Neutro / cautela

MYPK3 - Iochpe-Maxion

1T/2026

Consumo cíclico

Automóveis e motocicletas

Matriz: Cruzeiro - SP

Companhia global líder mundial na produção de rodas automotivas e uma das principais produtoras de componentes estruturais automotivos (chassis e travessas) nas Américas. A empresa atende montadoras de veículos leves, comerciais e agrícolas em todo o mundo, operando também na fabricação de vagões de carga e fundidos ferroviários por meio de sua controlada AmstedMaxion.

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Total de ações 153.719.601
Ações ordinárias 153.719.601
Ações preferenciais Não
Free float 137.839.011 — 89,67%
Maior acionista Charles River — 9,32%
Tesouraria 3.950.594 — 2,57%

Data: 2026-05-29

R$ 8,94
-1,00% no dia
R$ 28,60 R$ 8,74
2016 2026
Valor de mercado R$ 1,38 bi
Volume 1,16 mi
P/L externo 14,6x
Dividend yield 12m 3,44%
JCP
03/10/2025
R$ 0,31
DIVIDENDO
06/03/2025
R$ 0,19
JCP
01/10/2024
R$ 0,39
JCP
01/07/2024
R$ 0,13

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 6,3x
EV/EBITDA 3,6x
P/VP 0,3x
Dividend yield 12m 3,44%
Data da análise 07/06/2026

Desconto relevante, mas com lucro fraco a confirmar

Com valor de mercado de cerca de R$ 1,38 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$ 8,69 contra topo de R$ 14,67), a Iochpe-Maxion negocia com múltiplos baixos: P/L de 6,3x, EV/EBITDA de 3,6x e, principalmente, P/VP de 0,3x, ou seja, bem abaixo do próprio patrimônio. Dentro do grupo de autopeças e mobilidade (comparação forte), esses números ficam abaixo das medianas setoriais (P/L ~7,2x, EV/EBITDA ~5,3x e P/VP ~0,65x), o que ajuda a explicar a leitura de empresa descontada. O último anual seguiu lucrativo e o 1T26 trouxe sinais operacionais positivos, com margem melhor, EBITDA maior, caixa operacional bem mais forte que no 1T25 e alavancagem em queda para 2,49x.

Ainda assim, o desconto não é limpo e por isso o sinal fica amarelo. O fechamento de 2025 mostrou queda relevante de lucro e forte deterioração da geração de caixa frente a 2024, e o 1T26 trouxe receita menor, lucro atribuído aos controladores ainda baixo, resultado financeiro pesado e demanda pressionada em veículos comerciais na América do Norte e no Brasil. Parte da melhora de caixa também depende de fornecedores/forfait e capital de giro. O free float elevado (perto de 90%, sem controlador definido) dá liquidez, mas não resolve a tese: o que precisa ser acompanhado é se a melhora de margem e caixa se confirma como recorrente e se a empresa converte essa resiliência operacional em lucro mais forte para o acionista.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 3.807.333
EBITDA R$ 357.046
Lucro líquido R$ 37.105
Dívida líquida R$ 3.841.378
Margem líquida 0,97%
FCO R$ 337.471

Sinais positivos operacionais e menor alavancagem marcam o 1T26, mas o lucro menor e o resultado financeiro pesado mantêm a classificação de cautela.

A empresa deve continuar classificada como cautela. O 1T26 mostrou sinais positivos de disciplina operacional, margem melhor, EBITDA maior, caixa operacional forte e alavancagem menor que no 4T25. Porém, a receita caiu, o lucro atribuído aos controladores recuou, o resultado financeiro continua pesado e a demanda em veículos comerciais ainda está pressionada. O usuário deve acompanhar os próximos trimestres para confirmar se a melhora de margem e caixa é recorrente e se a companhia consegue converter resiliência operacional em lucro líquido mais forte.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Iochpe-Maxion encerrou 2021 em forte recuperação operacional após o choque de 2020. A companhia voltou ao lucro, ampliou receita, recuperou margens e apresentou melhora significativa de EBITDA, beneficiada pela retomada da produção automotiva global, maior volume de vendas, ganhos de eficiência e recomposição parcial de preços. O ano marcou uma virada importante em relação ao prejuízo registrado no exercício anterior. A Iochpe-Maxion é uma companhia global do setor automotivo, com atuação em rodas e componentes estruturais.

Demonstrações Financeiras 2022

Iochpe-Maxion encerrou 2022 ainda lucrativa e com receita recorde, mas em um ano de desaceleração da rentabilidade em relação à forte recuperação de 2021. A companhia continuou se beneficiando da retomada da indústria automotiva global, do crescimento de volumes e da presença internacional, mas enfrentou pressões relevantes de custo, inflação, energia, juros, câmbio e paradas de produção de clientes causadas pela escassez de semicondutores. A receita líquida consolidada cresceu em relação a 2021, mostrando que a demanda e a escala operacional continuaram avançando.

Demonstrações Financeiras 2023

Iochpe-Maxion encerrou 2023 em um ano de forte deterioração de rentabilidade, apesar de manter geração operacional de caixa elevada e posição relevante como fornecedora global da indústria automotiva. A companhia continuou lucrativa, mas com lucro líquido muito inferior ao de 2022 e 2021, refletindo queda de receita, pressão operacional, custos financeiros elevados e menor contribuição de resultados não recorrentes positivos. A receita líquida consolidada caiu em relação a 2022, assim como o lucro bruto, o resultado operacional e o lucro líquido.

Demonstrações Financeiras 2024

A Iochpe-Maxion encerrou 2024 com recuperação relevante de rentabilidade em relação a 2023, melhora de margens, crescimento do EBITDA recorrente e lucro líquido muito superior ao ano anterior. O ano marcou uma retomada operacional importante depois do período fraco de 2023, com avanço de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A receita líquida consolidada cresceu levemente em relação a 2023, mas a melhora mais importante veio na qualidade do resultado. O lucro bruto aumentou de forma relevante, a margem bruta melhorou, o EBIT cresceu e o EBITDA recorrente avançou.

Demonstrações Financeiras 2025

Iochpe-Maxion encerrou 2025 com receita consolidada praticamente estável, mas com piora relevante de lucro, caixa operacional e liquidez em relação a 2024. A companhia permaneceu lucrativa, manteve escala global relevante e continuou gerando resultado operacional positivo, porém o ano mostrou perda de qualidade em comparação com a recuperação observada em 2024. A receita líquida consolidada ficou levemente acima de 2024, mas o lucro líquido consolidado caiu de forma importante. O lucro atribuído aos controladores também recuou bastante.

Resumo fundamentalista

A Iochpe-Maxion iniciou 2026 com receita consolidada menor, mas com margem operacional levemente melhor, EBITDA maior e geração de caixa operacional significativamente superior ao 1T25. O trimestre mostra uma companhia ainda pressionada por ambiente global complexo, demanda desigual entre regiões e resultado financeiro negativo, mas com sinais de disciplina operacional e preservação de rentabilidade.

A receita operacional líquida consolidada caiu em relação ao 1T25, refletindo menor demanda por veículos comerciais na América do Norte e no Brasil, além do impacto negativo da valorização do real frente ao dólar na conversão das receitas externas. Esse efeito foi parcialmente compensado por desempenho mais sólido em veículos leves no Brasil e por bons resultados na Ásia, especialmente na Índia.

Apesar da queda de receita, o lucro bruto ficou praticamente estável e a margem bruta melhorou. O EBITDA cresceu levemente e a margem EBITDA também avançou. Isso indica que a companhia conseguiu ajustar custos, preservar eficiência e compensar parte da pressão de volumes com disciplina operacional. O lucro operacional ficou ligeiramente acima do 1T25.

O lucro líquido consolidado cresceu levemente, mas o lucro atribuído aos controladores caiu de forma relevante. Esse ponto impede uma leitura totalmente positiva, porque a rentabilidade para o acionista controlador ainda é baixa. O resultado financeiro continuou negativo e levemente pior, pressionado por despesas financeiras e variação cambial líquida negativa.

A leitura central para o usuário é de melhora operacional parcial, mas ainda com cautela. O 1T26 foi melhor em caixa e margem do que o 1T25, porém ainda mostra lucro líquido baixo para o controlador, receita menor, dependência de mercados globais e resultado financeiro pesado. A empresa segue relevante e resiliente, mas ainda não voltou a um padrão confortável de crescimento e rentabilidade.

Pontos de atenção

O principal risco do 1T26 é a demanda global desigual. A receita caiu porque veículos comerciais na América do Norte e Brasil continuaram pressionados. Embora haja sinais de estabilização, a recuperação ainda não está totalmente comprovada.

O segundo risco é o baixo lucro atribuído aos controladores. O lucro consolidado subiu levemente, mas a parcela atribuída aos controladores caiu em relação ao 1T25. Para o usuário, isso mostra que a melhora operacional e de caixa ainda não se transformou plenamente em lucro para o acionista controlador.

O terceiro risco é o resultado financeiro. A despesa financeira segue alta e o resultado financeiro líquido continua negativo. Como a companhia tem dívida relevante, instrumentos financeiros e exposição cambial, juros e câmbio continuam sendo fatores críticos.

O quarto risco é a dependência de fornecedores/forfait e capital de giro. O caixa operacional melhorou, mas a estrutura de capital de giro ainda é sensível a contas a receber, estoques, fornecedores e forfait. O usuário deve separar melhora operacional recorrente de efeitos de financiamento operacional.

Também permanecem riscos ligados a aço, alumínio, energia, fretes, câmbio, produção das montadoras, concentração de clientes, passivos de pensão, hedge e volatilidade geopolítica. A própria administração destacou ambiente global ainda caracterizado por volatilidade, incertezas geopolíticas e dinâmicas de mercado assimétricas.

Leitura final

A Iochpe-Maxion no 1T26 deve ser lida como um trimestre de estabilização operacional, não como virada definitiva. A companhia teve receita menor, mas preservou margem, aumentou EBITDA, melhorou caixa operacional e reduziu alavancagem em relação ao 4T25. Esses pontos indicam disciplina operacional e resiliência.

A ressalva é que o lucro do controlador continua baixo, o resultado financeiro permanece pesado e a demanda em mercados relevantes ainda está pressionada. A melhora de caixa é positiva, mas precisa ser confirmada nos próximos trimestres para mostrar que não depende apenas de capital de giro e fornecedores/forfait.

Para o usuário, Iochpe-Maxion deve continuar em postura neutra/cautelosa. A empresa é global, relevante e mostra recuperação de eficiência, mas ainda precisa provar crescimento mais consistente, lucro líquido mais forte para o controlador, menor pressão financeira e geração de caixa recorrente em ambiente automotivo global instável.

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