo de R$457,06 mi no mesmo ano. À primeira vista, o P/VP comprimido e o dividend yield de 5,9% poderiam sugerir desconto, mas essa leitura precisa ser tratada com cautela diante da deterioração dos fundamentos.

O ponto de atenção é material: 2025 trouxe forte destruição patrimonial, com patrimônio líquido caindo de cerca de R$909 mi para R$482,45 mi, e o 1T26 confirmou a piora, com receita líquida recuando 54,7% na comparação anual, novo prejuízo e dívida líquida ainda elevada em R$1,18 bi, concentrada no curto prazo. A saída da Concer reduziu escala e deixou pendências contratuais, enquanto a Concebra segue em relicitação e judicialização. O caixa operacional continua positivo, mas sustentado por ajustes contábeis, impairment e provisões, não por lucro recorrente. Por isso o desconto aparente no P/VP convive com risco financeiro e operacional elevado, exigindo confirmação de redução de dívida, resolução das concessões e estabilização da geração de caixa antes de uma leitura mais limpa.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 124.909
EBITDA R$ 7.653
Lucro líquido R$ -11.786
Dívida líquida R$ 1.182.202
Margem líquida -9,44%
FCO R$ 51.996

Triunfo teve melhora operacional no 1T26, mas segue com prejuízo, queda de receita e dívida alta de curto prazo. Tese depende de resolver concessões.

A Triunfo teve melhora operacional antes do financeiro e fluxo operacional positivo no 1T26, mas segue com prejuízo, forte queda de receita, caixa menor, dívida de curto prazo elevada e passivo circulante muito acima do ativo circulante. A saída da Concer reduziu escala e ainda deixa pendências contratuais, enquanto a Concebra permanece em ambiente de relicitação e judicialização. A tese depende de redução de dívida, resolução de concessões, indenizações e estabilização da geração de caixa.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Triunfo encerrou 2021 com uma leitura ainda bastante cautelosa. A companhia manteve receita consolidada relevante, caixa operacional positivo e algum avanço em relação a anos mais pressionados, mas o lucro consolidado foi muito baixo e o resultado financeiro continuou consumindo grande parte da geração operacional. A leitura central para o usuário é que a Triunfo em 2021 ainda era uma empresa de concessões e infraestrutura com alto risco financeiro.

Demonstrações Financeiras 2022

Triunfo encerrou 2022 com melhora operacional importante em relação a 2021, mas ainda com lucro consolidado muito baixo e estrutura financeira pressionada. A companhia aumentou a receita consolidada, ampliou bastante o lucro bruto e melhorou o resultado antes do financeiro e dos tributos. Esses pontos indicam avanço na operação das concessões e melhora de margem operacional. A leitura central para o usuário é que a Triunfo em 2022 mostrou recuperação operacional, mas ainda sem transformar essa melhora em lucro robusto para o acionista.

Demonstrações Financeiras 2023

Triunfo encerrou 2023 com reversão negativa em relação à melhora operacional observada em 2022. A companhia reduziu a receita consolidada, teve queda relevante do lucro bruto, apresentou resultado antes dos tributos negativo e voltou ao prejuízo consolidado. A melhora vista no ano anterior não se sustentou integralmente. A leitura central para o usuário é que a Triunfo continuava sendo uma empresa de concessões e infraestrutura com risco elevado.

Demonstrações Financeiras 2024

Triunfo encerrou 2024 com recuperação operacional parcial em relação a 2023. A companhia aumentou a receita consolidada, ampliou fortemente o lucro bruto e voltou a apresentar resultado antes dos tributos positivo. Esses pontos indicam melhora na operação das concessões e recuperação da margem bruta após o ano fraco de 2023. A leitura central para o usuário, porém, ainda deve ser cautelosa.

Demonstrações Financeiras 2025

Triunfo encerrou 2025 com forte deterioração do resultado e aumento relevante do risco fundamentalista. A companhia reduziu a receita consolidada, teve queda do lucro bruto, registrou resultado antes dos tributos fortemente negativo e apresentou prejuízo consolidado muito elevado. O resultado positivo de operações descontinuadas ajudou parcialmente, mas não foi suficiente para compensar a deterioração das operações continuadas. A leitura central para o usuário é que a Triunfo deve ser tratada como ativo de risco.

Resumo fundamentalista

A Triunfo apresentou um 1T26 de risco elevado. A companhia ainda registrou prejuízo líquido, queda forte de receita, endividamento elevado de curto prazo e uma estrutura operacional reduzida após o encerramento da operação da Concer no início de novembro de 2025. O resultado operacional antes do financeiro melhorou em relação ao 1T25, mas isso ocorreu principalmente por redução de custos e despesas após a saída da Concer e por uma base comparativa que tinha multa não recorrente em 2025.

A receita líquida consolidada foi de R$124,9 milhões no 1T26, queda de 35,8% contra os R$194,5 milhões do 1T25. A receita líquida ajustada, excluindo receita de construção, foi de R$99 milhões, queda de 44,3%. O lucro bruto caiu de R$ 67,5 milhões para R$29,3 milhões. O resultado antes do financeiro e tributos ficou positivo em R$7 milhões, contra resultado negativo de R$1,5 milhão no 1T25.

Apesar da melhora operacional antes do financeiro, o resultado final continuou negativo. O resultado financeiro foi negativo em R$26,4 milhões, e o prejuízo líquido consolidado foi de R$11,8 milhões, pior que o prejuízo de R$11 milhões do 1T25. O prejuízo atribuído aos acionistas controladores foi de R$11,4 milhões.

A leitura central é de ativo de risco. A companhia ainda possui ativos relevantes em concessões e possíveis créditos/indenizações, mas a estrutura financeira, a dependência da Concebra, a relicitação, as operações descontinuadas, o histórico de passivos e a queda de receita exigem cautela elevada.

Pontos de atenção

O primeiro risco é liquidez. O passivo circulante consolidado de R$948,8 milhões é muito superior ao ativo circulante de R$204,8 milhões. Essa diferença mostra pressão relevante de curto prazo.

O segundo risco é dívida. Empréstimos, financiamentos e debêntures somam valores elevados, com grande concentração no curto prazo. A empresa consumiu R$54,1 milhões no fluxo de financiamento apenas com pagamentos de dívida no trimestre.

O terceiro risco é queda de receita. A receita líquida consolidada caiu 35,8%, e a receita líquida ajustada caiu 44,3%. A saída da Concer explica boa parte da queda, mas também reduz escala e geração operacional futura.

O quarto risco é prejuízo recorrente. A companhia segue no prejuízo, com perda consolidada de R$11,8 milhões no 1T26. Mesmo com melhora operacional antes do financeiro, o resultado financeiro negativo ainda impede lucro.

O quinto risco é regulação e concessões. A Concebra depende de relicitação, decisões da ANTT, decisões judiciais, eventuais indenizações, obrigações de manutenção e definição sobre o futuro da concessão. Esse ambiente traz incerteza elevada.

O sexto risco é Concer. Mesmo após o encerramento da operação, a companhia ainda precisa tratar haveres, deveres, ativos reversíveis, indenizações e responsabilidades contratuais. A resolução desses temas pode afetar caixa e balanço.

O sétimo risco é operações descontinuadas. O resultado positivo de operações descontinuadas ajudou a reduzir o prejuízo, mas não deve ser tratado como operação recorrente principal. A dependência de ativos em venda ou descontinuação reduz previsibilidade.

Leitura final

A Triunfo apresentou melhora operacional antes do financeiro no 1T26, principalmente por redução de custos e despesas após o encerramento da Concer e por uma base de comparação com efeitos não recorrentes. A geração operacional de caixa continuou positiva, e o resultado financeiro melhorou em relação ao 1T25.

Mesmo assim, a leitura fundamentalista continua bastante cautelosa. A receita caiu fortemente, o grupo perdeu escala operacional, a empresa continuou no prejuízo, o caixa caiu, a dívida de curto prazo é elevada e o passivo circulante supera muito o ativo circulante. Além disso, o futuro depende de relicitação, indenizações, decisões judiciais e encerramento de pendências de concessões.

Para o usuário, Triunfo teve melhora operacional no 1T26, mas segue com prejuízo, queda de receita e dívida alta de curto prazo. Tese depende de resolver concessões. deve ser classificada como ativo de risco. A tese só melhora se a companhia reduzir dívida, resolver passivos de concessões, avançar na relicitação/indenizações, preservar caixa e estabilizar a operação remanescente com geração recorrente.

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