A Movida iniciou 2026 com melhora operacional importante, crescimento de receita, avanço de EBITDA, lucro líquido maior e indicadores de retorno mais fortes. O trimestre mostra continuidade da recuperação iniciada em 2024 e reforçada em 2025, com melhor precificação, eficiência operacional e evolução dos segmentos de RAC, GTF e Seminovos.
A receita líquida consolidada foi de R$3,8 bilhões no 1T26, crescimento de 6% frente ao 1T25. A receita líquida de locação alcançou R$ 2,2 bilhões, alta de 17,4%, crescendo acima da frota média operacional. Esse ponto é positivo porque mostra ganho de receita por carro e melhor monetização dos ativos.
O EBITDA consolidado foi de R$1,6 bilhão, crescimento de 17,2% frente ao 1T25. O EBITDA de locação, somando RAC e GTF, cresceu 17,5%, com margem EBITDA de locação de 70,3%, nível estável e elevado.
A companhia reportou lucro líquido de R$124,5 milhões na controladora, contra R$78,5 milhões no 1T25. A expansão foi de 58,7%, em linha com o guidance divulgado anteriormente para o trimestre. O resultado confirma melhora de rentabilidade, ainda que o lucro continue pequeno frente ao tamanho da receita, da frota e da dívida.
No individual, a receita de venda de bens e serviços foi de R$3 bilhões, contra R$2,9 bilhões no 1T25. O lucro bruto subiu para R$1,1 bilhão, contra R$970,7 milhões. O resultado antes do financeiro e dos tributos subiu para R$863,4 milhões, contra R$755,8 milhões.
O resultado financeiro individual continuou muito pesado, negativo em R$726,3 milhões. As despesas financeiras foram de R$849,2 milhões, parcialmente compensadas por receitas financeiras de R$122,8 milhões. Esse segue sendo o principal limitador da expansão do lucro líquido.
A Movida informou ROIC LTM de 16,4% no 1T26. Esse indicador é relevante porque mostra retorno sobre capital investido em patamar superior ao custo da dívida, algo essencial em uma empresa de locação, gestão de frotas e Seminovos.
A alavancagem também melhorou. A administração destacou o menor patamar de alavancagem dos últimos cinco anos, de 2,6 vezes, com indicação proforma de 2,5 vezes após aumento de capital. Esse é um avanço importante para a tese, já que a estrutura de dívida vinha sendo um dos principais pontos de risco.
O fluxo de caixa operacional individual, porém, foi negativo em R$1 bilhão. A empresa gerou R$2,7 bilhões nas operações antes das variações de ativos e passivos, mas o caixa foi pressionado por compra de imobilizado para locação, aplicações financeiras e juros pagos.
A compra de ativo imobilizado para locação consumiu R$1,9 bilhão no trimestre. Os juros pagos consumiram R$464,2 milhões. O investimento em títulos, valores mobiliários e aplicações financeiras consumiu R$1,2 bilhão. Esses três itens explicam a pressão de caixa.
O ativo total individual subiu para R$32,3 bilhões, contra R$30,9 bilhões em 2025. O patrimônio líquido individual subiu para R$3,1 bilhões, contra R$ 3 bilhões. O ativo circulante subiu para R$6,6 bilhões, enquanto o passivo circulante caiu para R$9,9 bilhões.
A leitura central para o usuário é de recuperação em andamento, mas ainda com cautela. A Movida melhorou receita, EBITDA, lucro, ROIC e alavancagem, mas continua com resultado financeiro pesado, fluxo operacional negativo no trimestre, dívida elevada e descasamento entre ativo e passivo circulante. A tese está melhor que em 2023 e 2024, mas ainda não é uma leitura plenamente confortável.