Ativo de risco

MNDL3

Mundial

1T/2026

Consumo cíclico

Acessórios

Matriz: Caxias do Sul - RS

A Mundial atua na fabricação e comercialização de produtos de consumo voltados para cuidados pessoais, beleza e utilidades domésticas. O modelo de negócios da companhia baseia-se na produção em escala e distribuição para o varejo de itens tradicionais como alicates de cutícula, tesouras, cortadores de unha, pinças e esmaltes (frente de beleza), além de facas, talheres e utensílios de cozinha (frente doméstica), e fixadores metálicos/botões voltados para a indústria da moda.

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Total de ações 9.921.040
Ações ordinárias 9.921.040
Ações preferenciais Não
Free float 6.443.356 — 64,95%
Maior acionista RTI Vertex Inv. Ltda — 31,17%
Tesouraria 7.937 — 0,08%

Data: 2026-05-29

R$ 18,68
2,64% no dia
R$ 20,00 R$ 2,12
2016 2026
Valor de mercado R$ 180,55 mi
Volume 500
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
JCP
27/05/2011
R$ 0,01
RENDIMENTO
27/05/2011
R$ 0,00
RENDIMENTO
08/05/2008
R$ 0,00
JCP
08/05/2008
R$ 0,01

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -8,2x
EV/EBITDA 4,5x
P/VP 1,3x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 29/06/2026

Desconto com risco financeiro elevado

Com valor de mercado de R$180,55 mi e cotação intermediária na faixa de 52 semanas, a Mundial aparece com múltiplos comprimidos: EV/EBITDA de 4,5x e P/VP de 1,3x apoiados em um EBITDA anual de R$159,8 mi e receita que cruzou R$1 bi em 2025, com margem bruta resiliente perto de 38%. A operação segue gerando resultado relevante antes do financeiro, com marcas tradicionais e unidades como Personal Care, Pump Solutions e Food Service sustentando escala, o que dá aparência de valor de mercado descontado frente ao tamanho do negócio.

O desconto, porém, não é limpo: o P/L negativo de -8,2x reflete prejuízo no último anual e prejuízo ampliado no 1T26 (R$16 mi), com receita em queda de 3,7% no trimestre e resultado financeiro de R$44,3 mi consumindo todo o ganho operacional. A dívida líquida de R$537 mi sobre EBITDA, o capital de giro deficitário, os passivos fiscais da PGFN e a queda do patrimônio líquido para R$115,3 mi mantêm a tese pressionada, com a auditoria destacando incerteza sobre continuidade. Por isso o caso exige acompanhar conversão de margem em lucro recorrente, geração de caixa e rolagem de dívida antes de tratar o desconto como confortável.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 238.392
EBITDA R$ 30.565
Lucro líquido R$ -16.011
Dívida líquida R$ 493.561
Margem líquida -6,72%
FCO R$ 55.687

Mundial melhora margem bruta no 1T26, mas queda na receita, maior prejuízo e endividamento de curto prazo mantêm a tese sob elevado risco financeiro.

A Mundial ainda preserva uma operação relevante, com marcas conhecidas, margem bruta em melhora e EBITDA positivo, mas o 1T26 reforçou que o risco financeiro continua dominando a tese. A receita caiu, o prejuízo líquido aumentou, o resultado financeiro consumiu o desempenho operacional e o patrimônio líquido voltou a recuar. A companhia segue como ativo de risco porque a recuperação depende de transformar ganhos de eficiência em lucro e caixa recorrentes, ao mesmo tempo em que precisa administrar capital de giro deficitário, dívida concentrada no curto prazo, passivos fiscais relevantes e necessidade constante de rolagem financeira.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Mundial encerrou 2021 com forte recuperação operacional, crescimento relevante de receita e melhora expressiva de EBITDA, mas o resultado líquido foi profundamente negativo por causa de um efeito financeiro não recorrente ligado à reversão contábil de parcelamento tributário. A receita líquida consolidada foi de R$691,1 milhões, alta de 34,4% frente a 2020 e 42,2% acima de 2019. O lucro bruto consolidado foi de R$252,9 milhões, crescimento de 46% frente a 2020. O resultado operacional antes do financeiro também melhorou, chegando a R$95,5 milhões, quase o dobro do ano anterior.

Demonstrações Financeiras 2022

Mundial encerrou 2022 com nova melhora operacional e forte virada contábil no resultado líquido, mas a leitura continua exigindo cautela. A companhia reverteu o patrimônio líquido negativo de 2021 e registrou lucro expressivo, porém grande parte dessa virada veio de efeito financeiro não recorrente ligado ao acordo com a PGFN e à reorganização do passivo tributário. A receita líquida consolidada foi de R$762,5 milhões, crescimento de 10,3% frente a 2021. O lucro bruto consolidado foi de R$279,7 milhões, alta de 10,6%.

Demonstrações Financeiras 2023

A Mundial encerrou 2023 com avanço operacional relevante, crescimento de receita, maior lucro bruto e expansão de EBITDA, mas voltou a apresentar prejuízo líquido. A companhia manteve a trajetória de melhora operacional iniciada nos anos anteriores, porém ainda conviveu com despesas financeiras elevadas, deficiência de capital de giro e alerta de continuidade operacional no relatório de auditoria. A receita líquida consolidada foi de R$836,1 milhões, crescimento de 9,8% frente a 2022. O lucro bruto consolidado foi de R$315,1 milhões, alta de 11,1%, com margem bruta de 37,7%, avanço de 0,4 p.p.

Demonstrações Financeiras 2024

A Mundial encerrou 2024 com avanço operacional importante, crescimento de receita, maior lucro bruto, expansão do resultado operacional e retorno ao lucro líquido. A companhia manteve a trajetória de recuperação iniciada nos anos anteriores, agora com resultado líquido positivo, embora ainda pequeno frente ao tamanho da operação e aos passivos financeiros e fiscais. A receita líquida consolidada foi de R$970 milhões, crescimento de 16% frente a 2023. O lucro bruto consolidado foi de R$374,1 milhões, alta de 18,7%, com margem bruta de 38,6%, avanço de 0,9 p.p.

Demonstrações Financeiras 2025

A Mundial encerrou 2025 com novo crescimento de receita e manutenção de desempenho operacional positivo, mas voltou a registrar prejuízo líquido por causa do forte aumento do resultado financeiro negativo. A operação continuou avançando, mas a estrutura financeira ainda consumiu mais do que o resultado operacional gerado no ano. A receita líquida consolidada foi de R$1 bilhão, crescimento de 5% frente a 2024. A companhia manteve trajetória de expansão, com CAGR de 10,2% entre 2021 e 2025, mesmo em ambiente de juros elevados, câmbio volátil e necessidade de financiamento de capital de giro.

Resumo fundamentalista

A Mundial iniciou 2026 com receita consolidada menor, melhora de margem bruta e EBITDA ainda positivo, mas com piora relevante no prejuízo líquido. O trimestre mostra uma operação que segue gerando resultado antes do financeiro, porém ainda muito pressionada por despesas financeiras, equivalência patrimonial negativa e estrutura de capital frágil.

A receita líquida consolidada foi de R$238,4 milhões no 1T26, queda de 3,7% frente ao 1T25. A redução interrompe a sequência recente de crescimento anual e reflete início de ano mais moderado após o patamar mais alto registrado no fim de 2025.

O lucro bruto consolidado foi de R$93,1 milhões, crescimento de 3% frente ao 1T25. A margem bruta subiu para 39,1%, contra 36,5% no mesmo período do ano anterior. Esse é o principal ponto operacional positivo do trimestre, porque mostra ganho de eficiência no custo dos produtos vendidos e melhor composição de mix.

O resultado operacional antes do financeiro foi de R$26,7 milhões, queda de 5,7%. O EBITDA foi de R$30,6 milhões, queda de 5,4%, com margem EBITDA de 12,8%. A companhia manteve EBITDA positivo, mas com retração frente ao ano anterior.

O prejuízo líquido foi de R$16 milhões, muito pior que o prejuízo de R$654 mil do 1T25. A principal pressão veio do resultado financeiro negativo de R$44,3 milhões, alta de 33,7%, além de despesas operacionais maiores e equivalência patrimonial negativa no individual.

A leitura central para o usuário é de cautela elevada. A Mundial segue com marcas fortes, margem bruta melhor e operação ainda gerando EBITDA, mas o resultado líquido piorou, o patrimônio líquido caiu, a deficiência de capital de giro permanece e a pressão financeira continua impedindo uma recuperação confortável.

Pontos de atenção

O primeiro risco é o prejuízo líquido de R$16 milhões no trimestre.

O segundo risco é a queda de 3,7% da receita líquida consolidada.

O terceiro risco é o resultado financeiro consolidado negativo de R$44,3 milhões.

O quarto risco é as despesas financeiras representarem 18,6% da receita líquida.

O quinto risco é o EBITDA ter caído para R$30,6 milhões.

O sexto risco é a margem líquida negativa de 6,7%.

O sétimo risco é a deficiência de capital de giro no individual e no consolidado.

O oitavo risco é o passivo circulante consolidado de R$761,8 milhões.

O nono risco é a dívida consolidada de curto prazo de R$453,1 milhões.

O décimo risco é o caixa individual de apenas R$593 mil.

O décimo primeiro risco é a queda do patrimônio líquido individual para R$115,3 milhões.

O décimo segundo risco é o aumento dos prejuízos acumulados para R$28,3 milhões.

O décimo terceiro risco é a dependência de cumprimento do acordo com a PGFN e dos parcelamentos fiscais.

O décimo quarto risco é a necessidade de rolagem de dívida e manutenção de crédito para capital de giro.

Leitura final

O 1T26 mostrou uma Mundial operacionalmente ainda ativa, com margem bruta melhor e EBITDA positivo, mas com deterioração do resultado líquido. A companhia conseguiu reduzir custos, melhorar a margem bruta e gerar caixa operacional individual, mas a queda de receita e o aumento da pressão financeira pesaram no trimestre.

A leitura positiva vem da melhora de margem, da resiliência de algumas unidades de negócio e do fluxo operacional individual positivo. Food Service, Metal Fasteners e Pump Solutions mostraram sinais operacionais melhores, compensando parcialmente a queda de Personal Care & Cosmetics.

A cautela permanece elevada porque o resultado financeiro voltou a consumir o desempenho operacional, o prejuízo líquido aumentou, o patrimônio líquido caiu e o capital de giro segue deficitário. Para o usuário, o trimestre deve ser lido como continuidade de uma operação com marcas relevantes, mas ainda muito dependente de liquidez, rolagem de dívida, cumprimento dos parcelamentos fiscais e redução da pressão financeira.

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