Magazine Luiza encerrou 2021 com forte crescimento de vendas, expansão relevante do ecossistema digital, avanço do marketplace, aumento da base de lojas e várias aquisições estratégicas. A companhia continuou sendo uma das principais plataformas de varejo, tecnologia e logística do Brasil, com presença integrada em lojas físicas, e-commerce 1P, marketplace 3P, fintech, logística e serviços digitais. O ano foi marcado por crescimento expressivo das vendas totais, que chegaram a R$55,6 bilhões, alta de 27,8% em relação a 2020.
MGLU3 - Magazine Luiza
Uma das maiores e mais influentes empresas do varejo de consumo do Brasil, pioneira no modelo de plataforma digital de vendas. A companhia atua na comercialização multicanal de uma vasta gama de produtos — como eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, produtos de beleza e artigos esportivos —, integrando centenas de lojas físicas com um ecossistema digital composto por seu e-commerce, marcas controladas (como Netshoes e Época Cosméticos), uma robusta estrutura de logística própria e a fintech Luizacred para serviços financeiros e concessão de crédito.
24/04/2026 R$ 0,08
25/04/2025 R$ 0,31
05/07/2021 R$ 0,02
29/12/2020 R$ 0,03
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas com tração digital e lucro pressionados
Com valor de mercado de R$3,76 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$5,29 contra topo de R$11,55), o Magazine Luiza aparece com múltiplos comprimidos: EV/EBITDA de 2,1x, P/VP de 0,3x e dividend yield estimado em 9,0%. A leitura de desconto se apoia em fundamentos anuais ainda positivos em 2025, com receita de R$38,7 bi, EBITDA de R$3,2 bi, lucro líquido de R$204,6 mi e alavancagem controlada, com dívida líquida/EBITDA em 0,9x. O P/VP bem abaixo de 1 mostra que o valor de mercado está bastante descontado frente ao patrimônio de R$11,3 bi, em linha com o contexto de varejo cíclico e operação física resiliente.
O desconto, porém, não é limpo e exige cautela. O lucro de 2025 caiu frente a 2024 e o resultado financeiro voltou a pesar acima de R$2 bi, enquanto o e-commerce e o marketplace perderam tração. No 1T26 a tendência piorou: receita e vendas totais recuaram, o EBITDA encolheu, a dívida líquida subiu de forma relevante e o resultado líquido voltou ao negativo (R$55,2 mi). Some-se a isso o P/L de 18,4x, que não é baixo e reflete lucro fraco, e o fato de a geração de caixa depender muito da dinâmica de fornecedores. O caso precisa de confirmação na retomada do digital com rentabilidade e na conversão do EBITDA em lucro recorrente antes de o desconto ser tratado como oportunidade consolidada.
Indicadores principais
Magazine Luiza teve caixa líquido positivo e lojas em alta no 1T26, mas e-commerce caiu e lucro foi negativo por juros altos. Tese depende de crescer no digital.
Magazine Luiza encerrou o 1T26 com caixa relevante, caixa líquido ajustado positivo, lojas físicas em crescimento, margem bruta melhor e ecossistema financeiro lucrativo. Porém, as vendas totais caíram, o e-commerce recuou forte, o resultado líquido ajustado foi negativo e o resultado financeiro segue pesado. A tese depende de retomada do crescimento digital com rentabilidade e conversão do EBITDA em lucro líquido.
Trajetória recente
Magazine Luiza encerrou 2022 com crescimento de vendas totais, melhora de margem bruta e recuperação do caixa operacional em relação ao consumo muito forte de 2021. Porém, o ano também marcou uma virada negativa no lucro líquido: a companhia saiu de lucro em 2021 para prejuízo consolidado em 2022, principalmente pelo forte aumento das despesas financeiras e pela pressão de juros. A companhia continuou ampliando seu ecossistema digital e omnicanal. As vendas totais chegaram a R$60,2 bilhões, crescimento de 8,2% em relação a 2021.
Magazine Luiza encerrou 2023 com crescimento das vendas totais, avanço relevante do marketplace, melhora de margem bruta ajustada e manutenção de caixa operacional positivo, mas com piora do prejuízo líquido e retorno do resultado operacional contábil ao campo negativo. O ano mostra uma companhia ainda muito relevante no varejo digital e omnicanal brasileiro, porém pressionada por juros elevados, despesas financeiras, competição no e-commerce e dificuldade de converter escala em lucro líquido. As vendas totais atingiram R$63,1 bilhões, crescimento de 4,8% sobre 2022.
A Magazine Luiza encerrou 2024 com melhora operacional relevante em relação a 2023. A companhia voltou ao lucro líquido consolidado, cresceu receita, aumentou lucro bruto, expandiu margem bruta, melhorou EBITDA ajustado, reduziu despesas financeiras e reforçou o patrimônio líquido com aumento de capital. O ano representa uma virada importante depois dos prejuízos de 2022 e 2023. As vendas totais atingiram R$65,3 bilhões, crescimento de 3,6% em relação a 2023.
Magazine Luiza encerrou 2025 ainda lucrativa e com operação relevante, mas com piora de qualidade em relação à recuperação observada em 2024. A companhia manteve receita líquida em crescimento, EBITDA ajustado maior, margem bruta estável, caixa líquido ajustado positivo e estrutura de capital ainda administrável. Porém, as vendas totais ficaram praticamente estáveis/levemente menores, o e-commerce perdeu força, o marketplace caiu, o lucro líquido diminuiu e o resultado financeiro voltou a pressionar de forma relevante.
Resumo fundamentalista
A Magazine Luiza apresentou um 1T26 de transição, com sinais positivos em margem, EBITDA, caixa e lojas físicas, mas ainda com pressão relevante em vendas totais, e-commerce, resultado financeiro e lucro líquido. A companhia segue focada em rentabilidade, disciplina operacional, controle de despesas, capital de giro e fortalecimento do ecossistema, mas o trimestre ainda não mostrou retomada plena de crescimento consolidado.
As vendas totais, incluindo lojas físicas, e-commerce próprio e marketplace, somaram R$15,2 bilhões, queda de 5,6% contra o 1T25. A receita líquida consolidada foi de R$9,206 bilhões, queda de 2%. A margem bruta subiu levemente para 30,8%, avanço de 0,2 ponto percentual, refletindo foco em rentabilidade e melhor desempenho das lojas físicas. O EBITDA ajustado foi de R$717,6 milhões, com margem de 7,8%, mas ainda abaixo do 1T25. O resultado líquido ajustado foi negativo em R$33,9 milhões, e o resultado líquido contábil foi negativo em R$55,2 milhões.
A leitura central é de cautela. A Magazine Luiza tem escala, marca forte, ecossistema digital, lojas físicas resilientes, Luizacred lucrativa, caixa total relevante e geração de caixa operacional positiva nos últimos 12 meses. Porém, ainda precisa provar retomada sustentável de vendas online, recuperação do marketplace, diluição de despesas e conversão do EBITDA em lucro líquido.
Pontos de atenção
O primeiro risco é a queda do e-commerce. A retração de 11% no online, com queda de 14,3% no marketplace, mostra que o canal digital ainda está em ajuste. Para uma empresa cuja tese depende do ecossistema digital, esse ponto precisa ser monitorado de perto.
O segundo risco é o resultado financeiro. O EBITDA ajustado foi positivo e relevante, mas o resultado financeiro negativo de R$568,7 milhões levou a prejuízo líquido. Enquanto o custo financeiro continuar elevado, a empresa terá dificuldade de transformar EBITDA em lucro líquido.
O terceiro risco é margem versus crescimento. O foco em rentabilidade preservou margem bruta e caixa, mas reduziu vendas totais e e-commerce. O usuário deve acompanhar se a empresa consegue voltar a crescer sem abrir mão de margem.
O quarto risco é capital de giro e fornecedores-convênio. A geração de caixa do varejo depende fortemente de prazos com fornecedores, estoques, contas a receber e convênio de fornecedores. Melhoras ou pioras nessas linhas podem distorcer a leitura do caixa trimestral.
O quinto risco é competição no varejo digital. Categorias como eletrônicos, smartphones, informática, casa, beleza, games e marketplace são altamente competitivas, com pressão de preço, logística, mídia paga e crédito ao consumidor.
Leitura final
A Magazine Luiza não está em situação crítica de liquidez, pois mantém caixa relevante, caixa líquido ajustado positivo e geração de caixa operacional positiva nos últimos 12 meses. A operação física segue forte, a margem bruta melhorou e o ecossistema financeiro continua contribuindo.
Porém, o 1T26 ainda não permite classificação positiva. A empresa teve queda de vendas totais, queda relevante no e-commerce, EBITDA ajustado menor e prejuízo líquido. O resultado financeiro continua sendo o principal limitador da tese, consumindo a melhora operacional.
Para o usuário, Magazine Luiza deve ser classificada como cautela. A tese pode melhorar se a empresa voltar a crescer no digital, preservar margem, manter geração de caixa e converter EBITDA em lucro líquido recorrente.