O ano de 2021 foi um período de forte recuperação e expansão para o Grupo SBF. A companhia saiu de um 2020 pressionado pela pandemia e voltou a apresentar crescimento expressivo, lucro líquido positivo, EBITDA ajustado elevado e geração de caixa operacional positiva. A leitura do ano é de fortalecimento operacional. O grupo combinou a recuperação da Centauro, a expansão das lojas no formato G5, o avanço do digital e a consolidação da Fisia, operação responsável pela distribuição e operação da Nike no Brasil.
SBFG3 - Grupo SBF
A Grupo SBF (dona da marca Centauro e operadora da Nike no Brasil, sob o ticker SBFG3) é o maior ecossistema de esporte da América Latina, atuando fortemente no varejo especializado e na distribuição de artigos esportivos. A companhia opera de forma multicanal através de centenas de lojas físicas da Centauro, plataformas de e-commerce e canais de distribuição exclusivos da Nike, comercializando calçados, vestuário, acessórios e equipamentos esportivos para as principais modalidades atléticas.
24/04/2026 R$ 0,54
25/04/2025 R$ 0,55
26/04/2024 R$ 0,17
28/04/2023 R$ 0,14
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas com ressalva de caixa e alavancagem
O Grupo SBF chega com valor de mercado de R$2,44 bi e cotação de R$10,51, próxima da mínima de 52 semanas (R$9,96), em múltiplos comprimidos: P/L de 7,4x, EV/EBITDA de 6,1x e P/VP de 0,8x, ou seja, negociando abaixo do próprio patrimônio líquido. O histórico anual reforça a leitura de desconto: a receita cresceu 51,4% entre 2021 e 2025, chegando a R$7,7 bi no último ano, e o 1T26 mostrou avanço operacional forte, com receita subindo 14,9% sobre o mesmo trimestre anterior, margem bruta elevada na Centauro e Fisia acelerando em todos os canais, ajudada pelo ciclo da Copa do Mundo.
A ressalva, porém, é material e impede uma leitura de desconto totalmente limpo. No 1T26 o fluxo de caixa operacional foi negativo em R$276,5 mi, o caixa caiu de R$680 mi para R$224 mi, os estoques subiram para preparar a Copa e a dívida líquida saltou para R$2,69 bi, elevando a alavancagem; a margem EBITDA também recuou, pressionada por royalties e patrocínios. Soma-se a isso o dividend yield de 20,7% nos últimos 12 meses, atraente mas que precisa ser olhado com cautela diante do maior consumo de capital de giro. O desconto parece real, mas depende de a empresa confirmar a conversão do crescimento em caixa e manter o endividamento sob controle nos próximos trimestres.
Indicadores principais
O Grupo SBF cresceu no 1T26 com alta nas vendas e margens, mas a queima de caixa e o aumento da dívida exigem cautela financeira dos investidores.
O Grupo SBF apresentou crescimento operacional forte no 1T26, com avanço relevante de receita, margem bruta elevada, Centauro com same store sales forte e Fisia crescendo em todos os canais, impulsionada também pelo ciclo da Copa do Mundo. Porém, o trimestre mostrou fluxo de caixa operacional negativo, queda relevante de caixa, aumento de estoques, maior necessidade de capital de giro e elevação da dívida líquida e da alavancagem. A leitura recomendada é de empresa operacionalmente saudável, mas com cautela financeira até confirmar conversão do crescimento em caixa e manutenção da dívida em patamar controlado.
Trajetória recente
O ano de 2022 foi um período de crescimento de escala para o Grupo SBF, mas com piora importante na qualidade do resultado em comparação com 2021. A companhia aumentou a receita líquida consolidada, manteve resultado operacional positivo e avançou em frentes estratégicas como Fisia/Nike, digital, lojas Nike, Centauro G5, tecnologia e logística. A leitura operacional ainda é positiva. O grupo continuou expandindo sua presença no mercado esportivo brasileiro, com Centauro, Fisia e canais digitais mais integrados.
O ano de 2023 foi um período de melhora operacional e forte recuperação de caixa para o Grupo SBF. A companhia aumentou a receita líquida consolidada, expandiu o lucro bruto, melhorou o resultado operacional antes do financeiro e apresentou geração de caixa operacional muito superior à de 2022. A leitura operacional foi positiva. A Fisia continuou sendo o principal motor de crescimento, com avanço relevante de receita e expansão de lojas Nike no Brasil.
O ano de 2024 foi um período de forte melhora operacional, financeira e de rentabilidade para o Grupo SBF. A companhia apresentou crescimento de receita, expansão relevante de margem bruta, aumento expressivo do lucro líquido, melhora do EBITDA ajustado ex-IFRS, geração de caixa operacional robusta e forte redução da alavancagem. A leitura do ano é positiva. Depois de 2022 ter sido marcado por crescimento com pressão de capital de giro e 2023 por recuperação de caixa e disciplina operacional, 2024 consolidou uma fase mais equilibrada da companhia.
O ano de 2025 foi um período de crescimento de receita para o Grupo SBF, mas com piora na qualidade operacional e financeira em relação ao excelente ano de 2024. A companhia atingiu receita líquida consolidada recorde, com crescimento tanto da Centauro quanto da Fisia, reforçando a força da plataforma esportiva do grupo. A Centauro foi o principal destaque positivo do ano. A marca cresceu receita líquida em lojas físicas e no digital, apresentou same store sales forte, manteve margem bruta em nível recorde anual e continuou avançando em abertura e modernização de lojas.
Resumo fundamentalista
O 1T26 foi um trimestre de crescimento operacional relevante para o Grupo SBF. A companhia iniciou o ano com receita líquida consolidada de R$1,8 bilhão, avanço de 14,9% em relação ao 1T25, com expansão tanto na Centauro quanto na Fisia.
A leitura comercial é positiva. A Centauro manteve desempenho forte, com crescimento de receita líquida, avanço em lojas físicas e digital, same store sales de 14,6% e margem bruta em patamar histórico de 51,3%. A Fisia também cresceu de forma robusta, com receita líquida de R$1 bilhão, alta de 26,1%, impulsionada por crescimento no atacado, lojas físicas e digital.
O trimestre também foi favorecido pelo ciclo inicial de produtos ligados à Copa do Mundo, especialmente lançamentos da Seleção Brasileira, produtos licenciados e categorias de futebol. A administração destacou que a performance inicial das camisas oficiais superou expectativas, mesmo com poucos dias de venda em março.
Apesar da boa leitura comercial, o trimestre exige cautela financeira. O EBITDA ajustado ex-IFRS ficou em linha com o 1T25, mas a margem EBITDA comprimida em 1,2 ponto percentual indica que o crescimento de receita não se converteu integralmente em expansão operacional. A pressão veio principalmente de royalties, patrocínios e custos ligados à Fisia.
A dívida líquida subiu para R$1,1 bilhão, e a alavancagem encerrou o trimestre em 1,6x EBITDA ex-IFRS. O caixa consolidado também caiu de forma relevante no trimestre, e o fluxo de caixa operacional consolidado foi negativo, pressionado por capital de giro, estoques e fornecedores.
Portanto, o 1T26 deve ser lido como um trimestre de crescimento forte e operação saudável, mas com maior uso de capital e aumento de alavancagem.
Pontos de atenção
O primeiro risco é o capital de giro. O fluxo operacional negativo no 1T26 mostra que o crescimento consumiu caixa. O estoque para Copa do Mundo pode gerar retorno nos próximos trimestres, mas também pode virar risco de giro e desconto se a demanda não acompanhar.
O segundo risco é a alavancagem. A dívida líquida subiu para R$1,1 bilhão e a alavancagem chegou a 1,6x EBITDA ex-IFRS. O patamar ainda não é extremo, mas representa piora em relação à folga financeira de 2024 e ao início de 2025.
O terceiro risco é a compressão da margem EBITDA. A margem bruta melhorou, mas o EBITDA ajustado ex-IFRS ficou estável e a margem EBITDA caiu. Isso indica que royalties, patrocínios e despesas operacionais consumiram parte do ganho bruto.
O quarto risco é a dependência da Fisia/Nike. A Fisia é grande motor de crescimento, especialmente com Copa do Mundo, atacado, clubes e produtos Nike. Isso é positivo, mas concentra riscos em câmbio, importação, contrato, royalties, patrocínios, estoque e performance da marca.
O quinto risco é a sazonalidade da Copa do Mundo. O evento pode impulsionar vendas, mas também dificulta separar crescimento estrutural de crescimento sazonal. O agente deve acompanhar os trimestres seguintes para verificar se a empresa mantém margem, giro e caixa após o pico do evento.
O sexto risco é a queda de caixa. A redução de caixa no trimestre foi relevante. A companhia precisa converter o estoque e o crescimento de receita em caixa nos próximos períodos para evitar nova pressão de dívida.
Leitura final
O Grupo SBF iniciou 2026 com crescimento operacional forte e sinais comerciais positivos. A Centauro continuou entregando crescimento com margem elevada, enquanto a Fisia acelerou em todos os canais, especialmente no atacado, apoiada também pelo ciclo da Copa do Mundo.
A operação segue saudável e bem posicionada para capturar oportunidades no mercado esportivo. O crescimento de receita, a margem bruta elevada e o avanço das duas principais unidades mostram que a tese operacional continua consistente.
Mas a leitura financeira exige cautela. O fluxo de caixa operacional foi negativo, o caixa caiu bastante, os estoques aumentaram, a dívida líquida subiu e a alavancagem voltou a crescer. Além disso, a margem EBITDA comprimida mostra que parte do ganho bruto foi consumida por royalties, patrocínios e despesas relacionadas ao crescimento.
Para o usuário, o 1T26 deve ser tratado como um trimestre positivo operacionalmente, mas com cautela financeira. A companhia não é um ativo de risco elevado, porém precisa provar nos próximos trimestres que o estoque para Copa do Mundo se converte em venda, margem e caixa, mantendo a alavancagem sob controle.