A MRV iniciou 2026 com melhora relevante em relação ao 1T25, mas ainda sem voltar ao lucro líquido. A companhia cresceu receita, ampliou lucro bruto, melhorou o resultado operacional antes do financeiro, reduziu fortemente o prejuízo e voltou a gerar caixa operacional consolidado positivo. Mesmo assim, o resultado financeiro continuou pesado e a estrutura de capital ainda exige cautela.
A receita líquida consolidada foi de R$2,77 bilhões no 1T26, contra R$2,28 bilhões no 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$816,5 milhões, contra R$654,1 milhões no mesmo período do ano anterior. A margem bruta contábil ficou próxima de 29,4%, mantendo o patamar de recuperação observado em 2025.
O resultado antes do financeiro e dos tributos foi positivo em R$293,6 milhões, contra resultado negativo de R$18 milhões no 1T25. Esse avanço mostra melhora operacional importante, explicada por maior lucro bruto e queda das outras despesas operacionais frente ao trimestre comparável.
O lucro líquido consolidado ainda foi negativo em R$76,2 milhões, mas melhorou bastante frente ao prejuízo de R$362,6 milhões no 1T25. O prejuízo atribuído aos controladores foi de R$77,6 milhões, contra prejuízo de R$358,8 milhões no 1T25.
A leitura central para o usuário é de melhora operacional com cautela. A companhia mostrou evolução em receita, lucro bruto, resultado operacional e caixa, mas ainda carrega prejuízo, resultado financeiro negativo, dívida elevada, contas a receber altas, estoques relevantes e passivo de cessão crescente no longo prazo.
O caixa operacional consolidado foi positivo em R$23,6 milhões, contra consumo de R$90,2 milhões no 1T25. A geração antes das variações de capital de giro foi positiva em R$510,18 milhões, acima dos R$382,4 milhões do 1T25. Esse é um sinal positivo, mas ainda pequeno frente ao tamanho do balanço e da dívida.
Para o usuário, o 1T26 deve ser lido como um trimestre de recuperação em andamento. A melhora é clara, mas ainda não suficiente para retirar a empresa da zona de cautela, porque o lucro líquido segue negativo e o custo financeiro continua anulando parte relevante da melhora operacional.