2021 foi um ano de forte recuperação operacional para a Mills. A companhia voltou a crescer receita, saiu do prejuízo, melhorou o resultado operacional, manteve geração de caixa positiva e encerrou o ano com estrutura financeira ainda conservadora. A receita líquida consolidada subiu de R$506,3 milhões em 2020 para R$738,1 milhões em 2021, crescimento de aproximadamente 45,8%. A recuperação foi puxada principalmente pela retomada da demanda por locação de equipamentos, maior utilização da frota e ambiente mais favorável nos mercados de infraestrutura, imobiliário e industrial.
MILS3 - Mills
Empresa líder de mercado no Brasil em locação de plataformas elevatórias móveis de trabalho (PEMT) e equipamentos de movimentação. Atua fortemente no modelo de locação e prestação de serviços técnicos, fornecendo frotas de plataformas telescópicas e articuladas, além de ter expandido seus negócios para o aluguel de máquinas pesadas de linha amarela (como tratores e escavadeiras). Suas soluções atendem a setores dinâmicos da economia, incluindo a construção civil, a manutenção industrial, eventos, grandes centros de distribuição e o agronegócio.
20/04/2026 R$ 0,66
17/11/2025 R$ 0,19
19/08/2025 R$ 0,22
11/04/2025 R$ 0,06
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Valuation em linha, com fundamentos sólidos
Com valor de mercado de R$3,49 bi e cotação de R$15,26, próxima da máxima de 52 semanas (R$15,96), a Mills negocia a múltiplos que parecem compatíveis com seus fundamentos: P/L de 12,2x, EV/EBITDA de 6,2x e P/VP de 2,4x. O 1T26 reforça a qualidade operacional, com receita de R$461,2 mi, margem EBITDA acima de 50% e alavancagem reduzida para 1,1x, sustentando a leitura de que não há sinal forte de desconto nem de esticamento. Vale notar que o P/VP de 2,4x está acima do múltiplo do segmento de locação intensiva em capital, o que indica que o mercado já reconhece parte do valor do crescimento e da rentabilidade elevada.
Indicadores principais
Mills cresceu receita e EBITDA no 1T26, com margem acima de 50% e alavancagem de 1,1x. Tese positiva com forte caixa, ROIC alto e frota eficiente.
A Mills apresentou crescimento de receita, EBITDA ajustado maior, margem acima de 50%, forte geração de caixa, alavancagem de 1,1x e ROIC elevado no 1T26. O lucro líquido contábil foi impulsionado por créditos extemporâneos, então o lucro líquido caixa e o EBITDA ajustado são melhores referências de recorrência. A tese é positiva, com monitoramento de CAPEX, utilização da frota e disciplina de alocação de capital.
Trajetória recente
2022 foi um ano de forte crescimento para a Mills. A companhia aumentou receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido, patrimônio líquido e caixa, além de acelerar investimentos em frota e estrutura operacional. A receita líquida consolidada subiu de R$738,1 milhões em 2021 para R$1,092 bilhão em 2022, crescimento de aproximadamente 48,0%. A companhia ultrapassou R$1 bilhão de receita anual, mostrando expansão relevante da operação.
2023 foi mais um ano de crescimento relevante para a Mills. A companhia avançou em receita, margem e lucro, sustentada principalmente pela expansão da unidade Rental e pela consolidação da entrada no segmento de equipamentos pesados, especialmente linha amarela. O ano confirmou a mudança de escala da empresa: a Mills deixou de ser apenas uma locadora concentrada em plataformas elevatórias e passou a operar com uma avenida adicional de crescimento em equipamentos pesados, com contratos de maior porte, maior diversificação setorial e potencial de relacionamento mais profundo com a base de clientes.
2024 foi um ano de continuidade da expansão da Mills, mas com mudança importante no perfil de risco. A companhia manteve crescimento de receita, lucro positivo e boa rentabilidade operacional, porém acelerou investimentos, aumentou a dívida e realizou a aquisição da JM Empilhadeiras, ampliando sua presença em intralogística e diversificando ainda mais o portfólio de locação. A leitura central é positiva do ponto de vista operacional, mas mais cautelosa do ponto de vista financeiro. A Mills continuou mostrando capacidade de crescer, consolidar novas frentes de negócio e manter lucro.
2025 foi um ano de crescimento relevante para a Mills, com avanço de receita, lucro positivo, expansão operacional e consolidação da estratégia de diversificação em locação de equipamentos. A companhia continuou ampliando sua presença em Rental, Pesados e Intralogística, agora com efeito mais cheio da JM Empilhadeiras e com a aquisição da operação da Next Rental em agosto de 2025. A leitura operacional é positiva. A Mills aumentou escala, ampliou portfólio, fortaleceu a presença em equipamentos pesados e empilhadeiras, e reportou EBITDA ajustado em nível elevado, com margem robusta.
Resumo fundamentalista
A Mills apresentou um 1T26 forte, com crescimento de receita, expansão de EBITDA ajustado, margem elevada, lucro líquido muito superior ao 1T25, geração de caixa robusta e redução da alavancagem. A companhia mostrou resiliência mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco para o setor, afetado por menor ritmo de atividade, chuvas e sazonalidade típica do começo do ano.
A receita líquida consolidada foi de R$461,2 milhões, crescimento de 11,8% contra o 1T25. O EBITDA ajustado foi de R$235,1 milhões, alta de 13,8%, com margem EBITDA ajustada de 51%, expansão de 0,9 ponto percentual. O lucro líquido consolidado foi de R$197 milhões, crescimento de 190,1%, com margem líquida de 42,7%. Esse lucro, porém, foi afetado positivamente por efeitos não recorrentes ligados a créditos extemporâneos. Por isso, o lucro líquido caixa de R$104,4 milhões é uma leitura mais prudente da recorrência operacional.
A leitura central é positiva. A Mills segue crescendo com margem elevada, boa conversão de EBITDA em caixa, alavancagem controlada, ROIC alto e estrutura de capital saudável. O ponto de atenção é separar o efeito extraordinário no lucro líquido contábil da performance recorrente, além de acompanhar CAPEX, utilização da frota, ciclo de demanda e retorno sobre capital.
Pontos de atenção
O primeiro risco é o caráter intensivo em capital do negócio. A Mills precisa investir em ativos de locação para sustentar crescimento. Se a empresa acelerar CAPEX sem retorno adequado ou com baixa utilização da frota, a rentabilidade pode cair.
O segundo risco é ciclo econômico. A demanda por locação de equipamentos depende de atividade em construção, infraestrutura, indústria, logística e agronegócio. Desaceleração econômica, juros altos ou postergação de projetos podem reduzir utilização e pressionar preços.
O terceiro risco é alavancagem futura. A alavancagem atual é baixa, mas o setor permite crescimento com dívida. O usuário deve acompanhar se novas aquisições, CAPEX ou expansão orgânica elevam a dívida sem correspondente aumento de EBITDA.
O quarto risco é qualidade do lucro. O lucro líquido contábil do 1T26 foi muito forte, mas teve impacto de créditos extemporâneos. Para análise recorrente, o usuário deve priorizar EBITDA ajustado, lucro líquido caixa, fluxo de caixa operacional ajustado e ROIC.
O quinto risco é competição e preço. Locação de equipamentos pode sofrer pressão competitiva se houver excesso de frota no mercado ou entrada agressiva de concorrentes. A manutenção de margem acima de 50% depende de disciplina comercial e eficiência de utilização dos ativos.
Leitura final
A Mills teve um 1T26 de alta qualidade operacional. A companhia cresceu receita, expandiu EBITDA ajustado, manteve margem acima de 50%, gerou caixa, reduziu alavancagem e manteve ROIC elevado. Mesmo ajustando o lucro contábil pelos efeitos não recorrentes de créditos extemporâneos, o lucro líquido caixa e o fluxo operacional sustentam uma leitura positiva.
Para o usuário, Mills deve ser classificada como empresa em crescimento, com sinal verde. A tese combina crescimento, rentabilidade, caixa e alavancagem baixa. O acompanhamento deve focar em CAPEX, utilização da frota, manutenção do ROIC, disciplina de dívida e separação entre lucro recorrente e efeitos extraordinários.