MRV encerrou 2021 com resultado contábil forte, lucro líquido elevado e crescimento de receita consolidada. A companhia manteve operação em grande escala, com presença relevante em incorporação, construção e desenvolvimento imobiliário, além de exposição internacional por meio de suas operações fora do Brasil. A receita líquida consolidada foi de R$7,1 bilhões em 2021, contra R$6,6 bilhões em 2020. O lucro bruto consolidado foi de R$1,82 bilhão, levemente abaixo dos R$1,87 bilhão do ano anterior.
MRVE3 - MRV Engenharia e Participações
Maior construtora e incorporadora do Brasil no segmento de habitação popular e imóveis residenciais de médio e baixo padrão. Opera de forma verticalizada, cobrindo desde a prospecção de terrenos e desenvolvimento urbano até a construção industrializada e comercialização das unidades. Atuando como o principal ecossistema de habitação econômica do país, a empresa é o maior braço privado operador do programa habitacional federal Minha Casa, Minha Vida, além de possuir linhas de negócios focadas em loteamentos urbanizados (Urba), locação residencial multifamiliar (Lugano) e desenvolvimento imobiliário residencial nos Estados Unidos (Resia).
21/09/2022 R$ 0,20
23/06/2022 R$ 0,20
06/12/2021 R$ 0,16
29/04/2021 R$ 0,27
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto com risco elevado
Com valor de mercado de R$2,93 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$5,05, contra topo de R$10,53), a MRV negocia com múltiplos comprimidos: P/VP de 0,5x e fluxo de caixa operacional que voltou ao positivo (R$541,98 mi no anual e R$23,66 mi no 1T26). A receita seguiu crescendo, chegando a R$10,91 bi em 2025 e R$2,78 bi no 1T26, com margem bruta recuperada para cerca de 29%, o que sustenta a leitura de que o valor de mercado está descontado frente à escala da operação.
O desconto, porém, vem acompanhado de ressalvas materiais que justificam o sinal laranja. O último anual fechou com prejuízo de R$1,04 bi e P/L negativo de -2,8x, a dívida líquida ainda soma R$8,35 bi (18,4x EBITDA) e o resultado financeiro segue pesado, com despesas que anulam boa parte da melhora operacional. Mesmo com o 1T26 mostrando prejuízo bem menor (R$77,66 mi contra R$358,81 mi no 1T25), o lucro líquido ainda é negativo, e recebíveis, estoques e passivo de cessão continuam crescendo. A recuperação está em andamento, mas precisa ser confirmada com retorno ao lucro líquido positivo e desalavancagem mais clara antes que o desconto possa ser lido como limpo.
Indicadores principais
MRV melhora no início de 2026 com receita de R$2,77B e caixa positivo. O prejuízo recuou para R$77,6M, mas o peso financeiro e a dívida mantêm a postura neutra.
A MRV apresentou melhora relevante no 1T26, com receita líquida consolidada de R$2,77 bilhões, lucro bruto de R$816,5 milhões, margem bruta próxima de 29,4%, resultado antes do financeiro e tributos positivo em R$293,6 milhões e caixa operacional consolidado positivo em R$23,6 milhões. O prejuízo atribuído aos controladores caiu para R$77,6 milhões, contra R$358,8 milhões no 1T25. A cautela permanece porque o resultado líquido ainda é negativo, o resultado financeiro foi negativo em R$306,6 milhões, a dívida bruta segue elevada, os recebíveis e estoques aumentaram e o passivo de cessão continua relevante. O trimestre mostra recuperação em andamento, mas ainda não justifica postura positiva plena.
Trajetória recente
A MRV encerrou 2022 com forte deterioração de resultado. A companhia manteve grande escala operacional, mas sofreu queda de receita, compressão de lucro bruto, aumento relevante de despesas financeiras e prejuízo atribuído aos controladores. O ano também foi marcado por novo consumo de caixa operacional e aumento expressivo da dívida bruta consolidada. A receita líquida consolidada foi de R$6,64 bilhões em 2022, contra R$7,1 bilhões em 2021.
Encerrou 2023 com melhora parcial em relação a 2022, mas ainda em situação pressionada. A companhia voltou a crescer receita consolidada, recuperou parte do lucro bruto e reduziu o prejuízo atribuído aos controladores, mas continuou com resultado líquido negativo, caixa operacional negativo e dívida bruta elevada. A receita líquida consolidada foi de R$7,43 bilhões em 2023, contra R$6,64 bilhões em 2022. O lucro bruto consolidado foi de R$1,68 bilhão, acima dos R$1,31 bilhão do ano anterior.
MRV encerrou 2024 com forte crescimento de receita e lucro bruto, mas ainda sem recuperação plena do resultado líquido. A companhia ampliou escala operacional, melhorou a margem bruta consolidada e reduziu o consumo de caixa operacional em relação a 2023, mas o resultado financeiro piorou de forma relevante e o prejuízo atribuído aos controladores aumentou. A receita líquida consolidada foi de R$9 bilhões em 2024, contra R$7,4 bilhões em 2023. O lucro bruto consolidado foi de R$2,37 bilhões, acima dos R$1,68 bilhão do ano anterior.
A MRV encerrou 2025 com forte crescimento de receita e lucro bruto, melhora importante de caixa operacional, mas deterioração acentuada do resultado líquido. A companhia avançou em escala, recuperou margem bruta e voltou a gerar caixa operacional consolidado positivo, mas o resultado financeiro e outras despesas operacionais continuaram pressionando fortemente o lucro. A receita líquida consolidada foi de R$10,9 bilhões em 2025, contra R$9 bilhões em 2024. O lucro bruto consolidado foi de R$3,2 bilhões, acima dos R$2,37 bilhões do ano anterior.
Resumo fundamentalista
A MRV iniciou 2026 com melhora relevante em relação ao 1T25, mas ainda sem voltar ao lucro líquido. A companhia cresceu receita, ampliou lucro bruto, melhorou o resultado operacional antes do financeiro, reduziu fortemente o prejuízo e voltou a gerar caixa operacional consolidado positivo. Mesmo assim, o resultado financeiro continuou pesado e a estrutura de capital ainda exige cautela.
A receita líquida consolidada foi de R$2,77 bilhões no 1T26, contra R$2,28 bilhões no 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$816,5 milhões, contra R$654,1 milhões no mesmo período do ano anterior. A margem bruta contábil ficou próxima de 29,4%, mantendo o patamar de recuperação observado em 2025.
O resultado antes do financeiro e dos tributos foi positivo em R$293,6 milhões, contra resultado negativo de R$18 milhões no 1T25. Esse avanço mostra melhora operacional importante, explicada por maior lucro bruto e queda das outras despesas operacionais frente ao trimestre comparável.
O lucro líquido consolidado ainda foi negativo em R$76,2 milhões, mas melhorou bastante frente ao prejuízo de R$362,6 milhões no 1T25. O prejuízo atribuído aos controladores foi de R$77,6 milhões, contra prejuízo de R$358,8 milhões no 1T25.
A leitura central para o usuário é de melhora operacional com cautela. A companhia mostrou evolução em receita, lucro bruto, resultado operacional e caixa, mas ainda carrega prejuízo, resultado financeiro negativo, dívida elevada, contas a receber altas, estoques relevantes e passivo de cessão crescente no longo prazo.
O caixa operacional consolidado foi positivo em R$23,6 milhões, contra consumo de R$90,2 milhões no 1T25. A geração antes das variações de capital de giro foi positiva em R$510,18 milhões, acima dos R$382,4 milhões do 1T25. Esse é um sinal positivo, mas ainda pequeno frente ao tamanho do balanço e da dívida.
Para o usuário, o 1T26 deve ser lido como um trimestre de recuperação em andamento. A melhora é clara, mas ainda não suficiente para retirar a empresa da zona de cautela, porque o lucro líquido segue negativo e o custo financeiro continua anulando parte relevante da melhora operacional.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é que o resultado líquido ainda foi negativo. O prejuízo atribuído aos controladores caiu bastante, mas ainda foi de R$77,6 milhões no trimestre.
O segundo ponto é o resultado financeiro. O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$306,6 milhões, praticamente estável frente ao 1T25. O custo financeiro ainda é o principal obstáculo para o retorno ao lucro líquido.
O terceiro risco é o tamanho da dívida bruta. A dívida financeira consolidada ficou próxima de R$8,3 bilhões. A queda frente ao fim de 2025 é positiva, mas o patamar continua elevado.
O quarto ponto é o aumento de contas a receber. O saldo consolidado total chegou a aproximadamente R$8,08 bilhões, maior que no fim de 2025. A conversão desses recebíveis em caixa é decisiva para desalavancagem.
O quinto ponto é o aumento de estoques. O saldo consolidado total ficou em aproximadamente R$9,16 bilhões. Esse volume sustenta receita futura, mas exige capital, vendas, execução e repasses.
O sexto ponto é o passivo de cessão. A linha total subiu para aproximadamente R$4,461 bilhões, mostrando que obrigações relacionadas à cessão ou antecipação de recebíveis continuam relevantes.
A queda do patrimônio líquido consolidado também merece atenção. O PL caiu para R$5,88 bilhões, refletindo prejuízo e resultado abrangente negativo. A margem de segurança patrimonial ficou menor que em anos anteriores.
Leitura final
MRV apresentou melhora relevante no 1T26, com receita líquida consolidada de R$2,77 bilhões, lucro bruto de R$816,5 milhões, margem bruta próxima de 29,4%, resultado antes do financeiro e tributos positivo em R$293,6 milhões e caixa operacional consolidado positivo em R$23,6 milhões. O prejuízo atribuído aos controladores caiu para R$77,6 milhões, contra R$358,8 milhões no 1T25. A cautela permanece porque o resultado líquido ainda é negativo, o resultado financeiro foi negativo em R$306,6 milhões, a dívida bruta segue elevada, os recebíveis e estoques aumentaram e o passivo de cessão continua relevante. O trimestre mostra recuperação em andamento, mas ainda não justifica postura positiva plena.