A OranjeBTC iniciou 2026 ainda como uma companhia de tese altamente concentrada em Bitcoin. O trimestre confirmou a estratégia de acumular Bitcoin por ação, mas também deixou claro o tamanho da volatilidade contábil e patrimonial associada ao modelo.
A reserva em Bitcoin passou de ₿3.722,3 em 31 de dezembro de 2025 para ₿3.723 em 31 de março de 2026. O aumento foi pequeno em quantidade absoluta, mas a administração destacou que o foco do trimestre foi preservar estrutura financeira, recomprar ações seletivamente e atravessar a correção do Bitcoin sem pressão de liquidez.
O Bitcoin iniciou 2026 perto de R$488 mil por unidade, caiu para mínima próxima de R$330 mil em fevereiro e encerrou março perto de R$350 mil. Essa queda afetou diretamente a marcação do ativo da OranjeBTC.
O intangível consolidado caiu para R$1,33 bilhão, contra R$1,79 bilhão no fim de 2025. A queda reflete principalmente a marcação negativa da posição em Bitcoin.
O ativo total consolidado caiu para R$1,4 bilhão, contra R$1,83 bilhão no fim de 2025. A redução acompanhou a queda do valor justo da tesouraria em Bitcoin.
A OranjeBTC registrou prejuízo consolidado de R$460,7 milhões no 1T26. A maior parte desse prejuízo veio do ajuste negativo a valor justo sobre intangível, de R$466,8 milhões.
Esse ajuste não representa saída de caixa e não reduz a quantidade de Bitcoin mantida em tesouraria, mas reduz patrimônio líquido, afeta o resultado contábil e evidencia a volatilidade econômica da tese.
O patrimônio líquido consolidado caiu para R$1,23 bilhão, contra R$1,7 bilhão no fim de 2025. A queda veio principalmente do prejuízo do trimestre.
O caixa consolidado subiu para R$68,5 milhões, contra R$19,2 milhões em dezembro de 2025. Esse aumento foi positivo, mas parte relevante veio de captação de empréstimos no fluxo de financiamento.
O passivo circulante consolidado subiu para R$63,1 milhões, contra R$5,5 milhões no fim de 2025. A principal nova linha foi empréstimos e financiamentos de R$52,4 milhões no curto prazo.
O passivo não circulante consolidado caiu para R$106,9 milhões, contra R$123,6 milhões. A principal linha continuou sendo debêntures de R$106,5 milhões.
A companhia informou que, mesmo no pico da correção, sua dívida representava aproximadamente 10% da posição em Bitcoin. Essa leitura mostra alavancagem baixa frente ao ativo principal, mas ainda depende da manutenção do valor da tesouraria em Bitcoin.
A métrica de Bitcoin por ação melhorou levemente. A exposição passou de 2.291 satoshis por ação em 31 de dezembro de 2025 para 2.295 satoshis por ação em 31 de março de 2026. As ações por Bitcoin caíram de 43.650 para 43.568.
O BTC Yield do trimestre foi de 0,19%. A administração reconheceu que o resultado ficou abaixo das expectativas iniciais, mas o atribuiu ao ambiente de forte correção do Bitcoin e compressão das avaliações do setor.
A leitura central para o usuário continua sendo de ativo de risco. A OranjeBTC tem tese clara, exposição relevante a Bitcoin e gestão de capital ativa, mas a dependência quase total do Bitcoin, a ausência de receita operacional recorrente relevante, a volatilidade contábil e a sensibilidade a financiamento, custódia e diluição justificam cautela elevada.