Neutro / cautela

MGLU3 - Magazine Luiza

1T/2026

Consumo cíclico

Produtos diversos

Matriz: Franca - SP

Uma das maiores e mais influentes empresas do varejo de consumo do Brasil, pioneira no modelo de plataforma digital de vendas. A companhia atua na comercialização multicanal de uma vasta gama de produtos — como eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, produtos de beleza e artigos esportivos —, integrando centenas de lojas físicas com um ecossistema digital composto por seu e-commerce, marcas controladas (como Netshoes e Época Cosméticos), uma robusta estrutura de logística própria e a fintech Luizacred para serviços financeiros e concessão de crédito.

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Total de ações 775.945.010
Ações ordinárias 775.945.010
Ações preferenciais Não
Free float 389.237.948 — 50,16%
Maior acionista LTD Adm. e Part. S.A. — 45,05%
Tesouraria 775.945 — 0,10%

Data: 2026-05-29

R$ 5,44
1,87% no dia
R$ 261,43 R$ 1,26
2016 2026
Valor de mercado R$ 3,76 bi
Volume 27,75 mi
P/L externo 32,0x
Dividend yield 12m 1,49%
DIVIDENDO
24/04/2026
R$ 0,08
DIVIDENDO
25/04/2025
R$ 0,31
JCP
05/07/2021
R$ 0,02
JCP
29/12/2020
R$ 0,03

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 18,4x
EV/EBITDA 2,1x
P/VP 0,3x
Dividend yield 12m 1,49%
Data da análise 08/06/2026

Desconto real, mas com tração digital e lucro pressionados

Com valor de mercado de R$3,76 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$5,29 contra topo de R$11,55), o Magazine Luiza aparece com múltiplos comprimidos: EV/EBITDA de 2,1x, P/VP de 0,3x e dividend yield estimado em 9,0%. A leitura de desconto se apoia em fundamentos anuais ainda positivos em 2025, com receita de R$38,7 bi, EBITDA de R$3,2 bi, lucro líquido de R$204,6 mi e alavancagem controlada, com dívida líquida/EBITDA em 0,9x. O P/VP bem abaixo de 1 mostra que o valor de mercado está bastante descontado frente ao patrimônio de R$11,3 bi, em linha com o contexto de varejo cíclico e operação física resiliente.

O desconto, porém, não é limpo e exige cautela. O lucro de 2025 caiu frente a 2024 e o resultado financeiro voltou a pesar acima de R$2 bi, enquanto o e-commerce e o marketplace perderam tração. No 1T26 a tendência piorou: receita e vendas totais recuaram, o EBITDA encolheu, a dívida líquida subiu de forma relevante e o resultado líquido voltou ao negativo (R$55,2 mi). Some-se a isso o P/L de 18,4x, que não é baixo e reflete lucro fraco, e o fato de a geração de caixa depender muito da dinâmica de fornecedores. O caso precisa de confirmação na retomada do digital com rentabilidade e na conversão do EBITDA em lucro recorrente antes de o desconto ser tratado como oportunidade consolidada.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 9.205.731
EBITDA R$ 685.382
Lucro líquido R$ -55.220
Dívida líquida R$ 3.435.311
Margem líquida -0,60%
FCO R$ 4.511.889

Magazine Luiza teve caixa líquido positivo e lojas em alta no 1T26, mas e-commerce caiu e lucro foi negativo por juros altos. Tese depende de crescer no digital.

Magazine Luiza encerrou o 1T26 com caixa relevante, caixa líquido ajustado positivo, lojas físicas em crescimento, margem bruta melhor e ecossistema financeiro lucrativo. Porém, as vendas totais caíram, o e-commerce recuou forte, o resultado líquido ajustado foi negativo e o resultado financeiro segue pesado. A tese depende de retomada do crescimento digital com rentabilidade e conversão do EBITDA em lucro líquido.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Magazine Luiza encerrou 2021 com forte crescimento de vendas, expansão relevante do ecossistema digital, avanço do marketplace, aumento da base de lojas e várias aquisições estratégicas. A companhia continuou sendo uma das principais plataformas de varejo, tecnologia e logística do Brasil, com presença integrada em lojas físicas, e-commerce 1P, marketplace 3P, fintech, logística e serviços digitais. O ano foi marcado por crescimento expressivo das vendas totais, que chegaram a R$55,6 bilhões, alta de 27,8% em relação a 2020.

Demonstrações Financeiras 2022

Magazine Luiza encerrou 2022 com crescimento de vendas totais, melhora de margem bruta e recuperação do caixa operacional em relação ao consumo muito forte de 2021. Porém, o ano também marcou uma virada negativa no lucro líquido: a companhia saiu de lucro em 2021 para prejuízo consolidado em 2022, principalmente pelo forte aumento das despesas financeiras e pela pressão de juros. A companhia continuou ampliando seu ecossistema digital e omnicanal. As vendas totais chegaram a R$60,2 bilhões, crescimento de 8,2% em relação a 2021.

Demonstrações Financeiras 2023

Magazine Luiza encerrou 2023 com crescimento das vendas totais, avanço relevante do marketplace, melhora de margem bruta ajustada e manutenção de caixa operacional positivo, mas com piora do prejuízo líquido e retorno do resultado operacional contábil ao campo negativo. O ano mostra uma companhia ainda muito relevante no varejo digital e omnicanal brasileiro, porém pressionada por juros elevados, despesas financeiras, competição no e-commerce e dificuldade de converter escala em lucro líquido. As vendas totais atingiram R$63,1 bilhões, crescimento de 4,8% sobre 2022.

Demonstrações Financeiras 2024

A Magazine Luiza encerrou 2024 com melhora operacional relevante em relação a 2023. A companhia voltou ao lucro líquido consolidado, cresceu receita, aumentou lucro bruto, expandiu margem bruta, melhorou EBITDA ajustado, reduziu despesas financeiras e reforçou o patrimônio líquido com aumento de capital. O ano representa uma virada importante depois dos prejuízos de 2022 e 2023. As vendas totais atingiram R$65,3 bilhões, crescimento de 3,6% em relação a 2023.

Demonstrações Financeiras 2025

Magazine Luiza encerrou 2025 ainda lucrativa e com operação relevante, mas com piora de qualidade em relação à recuperação observada em 2024. A companhia manteve receita líquida em crescimento, EBITDA ajustado maior, margem bruta estável, caixa líquido ajustado positivo e estrutura de capital ainda administrável. Porém, as vendas totais ficaram praticamente estáveis/levemente menores, o e-commerce perdeu força, o marketplace caiu, o lucro líquido diminuiu e o resultado financeiro voltou a pressionar de forma relevante.

Resumo fundamentalista

A Magazine Luiza apresentou um 1T26 de transição, com sinais positivos em margem, EBITDA, caixa e lojas físicas, mas ainda com pressão relevante em vendas totais, e-commerce, resultado financeiro e lucro líquido. A companhia segue focada em rentabilidade, disciplina operacional, controle de despesas, capital de giro e fortalecimento do ecossistema, mas o trimestre ainda não mostrou retomada plena de crescimento consolidado.

As vendas totais, incluindo lojas físicas, e-commerce próprio e marketplace, somaram R$15,2 bilhões, queda de 5,6% contra o 1T25. A receita líquida consolidada foi de R$9,206 bilhões, queda de 2%. A margem bruta subiu levemente para 30,8%, avanço de 0,2 ponto percentual, refletindo foco em rentabilidade e melhor desempenho das lojas físicas. O EBITDA ajustado foi de R$717,6 milhões, com margem de 7,8%, mas ainda abaixo do 1T25. O resultado líquido ajustado foi negativo em R$33,9 milhões, e o resultado líquido contábil foi negativo em R$55,2 milhões.

A leitura central é de cautela. A Magazine Luiza tem escala, marca forte, ecossistema digital, lojas físicas resilientes, Luizacred lucrativa, caixa total relevante e geração de caixa operacional positiva nos últimos 12 meses. Porém, ainda precisa provar retomada sustentável de vendas online, recuperação do marketplace, diluição de despesas e conversão do EBITDA em lucro líquido.

Pontos de atenção

O primeiro risco é a queda do e-commerce. A retração de 11% no online, com queda de 14,3% no marketplace, mostra que o canal digital ainda está em ajuste. Para uma empresa cuja tese depende do ecossistema digital, esse ponto precisa ser monitorado de perto.

O segundo risco é o resultado financeiro. O EBITDA ajustado foi positivo e relevante, mas o resultado financeiro negativo de R$568,7 milhões levou a prejuízo líquido. Enquanto o custo financeiro continuar elevado, a empresa terá dificuldade de transformar EBITDA em lucro líquido.

O terceiro risco é margem versus crescimento. O foco em rentabilidade preservou margem bruta e caixa, mas reduziu vendas totais e e-commerce. O usuário deve acompanhar se a empresa consegue voltar a crescer sem abrir mão de margem.

O quarto risco é capital de giro e fornecedores-convênio. A geração de caixa do varejo depende fortemente de prazos com fornecedores, estoques, contas a receber e convênio de fornecedores. Melhoras ou pioras nessas linhas podem distorcer a leitura do caixa trimestral.

O quinto risco é competição no varejo digital. Categorias como eletrônicos, smartphones, informática, casa, beleza, games e marketplace são altamente competitivas, com pressão de preço, logística, mídia paga e crédito ao consumidor.

Leitura final

A Magazine Luiza não está em situação crítica de liquidez, pois mantém caixa relevante, caixa líquido ajustado positivo e geração de caixa operacional positiva nos últimos 12 meses. A operação física segue forte, a margem bruta melhorou e o ecossistema financeiro continua contribuindo.

Porém, o 1T26 ainda não permite classificação positiva. A empresa teve queda de vendas totais, queda relevante no e-commerce, EBITDA ajustado menor e prejuízo líquido. O resultado financeiro continua sendo o principal limitador da tese, consumindo a melhora operacional.

Para o usuário, Magazine Luiza deve ser classificada como cautela. A tese pode melhorar se a empresa voltar a crescer no digital, preservar margem, manter geração de caixa e converter EBITDA em lucro líquido recorrente.

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