Guararapes Confecções encerrou 2021 com recuperação relevante em relação ao ano anterior. A receita consolidada voltou a crescer, o lucro bruto avançou, o resultado operacional saiu do prejuízo e o lucro líquido consolidado voltou para patamar positivo expressivo. O ano deve ser lido como uma retomada pós-2020, quando a companhia havia sido fortemente impactada pela pandemia, fechamento de lojas, queda de fluxo e pressão sobre o consumo. Em 2021, a operação recuperou vendas, voltou a apresentar lucro e mostrou melhora importante na rentabilidade contábil.
RIAA3 - Guararapes Confecções
Uma das maiores empresas de varejo de moda do Brasil, operando de forma totalmente integrada desde a produção industrial têxtil até a venda final ao consumidor. A companhia fabrica e comercializa vestuário, calçados, acessórios e artigos de decoração por meio de centenas de lojas físicas e canais digitais, além de possuir uma divisão robusta de serviços financeiros que emite e administra cartões de crédito próprios para apoiar o consumo em suas redes.
22/12/2025 R$ 1,75
22/12/2025 R$ 0,83
24/07/2025 R$ 0,12
23/05/2024 R$ 0,06
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas com lucro a confirmar
Com valor de mercado de R$4,29 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$8,48 contra piso de R$7,36), a Guararapes/Riachuelo aparece com múltiplos bastante comprimidos: P/L de 2,9x, EV/EBITDA de 1,4x e P/VP de 0,8x, abaixo do patrimônio líquido. A trajetória anual reforça a leitura de desconto, com receita crescendo de R$9,63 bi para R$10,50 bi em 2025, margem EBITDA subindo para 29,9%, alavancagem praticamente zerada (dívida líquida/EBITDA de 0,0x) e lucro líquido de R$1,48 bi, o que ainda turbina o dividend yield estimado de 31,8%.
A ressalva é material e impede uma leitura de desconto limpo. Boa parte do lucro de 2025 veio de outras receitas operacionais relevantes (R$1,33 bi) e movimentações societárias, ou seja, tem forte componente não recorrente que distorce o P/L para baixo. No 1T26, a recuperação operacional avançou (SSS de vestuário +10,1%, margem bruta maior, EBITDA em expansão), mas o lucro líquido foi de apenas R$5 mi diante da escala da companhia, o caixa operacional ficou negativo em R$234,3 mi, o resultado financeiro piorou, estoques cresceram e a inadimplência acima de 90 dias subiu para 18,3%. O desconto existe, mas depende de o lucro recorrente e a geração de caixa confirmarem a melhora; até lá, é desconto com risco a acompanhar.
Indicadores principais
Guararapes Confecções iniciou 2026 com melhora operacional no 1T26, mas o lucro líquido modesto e a pressão no caixa e no crédito ainda exigem cautela.
Guararapes iniciou 2026 com melhora operacional relevante, crescimento de receita, avanço de SSS de vestuário, margem bruta maior, EBITDA consolidado em expansão e reversão do prejuízo do 1T25 para lucro líquido positivo. Porém, o lucro líquido ainda foi baixo frente à escala da companhia, o caixa operacional consolidado ficou negativo, o resultado financeiro piorou, estoques cresceram e a inadimplência acima de 90 dias aumentou. A leitura é de cautela construtiva: a recuperação operacional está em andamento, mas ainda precisa ser confirmada por lucro líquido mais robusto, geração recorrente de caixa, controle de capital de giro e estabilidade da carteira de crédito.
Trajetória recente
Encerrou 2022 com crescimento de receita e lucro bruto, mas com piora relevante da rentabilidade final. A companhia vendeu mais, ampliou lucro bruto e manteve resultado operacional positivo, porém o lucro líquido consolidado caiu de forma expressiva em relação a 2021. O ano mostra uma operação comercial maior, mas pressionada por despesas, crédito, custo financeiro e menor contribuição de efeitos não recorrentes. A receita consolidada subiu de R$7,2 bilhões para R$8,4 bilhões, e o lucro bruto avançou de R$3,8 bilhões para R$4,9 bilhões.
Guararapes Confecções encerrou 2023 com uma leitura mista e ainda cautelosa. A receita consolidada cresceu levemente, o lucro bruto avançou e o resultado operacional melhorou em relação a 2022. Porém, a companhia voltou a registrar prejuízo líquido consolidado, pressionada principalmente pelo resultado financeiro negativo e pela menor ajuda tributária. O ano mostra que a operação comercial teve alguma recuperação de eficiência, mas ainda sem força suficiente para compensar o custo financeiro e os efeitos da operação de crédito.
Guararapes Confecções encerrou 2024 com uma recuperação importante frente a 2023. A receita consolidada cresceu, o lucro bruto avançou, o resultado operacional melhorou de forma expressiva e a companhia voltou a apresentar lucro líquido consolidado positivo. O ano marca uma virada relevante depois do prejuízo de 2023. A receita consolidada subiu de R$8,7 bilhões para R$9,6 bilhões, enquanto o lucro bruto avançou de R$5,1 bilhões para R$5,6 bilhões.
Encerrou 2025 com lucro líquido consolidado muito forte e crescimento relevante de receita e lucro bruto. A receita consolidada avançou de R$9,6 bilhões para R$10,4 bilhões, o lucro bruto subiu de R$5,6 bilhões para R$6,3 bilhões e o lucro líquido consolidado saltou de R$235 milhões para R$1,4 bilhão. A leitura, porém, precisa ser feita com cuidado. O resultado de 2025 não deve ser interpretado apenas como melhora operacional recorrente.
Resumo fundamentalista
A Guararapes iniciou 2026 com sinais operacionais positivos, mas ainda com uma leitura que exige cautela. O 1T26 mostrou crescimento de receita, avanço de lucro bruto, melhora de indicadores de mercadorias, expansão de EBITDA e reversão do prejuízo registrado no 1T25. A companhia voltou a apresentar lucro líquido no primeiro trimestre, ainda que em valor pequeno diante da escala do grupo.
O desempenho operacional foi o principal ponto positivo. A administração destacou 11 trimestres consecutivos de crescimento de SSS de vestuário, com alta de 10,1% no 1T26. A margem bruta de vestuário atingiu 54,9%, avanço de 1,2 ponto percentual frente ao 1T25, e o EBITDA de mercadorias cresceu 23,7%, com margem de 8,1%, o melhor patamar dos últimos nove anos para um primeiro trimestre.
O segmento de serviços financeiros também contribuiu positivamente. A receita líquida de serviços financeiros cresceu, e o EBITDA do segmento avançou 5,8%. Esse desempenho reforça a importância da operação financeira dentro do modelo integrado da Riachuelo, mas também exige acompanhamento de inadimplência, provisões, funding e qualidade da carteira.
A leitura central é de recuperação operacional em andamento, mas ainda não totalmente consolidada no lucro e no caixa. A companhia melhorou receita, margem e EBITDA, mas o lucro líquido consolidado foi de apenas R$5 milhões, o resultado financeiro piorou frente ao 1T25 e o fluxo de caixa operacional consolidado ficou negativo. Portanto, a tese melhora, mas ainda pede cautela.
Pontos de atenção
O primeiro risco é a baixa margem líquida. A companhia voltou ao lucro, mas o lucro líquido consolidado foi de apenas R$5 milhões, equivalente a margem líquida de 0,2% na visão gerencial. A reversão do prejuízo é positiva, mas ainda não representa rentabilidade líquida robusta.
O segundo risco é o caixa operacional negativo. Mesmo com crescimento de receita, margem bruta e EBITDA, o fluxo operacional consolidado ficou negativo. Isso mostra que capital de giro, impostos, provisões e obrigações financeiras ainda consomem caixa no início do ano.
O terceiro ponto é a inadimplência. O índice acima de 90 dias subiu para 18,3% na carteira até 360 dias. Como os serviços financeiros são parte importante do modelo, qualquer piora em crédito pode afetar provisões, lucro e caixa.
O quarto risco é o aumento de estoques. Estoques maiores podem sustentar vendas futuras, mas também elevam risco de remarcações, capital parado e pressão de caixa se o giro não acompanhar.
O quinto ponto é o resultado financeiro. O resultado financeiro líquido piorou no trimestre, com despesas financeiras maiores. Mesmo com melhora operacional, o custo financeiro ainda reduz parte da rentabilidade.
Também é importante acompanhar a política de remuneração ao acionista. No 1T26, houve pagamento relevante de juros sobre capital próprio e imposto retido relacionado, o que pressionou o fluxo de financiamento e o caixa final.
Leitura final
A Guararapes Confecções iniciou 2026 com melhora operacional relevante em mercadorias e serviços financeiros, avanço de SSS de vestuário, margem bruta maior, EBITDA consolidado em crescimento e reversão do prejuízo do 1T25. Porém, o lucro líquido ainda foi muito pequeno, o caixa operacional consolidado ficou negativo, o resultado financeiro piorou, estoques subiram e a inadimplência acima de 90 dias aumentou. Para o usuário, a leitura correta é de recuperação em andamento, mas ainda não totalmente confirmada em lucro líquido robusto e geração de caixa recorrente.