Ativo de risco

OBTC3

OranjeBTC

1T/2026

Educação

Serviços educacionais

Matriz: São Paulo - SP

A OranjeBTC opera sob o conceito de Bitcoin Treasury Company (similar ao modelo global da MicroStrategy), dividindo suas atividades entre a gestão de tesouraria institucional focada no acúmulo de Bitcoin como ativo de reserva de valor e a oferta de serviços de educação financeira digital com cursos, plataformas e conteúdos voltados ao mercado de criptoativos. A companhia monetiza sua operação por meio de seus produtos educacionais, utilizando simultaneamente seu balanço corporativo para obter exposição direta e de longo prazo ao ecossistema do Bitcoin.

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Total de ações 317.613.740
Ações ordinárias 168.608.200
Ações preferenciais 149.005.540
Free float 264.535.420 — 83,29%
Maior acionista Vinteum Technology Inc. — 42,60%
Tesouraria 31.602.567 — 9,95%

Data: 2026-06-10

R$ 5,91
1,03% no dia
R$ 24,00 R$ 5,85
2025 2026
Valor de mercado R$ 908,14 mi
Volume 317,30 mil
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -1,9x
EV/EBITDA -2,2x
P/VP 0,5x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 28/06/2026

Desconto material, mas tese volátil

A OranjeBTC negocia com valor de mercado de R$908,1 milhões e P/VP de 0,5x, próximo da mínima de 52 semanas (R$5,71). O desconto patrimonial é material porque a companhia tem R$1,7 bilhão de patrimônio líquido e reserva de ₿3.722,3 em tesouraria. O múltiplo de P/L negativo de -1,9x e EV/EBITDA negativo de -2,2x refletem prejuízo anual de R$470 milhões, praticamente todo explicado pelo ajuste contábil negativo de R$465,2 milhões no intangível de Bitcoin. A tese central é acumular Bitcoin por ação, e a exposição subiu de 2.291 para 2.295 satoshis no 1T26, com BTC Yield de 0,19% no trimestre.

O desconto não pode ser lido de forma limpa porque a OranjeBTC ainda não demonstra receita operacional recorrente relevante, o prejuízo contábil foi de R$460,7 milhões no 1T26, o patrimônio líquido caiu para R$1,23 bilhão após marcação negativa do Bitcoin, o passivo circulante subiu para R$63,1 milhões com nova linha de empréstimos de R$52,4 milhões, e praticamente todo o valor econômico depende do preço do Bitcoin, da custódia, da disciplina de capital e da capacidade de aumentar Bitcoin por ação sem diluição excessiva. A volatilidade, o risco de contraparte, a dívida conversível, a ausência de geração de caixa recorrente e a exposição total ao ativo digital exigem acompanhamento cauteloso.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 3
EBITDA R$ -464.104
Lucro líquido R$ -460.706
Dívida líquida R$ 90.434
Margem líquida -15356866,67%
FCO R$ 2.068

OranjeBTC eleva reserva para 3.723 Bitcoins no 1T26, mas prejuízo de R$460,7 milhões por ajuste de mercado mantém sinal vermelho devido à alta volatilidade.

A OranjeBTC manteve uma tese clara de acumulação de Bitcoin por ação no 1T26, com reserva de ₿3.723, aumento de Bitcoin por ação de 2.291 para 2.295 satoshis, BTC Yield de 0,19% e caixa consolidado de R$68,5 milhões. A companhia também atravessou a correção do Bitcoin com dívida próxima de 10% da posição em Bitcoin e recomprou ações de forma seletiva. Mesmo assim, a classificação permanece como ativo de risco, com cautela elevada, porque o prejuízo consolidado foi de R$460,7 milhões, o ajuste negativo a valor justo sobre intangível foi de R$466,8 milhões, o patrimônio líquido caiu para R$1,23 bilhão, a receita operacional recorrente ainda é praticamente inexistente, o passivo circulante consolidado subiu para R$63,1 milhões e quase todo o valor econômico depende do preço do Bitcoin. O sinal é vermelho porque a tese pode criar valor se a empresa aumentar Bitcoin por ação com disciplina, mas a volatilidade, a custódia, a dívida, a ausência de caixa recorrente e o risco de diluição ainda são muito altos.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2025

A OranjeBTC encerrou 2025 como uma companhia recém-estruturada, com modelo econômico muito diferente de uma empresa operacional tradicional. A empresa foi constituída em 27 de fevereiro de 2025 e passou a ter como eixo central a acumulação e gestão de tesouraria em Bitcoin. O ano de 2025 marcou o início da estratégia pública da companhia como veículo listado com exposição relevante a Bitcoin. A primeira aquisição de Bitcoin ocorreu em 4 de junho de 2025, ainda antes da companhia operar como empresa aberta.

Resumo fundamentalista

A OranjeBTC iniciou 2026 ainda como uma companhia de tese altamente concentrada em Bitcoin. O trimestre confirmou a estratégia de acumular Bitcoin por ação, mas também deixou claro o tamanho da volatilidade contábil e patrimonial associada ao modelo.

A reserva em Bitcoin passou de ₿3.722,3 em 31 de dezembro de 2025 para ₿3.723 em 31 de março de 2026. O aumento foi pequeno em quantidade absoluta, mas a administração destacou que o foco do trimestre foi preservar estrutura financeira, recomprar ações seletivamente e atravessar a correção do Bitcoin sem pressão de liquidez.

O Bitcoin iniciou 2026 perto de R$488 mil por unidade, caiu para mínima próxima de R$330 mil em fevereiro e encerrou março perto de R$350 mil. Essa queda afetou diretamente a marcação do ativo da OranjeBTC.

O intangível consolidado caiu para R$1,33 bilhão, contra R$1,79 bilhão no fim de 2025. A queda reflete principalmente a marcação negativa da posição em Bitcoin.

O ativo total consolidado caiu para R$1,4 bilhão, contra R$1,83 bilhão no fim de 2025. A redução acompanhou a queda do valor justo da tesouraria em Bitcoin.

A OranjeBTC registrou prejuízo consolidado de R$460,7 milhões no 1T26. A maior parte desse prejuízo veio do ajuste negativo a valor justo sobre intangível, de R$466,8 milhões.

Esse ajuste não representa saída de caixa e não reduz a quantidade de Bitcoin mantida em tesouraria, mas reduz patrimônio líquido, afeta o resultado contábil e evidencia a volatilidade econômica da tese.

O patrimônio líquido consolidado caiu para R$1,23 bilhão, contra R$1,7 bilhão no fim de 2025. A queda veio principalmente do prejuízo do trimestre.

O caixa consolidado subiu para R$68,5 milhões, contra R$19,2 milhões em dezembro de 2025. Esse aumento foi positivo, mas parte relevante veio de captação de empréstimos no fluxo de financiamento.

O passivo circulante consolidado subiu para R$63,1 milhões, contra R$5,5 milhões no fim de 2025. A principal nova linha foi empréstimos e financiamentos de R$52,4 milhões no curto prazo.

O passivo não circulante consolidado caiu para R$106,9 milhões, contra R$123,6 milhões. A principal linha continuou sendo debêntures de R$106,5 milhões.

A companhia informou que, mesmo no pico da correção, sua dívida representava aproximadamente 10% da posição em Bitcoin. Essa leitura mostra alavancagem baixa frente ao ativo principal, mas ainda depende da manutenção do valor da tesouraria em Bitcoin.

A métrica de Bitcoin por ação melhorou levemente. A exposição passou de 2.291 satoshis por ação em 31 de dezembro de 2025 para 2.295 satoshis por ação em 31 de março de 2026. As ações por Bitcoin caíram de 43.650 para 43.568.

O BTC Yield do trimestre foi de 0,19%. A administração reconheceu que o resultado ficou abaixo das expectativas iniciais, mas o atribuiu ao ambiente de forte correção do Bitcoin e compressão das avaliações do setor.

A leitura central para o usuário continua sendo de ativo de risco. A OranjeBTC tem tese clara, exposição relevante a Bitcoin e gestão de capital ativa, mas a dependência quase total do Bitcoin, a ausência de receita operacional recorrente relevante, a volatilidade contábil e a sensibilidade a financiamento, custódia e diluição justificam cautela elevada.

Pontos de atenção

O principal risco da OranjeBTC continua sendo a concentração em Bitcoin.

A queda do Bitcoin no 1T26 gerou ajuste negativo de R$466,8 milhões e prejuízo de R$460,7 milhões. Esse efeito mostra que a volatilidade do ativo domina o resultado.

A custódia é outro risco essencial. A empresa mantém uma posição muito relevante em Bitcoin e precisa proteger chaves, processos, contrapartes, segregação, governança e segurança operacional.

A gestão ativa de parte da reserva em Bitcoin adiciona risco de contraparte. Mesmo que a companhia afirme usar parcela limitada e parâmetros rígidos, o risco não desaparece.

A dívida e os instrumentos financeiros também trazem risco. Debêntures, derivativos, variação cambial, empréstimos e eventual capital de longo prazo precisam ser avaliados junto da tesouraria.

A recompra de ações pode criar valor quando feita abaixo do valor econômico, mas pode reduzir liquidez se feita em excesso.

A ausência de receita operacional recorrente relevante aumenta a dependência de caixa, financiamento e valorização da tesouraria.

A leitura de risco é elevada. A OranjeBTC pode criar valor com disciplina e valorização do Bitcoin, mas também pode sofrer perdas contábeis e patrimoniais relevantes em períodos de queda do ativo.

Leitura final

O 1T26 foi um teste importante para a OranjeBTC. A companhia preservou a reserva em Bitcoin, aumentou levemente Bitcoin por ação, recomprou ações e manteve alavancagem baixa frente à tesouraria.

Ao mesmo tempo, o trimestre mostrou a face mais dura da tese: a queda do Bitcoin gerou prejuízo contábil de R$460,7 milhões, reduziu o intangível para R$1,33 bilhão e derrubou o patrimônio líquido para R$1,23 bilhão.

Para o usuário, a OranjeBTC deve continuar sendo tratada como ativo de risco. A tese é simples no objetivo, aumentar Bitcoin por ação, mas o risco é alto porque o valor patrimonial, o resultado e a percepção de mercado dependem quase totalmente do Bitcoin. A companhia precisa provar disciplina de capital, transparência, segurança de custódia, aumento consistente de Bitcoin por ação, controle de dívida e geração de caixa recorrente antes de merecer leitura menos cautelosa.

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