Ativo de risco

TASA3 - Taurus

1T/2026

Bens industriais

Armas e munições

Matriz: São Leopoldo - RS

Empresa estratégica de defesa brasileira e uma das maiores fabricantes de armas de fogo e munições do mundo. A companhia projeta, produz e comercializa um portfólio completo que inclui pistolas, revólveres, armas longas (fuzis e submetralhadoras) e supressores, sendo líder global na fabricação de revólveres. Com plantas industriais no Brasil e nos Estados Unidos, a marca abastece mercados civis, forças policiais e militares em mais de 100 países, destacando-se como a marca importada mais vendida no mercado norte-americano.

← Voltar para a lista
Total de ações 139.297.877
Ações ordinárias 51.089.845
Ações preferenciais 88.208.032
Free float 82.361.701 — 59,13%
Controlador BYK Participações S.A. — 50,57%
Tesouraria 97.509 — 0,07%

Data: 2026-05-29

R$ 4,96
3,33% no dia
R$ 25,94 R$ 2,22
2019 2026
Valor de mercado R$ 628,94 mi
Volume 16,60 mil
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,06%
DIVIDENDO
29/04/2026
R$ 0,00
DIVIDENDO
29/04/2025
R$ 0,20
DIVIDENDO
29/04/2025
R$ 0,07
DIVIDENDO
30/04/2024
R$ 0,30

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

esticada
P/L 35,6x
EV/EBITDA 11,3x
P/VP 0,5x
Dividend yield 12m 0,06%
Data da análise 07/06/2026

Valuation esticado frente aos fundamentos atuais

Com valor de mercado de R$628,94 mi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$4,62, contra topo de R$7,92), a Taurus negocia a P/VP de apenas 0,5x, o que à primeira vista sugere desconto sobre o patrimônio. No entanto, os múltiplos de resultado contam outra história: o P/L está em 35,6x e o EV/EBITDA em 11,3x, refletindo um lucro anual de 2025 muito comprimido (apenas R$17,7 mi) e um EBITDA de R$105,9 mi que despencou frente aos anos fortes de 2021–2022. A receita caiu 46,6% no acumulado do período e a alavancagem segue pesada, com dívida líquida/EBITDA de 5,4x, o que torna a leitura exigente apesar do múltiplo patrimonial baixo.

O ponto de atenção é claro e material: o 1T26 trouxe EBITDA negativo, prejuízo líquido e margem bruta caindo de 32,3% para 28,2%, com dívida bruta de R$859,2 mi ainda elevada e caixa operacional sustentado mais por liberação de estoques do que por geração recorrente. Existem gatilhos relevantes — fim da tarifa de 50% nos EUA, restituição estimada de US$18 mi, carteira de pedidos perto de US$100 mi e avanço em defesa e Índia —, mas nenhum deles ainda apareceu como margem, EBITDA e lucro consistentes. Enquanto o resultado operacional não confirmar recuperação, o valor de mercado parece pouco descontado em relação ao que os fundamentos entregam hoje, e o desconto patrimonial não compensa o risco de execução e o financeiro pesado.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 354.917
EBITDA R$ -20.038
Lucro líquido R$ -36.618
Dívida líquida R$ 541.111
Margem líquida -10,32%
FCO R$ 46.177

Taurus teve EBITDA negativo e prejuízo no 1T26. Fim de tarifa nos EUA e Índia geram gatilhos, mas tese segue como ativo de risco até virar caixa.

A Taurus teve 1T26 com EBITDA negativo, prejuízo líquido, margem bruta menor, resultado operacional negativo e dívida líquida relevante. A empresa tem gatilhos positivos importantes, como fim da tarifa de 50% nos EUA, restituição estimada de US$18 milhões, carteira de pedidos próxima de US$100 milhões e avanço em defesa/Índia, mas esses fatores ainda precisam se converter em margem, EBITDA, lucro e caixa recorrente. Até isso aparecer, a leitura deve permanecer como ativo de risco.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

2021 foi um ano excepcional para a Taurus. A companhia consolidou o processo de turnaround, alcançou forte crescimento de receita, lucro bruto, EBITDA e lucro líquido, e passou a se posicionar como uma das maiores fabricantes globais de armas curtas. A administração destacou EBITDA de aproximadamente R$1 bilhão no ano e lucro líquido de R$635,1 milhões, reforçando uma mudança estrutural relevante em relação ao histórico anterior da empresa. A leitura operacional é muito positiva.

Demonstrações Financeiras 2022

2022 foi mais um ano forte para a Taurus, embora abaixo do pico excepcional de 2021. A companhia manteve lucro líquido elevado, forte geração de caixa operacional, patrimônio líquido robusto e posição competitiva relevante no mercado global de armas. O ano confirmou que o turnaround não foi apenas pontual: a empresa encerrou 2022 com estrutura de capital melhor, menor dívida bancária, menor alavancagem e capacidade de continuar investindo em expansão e inovação. A leitura operacional é positiva, mas com início de normalização.

Demonstrações Financeiras 2023

2023 foi um ano de forte ajuste para a Taurus depois do ciclo excepcional de 2020 a 2022. A companhia enfrentou uma mudança relevante no cenário de mercado, com retração da demanda no Brasil por indefinição regulatória, mercado norte-americano em fase de normalização, menor receita, queda expressiva do lucro bruto, EBITDA menor e lucro líquido bem abaixo de 2022. A leitura central é de cautela operacional, mas não de quebra da tese. A Taurus continuou lucrativa, manteve margem bruta considerada superior à de pares internacionais, preservou patrimônio líquido robusto e gerou caixa operacional positivo.

Demonstrações Financeiras 2024

2024 foi mais um ano desafiador para a Taurus. A companhia ainda enfrentou um mercado de armas retraído, especialmente no Brasil, e não conseguiu recuperar plenamente o nível de receita e lucro dos anos excepcionais de 2021 e 2022. A receita consolidada caiu em relação a 2023, o lucro bruto diminuiu, o lucro líquido recuou pela segunda vez consecutiva e o resultado financeiro piorou de forma relevante. A leitura central é de cautela.

Demonstrações Financeiras 2025

2025 foi mais um ano difícil para a Taurus. A companhia continuou lucrativa, manteve margem bruta elevada para o setor, preservou presença internacional e reforçou sua estratégia de diversificação geográfica. Porém, a receita consolidada caiu novamente, o lucro bruto recuou, o resultado operacional antes do financeiro diminuiu de forma relevante e o lucro líquido ficou muito baixo. A leitura central é de cautela.

Resumo fundamentalista

A Taurus apresentou um 1T26 de risco elevado, com receita consolidada praticamente estável, mas forte piora de margem, EBITDA negativo, resultado operacional negativo e prejuízo líquido. A companhia segue com ativos industriais relevantes, presença internacional, marcas fortes, carteira de pedidos relevante e possível recuperação de valores pagos a maior em tarifas nos Estados Unidos. Porém, o trimestre ainda mostrou operação pressionada e estrutura financeira que exige cuidado.

A receita líquida consolidada foi de R$354,9 milhões no 1T26, contra R$349,1 milhões no 1T25, crescimento de apenas 1,7%. O mercado interno cresceu 14,8%, para R$75,8 milhões, enquanto o mercado externo caiu 1,4%, para R$279,2 milhões. Apesar da receita levemente maior, o lucro bruto caiu de R$112,9 milhões para R$100,1 milhões, e a margem bruta caiu de 32,3% para 28,2%.

O EBITDA foi negativo em R$20,1 milhões, contra EBITDA positivo de R$7 milhões no 1T25. O resultado antes do financeiro e tributos foi negativo em R$35,4 milhões, contra resultado negativo de R$4,5 milhões no 1T25. O resultado líquido consolidado foi prejuízo de R$36,6 milhões, contra lucro de R$18,6 milhões no mesmo período do ano anterior.

A leitura central é de ativo de risco, mas com possibilidade de melhora. A companhia sofreu com tarifa de 50% sobre exportações para os EUA durante boa parte do trimestre, maior custo, margem menor, despesas operacionais elevadas e acordo jurídico nos Estados Unidos. Por outro lado, o fim da tarifa de 50%, a restituição estimada de US$18 milhões, a carteira de pedidos próxima de US$100 milhões e a expansão no segmento de defesa podem melhorar a performance futura.

Pontos de atenção

O primeiro risco é resultado operacional negativo. O EBITDA foi negativo em R$20,1 milhões, e o resultado antes do financeiro e tributos foi negativo em R$35,4 milhões. Esse é o principal motivo da classificação como ativo de risco.

O segundo risco é prejuízo líquido. A companhia saiu de lucro de R$18,6 milhões no 1T25 para prejuízo de R$36,6 milhões no 1T26. A virada para prejuízo mostra que a operação ainda não absorveu as pressões de tarifa, custos, despesas e acordo jurídico.

O terceiro risco é margem bruta. A margem caiu de 32,3% para 28,2%, mesmo com receita levemente maior. A tese depende de recuperação de margem após a redução das tarifas nos EUA e maior produção local.

O quarto risco é dívida e liquidez. A dívida líquida de R$541,1 milhões é relevante, especialmente com EBITDA negativo no trimestre. A empresa tem patrimônio líquido positivo e aplicações financeiras, mas precisa voltar a gerar EBITDA para manter a estrutura confortável.

O quinto risco é dependência do mercado americano. Os Estados Unidos seguem como mercado central para a Taurus. Mudanças regulatórias, tarifas, demanda, processos judiciais, concorrência e câmbio podem afetar fortemente o resultado.

O sexto risco é execução internacional e defesa. Índia, fuzis, Mertsav e segmentos militares podem abrir crescimento relevante, mas também exigem execução comercial, certificações, prazos, capital, compliance, integração e gestão de risco geopolítico.

O sétimo risco é qualidade do caixa. O fluxo operacional foi positivo, mas sustentado por liberação de estoques e capital de giro, enquanto o caixa gerado nas operações antes do giro foi negativo. O usuário deve observar se a geração de caixa se torna recorrente com melhora operacional.

Leitura final

A Taurus teve um 1T26 difícil. A companhia manteve receita praticamente estável, mas a rentabilidade deteriorou: margem bruta menor, EBITDA negativo, resultado operacional negativo e prejuízo líquido. A tarifa de 50% nos EUA, custos, despesas operacionais e acordo jurídico pressionaram o resultado.

Ao mesmo tempo, há fatores de recuperação importantes. O fim da tarifa de 50%, a restituição estimada de US$18 milhões, a primeira parcela já recebida em maio, a carteira de pedidos próxima de US$100 milhões, os contratos na Índia, a licitação de fuzis e a produção crescente nos EUA criam um cenário potencialmente melhor para os próximos trimestres.

Para o usuário, Taurus deve ser classificada como ativo de risco. A empresa não está em colapso financeiro, pois ainda tem patrimônio líquido relevante, aplicações financeiras, presença global e carteira de pedidos. Porém, com EBITDA negativo, prejuízo líquido, margem pressionada e dívida relevante, a leitura atual precisa ser de cautela elevada até a recuperação operacional aparecer nos números.

Privacidade & Cookies
Utilizamos cookies próprios e de parceiros para medir o desempenho das campanhas e melhorar sua experiência. Ao aceitar, você autoriza a coleta de dados conforme a LGPD — Lei 13.709/2018.