O 1T26 foi um trimestre de crescimento operacional relevante para o Grupo SBF. A companhia iniciou o ano com receita líquida consolidada de R$1,8 bilhão, avanço de 14,9% em relação ao 1T25, com expansão tanto na Centauro quanto na Fisia.
A leitura comercial é positiva. A Centauro manteve desempenho forte, com crescimento de receita líquida, avanço em lojas físicas e digital, same store sales de 14,6% e margem bruta em patamar histórico de 51,3%. A Fisia também cresceu de forma robusta, com receita líquida de R$1 bilhão, alta de 26,1%, impulsionada por crescimento no atacado, lojas físicas e digital.
O trimestre também foi favorecido pelo ciclo inicial de produtos ligados à Copa do Mundo, especialmente lançamentos da Seleção Brasileira, produtos licenciados e categorias de futebol. A administração destacou que a performance inicial das camisas oficiais superou expectativas, mesmo com poucos dias de venda em março.
Apesar da boa leitura comercial, o trimestre exige cautela financeira. O EBITDA ajustado ex-IFRS ficou em linha com o 1T25, mas a margem EBITDA comprimida em 1,2 ponto percentual indica que o crescimento de receita não se converteu integralmente em expansão operacional. A pressão veio principalmente de royalties, patrocínios e custos ligados à Fisia.
A dívida líquida subiu para R$1,1 bilhão, e a alavancagem encerrou o trimestre em 1,6x EBITDA ex-IFRS. O caixa consolidado também caiu de forma relevante no trimestre, e o fluxo de caixa operacional consolidado foi negativo, pressionado por capital de giro, estoques e fornecedores.
Portanto, o 1T26 deve ser lido como um trimestre de crescimento forte e operação saudável, mas com maior uso de capital e aumento de alavancagem.