A Portobello apresentou um 1T26 de recuperação operacional parcial, mas ainda com situação financeira e patrimonial bastante pressionada. A companhia conseguiu manter a receita praticamente estável, melhorar a margem bruta contra o 4T25, elevar o EBITDA recorrente na comparação sequencial e avançar em iniciativas de eficiência operacional. Porém, o resultado líquido continuou negativo, o fluxo de caixa operacional foi negativo, a alavancagem permaneceu elevada e o patrimônio líquido consolidado voltou a ficar negativo.
A receita líquida consolidada foi de R$597,2 milhões no 1T26, crescimento de apenas 0,9% contra o 1T25 e queda de 7% contra o 4T25. A margem bruta foi de 33,4%, com melhora de 1,9 ponto percentual contra o 4T25, impulsionada principalmente pela Portobello Shop, por mix mais premium, e pela Portobello America, com avanço do canal de distribuição, melhoria de custo e maior aproveitamento da capacidade produtiva.
O EBITDA contábil foi de R$94,6 milhões, com margem EBITDA de 15,8%, mas esse número foi beneficiado por eventos não recorrentes de R$43,4 milhões. O EBITDA ajustado e recorrente foi de R$51,2 milhões, com margem de 8,6%. Esse é o indicador mais adequado para leitura da recorrência operacional.
Apesar da melhora sequencial, o prejuízo líquido consolidado foi de R$41,1 milhões, pior que o prejuízo de R$32,7 milhões do 1T25. O resultado financeiro foi negativo em R$79,7 milhões, pressionando fortemente a linha final. A leitura central é de ativo de risco em ajuste operacional, pois a empresa ainda precisa provar recuperação consistente de margem, caixa e estrutura de capital.