Neutro / cautela

RAPT3 - RandonCorp

1T/2026

Bens industriais

Material rodoviário

Matriz: Caxias do Sul - RS

Um dos maiores conglomerados privados do Brasil voltados para o setor de transporte e logística. A companhia atua de forma integrada na fabricação de reboques e semirreboques (implementos rodoviários), vagões ferroviários, veículos especiais e em um amplo portfólio de autopeças (através de suas controladas, como a Frasle Mobility). Ela atende transportadores, frotistas e montadoras globais, além de possuir braços de serviços financeiros e inovação.

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Total de ações 349.724.671
Ações ordinárias 125.841.938
Ações preferenciais 223.882.733
Free float 197.935.503 — 56,60%
Controlador Dramd Part. e Adm. Ltda — 83,05%
Tesouraria 1.049.174 — 0,30%

Data: 2026-05-29

R$ 5,02
-1,18% no dia
R$ 13,89 R$ 2,19
2016 2026
Valor de mercado R$ 1,68 bi
Volume 7,10 mil
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
DIVIDENDO
30/04/2025
R$ 0,05
JCP
19/12/2024
R$ 0,21
JCP
22/07/2024
R$ 0,15
JCP
20/12/2023
R$ 0,36

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -28,0x
EV/EBITDA 5,3x
P/VP 0,4x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 07/06/2026

Desconto real, mas com lucro pressionado

Com valor de mercado de R$1,68 bi e cotação de R$5,02, próxima da mínima de 52 semanas (R$4,63), a Randoncorp negocia com múltiplos comprimidos: P/VP de 0,4x e EV/EBITDA de 5,3x, este último na mesma faixa da mediana do grupo de autopeças e mobilidade. O P/VP bem abaixo de 1x mostra um valor de mercado descontado frente ao patrimônio, e a receita anual cresceu 45,1% entre 2021 e 2025, reforçando que a companhia segue relevante, diversificada e com geração de caixa operacional forte (R$2,58 bi no último anual). Esse conjunto sustenta a leitura de desconto na superfície.

O desconto, porém, não é limpo. O P/L de -28,0x reflete que o último anual fechou com prejuízo, e o 1T26 ainda foi fraco na comparação anual: receita caiu, EBITDA ajustado recuou, a margem cedeu de 13,3% para 12,0% e o resultado financeiro pesado levou a prejuízo atribuído aos controladores. A dívida líquida/EBITDA anual de 4,0x e a alavancagem ainda elevada exigem disciplina, e o dividend yield zerou. A tese depende de confirmação: recuperação de margem em Autopeças, Montadora e Controle de Movimentos, menor impacto da Addiante e continuidade da desalavancagem. Por isso o desconto deve ser tratado com cautela, e não como oportunidade já consolidada.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 3.083.897
EBITDA R$ 370.361
Lucro líquido R$ -5.755
Dívida líquida R$ 5.289.218
Margem líquida -0,19%
FCO R$ 228.267

Geração operacional positiva e caixa robusto marcam o 1T26, mas prejuízo e resultado financeiro pesado exigem recuperação de margens nos segmentos.

A RandonCorp segue forte e diversificada, com caixa robusto, geração operacional positiva e alavancagem sem Banco Randon em queda. Porém, o 1T26 teve queda de receita, queda de EBITDA ajustado, margem menor, resultado financeiro pesado e prejuízo atribuído aos controladores. A tese melhora se Autopeças, Montadora e Controle de Movimentos sustentarem recuperação de margem, se a Addiante reduzir impacto negativo e se a desalavancagem continuar.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

RandonCorp encerrou 2021 em um dos anos mais fortes de sua história recente, com crescimento expressivo de receita, lucro elevado, geração de caixa operacional robusta e expansão em praticamente todas as frentes relevantes do negócio. O desempenho foi sustentado por demanda aquecida no transporte de cargas, forte mercado de implementos rodoviários, crescimento de autopeças para montadoras, bom desempenho do mercado de reposição, maior volume de vagões ferroviários, exportações favorecidas pela retomada global e câmbio favorável.

Demonstrações Financeiras 2022

RandonCorp encerrou 2022 com crescimento relevante de receita e continuidade da expansão operacional, mas com lucro líquido menor do que em 2021 por causa do forte aumento das despesas financeiras. O ano confirmou a força comercial e industrial da companhia, com receita consolidada acima de R$11 bilhões, resultado operacional antes do financeiro maior e geração de caixa operacional robusta. A leitura central para o usuário é que 2022 foi um ano de crescimento com pressão financeira.

Demonstrações Financeiras 2023

RandonCorp encerrou 2023 em um ano de estabilização após o forte ciclo de crescimento observado em 2021 e 2022. A receita consolidada recuou levemente, mas a companhia conseguiu ampliar o lucro bruto, melhorar o resultado antes do financeiro e dos tributos e gerar caixa operacional muito forte. O lucro líquido consolidado ficou praticamente estável, mas o lucro atribuído aos acionistas controladores caiu, indicando que parte maior do resultado ficou com acionistas não controladores.

Demonstrações Financeiras 2024

RandonCorp encerrou 2024 com retomada de crescimento de receita e lucro, mas com piora importante na conversão de resultado em caixa. Depois de um 2023 marcado por estabilização da receita e forte geração de caixa operacional, 2024 trouxe uma combinação mais ambígua: a companhia voltou a crescer no faturamento, aumentou o lucro líquido consolidado e o lucro atribuído aos controladores, mas teve forte consumo de capital de giro e queda expressiva do caixa operacional. A leitura central para o usuário é que 2024 foi positivo em escala e resultado contábil, porém mais fraco em qualidade de caixa.

Demonstrações Financeiras 2025

RandonCorp encerrou 2025 com uma leitura mais cautelosa do que nos anos anteriores. A companhia voltou a crescer em receita consolidada, ampliou sua escala, aumentou ativos, realizou combinações de negócios relevantes e manteve geração de caixa operacional forte. Porém, a melhora de receita não se converteu em lucro. O resultado operacional caiu, o resultado financeiro piorou fortemente e o lucro líquido consolidado virou prejuízo.

Resumo fundamentalista

A RandonCorp apresentou um 1T26 desafiador, com queda de receita, redução do EBITDA ajustado, menor margem EBITDA ajustada e resultado líquido negativo atribuído aos acionistas controladores. A companhia segue sendo um grupo industrial relevante, diversificado e com caixa robusto, mas o trimestre ainda mostrou pressão de demanda, resultado financeiro elevado, equivalência patrimonial negativa e necessidade de continuidade dos ajustes operacionais.

A receita líquida consolidada foi de R$3,084 bilhões, queda de 3,4% contra o 1T25. O lucro bruto foi de R$821,3 milhões, abaixo dos R$849,2 milhões do 1T25. O resultado antes do financeiro e dos tributos subiu para R$244,3 milhões, contraR$ 226,1 milhões no 1T25, mas o resultado financeiro negativo aumentou para R$202 milhões. O resultado líquido consolidado foi negativo em R$5,8 milhões, contra lucro de R$47,2 milhões no 1T25. O resultado atribuído aos controladores foi negativo em R$47,6 milhões.

O EBITDA ajustado consolidado foi de R$370,4 milhões, queda de 12,9% contra o 1T25, mas alta de 12,4% contra o 4T25. A margem EBITDA ajustada foi de 12%, abaixo dos 13,3% do 1T25, mas acima dos 10,3% do 4T25. A leitura central é de cautela: houve melhora sequencial e geração de caixa, mas a comparação anual ainda mostra perda de rentabilidade e lucro negativo.

Pontos de atenção

O primeiro risco é a rentabilidade. O EBITDA ajustado caiu 12,9% contra o 1T25, e a margem EBITDA ajustada caiu de 13,3% para 12%. A melhora contra o 4T25 é positiva, mas ainda precisa ser confirmada em base anual.

O segundo risco é lucro líquido. O resultado consolidado foi negativo em R$5,8 milhões, e o resultado atribuído aos controladores foi negativo em R$ 47,6 milhões. Isso impede uma classificação verde neste trimestre.

O terceiro risco é resultado financeiro. O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$202 milhões, pior que os R$167,2 milhões negativos do 1T25. As despesas financeiras seguem elevadas e consomem parte relevante do resultado operacional.

O quarto risco é alavancagem. A alavancagem sem Banco Randon caiu para 3,17x, e pela métrica de covenant ficou em 2,81x, mas ainda é um nível que exige disciplina. A companhia depende de geração de caixa, controle de investimentos e melhora de EBITDA para seguir reduzindo esse indicador.

O quinto risco é execução operacional. Projetos de automação, migração de sistemas, implantação do 4Mobility, integração de aquisições e expansão de centros logísticos podem gerar ganhos futuros, mas também causam impactos pontuais de margem e serviço no curto prazo.

O sexto risco é ciclo dos mercados atendidos. A companhia depende de caminhões, implementos, reposição, OEMs, agronegócio, transporte, mercado externo e crédito. Juros elevados, demanda mais fraca ou mix desfavorável podem afetar volumes e margens.

Leitura final

A RandonCorp segue sendo uma companhia relevante, diversificada e com capacidade financeira para atravessar ciclos. O 1T26 mostrou geração operacional de caixa, caixa robusto, melhora sequencial do EBITDA ajustado e redução da alavancagem sem Banco Randon. As iniciativas em eficiência, AXN, Mogi Guaçu e reorganização operacional podem melhorar a rentabilidade nos próximos trimestres.

Por outro lado, o trimestre ainda foi fraco na comparação anual. A receita caiu, o EBITDA ajustado caiu, a margem EBITDA ajustada recuou, o resultado financeiro pesou e o lucro atribuído aos controladores foi negativo. A companhia ainda precisa provar recuperação mais consistente de margem e lucro líquido.

Para o usuário, RandonCorp deve ser classificada como cautela. Não é ativo de risco, porque tem caixa, escala, diversificação, geração operacional de caixa e alavancagem em queda pela métrica ex-Banco. Mas também não merece sinal verde neste trimestre, porque a rentabilidade anual piorou e a linha final ainda está negativa.

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