Ativo de risco

PLAS3 - Plascar

1T/2026

Consumo cíclico

Automóveis e motocicletas

Matriz: Jundiaí - SP

Desenvolvimento e fabricação de componentes plásticos de alta engenharia para o setor automotivo. A companhia produz e comercializa acabamentos internos e externos para veículos — como parachoques, painéis de instrumentos, consoles, laterais de portas e difusores de ar —, atendendo diretamente às principais montadoras de carros e caminhões instaladas no país.

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Total de ações 12.425.418
Ações ordinárias 12.425.418
Ações preferenciais Não
Free float 4.439.509 — 35,73%
Controlador Pádua IV Part. S.A. — 59,99%
Tesouraria Não

Data: 2026-05-27

R$ 2,93
2,09% no dia
R$ 19,49 R$ 2,40
2016 2026
Valor de mercado R$ 36,41 mi
Volume 200
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
DIVIDENDO
27/04/2012
R$ 0,02

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

indefinida
P/L -0,2x
EV/EBITDA 22,9x
P/VP -0,1x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 07/06/2026

Valuation indefinido por estrutura financeira frágil

Com valor de mercado de apenas R$36,41 mi e cotação de R$2,93, próxima da mínima de 52 semanas de R$2,57, a Plascar parece extremamente comprimida à primeira vista. O problema é que os múltiplos tradicionais não funcionam aqui: o P/L é negativo (-0,2x) porque o último anual fechou com prejuízo de R$203,9 mi, e o P/VP também é negativo (-0,1x) porque o patrimônio líquido está fortemente negativo, em -R$723,2 mi no fechamento de 2025 e piorando para -R$777,6 mi no 1T26. O único múltiplo positivo, EV/EBITDA de 22,9x, parte de um EBITDA anual muito pequeno (R$12,0 mi), o que distorce a leitura e impede classificar o valor de mercado como simplesmente descontado.

Por isso a leitura fica indefinida: não há base patrimonial nem lucro consistente para ancorar um valuation limpo. Há sinais de melhora operacional no 1T26, com EBITDA voltando a positivo, margem bruta subindo para 13,1% e caixa operacional positivo, mas o resultado financeiro de -R$47,1 mi consome quase toda essa recuperação, o passivo circulante supera o ativo circulante em cerca de R$502,5 mi e a companhia ainda depende de captação recorrente para capital de giro. Soma-se a isso a baixa liquidez (controlador com 59,99% e free float de 35,73% em uma empresa de menor porte), que torna o valor de mercado sensível. Enquanto a estrutura financeira não desalavancar e o patrimônio não se recompor, o preço baixo reflete risco, não desconto seguro.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 273.550
EBITDA R$ 2.067
Lucro líquido R$ -54.417
Dívida líquida R$ 233.740
Margem líquida -19,89%
FCO R$ 17.708

Recuperação operacional e EBITDA positivo marcam o 1T26, mas o prejuízo líquido alto e o patrimônio líquido negativo exigem cautela estrutural.

A Plascar mostrou recuperação operacional no 1T26, com receita maior, margem bruta melhor, EBITDA positivo e caixa operacional positivo. Porém, o prejuízo líquido segue alto, o resultado financeiro consome a melhora, o patrimônio líquido é fortemente negativo e o passivo circulante supera muito o ativo circulante. A tese depende de continuidade da recuperação do EBITDA, desalavancagem e melhora estrutural da liquidez.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Plascar encerrou 2021 em um ano de recuperação de receita e melhora operacional parcial, mas ainda em situação financeira muito frágil. A companhia aumentou fortemente a receita líquida, saiu de lucro bruto negativo para lucro bruto positivo e voltou a apresentar EBITDA positivo. Mesmo assim, continuou registrando prejuízo líquido elevado, patrimônio líquido negativo, excesso de passivos circulantes sobre ativos circulantes e despesas financeiras muito pesadas.

Demonstrações Financeiras 2022

Plascar encerrou 2022 com nova melhora operacional, crescimento forte de receita, EBITDA maior e prejuízo líquido menor que em 2021. A companhia continuou em recuperação, beneficiada por maior previsibilidade na cadeia automotiva, entrada de novos projetos, retomada gradual dos volumes dos clientes e início das operações da nova fábrica de Caçapava-SP. Apesar da evolução operacional, a situação financeira permaneceu muito frágil.

Demonstrações Financeiras 2023

A Plascar encerrou 2023 com melhora operacional relevante e prejuízo líquido quase zerado, mas ainda em situação financeira estruturalmente frágil. A companhia continuou seu processo de recuperação iniciado após a reestruturação de 2019, com crescimento de receita, EBITDA significativamente maior, melhora do resultado antes dos tributos e redução da dívida líquida. O ano foi importante porque a empresa conseguiu crescer receita mesmo em um mercado automotivo nacional mais fraco.

Demonstrações Financeiras 2024

Plascar encerrou 2024 com crescimento relevante de receita e melhora de margem bruta, mas com forte piora no prejuízo líquido, EBITDA menor e estrutura financeira ainda bastante frágil. A companhia continuou sua trajetória de recuperação comercial, sustentada por novos projetos, aumento de volumes, melhor estabilidade operacional e maior produção de veículos no Brasil.

Demonstrações Financeiras 2025

Plascar encerrou 2025 com crescimento apenas leve de receita, queda relevante de margem, EBITDA menor, prejuízo líquido muito maior e deterioração patrimonial significativa. A companhia continuou apresentando expansão de receita em relação a 2024, mas o crescimento foi insuficiente para compensar a forte queda de volumes em caminhões, a menor absorção de custos fixos, custos de reestruturação, despesas financeiras elevadas e maior pressão de capital de giro. O ano foi marcado por um contraste importante.

Resumo fundamentalista

A Plascar apresentou um 1T26 com sinais claros de recuperação operacional, mas ainda dentro de uma estrutura financeira bastante pressionada. A companhia aumentou receita, melhorou margem bruta, reverteu EBITDA negativo para EBITDA positivo e gerou caixa operacional. Porém, continuou apresentando prejuízo líquido elevado, patrimônio líquido negativo, excesso relevante de passivos circulantes sobre ativos circulantes e despesa financeira muito pesada.

A receita líquida consolidada foi de R$273,6 milhões no 1T26, contra R$264,7 milhões no 1T25, crescimento de 3,4%. O lucro bruto subiu de R$26,1 milhões para R$35,7 milhões, com margem bruta de 13,1%, acima dos 9,9% do 1T25. O EBITDA consolidado foi de R$10,1 milhões, contra EBITDA negativo de R$269 mil no 1T25. Esses números mostram avanço operacional relevante.

Apesar disso, o prejuízo líquido consolidado foi de R$54,4 milhões. O resultado financeiro foi negativo em R$47,1 milhões, consumindo praticamente toda a melhora operacional. O patrimônio líquido consolidado estava negativo em R$777,6 milhões, pior que os R$723,2 milhões negativos de dezembro de 2025. A leitura central, portanto, é de ativo de risco com melhora operacional em andamento.

Pontos de atenção

O primeiro risco é a estrutura de capital. O patrimônio líquido consolidado estava negativo em R$777,6 milhões, e o prejuízo acumulado era de R$1,709 bilhão. Esse é o principal motivo da classificação como ativo de risco.

O segundo risco é liquidez. O passivo circulante supera o ativo circulante em mais de R$500 milhões. A companhia depende de captação recorrente, rolagem de dívida, parcelamentos e gestão de capital de giro para manter a operação.

O terceiro risco é resultado financeiro. O resultado financeiro negativo de R$47,1 milhões foi muito elevado em relação ao EBITDA de R$10,1 milhões. Isso mostra que a empresa ainda não gera EBITDA suficiente para cobrir a estrutura financeira.

O quarto risco é mix de vendas. A queda de caminhões pesados continua afetando negativamente a performance da companhia. Mesmo com crescimento total da indústria automotiva, a retração no segmento de caminhões prejudica produtos e margens relevantes.

O quinto risco é custo de matérias-primas. A companhia destacou tensões geopolíticas no Oriente Médio e risco de pressão no petróleo, principal fonte da matéria-prima usada na produção de peças plásticas. Alta de petróleo pode afetar resinas, logística e margem.

O sexto risco é crescimento com capital de giro. A própria administração informou que a companhia ainda precisa captar recursos para cobrir necessidades de capital de giro geradas pelo crescimento da receita. Isso significa que crescimento de vendas pode pressionar liquidez se não vier acompanhado de margem e caixa suficientes.

Leitura final

A Plascar teve um 1T26 operacionalmente melhor que o 1T25. A receita cresceu, a margem bruta melhorou, o EBITDA virou positivo e a geração de caixa operacional foi positiva. Esses pontos indicam que a reestruturação operacional está produzindo algum efeito.

Mesmo assim, a empresa continua em situação financeira crítica. O prejuízo líquido ainda é elevado, o resultado financeiro consome a melhora operacional, o patrimônio líquido é fortemente negativo, o passivo circulante supera muito o ativo circulante e a companhia ainda depende de captação recorrente para capital de giro.

Para o usuário, Plascar deve ser classificada como ativo de risco. A melhora operacional é relevante e deve ser acompanhada, mas ainda não basta para mudar a leitura de risco enquanto a estrutura financeira permanecer tão pressionada.

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