Melnick encerrou 2021 com crescimento relevante de receita, lucro bruto e lucro líquido, mantendo balanço capitalizado após o ciclo de abertura de capital e reforço de caixa ocorrido em 2020. A companhia operou como incorporadora e construtora focada na região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, com atuação em empreendimentos imobiliários e urbanizações. A receita líquida consolidada foi de R$771,8 milhões em 2021, contra R$581,4 milhões em 2020. O lucro bruto consolidado foi de R$185 milhões, acima dos R$130 milhões do ano anterior.
MELK3 - Melnick Desenvolvimento Imobiliário
Uma das maiores construtoras e incorporadoras imobiliárias da região Sul do Brasil, com liderança consolidada no mercado de alto padrão do Rio Grande do Sul. Controlada operacionalmente pela Even, a companhia atua de forma integrada desde a prospecção de terrenos e desenvolvimento de projetos urbanísticos até a execução das obras e comercialização das unidades, focando em empreendimentos residenciais de médio e alto padrão, complexos comerciais e loteamentos urbanos.
29/04/2026 R$ 0,10
16/12/2025 R$ 0,07
16/12/2025 R$ 0,25
25/06/2025 R$ 0,11
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas com caixa e dívida no radar
Com valor de mercado de R$639,55 mi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$3,11 contra topo de R$4,27), a Melnick aparece com múltiplos comprimidos: P/L de 4,3x, EV/EBITDA de 10,0x e, principalmente, P/VP de 0,5x, ou seja, o valor de mercado equivale à metade do patrimônio líquido de R$1,22 bi. A trajetória anual de 2021 a 2025 mostra melhora, com receita crescendo 44,8% no período e fechando 2025 em R$1,12 bi, lucro líquido de R$150,06 mi e recuperação do lucro atribuído aos controladores. O 1T26 reforçou o lado operacional, com receita subindo 42% contra o 1T25 e lucro líquido consolidado de R$36,02 mi, sustentando a leitura de desconto frente aos fundamentos atuais.
O desconto, porém, não é limpo e por isso o sinal fica amarelo. A geração de caixa é o ponto fraco central: o caixa operacional foi negativo em R$137,59 mi em 2025 e seguiu negativo em R$30,2 mi no 1T26, enquanto a dívida líquida saltou para R$452,31 mi (36,6% do patrimônio) e a dívida de curto prazo aumentou de forma relevante, exigindo atenção à rolagem. A liquidez financeira caiu, houve consumo pesado de capital de giro em recebíveis e adiantamentos, e a operação ainda depende da continuidade de vendas de estoque e da boa absorção dos lançamentos. São esses fatores — caixa, alavancagem e conversão de recebíveis — que precisam ser acompanhados para que o desconto se confirme em vez de refletir um risco já justo.
Indicadores principais
Melnick apresenta forte crescimento operacional em 2026, com recordes de receita e lucro, mas o aumento da dívida de curto prazo e o caixa negativo exigem cautela.
A Melnick iniciou 2026 com forte crescimento de receita, lucro bruto e lucro líquido, além de bom desempenho comercial, vendas líquidas relevantes, monetização de estoque, lançamentos e landbank de R$3,2 bilhões na participação Melnick. A empresa segue operacionalmente ativa e com fundamentos de crescimento. Porém, o caixa operacional consolidado foi negativo, a dívida líquida subiu para R$452,3 milhões, a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido chegou a 36,6% e houve aumento relevante da dívida de curto prazo. Por isso, o usuário deve classificar Melnick como empresa em crescimento, mas com postura neutra/cautelosa, acompanhando margem, vendas de estoque, capital de giro, dívida líquida, rolagem da dívida de curto prazo e conversão de recebíveis em caixa.
Trajetória recente
A Melnick encerrou 2022 com novo avanço de receita, lucro bruto e lucro líquido consolidado. A companhia manteve atividade relevante em lançamentos, vendas e reconhecimento de receita, preservando balanço capitalizado e posição de liquidez relevante. O ano, porém, continuou exigindo capital de giro, com caixa operacional consolidado negativo pelo segundo ano consecutivo. A receita líquida consolidada foi de R$1,030 bilhão em 2022, contra R$771,8 milhões em 2021.
Encerrou 2023 com crescimento de receita, lucro bruto, lucro líquido consolidado e lucro atribuído aos controladores. A companhia manteve atuação focada na região Sul, com lançamentos e vendas relevantes, expansão de recebíveis e patrimônio líquido consolidado maior. O principal ponto positivo adicional foi a melhora importante do caixa operacional, que continuou negativo, mas em valor muito menor que nos dois anos anteriores. A receita líquida consolidada foi de R$1,18 bilhão em 2023, contra R$1,030 bilhão em 2022.
Melnick encerrou 2024 com leitura mista. A companhia teve forte volume de lançamentos, crescimento de vendas líquidas na participação Melnick, geração positiva de caixa operacional e posição de caixa líquido. Porém, o resultado contábil anual caiu em relação a 2023, com queda de receita líquida, lucro bruto, lucro líquido consolidado e lucro atribuído aos controladores. A receita líquida consolidada foi de R$1,029 bilhão em 2024, contra R$1,18 bilhão em 2023.
A Melnick encerrou 2025 com recuperação relevante do resultado contábil em relação a 2024, especialmente no lucro atribuído aos controladores. A companhia voltou a crescer receita, lucro bruto, lucro líquido consolidado e lucro da controladora. Porém, o ano também trouxe piora importante do caixa operacional, aumento expressivo da dívida financeira e queda do patrimônio líquido consolidado por redução de capital e dividendos. A receita líquida consolidada foi de R$1,11 bilhão em 2025, contra R$1,029 bilhão em 2024.
Resumo fundamentalista
A Melnick iniciou 2026 com melhora relevante de receita, lucro bruto, lucro líquido consolidado e lucro atribuído aos controladores frente ao 1T25. A companhia também apresentou bom volume de vendas líquidas, lançou dois empreendimentos, manteve estoque e landbank relevantes e preservou caixa líquido quando excluída a dívida de SFH.
A receita líquida consolidada foi de R$320,4 milhões no 1T26, contra R$225,18 milhões no 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$77,8 milhões, acima dos R$50,923 milhões do 1T25. O lucro líquido consolidado foi de R$36 milhões, contra R$21,18 milhões no mesmo período do ano anterior. O lucro atribuído aos sócios da controladora foi de R$25 milhões, contra R$13,4 milhões no 1T25.
A administração destacou receita líquida de R$320,5 milhões, aumento de 42% frente ao mesmo período do ano anterior, lucro bruto de R$77,8 milhões, margem bruta ajustada de 28,5%, lucro líquido de R$25 milhões no trimestre, margem líquida antes da participação dos minoritários de 11,2% e crescimento de 86% do lucro líquido frente ao 1T25.
O trimestre também foi positivo em atividade comercial. A companhia lançou dois empreendimentos, com VGV bruto de R$ 248,6 milhões e VGV de R$213,5 milhões na participação Melnick. As vendas líquidas somaram R$300,3 milhões na participação Melnick, sendo R$218,2 milhões referentes à venda de estoques, alta de 67% frente ao 1T25.
A leitura central para o usuário é de empresa em crescimento, mas com postura cautelosa. O resultado operacional e comercial melhorou, mas o caixa operacional consolidado foi negativo em R$30,2 milhões, a dívida líquida informada subiu para R$452,3 milhões e a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido chegou a 36,6%. A companhia segue com fundamentos operacionais relevantes, mas a alavancagem e a conversão de vendas em caixa exigem acompanhamento.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é o caixa operacional negativo. Apesar da melhora do lucro, o fluxo de caixa operacional consolidado foi negativo em R$30,2 milhões, principalmente por consumo em contas a receber e adiantamentos de clientes.
O segundo ponto é o aumento da dívida líquida. A administração informou dívida líquida de R$452,3 milhões, equivalente a 36,6% do patrimônio líquido. A alavancagem ainda não parece crítica para o setor, mas aumentou e deve ser acompanhada.
O terceiro ponto é a concentração da dívida no curto prazo. Os empréstimos e financiamentos de curto prazo subiram para R$336,4 milhões, o que exige atenção à rolagem, repasses e liquidez.
O quarto risco é a dependência da venda de estoques. O bom desempenho do trimestre veio em parte de vendas de estoque, que cresceram 67%. Esse movimento é positivo, mas precisa ser recorrente para reduzir capital empatado e melhorar caixa.
O quinto ponto é a margem. A margem bruta ajustada de 28,5% é positiva, mas não muito folgada para uma incorporadora em ciclo de juros e custos elevados. O agente deve acompanhar se os próximos lançamentos preservam margem.
Também é importante acompanhar a concentração regional no Rio Grande do Sul. A empresa tem forte histórico local e capacidade de entrega, mas segue exposta à dinâmica regional de demanda, renda, crédito, oferta e preço.
Leitura final
Melnick iniciou 2026 com forte crescimento de receita, lucro bruto e lucro líquido, além de bom desempenho comercial, vendas líquidas relevantes, monetização de estoque, lançamentos e landbank de R$3,2 bilhões na participação Melnick. A empresa segue operacionalmente ativa e com fundamentos de crescimento. Porém, o caixa operacional consolidado foi negativo, a dívida líquida subiu para R$452,3 milhões, a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido chegou a 36,6% e houve aumento relevante da dívida de curto prazo. Por isso, o usuário deve classificar Melnick como empresa em crescimento, acompanhando margem, vendas de estoque, capital de giro, dívida líquida, rolagem da dívida de curto prazo e conversão de recebíveis em caixa.