Neutro / cautela

MOVI3

Movida Participações

1T/2026

Consumo cíclico

Aluguel de carros

Matriz: Mogi das Cruzes - SP

Uma das maiores empresas de mobilidade do Brasil, operando de forma integrada no aluguel de carros de curto prazo, na gestão e terceirização de frotas corporativas de longo prazo e na comercialização de seus veículos seminovos. Focada em inovação e na experiência do cliente, a companhia utiliza a venda de sua frota desativada diretamente no varejo como uma engrenagem essencial para renovar constantemente seus ativos e garantir automóveis modernos e de baixa quilometragem em suas operações de locação.

← Voltar para a lista
Total de ações 402.158.941
Ações ordinárias 402.158.941
Ações preferenciais Não
Free float 184.574.819 — 45,90%
Controlador Simpar S.A. — 53,71%
Tesouraria 1.126.045 — 0,28%

Data: 2026-06-26

R$ 9,70
0,00% no dia
R$ 22,86 R$ 3,34
2017 2026
Valor de mercado R$ 3,90 bi
Volume 5,49 mi
P/L externo 9,2x
Dividend yield 12m 7,75%
JCP
19/12/2025
R$ 0,75
DIVIDENDO
30/04/2025
R$ 0,02
JCP
27/12/2024
R$ 0,15
DIVIDENDO
03/05/2023
R$ 0,12

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 12,3x
EV/EBITDA 3,3x
P/VP 1,3x
Dividend yield 12m 7,75%
Data da análise 27/06/2026

Múltiplos comprimidos, mas risco financeiro ainda pesado

A Movida negocia com valor de mercado de R$3,9 bilhões, P/L de 12,3x, EV/EBITDA de 3,3x e P/VP de 1,3x. Os múltiplos parecem descontados frente ao histórico recente e à melhora operacional: receita anual cresceu 175% entre 2021 e 2025, o EBITDA evoluiu positivamente, o lucro líquido de 2025 foi de R$318 milhões e o 1T26 mostrou continuidade da recuperação, com ROIC de 16,4%, alavancagem em queda para 2,6x e lucro trimestral de R$124,5 milhões, 59% acima do 1T25. O dividend yield estimado de 7,8% reflete distribuição recente, mas a cotação ainda está 35% abaixo da máxima de 52 semanas.

O desconto, porém, vem acompanhado de risco financeiro relevante. O resultado financeiro individual foi negativo em R$2,9 bilhões no anual e em R$726 milhões no 1T26, praticamente consumindo o resultado operacional. A geração de caixa operacional foi positiva em R$1,4 bilhão no ano, mas negativa em R$1,0 bilhão no 1T26, pressionada por forte investimento em frota (R$1,9 bilhão) e juros pagos (R$464 milhões). O passivo circulante segue acima do ativo circulante, a dívida de longo prazo subiu para R$17,7 bilhões e houve um ano de prejuízo na série histórica. A tese melhorou, mas ainda depende de geração recorrente de caixa livre, controle da dívida e preservação do valor residual da frota.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 3.780.645
EBITDA R$ 1.568.665
Lucro líquido R$ 124.513
Dívida líquida R$ 15.556.326
Margem líquida 3,29%
FCO R$ -1.015.680

Movida mostra recuperação no 1T26 com lucro de R$124,5 milhões, mas alto consumo de caixa e forte pressão financeira mantêm tese em sinal de alerta amarelo.

A Movida mostra recuperação operacional clara no 1T26, com receita líquida consolidada de R$3,8 bilhões, EBITDA consolidado de R$1,6 bilhão, lucro líquido individual de R$124,5 milhões, ROIC LTM de 16,4% e alavancagem em trajetória de melhora. Mesmo assim, a leitura ainda exige cautela porque o resultado financeiro individual foi negativo em R$726,3 milhões, o fluxo operacional individual foi negativo em R$1 bilhão, a compra de frota consumiu R$1,9 bilhão, os juros pagos consumiram R$464,2 milhões e o passivo circulante segue acima do ativo circulante. A postura é neutra/cautelosa porque a tese melhorou, mas ainda depende de geração consistente de caixa livre, execução do aumento de capital, controle da dívida, preservação do valor residual da frota e manutenção de ROIC acima do custo da dívida. O sinal é amarelo porque há melhora relevante, mas o risco financeiro ainda impede uma leitura plenamente verde.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Movida encerrou 2021 com forte crescimento operacional e melhora expressiva de rentabilidade. O ano foi marcado por expansão da frota, aumento das receitas de locação, forte ganho de margem bruta, avanço de EBITDA, crescimento relevante do EBIT e lucro líquido muito superior ao de 2020. A receita líquida consolidada foi de R$5,3 bilhões em 2021, contra R$4 bilhões em 2020, crescimento de 30,5%. O crescimento foi puxado principalmente pelas receitas de locação, envolvendo RAC e GTF, responsáveis pela maior parte do avanço da receita.

Demonstrações Financeiras 2022

A Movida encerrou 2022 com forte expansão de escala, crescimento relevante da frota, avanço expressivo da receita e melhora operacional em RAC, GTF e Seminovos. O ano mostrou continuidade da estratégia de crescimento, com aumento de volume, tarifa média maior, expansão de lojas e reforço da operação de venda de veículos usados. A receita líquida consolidada foi de R$9,6 bilhões em 2022, contra R$5,3 bilhões em 2021. O crescimento foi de 80%, puxado por locação, gestão e terceirização de frotas e venda de ativos utilizados na prestação de serviços.

Demonstrações Financeiras 2023

Movida encerrou 2023 com crescimento de receita e avanço relevante em Gestão e Terceirização de Frotas, mas com forte deterioração do lucro líquido. O ano marcou uma virada negativa no resultado final: a empresa saiu de lucro de R$556,4 milhões em 2022 para prejuízo de R$650,9 milhões em 2023. A receita líquida consolidada foi de R$10,3 bilhões, crescimento de 11,2% frente a 2022. A expansão veio principalmente da receita de locação e da operação de GTF, enquanto a venda de ativos usados cresceu pouco e teve rentabilidade pressionada.

Demonstrações Financeiras 2024

Movida encerrou 2024 com recuperação operacional importante depois de um 2023 difícil. A empresa voltou ao lucro contábil, reverteu o prejuízo ajustado, melhorou EBITDA, ampliou receita, recompôs margens em RAC, manteve GTF como principal vetor de previsibilidade e elevou a produtividade de Seminovos. A receita líquida consolidada foi de R$ 13,5 bilhões, alta de 30,4% frente a 2023. O crescimento veio de maior receita em locação, expansão de GTF, recomposição de preço em RAC e ganho de volume em Seminovos.

Demonstrações Financeiras 2025

A Movida encerrou 2025 com melhora operacional relevante, forte crescimento de receita na controladora, aumento do lucro bruto, lucro líquido maior e volta do fluxo operacional individual para o campo positivo. O ano mostrou continuidade da recuperação iniciada em 2024, mas ainda com pressão financeira elevada e forte intensidade de capital. A receita individual de venda de bens e serviços foi de R$11,6 bilhões, contra R$3,2 bilhões em 2024. A alta reflete mudança importante de escala operacional na controladora, reorganização societária e maior volume de ativos e operações diretamente registrados na empresa.

Resumo fundamentalista

A Movida iniciou 2026 com melhora operacional importante, crescimento de receita, avanço de EBITDA, lucro líquido maior e indicadores de retorno mais fortes. O trimestre mostra continuidade da recuperação iniciada em 2024 e reforçada em 2025, com melhor precificação, eficiência operacional e evolução dos segmentos de RAC, GTF e Seminovos.

A receita líquida consolidada foi de R$3,8 bilhões no 1T26, crescimento de 6% frente ao 1T25. A receita líquida de locação alcançou R$ 2,2 bilhões, alta de 17,4%, crescendo acima da frota média operacional. Esse ponto é positivo porque mostra ganho de receita por carro e melhor monetização dos ativos.

O EBITDA consolidado foi de R$1,6 bilhão, crescimento de 17,2% frente ao 1T25. O EBITDA de locação, somando RAC e GTF, cresceu 17,5%, com margem EBITDA de locação de 70,3%, nível estável e elevado.

A companhia reportou lucro líquido de R$124,5 milhões na controladora, contra R$78,5 milhões no 1T25. A expansão foi de 58,7%, em linha com o guidance divulgado anteriormente para o trimestre. O resultado confirma melhora de rentabilidade, ainda que o lucro continue pequeno frente ao tamanho da receita, da frota e da dívida.

No individual, a receita de venda de bens e serviços foi de R$3 bilhões, contra R$2,9 bilhões no 1T25. O lucro bruto subiu para R$1,1 bilhão, contra R$970,7 milhões. O resultado antes do financeiro e dos tributos subiu para R$863,4 milhões, contra R$755,8 milhões.

O resultado financeiro individual continuou muito pesado, negativo em R$726,3 milhões. As despesas financeiras foram de R$849,2 milhões, parcialmente compensadas por receitas financeiras de R$122,8 milhões. Esse segue sendo o principal limitador da expansão do lucro líquido.

A Movida informou ROIC LTM de 16,4% no 1T26. Esse indicador é relevante porque mostra retorno sobre capital investido em patamar superior ao custo da dívida, algo essencial em uma empresa de locação, gestão de frotas e Seminovos.

A alavancagem também melhorou. A administração destacou o menor patamar de alavancagem dos últimos cinco anos, de 2,6 vezes, com indicação proforma de 2,5 vezes após aumento de capital. Esse é um avanço importante para a tese, já que a estrutura de dívida vinha sendo um dos principais pontos de risco.

O fluxo de caixa operacional individual, porém, foi negativo em R$1 bilhão. A empresa gerou R$2,7 bilhões nas operações antes das variações de ativos e passivos, mas o caixa foi pressionado por compra de imobilizado para locação, aplicações financeiras e juros pagos.

A compra de ativo imobilizado para locação consumiu R$1,9 bilhão no trimestre. Os juros pagos consumiram R$464,2 milhões. O investimento em títulos, valores mobiliários e aplicações financeiras consumiu R$1,2 bilhão. Esses três itens explicam a pressão de caixa.

O ativo total individual subiu para R$32,3 bilhões, contra R$30,9 bilhões em 2025. O patrimônio líquido individual subiu para R$3,1 bilhões, contra R$ 3 bilhões. O ativo circulante subiu para R$6,6 bilhões, enquanto o passivo circulante caiu para R$9,9 bilhões.

A leitura central para o usuário é de recuperação em andamento, mas ainda com cautela. A Movida melhorou receita, EBITDA, lucro, ROIC e alavancagem, mas continua com resultado financeiro pesado, fluxo operacional negativo no trimestre, dívida elevada e descasamento entre ativo e passivo circulante. A tese está melhor que em 2023 e 2024, mas ainda não é uma leitura plenamente confortável.

Pontos de atenção

O primeiro risco é o fluxo operacional negativo. A Movida consumiu R$1 bilhão em caixa operacional individual no 1T26.

O segundo risco é o custo financeiro. O resultado financeiro individual foi negativo em R$726,3 milhões, e os juros pagos consumiram R$464,2 milhões.

O terceiro risco é a dívida elevada. Mesmo com alavancagem melhor, a dívida de longo prazo subiu para R$17,7 bilhões.

O quarto risco é o descasamento de curto prazo. O ativo circulante individual foi de R$6,6 bilhões, abaixo do passivo circulante de R$9,9 bilhões.

O quinto risco é a intensidade de capital. A compra de ativo imobilizado para locação consumiu R$1,9 bilhão no trimestre.

O sexto risco é a dependência de captações. A empresa captou R$4,3 bilhões no trimestre e amortizou R$2,5 bilhões, mostrando necessidade contínua de rolagem e financiamento.

O sétimo risco é a dependência de valor residual. A estabilidade da depreciação e a margem de Seminovos precisam ser mantidas para evitar pressão futura no lucro.

O oitavo risco é o aumento de contas a receber. A linha subiu para R$1,7 bilhão e exige controle de crédito.

O nono risco é o impairment de contas a receber. As perdas esperadas foram de R$38,2 milhões no trimestre, acima do 1T25.

O décimo risco é o aumento de derivativos no passivo. Instrumentos financeiros derivativos continuaram relevantes no circulante e no não circulante.

O décimo primeiro risco é a execução do aumento de capital. A alavancagem proforma de 2,5 vezes depende do efetivo atingimento da subscrição total e homologação.

O décimo segundo risco é a governança intragrupo. A Simpar é controladora e pode influenciar decisões de capital, estratégia e transações com partes relacionadas.

Leitura final

O 1T26 foi positivo para a Movida do ponto de vista operacional. A empresa cresceu receita de locação, aumentou EBITDA, melhorou lucro líquido, manteve margem elevada em locação, reportou ROIC forte e apresentou alavancagem menor.

A leitura, porém, ainda não é totalmente confortável. A companhia continuou consumindo caixa operacional no individual, pagou juros elevados, depende de captações e ainda carrega passivo circulante acima do ativo circulante. A compra de frota segue intensa, e a tese depende da boa execução em Seminovos, RAC, GTF, precificação, valor residual e desalavancagem.

Para o usuário, o trimestre deve ser interpretado como avanço na recuperação, mas ainda com cautela. A Movida está melhorando os indicadores certos, especialmente receita, EBITDA, ROIC e alavancagem, mas precisa comprovar que essa melhora se traduzirá em caixa livre recorrente e menor pressão financeira.

Privacidade & Cookies
Utilizamos cookies próprios e de parceiros para medir o desempenho das campanhas e melhorar sua experiência. Ao aceitar, você autoriza a coleta de dados conforme a LGPD — Lei 13.709/2018.