Ativo de risco

MEAL3

International Meal Company Alimentação

1T/2026

Alimentação

Restaurantes e Fast Food

Matriz: São Paulo - SP

A International Meal Company é uma das maiores empresas de varejo de alimentação da América Latina, atuando na operação de redes de fast-food, restaurantes e concessões em rodovias e aeroportos. O modelo de negócios da companhia baseia-se na gestão e expansão de franquias e marcas consagradas de grande escala — como Frango Assado, Pizza Hut e KFC no mercado brasileiro, além de operações hoteleiras e de catering fora do país —, monetizando a sua estrutura essencialmente através do consumo direto do varejo físico.

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Total de ações 286.676.540
Ações ordinárias 286.676.540
Ações preferenciais Não
Free float 286.676.540 — 100,00%
Maior acionista UV GAF Ltda — 35,54%
Tesouraria Não

Data: 2026-05-27

R$ 0,96
0,00% no dia
R$ 11,40 R$ 0,91
2016 2026
Valor de mercado R$ 274,32 mi
Volume 239,00 mil
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
DIVIDENDO
29/04/2019
R$ 0,01
JCP
28/01/2019
R$ 0,63
REST CAP DIN
28/01/2019
R$ 0,63
DIVIDENDO
27/04/2018
R$ 0,01

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -1,8x
EV/EBITDA 4,1x
P/VP 0,3x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 28/06/2026

Desconto com risco elevado

A International Meal Company aparece com valor de mercado de R$274,32 mi e cotação de R$0,96, próxima da mínima de 52 semanas (R$0,86) e bem abaixo da máxima (R$1,47), o que comprime os múltiplos. O P/VP de 0,3x indica que o valor de mercado está bem abaixo do patrimônio líquido de R$859,6 mi do último anual, e o EV/EBITDA de 4,1x reforça a leitura de múltiplos descontados. A reestruturação avançou: a companhia vendeu o KFC Brasil, reduziu dívida líquida para R$193,2 mi no 1T26, reforçou caixa consolidado e cortou G&A de forma relevante, o que sustenta parte do desconto como ajuste de portfólio.

O desconto, porém, não é limpo e precisa ser acompanhado com cautela. O último anual fechou com prejuízo de R$148,97 mi, pior que o de 2024, e o EBITDA recuou no ano, deixando o P/L em -1,8x. No 1T26, a receita caiu 29,3% na comparação contábil, o prejuízo aumentou para R$74,1 mi, o resultado financeiro pesou (negativo em R$90,6 mi) e o EBITDA ajustado ex-IFRS ficou em apenas R$5,5 mi, sinalizando geração operacional ainda frágil. Com prejuízos acumulados crescentes, alavancagem ainda relevante e capital circulante consolidado negativo, a tese segue dependente de execução, recuperação da operação dos Estados Unidos e conversão da nova estrutura em lucro recorrente — pontos que precisam ser confirmados antes de tratar o múltiplo comprimido como oportunidade segura.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 356.558
EBITDA R$ 7.105
Lucro líquido R$ -74.098
Dívida líquida R$ 193.192
Margem líquida -20,78%
FCO R$ 28.529

Meal reduz dívida após venda do KFC Brasil no 1T26, mas queda na receita e maior prejuízo líquido mantêm a tese como ativo de alto risco para o mercado.

A International Meal Company avançou na reorganização do balanço, com queda relevante da dívida líquida, reforço da disciplina de caixa e continuidade da simplificação do portfólio após a venda do KFC Brasil. Ainda assim, o 1T26 mostrou que a virada operacional ainda não está comprovada: a receita caiu, o prejuízo líquido aumentou, o resultado financeiro consumiu o desempenho operacional e o EBITDA ajustado ex-IFRS permaneceu baixo. A tese segue como ativo de risco porque depende de execução consistente nos próximos trimestres, redução adicional da pressão financeira, recuperação das marcas remanescentes e conversão da estrutura mais enxuta em lucro e caixa recorrentes.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A International Meal Company encerrou 2021 em recuperação operacional relevante depois do choque de 2020. A companhia voltou a crescer em receita, reabriu unidades, aumentou vendas mesmas lojas, expandiu a base de lojas e reduziu muito o prejuízo frente ao ano anterior. A receita líquida consolidada foi de R$1,9 bilhão em 2021, contra R$1,2 bilhão em 2020. A alta mostra retomada importante de demanda em restaurantes, shopping centers, aeroportos, rodovias, Caribe e Estados Unidos.

Demonstrações Financeiras 2022

International Meal Company encerrou 2022 com melhora relevante de resultado e avanço na recuperação operacional. A receita líquida consolidada foi de R$2,2 bilhões, contra R$1,7 bilhão em 2021 reapresentado. A companhia também reverteu prejuízo e registrou lucro líquido de R$72,7 milhões. O lucro bruto consolidado subiu para R$693,9 milhões, contra R$521,1 milhões em 2021.

Demonstrações Financeiras 2023

A International Meal Company encerrou 2023 com avanço operacional, expansão de lojas e melhora de caixa livre, mas voltou ao prejuízo líquido. A receita líquida consolidada de clientes foi de R$2,2 bilhões, com crescimento em restaurantes e melhora de vendas mesmas lojas. A companhia reportou EBITDA ajustado de R$302,9 milhões em 2023, alta de 8% frente a 2022. O EBITDA ajustado recorrente foi de R$247,1 milhões, crescimento de 25,2%, com margem recorrente de 10,5%.

Demonstrações Financeiras 2024

A International Meal Company encerrou 2024 com avanço operacional moderado, melhora de margens e continuidade da estratégia de eficiência, mas ainda sem voltar ao lucro líquido. A companhia reportou vendas do sistema de R$3,1 bilhões no ano, alta de 2,6% frente a 2023, e receita líquida consolidada de R$2,2 bilhões, crescimento de 2%. O EBITDA ajustado consolidado foi de R$302 milhões em 2024, alta de 13,9% frente a 2023. A margem melhorou, refletindo ganhos operacionais no Brasil, avanço da digitalização, maior controle de custos e foco em eficiência.

Demonstrações Financeiras 2025

International Meal Company encerrou 2025 em um ano de forte reorganização estratégica, com venda da participação remanescente no KFC Brasil, redução de endividamento e reforço de liquidez, mas também com queda de receita, EBITDA menor e prejuízo líquido maior. A receita líquida consolidada foi de R$1,7 bilhão, queda de 4,3% frente a 2024 em base comparável que não apresenta as operações do KFC. No 4T25, a receita líquida foi de R$397,2 milhões, queda de 5,4% frente ao 4T24. O EBITDA ajustado pré-IFRS foi de R$107,3 milhões em 2025, queda de 19% frente a 2024.

Resumo fundamentalista

A International Meal Company iniciou 2026 ainda em fase de reorganização operacional e financeira. O trimestre mostra uma companhia mais enxuta, com dívida menor, caixa consolidado maior e continuidade da racionalização de portfólio, mas ainda com resultado líquido bastante pressionado.

A receita líquida consolidada foi de R$356,6 milhões no 1T26, queda de 7,9% frente ao 1T25. Em visão proforma, a companhia indicou crescimento de 3%, o que mostra que parte da queda contábil vem da mudança de base após a saída de operações descontinuadas e da exclusão do KFC da comparação.

O prejuízo líquido foi de R$74,1 milhões, pior que o prejuízo de R$38,6 milhões do 1T25. O principal fator de pressão foi o resultado financeiro, que ficou negativo em R$90,6 milhões, muito acima do negativo de R$28,4 milhões do ano anterior.

O EBITDA ajustado foi de R$36,8 milhões, com margem de 10,3%. Porém, após efeito IFRS 16, o EBITDA ajustado ex-IFRS caiu para R$5,5 milhões. Esse ponto é importante porque mostra que a geração operacional ainda é frágil quando analisada em base mais próxima de caixa.

A leitura central é de cautela elevada. A companhia reduziu a dívida líquida para R$193 milhões, melhorou disciplina de despesas e manteve foco em geração de caixa, mas ainda não conseguiu transformar a reorganização em lucro líquido ou geração operacional robusta.

Pontos de atenção

O primeiro risco é o prejuízo líquido de R$74,1 milhões no trimestre.

O segundo risco é a queda de 7,9% da receita líquida consolidada.

O terceiro risco é o resultado financeiro negativo de R$90,6 milhões.

O quarto risco é o EBITDA ajustado ex-IFRS de apenas R$5,5 milhões.

O quinto risco é a margem líquida negativa de 20,8%.

O sexto risco é a alavancagem de 2,5x em uma empresa ainda deficitária.

O sétimo risco é a parcela relevante de empréstimos e financiamentos no curto prazo.

O oitavo risco é o capital circulante consolidado negativo de R$134,7 milhões.

O nono risco é a operação dos Estados Unidos, que teve queda de receita e lojas específicas com perdas relevantes.

O décimo risco é a necessidade de reposicionar o crescimento sem o KFC Brasil.

O décimo primeiro risco é a base relevante de intangíveis e arrendamentos.

O décimo segundo risco é o aumento dos prejuízos acumulados para R$869,7 milhões.

Leitura final

O 1T26 confirma que a International Meal Company entrou em uma nova fase: menor, mais focada e menos endividada, mas ainda operacionalmente pressionada. A redução da dívida líquida, o reforço do caixa consolidado e o corte de G&A são avanços importantes.

A cautela, porém, continua elevada. A receita caiu, o prejuízo líquido aumentou, o resultado financeiro pesou muito e o EBITDA ajustado ex-IFRS ficou baixo. A companhia melhorou o balanço, mas ainda não comprovou recuperação de rentabilidade.

Para o usuário, o trimestre deve ser lido como continuidade da reestruturação, não como virada operacional concluída. O ponto central dos próximos trimestres será verificar se a empresa consegue transformar a base mais enxuta em lucro, caixa recorrente, menor dívida e melhora da operação dos Estados Unidos.

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