2021 foi um ano muito forte para a Romi. A companhia apresentou crescimento expressivo de receita, lucro bruto, resultado operacional, EBITDA e lucro líquido. O desempenho foi sustentado pela retomada da demanda industrial no Brasil e no exterior, pela consolidação das novas linhas de produtos da unidade Máquinas Romi, pela recuperação gradual da subsidiária alemã Burkhardt+Weber e pela forte demanda em Fundidos e Usinados. A leitura operacional é positiva.
ROMI3 - Indústrias Romi
Empresa líder brasileira na fabricação de máquinas-ferramenta, máquinas para processamento de plásticos e fundidos e usinados. A companhia desenvolve e produz equipamentos de alta tecnologia — como tornos CNC, centros de torneamento, centros de usinagem e injetoras de plástico —, atendendo a uma ampla gama de setores industriais, incluindo o automotivo, de bens de consumo, agrícola, de óleo e gás e de ferramentaria, tanto no mercado interno quanto no exterior.
30/12/2025 R$ 0,18
22/09/2025 R$ 0,18
16/06/2025 R$ 0,18
17/03/2025 R$ 0,18
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas pendente de confirmação operacional
Com valor de mercado de R$591,63 mi e cotação de R$6,36, próxima da mínima de 52 semanas (R$6,28), a Romi negocia com múltiplos comprimidos: P/L de 6,9x, EV/EBITDA de 7,0x e, sobretudo, P/VP de 0,5x, ou seja, abaixo da metade do patrimônio líquido de R$1,25 bi. Soma-se a isso um dividend yield estimado em 8,5% via JCP recorrentes, o que reforça a leitura de valor de mercado descontado para uma companhia industrial sólida, com caixa relevante e carteira de pedidos robusta, com destaque para a unidade Burkhardt+Weber.
O desconto, porém, exige cautela e não pode ser lido como limpo. No anual de 2025 a margem EBITDA caiu para 12,3% e o lucro líquido recuou para R$86,17 mi, e o 1T26 piorou esse quadro: receita caiu 19,1% contra o 1T25, o EBITDA encolheu para R$7,35 mi, o lucro líquido ficou em apenas R$2,37 mi e o caixa operacional diminuiu, com dívida líquida em R$557,79 mi. A tese depende da conversão da carteira em receita, recuperação de margem e retomada de EBIT positivo recorrente, especialmente em Máquinas Romi e Fundidos e Usinados, ainda pressionados. Por isso o desconto é real, mas precisa ser confirmado pelos próximos resultados antes de ser tratado como oportunidade consolidada.
Indicadores principais
Romi segue em cautela: 1T26 teve queda de receita, EBIT negativo e menor caixa operacional, apesar da melhora na B+W. Tese exige recuperar margens.
A empresa segue como empresa industrial sólida, com caixa relevante, carteira robusta e melhora importante na B+W. A classificação é de cautela porque no 1T26 a receita caiu, o EBIT consolidado ficou negativo, o lucro líquido foi muito baixo e o caixa operacional diminuiu frente ao 1T25. O usuário deve acompanhar conversão da carteira em receita, recuperação de margem, EBIT positivo recorrente, controle de estoques, evolução da B+W, Máquinas Romi e Fundidos e Usinados.
Trajetória recente
2022 foi mais um ano forte para a Romi. A companhia voltou a crescer receita consolidada, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. O desempenho mostrou continuidade da boa fase iniciada em 2021, com destaque para Máquinas Romi e Fundidos e Usinados. A empresa também melhorou bastante a geração de caixa operacional em relação a 2021, quando o crescimento havia consumido muito capital de giro.
2023 foi um ano de desaceleração operacional para a Romi depois do ciclo muito forte observado em 2021 e 2022. A companhia teve queda relevante de receita consolidada, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. O desempenho indica normalização da demanda industrial e menor conversão da carteira em faturamento, especialmente após a redução de novos pedidos já observada no fim de 2022. A leitura central é mista.
2024 foi mais um ano de ajuste para a Romi. Depois da desaceleração observada em 2023, a companhia manteve receita consolidada praticamente estável, mas com queda de lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. O desempenho mostra que a empresa ainda não voltou ao ciclo forte de 2021 e 2022, quando a demanda por máquinas, fundidos e projetos industriais estava mais aquecida. A leitura central é de cautela operacional, mas sem sinal de crise financeira.
2025 foi um ano de recuperação parcial de receita para a Romi, mas ainda com rentabilidade pressionada. A companhia voltou a crescer receita consolidada em relação a 2024, manteve lucro líquido positivo e encerrou o exercício com caixa e aplicações financeiras em patamar relevante. Porém, o lucro bruto cresceu pouco, o resultado operacional antes do financeiro caiu e o lucro líquido atribuído à controladora recuou novamente. A leitura central é de empresa sólida, mas ainda em cautela operacional.
Resumo fundamentalista
O 1T26 foi um trimestre de leitura mista para a Romi. A companhia apresentou carteira de pedidos robusta, com crescimento em relação ao fim de 2025, e destacou bom volume de novos negócios, especialmente na unidade Máquinas Burkhardt+Weber. A administração reforçou a resiliência do modelo de negócios, a relevância da locação de máquinas e da fintech PRODZ, além da força da carteira da B+W para execução em 2026 e 2027.
Apesar desses pontos positivos, o resultado financeiro do trimestre foi fraco. A receita consolidada caiu em relação ao 1T25, o lucro bruto diminuiu, o EBIT consolidado ficou negativo e o lucro líquido consolidado caiu de forma expressiva. O resultado líquido ainda foi positivo, mas muito baixo. Isso mostra que a Romi continua em fase de cautela operacional, com demanda e carteira em algumas frentes, mas baixa conversão em rentabilidade no curto prazo.
A leitura central para o usuário é de empresa sólida, com ativos industriais relevantes e carteira importante, mas ainda sem recuperação clara de resultado. O trimestre mostra bons sinais comerciais para o futuro, principalmente em B+W, mas a operação consolidada ainda precisa recuperar receita, margem e lucro operacional.
Pontos de atenção
O primeiro risco é a baixa rentabilidade operacional. O EBIT consolidado ficou negativo no 1T26, mesmo com carteira robusta. A empresa precisa transformar carteira e pedidos em receita com margem.
O segundo risco é receita menor. A queda da receita consolidada em relação ao 1T25 mostra que a recuperação ainda não está consolidada.
O terceiro risco é Fundidos e Usinados. A unidade continua pressionada por demanda fraca em eólico, automotivo e agrícola. Esse segmento pode continuar afetando margem e utilização de capacidade.
O quarto risco é capital de giro. Estoques aumentaram no trimestre, enquanto a receita caiu. Se a carteira não se converter em faturamento, o estoque pode pressionar caixa.
O quinto risco é dependência de B+W. A melhora de carteira e margem da B+W é positiva, mas aumenta a importância dessa unidade para a recuperação da tese. O usuário deve acompanhar execução, prazos e margem dos projetos.
O sexto risco é ambiente macro. Juros altos, confiança industrial baixa e incertezas externas podem manter clientes cautelosos em investimentos de bens de capital.
Leitura final
A empresa no 1T26 apresentou sinais comerciais positivos, mas resultado fraco. A carteira consolidada cresceu, a B+W mostrou força e a companhia manteve iniciativas relevantes em locação de máquinas e PRODZ. Esses pontos melhoram a visibilidade para os próximos trimestres.
Por outro lado, a receita caiu, o EBIT ficou negativo, o lucro líquido foi muito baixo e o caixa operacional diminuiu em relação ao 1T25. A operação ainda não mostrou recuperação suficiente de rentabilidade. A Romi segue sendo uma empresa sólida e bem posicionada industrialmente, mas o momento ainda exige cautela.
Para o usuário, a leitura atual deve ser neutra/cautelosa. A tese pode melhorar se a carteira robusta, especialmente da B+W, se converter em receita, margem, caixa e lucro operacional positivo nos próximos trimestres. Enquanto isso não acontecer, a empresa deve ser acompanhada como uma companhia sólida, mas ainda em recuperação operacional.