A empresa encerrou 2021 com lucro líquido maior que em 2020, apesar de um ambiente operacional bastante desafiador. A companhia seguiu como uma das maiores empresas de logística de veículos do Brasil, mas foi diretamente afetada pela crise global de componentes, especialmente semicondutores, que prejudicou a produção de veículos novos e reduziu volumes transportados. A leitura central do ano é de resiliência.
TGMA3 - Tegma
Uma das maiores empresas de logística do Brasil e a líder absoluta no mercado de transporte de veículos zero-quilômetro (logística automotiva). Gerencia toda a cadeia de distribuição das montadoras — desde a saída da fábrica e armazenamento nos pátios até a entrega final nas concessionárias —, operando uma vasta frota de caminhões cegonhas. Além disso, a empresa atua na divisão de logística integrada, prestando serviços de armazenagem, gestão de estoque e transporte de cargas complexas para os setores químico, de eletrodomésticos e de bens de consumo.
02/12/2025 R$ 1,52
06/11/2025 R$ 0,18
06/11/2025 R$ 0,79
07/08/2025 R$ 0,14
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Valuation descontado com fundamentos sólidos
Com valor de mercado de R$ 1,96 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas, a Tegma é lida como descontada frente aos seus fundamentos. Os múltiplos reforçam essa leitura: P/L de 8,1x, EV/EBITDA de 5,7x e P/VP de 2,2x, acompanhados de um dividend yield estimado em 12,9% nos últimos 12 meses. O histórico anual de 2021 a 2025 sustenta o desconto de forma mais limpa, com receita crescendo 120,9% no período, último ano lucrativo, geração de caixa operacional forte e alavancagem baixa (dívida líquida/EBITDA de 0,2x). O 1T26 ainda trouxe receita em alta de 18,4% e a reversão de dívida líquida para caixa líquido, indicando estrutura financeira saudável.
A ressalva está na qualidade desse crescimento. No 1T26, mesmo com receita e EBITDA em alta, o lucro líquido piorou e o fluxo de caixa operacional recuou, com margem bruta caindo de 19,2% para 16,1% por causa de ociosidade de pátios, repasses de diesel ainda não formalizados e custos pontuais. Some-se a isso a perda de market share (de 22,8% para 22,3%) e o ano de 2025, que já havia mostrado queda de EBITDA, lucro e margens, CAPEX recorde e dividendos elevados. O desconto parece amparado pelos fundamentos, mas o ponto a acompanhar é se a empresa consegue recompor margem, recuperar participação de mercado e converter o crescimento de receita em lucro nos próximos trimestres.
Indicadores principais
Tegma cresceu receita, EBITDA e caixa no 1T26, passando a ter caixa líquido e ROIC elevado. Tese positiva por força em logística automotiva.
A Tegma cresceu receita, volumes transportados, EBITDA e caixa no 1T26, além de sair de dívida líquida para caixa líquido e manter ROIC elevado. A tese é positiva pela solidez financeira e força operacional em logística automotiva. O usuário deve monitorar margem bruta, repasse de diesel, ociosidade de pátios, market share e conversão do crescimento de receita em lucro líquido.
Trajetória recente
A empresa teve em 2022 um ano de forte recuperação operacional e financeira em relação a 2021. A companhia voltou a crescer receita, lucro bruto, EBITDA ajustado, lucro líquido e geração de caixa, beneficiada pela melhora gradual da produção automotiva, normalização parcial da crise de semicondutores, aumento de tarifas de transporte, recuperação de volumes e bom desempenho da divisão de logística integrada. A leitura fundamentalista de 2022 é positiva.
A empresa teve em 2023 mais um ano positivo, com crescimento de receita, lucro bruto, lucro líquido, geração de caixa operacional e caixa líquido. A companhia se beneficiou da recuperação do mercado automotivo brasileiro após três anos de estagnação ligados à pandemia, crise dos semicondutores e choques externos. A operação de logística de veículos voltou a crescer em volume, e a empresa manteve posição financeira desalavancada. A leitura fundamentalista de 2023 é positiva.
A empresa teve em 2024 um ano muito forte, com crescimento expressivo de receita, lucro bruto, EBITDA, lucro líquido, caixa operacional e fluxo de caixa livre. A companhia foi diretamente beneficiada pelo bom momento da indústria automotiva brasileira, que apresentou crescimento relevante nas vendas de veículos, impulsionado por baixo desemprego, maior disponibilidade de crédito, melhora da confiança do consumidor e forte entrada de veículos importados, especialmente de montadoras chinesas. A leitura fundamentalista de 2024 é positiva.
A empresa encerrou 2025 com uma leitura mista. A companhia ainda apresentou lucro elevado, margem líquida acima de 10%, caixa operacional positivo e estrutura financeira administrável, mas o ano marcou uma reversão parcial da trajetória muito forte observada em 2024. A receita líquida consolidada cresceu no ano, porém o lucro bruto, EBITDA, lucro líquido, fluxo de caixa livre, market share e margens caíram. A leitura fundamentalista de 2025 é de cautela construtiva.
Resumo fundamentalista
A Tegma apresentou um 1T26 positivo em crescimento de receita, geração de caixa e posição financeira, mas com pressão relevante de margem. A companhia se beneficiou do crescimento do mercado automotivo doméstico, do aumento da quantidade de veículos transportados, da maior distância média por veículo e da expansão das operações da Fastline. Mesmo assim, a margem bruta caiu e o lucro líquido ficou abaixo do 1T25.
A receita líquida consolidada foi de R$521,3 milhões, crescimento de 18,4% contra o 1T25. O lucro bruto foi de R$83,9 milhões, praticamente estável contra os R$84,3 milhões do 1T25. A margem bruta caiu de 19,2% para 16,1%. O EBITDA foi de R$74,2 milhões, alta de 7,7%, mas a margem EBITDA caiu de 15,6% para 14,2%. O lucro líquido foi de R$38,8 milhões, queda de 11,3%.
A leitura central é positiva, com atenção à margem. A Tegma cresceu receita, gerou caixa livre de R$71,2 milhões, encerrou o trimestre com caixa líquido de R$59 milhões, manteve ROIC elevado de 30,4% e segue bem posicionada em logística automotiva. Porém, o crescimento de receita veio com menor margem bruta, reflexo de pátios, diesel, custos operacionais pontuais e descasamento temporário de repasses.
Pontos de atenção
O primeiro risco é margem. A receita líquida cresceu 18,4%, mas o lucro bruto ficou praticamente estável e a margem bruta caiu de 19,2% para 16,1%. Esse descasamento mostra que o crescimento do trimestre teve menor qualidade de margem.
O segundo risco é repasse de custos. O aumento do diesel gerou descasamento temporário com clientes e impactou o resultado. A tese depende da capacidade da empresa de repassar custos de forma rápida e contratualmente protegida.
O terceiro risco é operações de pátios. A redução do faturamento de pátios e a ociosidade de áreas alugadas reduziram a margem no trimestre. A companhia espera usar essas áreas para acomodar veículos importados no segundo e terceiro trimestres de 2026, mas isso ainda precisa se converter em receita.
O quarto risco é concentração no setor automotivo. A Tegma se beneficia do crescimento de produção e vendas de veículos, mas pode sofrer com queda de emplacamentos, mudanças de market share entre montadoras, exportações menores, crédito mais restrito ou desaceleração do consumo.
O quinto risco é market share. A empresa cresceu veículos transportados, mas perdeu 0,5 ponto percentual de participação. Isso ocorreu porque clientes relevantes cresceram abaixo do mercado. O usuário deve acompanhar se essa perda é pontual ou recorrente.
O sexto risco é lucro líquido. Apesar de EBITDA maior e caixa forte, o lucro líquido caiu 11,3%, afetado por margem operacional menor, despesas financeiras maiores e menor equivalência patrimonial.
Leitura final
A Tegma teve um 1T26 de crescimento e geração de caixa fortes. A companhia ampliou receita, transportou mais veículos, aumentou distância média, gerou caixa livre relevante e saiu de dívida líquida para caixa líquido. A estrutura financeira é saudável, o ROIC segue elevado e a empresa permanece bem posicionada em logística automotiva.
O ponto de atenção é a margem. O crescimento de receita não se converteu em crescimento proporcional de lucro bruto ou lucro líquido. A queda da margem bruta veio de pátios, ociosidade temporária, diesel, custos fluviais e mix operacional. Esses fatores parecem em parte pontuais, mas precisam ser monitorados.
Para o usuário, Tegma deve ser classificada como empresa em crescimento, com sinal verde, mas com atenção clara à margem. A tese é positiva pela escala, caixa, ROIC, baixa alavancagem e exposição ao mercado automotivo em recuperação. A leitura pode piorar se a margem continuar comprimida ou se a perda de market share se repetir nos próximos trimestres.