Empresa em crescimento

POMO3 - Marcopolo

1T/2026

Bens industriais

Material rodoviário

Matriz: Caxias do Sul - RS

Multinacional brasileira líder absoluta no mercado nacional e uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do mundo. A companhia projeta, desenvolve e produz uma linha completa de veículos para o transporte coletivo — incluindo ônibus rodoviários, urbanos, micro-ônibus e micro-veículos de turismo —, atendendo a frotistas, operadores de transporte urbano e órgãos governamentais no Brasil e em mais de cem países através de suas diversas fábricas globais.

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Total de ações 1.249.898.603
Ações ordinárias 450.945.982
Ações preferenciais 798.952.621
Free float 929.734.676 — 74,39%
Maior acionista Bellpart Participações Ltda — 16,47%
Tesouraria 8.624.300 — 0,69%

Data: 2026-05-29

R$ 5,66
-1,22% no dia
R$ 7,65 R$ 1,59
2016 2026
Valor de mercado R$ 7,13 bi
Volume 896,30 mil
P/L externo 6,0x
Dividend yield 12m 18,20%
JCP
24/04/2026
R$ 0,09
DIVIDENDO
24/11/2025
R$ 0,69
JCP
24/11/2025
R$ 0,09
DIVIDENDO
26/08/2025
R$ 0,07

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 5,8x
EV/EBITDA 5,7x
P/VP 1,8x
Dividend yield 12m 18,20%
Data da análise 08/06/2026

Desconto com ressalvas cíclicas

Com valor de mercado de R$7,13 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas, a Marcopolo negocia com múltiplos comprimidos: P/L de 5,8x, EV/EBITDA de 5,7x e P/VP de 1,8x, somados a um dividend yield 12 meses de 25,7%. Os fundamentos sustentam essa leitura de desconto, com receita anual acima de R$9 bi em 2025, lucro líquido superior a R$1,23 bi, margem EBITDA elevada e dívida líquida/EBITDA controlada em 1,0x. O histórico 2021–2025 mostra forte evolução de escala e rentabilidade, e o 1T26 reforçou a qualidade operacional ao expandir EBITDA e lucro mesmo com volume menor.

A ressalva é que esse desconto não é totalmente limpo: a empresa é cíclica e mostra sinais de normalização após o pico de 2024. A receita cresceu pouco, a produção caiu cerca de 9% no 1T26, a participação de mercado recuou de 45,5% para 43,5%, e o fluxo de caixa operacional ficou negativo no trimestre, pressionado por estoques e capital de giro. Soma-se a fragilidade das operações externas, especialmente México, e a distribuição muito elevada de proventos, que reduziu o patrimônio líquido. Por isso, mais do que um desconto óbvio, o caso pede acompanhamento de volumes, margens, endividamento e geração de caixa antes de confirmar a sustentação da tese.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 1.655.238
EBITDA R$ 304.783
Lucro líquido R$ 264.608
Dívida líquida R$ 1.547.888
Margem líquida 15,99%
FCO R$ -47.057

Marcopolo cresceu lucro e EBITDA no 1T26, com margem e caixa fortes, apesar de leve queda na receita. Tese positiva por eficiência e retorno alto.

A Marcopolo entregou lucro líquido maior, EBITDA em alta, margem EBITDA elevada, caixa robusto e retorno sobre capital forte no 1T26, mesmo com queda de produção e leve retração de receita. A tese segue positiva pela qualidade operacional e posição competitiva, mas exige monitoramento de volumes, capital de giro, estoques, operações externas e manutenção das margens.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Marcopolo encerrou 2021 em recuperação parcial após o forte impacto da pandemia sobre o setor de ônibus. O ano ainda foi difícil do ponto de vista operacional, com volumes menores, mercado rodoviário ainda deprimido, ociosidade industrial, falta de componentes eletrônicos e necessidade de ajustes adicionais na estrutura. Apesar disso, a companhia apresentou lucro líquido relevante, sustentado por efeitos financeiros, créditos tributários, venda de ativo e melhora em algumas operações internacionais. A leitura central para o usuário é que 2021 não deve ser interpretado como um ano de retomada operacional plena.

Demonstrações Financeiras 2022

Marcopolo encerrou 2022 com uma retomada operacional muito mais clara do que em 2021. Depois de anos afetados pela pandemia, queda de mobilidade, baixa utilização do transporte rodoviário e ociosidade industrial, a companhia voltou a crescer de forma relevante em produção, receita e lucro. O avanço foi puxado principalmente pela recuperação do mercado brasileiro, maior produção de urbanos, volares e exportações, além da continuidade da demanda por renovação de frotas. A leitura central para o usuário é que 2022 foi um ano de recuperação real da operação, mas ainda com pressão importante em capital de giro.

Demonstrações Financeiras 2023

Marcopolo encerrou 2023 com uma consolidação clara da retomada operacional iniciada em 2022. Depois de um período ainda afetado pela pandemia, baixa mobilidade, ociosidade e pressão de cadeia de suprimentos, a companhia apresentou forte crescimento de receita, lucro líquido muito superior, margem bruta mais elevada e geração de caixa operacional robusta. A leitura central para o usuário é que 2023 foi o ano em que a recuperação da Marcopolo ganhou qualidade. Em 2022, a empresa já havia crescido em produção e receita, mas o caixa operacional ainda estava fraco por consumo de capital de giro.

Demonstrações Financeiras 2024

Marcopolo encerrou 2024 em um dos melhores momentos recentes da sua trajetória operacional. Depois da recuperação parcial em 2021, da retomada mais clara em 2022 e da consolidação da virada em 2023, o ano de 2024 mostrou uma companhia em forte expansão, com crescimento expressivo de receita, lucro líquido recorde, geração de caixa operacional robusta e maior remuneração aos acionistas. A leitura central para o agente é que 2024 foi um ano de alta qualidade operacional.

Demonstrações Financeiras 2025

Marcopolo encerrou 2025 ainda em patamar operacional elevado, mas com sinais de estabilização após o ano excepcional de 2024. A companhia manteve receita consolidada acima de R$9 bilhões, lucro líquido consolidado superior a R$1,2 bilhão e geração de caixa operacional robusta. Isso confirma que a recuperação iniciada após a pandemia se transformou em um novo nível de escala, rentabilidade e caixa. A leitura central para o usuário é que a Marcopolo segue sendo uma empresa de boa qualidade operacional dentro de um setor cíclico.

Resumo fundamentalista

A Marcopolo apresentou um 1T26 sólido em rentabilidade, mesmo em um trimestre de menor volume e leve queda de receita. A companhia teve redução na produção total, queda nas unidades registradas na receita e menor receita líquida consolidada, mas conseguiu expandir EBITDA, lucro líquido, margem EBITDA e margem líquida. Isso indica boa capacidade de gestão de mix, custos, despesas e rentabilidade.

A receita líquida consolidada foi de R$1,655 bilhão, queda de 1,3% contra o 1T25. O lucro bruto foi de R$373,4 milhões, queda de 2,8%, com margem bruta de 22,6%, praticamente estável contra os 22,9% do 1T25. O EBITDA foi de R$304,8 milhões, alta de 16,3%, com margem EBITDA de 18,4%. O lucro líquido consolidado foi de R$264,6 milhões, crescimento de 8,8%, com margem líquida de 16%.

A leitura central é positiva. A empresa segue lucrativa, com margem elevada, retorno sobre capital alto, patrimônio líquido robusto e caixa relevante. O ponto de atenção é que o crescimento de lucro não veio acompanhado de crescimento de volume ou receita. A produção consolidada caiu 9%, as unidades registradas na receita caíram 8,5%, e o fluxo de caixa operacional consolidado ficou negativo no trimestre, pressionado por capital de giro, especialmente estoques.

Pontos de atenção

O primeiro risco é volume. A produção consolidada caiu 9%, e as unidades registradas na receita caíram 8,5%. Se a queda persistir, pode pressionar receita, diluição de custos e margens.

O segundo risco é capital de giro. O fluxo operacional consolidado foi negativo, principalmente pelo aumento de estoques e consumo em outras contas a pagar e provisões. A empresa tem caixa suficiente para absorver esse movimento, mas o agente deve acompanhar a normalização ao longo do ano.

O terceiro risco é mercado externo. As operações no exterior caíram 26,7% em unidades registradas na receita, e a produção externa caiu 33,5%. México teve queda muito forte, e Argentina também recuou. A recuperação das operações externas é importante para sustentar diversificação geográfica.

O quarto risco é mix. Segmentos rodoviário e urbano caíram no mercado brasileiro, enquanto micros cresceram. Mudanças de mix podem afetar preço médio, margem e utilização industrial.

O quinto risco é dívida financeira e juros. A companhia tem caixa elevado, mas também possui passivos financeiros relevantes. O resultado financeiro continuou positivo, porém menor que no 1T25, e despesas financeiras aumentaram. O usuário deve monitorar custo da dívida, câmbio e rolagem dos passivos.

O sexto risco é dependência de chassis e cadeia de suprimentos. A companhia alongou férias coletivas em janeiro por receio de falta de chassis no início de 2026. Esse tipo de restrição pode afetar produção, entrega e receita em trimestres específicos.

Leitura final

A Marcopolo teve um 1T26 operacionalmente eficiente e financeiramente saudável. A empresa enfrentou queda de volumes, leve redução de receita e mercado setorial mais fraco em alguns segmentos, mas conseguiu entregar EBITDA maior, lucro líquido maior, margem EBITDA mais alta e margem líquida melhor. Isso mostra qualidade operacional e capacidade de adaptação.

O principal ponto de atenção é o caixa operacional negativo no consolidado, causado por capital de giro, especialmente estoques. Esse movimento precisa ser monitorado, mas não compromete a leitura positiva porque a companhia mantém caixa elevado, patrimônio líquido robusto, retorno sobre capital alto e posição competitiva forte.

Para o usuário, a Marcopolo deve ser classificada como empresa em crescimento, com sinal verde. A tese segue positiva, mas o acompanhamento deve focar em recuperação de volumes, normalização do capital de giro, evolução das operações externas, mix de produtos e manutenção das margens.

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