A Tecnisa iniciou 2026 ainda em situação operacional e financeira pressionada. A companhia apresentou alguma melhora de margem bruta no consolidado direto e manteve resultado positivo antes do financeiro e dos tributos, mas a receita caiu, as vendas contratadas recuaram, não houve lançamentos, o prejuízo aumentou frente ao 1T25 e a alavancagem permaneceu muito elevada.
A receita líquida consolidada foi de R$27,1 milhões no 1T26, contra R$46,8 milhões no 1T25, queda de 42,1%. A receita bruta de vendas caiu 65,8%, de R$40,6 milhões para R$13,8 milhões, enquanto a receita de prestação de serviços subiu 72,5%, para R$ 15,4 milhões.
O lucro bruto consolidado foi positivo em R$2,7 milhões, revertendo prejuízo bruto de R$4,5 milhões no 1T25. O lucro bruto ajustado foi de R$3,26 milhões, contra R$4 milhões no 1T25. A margem bruta ajustada subiu de 8,6% para 12%.
Apesar da melhora de margem, a escala operacional foi muito baixa. A companhia não realizou lançamentos no trimestre. As vendas contratadas parte Tecnisa foram de R$69,1 milhões, queda de 19,5% frente ao 1T25, e as vendas contratadas 100% foram de R$125,9 milhões, queda de 57,9%.
O resultado antes do financeiro e dos tributos consolidado foi positivo em R$5 milhões, contra R$3,87 milhões no 1T25. Esse resultado foi sustentado principalmente por equivalência patrimonial positiva de R$27,2 milhões, uma vez que o Jardim das Perdizes não é consolidado integralmente e aparece nessa rubrica.
O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$24,9 milhões, contra negativo de R$10,1 milhões no 1T25. As despesas financeiras subiram para R$26,4 milhões, enquanto as receitas financeiras caíram para R$1,5 milhão. Esse aumento do peso financeiro foi o principal fator para a piora do prejuízo.
O prejuízo líquido consolidado foi de R$20,6 milhões, contra prejuízo de R$8 milhões no 1T25. O prejuízo atribuído aos controladores foi de R$20,5 milhões, contra prejuízo de R$7,7 milhões no mesmo período do ano anterior.
A leitura central para o usuário é de risco elevado. Há sinais positivos na margem bruta ajustada consolidada e na margem bruta ajustada incluindo equivalência patrimonial, mas a empresa ainda opera com baixa escala, prejuízo recorrente, dívida líquida elevada, patrimônio líquido em queda, forte dependência do Jardim das Perdizes e ausência de lançamentos no trimestre.