Mitre Realty encerrou 2021 com forte expansão operacional, crescimento relevante de receita, lucro bruto positivo e manutenção de balanço capitalizado. A companhia acelerou lançamentos, vendas e aquisição de terrenos, reforçando sua estratégia de atuação na cidade de São Paulo, em regiões próximas a grandes eixos de mobilidade urbana. A receita líquida consolidada foi de R$573,9 milhões em 2021, contra R$411,2 milhões em 2020. O lucro bruto consolidado foi de R$195,7 milhões, acima dos R$139,7 milhões do ano anterior.
MTRE3 - Mitre Realty Empreendimentos e Participações
Construtora e incorporadora imobiliária com mais de 50 anos de história, focada no desenvolvimento de projetos residenciais de médio, médio-alto e alto padrão. A companhia opera de forma verticalizada — gerindo desde a prospecção de terrenos estratégicos até a execução das obras e atendimento ao cliente — concentrando as suas atividades e lançamentos quase que exclusivamente na cidade de São Paulo e sua região metropolitana, sob marcas conhecidas como Haus Mitre, Raízes e Origem.
01/06/2026 R$ 0,04
18/05/2026 R$ 0,04
12/03/2026 R$ 0,03
26/01/2026 R$ 0,04
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas pede confirmação
Com valor de mercado de R$359,63 mi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$3,34, contra mínima de R$3,23), a Mitre Realty negocia com múltiplos comprimidos: P/L de 4,6x, EV/EBITDA de 8,3x e, sobretudo, P/VP de apenas 0,3x, ou seja, bem abaixo do patrimônio líquido de R$1,05 bi. O dividend yield estimado em 12 meses, de 13,6%, reforça a impressão de desconto, e o resultado mais recente acompanha essa leitura: no 1T26 a receita cresceu 19,1%, a margem bruta subiu para 28,5%, o lucro avançou e o caixa operacional virou positivo em R$45,01 mi, apoiado pelo lançamento histórico do NAEEM, com VGV bruto de R$917 mi e 34,9% vendido em um mês.
O ponto de atenção, que impede tratar o desconto como limpo, está na estrutura de capital e no histórico volátil. A geração de caixa operacional foi negativa em vários anos e só virou positiva em 2025, ainda precisando provar recorrência; a receita anual recuou de R$1,18 bi para R$1,05 bi; e a alavancagem segue pesada, com dívida líquida de R$467,92 mi e dívida bruta ainda elevada em R$666,39 mi. Soma-se a isso a queda da VSO para 13,2%, o aumento do VGV em estoque e o alongamento dos recebíveis de longo prazo. O desconto é real, mas depende de a companhia sustentar margem, vendas e conversão de caixa nos próximos trimestres.
Indicadores principais
Mitre cresce forte em 2026: receita e margem sobem com lucro 63% maior. Lançamento do NAEEM e caixa positivo de R$45M justificam sinal verde para a ação.
Mitre Realty iniciou 2026 com forte melhora operacional: receita líquida cresceu 19,1%, lucro bruto avançou 27,8%, margem bruta contábil subiu para 28,5%, margem bruta ajustada chegou a 34,9% e o lucro atribuído aos controladores cresceu 63,6% frente ao 1T25. O caixa operacional consolidado foi positivo em R$45 milhões, reforçando a melhora de conversão em caixa após anos de pressão. O lançamento do NAEEM, maior projeto da história da companhia, com R$917 milhões de VGV bruto e 34,9% vendido em apenas um mês, fortalece a visão de crescimento. A cautela fica na dívida bruta ainda elevada, no aumento do VGV em estoque, no alongamento de recebíveis e na necessidade de manter VSO e geração de caixa. Ainda assim, o conjunto do trimestre justifica classificação como empresa em crescimento, com postura positiva e sinal verde.
Trajetória recente
A Mitre Realty encerrou 2022 com crescimento de receita, lucro bruto, lucro líquido consolidado e lucro atribuído aos controladores em relação a 2021. A companhia manteve expansão relevante da base de ativos, aumento de estoques e contas a receber, além de reforço de caixa via captação de empréstimos e financiamentos. A receita líquida consolidada foi de R$758,6 milhões em 2022, contra R$573,9 milhões em 2021. O lucro bruto consolidado foi de R$221,4 milhões, acima dos R$195,7 milhões do ano anterior.
Mitre Realty encerrou 2023 com forte recuperação do resultado contábil e melhora relevante da operação em relação a 2022. A companhia aumentou receita, lucro líquido consolidado e lucro atribuído aos controladores, entregou obras relevantes, atingiu marca histórica de vendas líquidas e reduziu bastante o consumo de caixa operacional anual. A receita líquida consolidada foi de R$926,3 milhões em 2023, contra R$758,6 milhões em 2022. O lucro bruto consolidado foi de R$184 milhões, abaixo dos R$221,4 milhões do ano anterior.
Mitre Realty encerrou 2024 com crescimento relevante de receita e lucro bruto, além de melhora gradual do caixa operacional anual. A companhia aumentou a escala de reconhecimento de receita, reduziu estoques de longo prazo e encerrou o ano com caixa maior que em 2023. Porém, o lucro líquido consolidado e o lucro atribuído aos controladores caíram, as despesas operacionais cresceram bastante e o caixa operacional ainda foi negativo. A receita líquida consolidada foi de R$1,17 bilhão em 2024, contra R$926,3 milhões em 2023.
Mitre Realty encerrou 2025 com leitura mista. A companhia teve queda de receita líquida e lucro bruto em relação a 2024, mas conseguiu aumentar o lucro líquido consolidado, o lucro atribuído aos controladores e virar o caixa operacional anual para positivo. Esse é um ponto importante depois de anos de consumo de caixa operacional. A receita líquida consolidada foi de R$1,05 bilhão em 2025, contra R$1,17 bilhão em 2024.
Resumo fundamentalista
A Mitre iniciou 2026 com melhora relevante de receita, lucro bruto, margem, lucro líquido e caixa operacional frente ao 1T25. A companhia também realizou o maior lançamento de sua história, o NAEEM, em Pinheiros, com forte velocidade inicial de vendas. O trimestre combinou crescimento operacional, melhora de rentabilidade e geração de caixa positiva.
A receita líquida consolidada foi de R$285,1 milhões no 1T26, contra R$239,3 milhões no 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$81,2 milhões, acima dos R$63,5 milhões do 1T25. A margem bruta contábil foi de 28,5%, alta de 2,0 pontos percentuais frente ao 1T25 e de 3,0 pontos percentuais frente ao 4T25. A margem bruta ajustada foi de 34,9%, alta de 1,3 ponto percentual frente ao 1T25.
O lucro líquido consolidado foi de R$25,5 milhões, contra R$15,6 milhões no 1T25. O lucro atribuído aos sócios da controladora foi de R$18,3 milhões, contra R$11,2 milhões no mesmo período do ano anterior. A administração destacou lucro líquido de R$18,4 milhões no trimestre, crescimento de 63,6% frente ao 1T25, com margem líquida de 6,4%.
O principal destaque operacional foi o lançamento do NAEEM, localizado em Pinheiros, maior empreendimento já lançado pela companhia. O projeto teve VGV bruto de R$917 milhões e VGV líquido de R$802 milhões, com 34,9% do VGV vendido em apenas um mês. Esse desempenho reforça diferenciação de produto e capacidade comercial em projetos de alto padrão.
As vendas líquidas do trimestre somaram R$328,7 milhões, crescimento de 1,3% frente ao 1T25. Nos últimos doze meses, as vendas líquidas somaram R$1,3 bilhão. O estoque pronto ficou em apenas 4,3%, queda de 1,2 ponto percentual frente ao 4T25, indicando baixo estoque concluído e boa disciplina comercial.
A leitura central para o usuário é positiva. A empresa apresentou crescimento de receita, margem, lucro e caixa operacional, além de lançamento relevante com boa absorção inicial. A cautela fica na dívida bruta ainda alta, no volume de recebíveis e estoques e na necessidade de manter a geração de caixa positiva nos próximos trimestres.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é a dívida ainda elevada. A dívida bruta consolidada ficou em R$666,3 milhões. Embora a dívida de curto prazo tenha caído, o nível total segue relevante frente ao caixa.
O segundo ponto é a concentração em um lançamento de grande porte. O NAEEM é o maior projeto da história da Mitre e teve forte venda inicial. Porém, por seu tamanho, sua velocidade de vendas, margem, execução e repasses terão impacto relevante nos próximos resultados.
O terceiro risco é a VSO menor. A VSO trimestral caiu para 13,2%, e a VSO dos últimos doze meses caiu para 37,1%. O forte VGV lançado aumenta o estoque potencial e exige manutenção da velocidade de vendas.
O quarto ponto é o aumento do VGV em estoque. O estoque em VGV subiu para R$2,15 bilhões, alta de 27,9% frente ao 4T25. Mesmo com estoque pronto baixo, o volume em estoque precisa ser absorvido ao longo do ciclo.
O quinto ponto é o alongamento de recebíveis. As contas a receber de curto prazo caíram, mas as de longo prazo subiram de forma relevante. O usuário deve acompanhar repasses, distratos, inadimplência, cronograma de obra e conversão em caixa.
Também é importante acompanhar G&A e despesas não recorrentes. A administração informou que mais de R$3 milhões de despesas no 1T26 estavam ligadas a consultorias e rescisões. O usuário deve verificar se a eficiência prometida aparece nos próximos trimestres.
Leitura final
A Mitre Realty iniciou 2026 com forte melhora operacional: receita líquida cresceu 19,1%, lucro bruto avançou 27,8%, margem bruta contábil subiu para 28,5%, margem bruta ajustada chegou a 34,9% e o lucro atribuído aos controladores cresceu 63,6% frente ao 1T25. O caixa operacional consolidado foi positivo em R$45 milhões, reforçando a melhora de conversão em caixa após anos de pressão. O lançamento do NAEEM, maior projeto da história da companhia, com R$917 milhões de VGV bruto e 34,9% vendido em apenas um mês, fortalece a visão de crescimento. A cautela fica na dívida bruta ainda elevada, no aumento do VGV em estoque, no alongamento de recebíveis e na necessidade de manter VSO e geração de caixa. Ainda assim, o conjunto do trimestre justifica classificação como empresa em crescimento, com postura positiva e sinal verde.