A Moura Dubeux encerrou 2021 com forte recuperação operacional, melhora expressiva do resultado e geração positiva de caixa operacional. A companhia voltou ao lucro depois dos prejuízos de 2019 e 2020, aumentou receita, lucro bruto e patrimônio líquido, além de reduzir de forma relevante a dívida financeira consolidada em relação ao período pré-IPO. A receita líquida consolidada foi de R$619,6 milhões em 2021, contra R$513,3 milhões em 2020. O lucro bruto consolidado foi de R$225,7 milhões, acima dos R$138,9 milhões do ano anterior.
MDNE3 - Moura Dubeux Engenharia
Maior construtora e incorporadora do mercado imobiliário da região Nordeste do país, onde detém a liderança isolada em participação de mercado (market share). Atua de forma focada no desenvolvimento, execução e comercialização de projetos residenciais e comerciais de médio, alto e altíssimo padrão, além de flats e hotéis voltados para o turismo. Um dos grandes diferenciais do seu modelo de negócios é a forte atuação sob o formato de condomínio fechado (obras por administração), no qual os próprios adquirentes financiam o custo da construção ao longo da obra, reduzindo drasticamente a necessidade de endividamento e o risco de capital da empresa.
30/12/2025 R$ 0,61
30/12/2025 R$ 0,59
14/11/2025 R$ 0,60
21/05/2025 R$ 0,59
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas dependente da conversão de caixa
A Moura Dubeux chega com valor de mercado de R$2,85 bi e cotação de R$27,36, no meio da faixa de 52 semanas (mínima de R$20,20 e máxima de R$34,28). Os múltiplos aparecem comprimidos para uma incorporadora que vem entregando crescimento e rentabilidade: P/L de 6,8x, EV/EBITDA de 6,9x e P/VP de 1,9x, com dividend yield de cerca de 6,6%. Os fundamentos sustentam essa leitura: a receita anual saltou para R$2,36 bi em 2025, o lucro líquido chegou a R$420,2 mi e o 1T26 trouxe receita 43,0% maior, margem bruta de 40,0% e o maior lucro trimestral da história (R$156,1 mi atribuído aos controladores), com alavancagem líquida muito baixa.
O ponto que impede tratar o desconto como totalmente limpo é a conversão de lucro em caixa. O fluxo de caixa operacional anual foi negativo em R$79,1 mi e voltou a ser negativo no 1T26 (R$78,7 mi), pressionado por forte aumento de contas a receber, que já somam R$2,39 bi, além de juros pagos crescentes e dívida bruta elevada (R$907,3 mi). A tese de crescimento e margem é consistente, mas depende de transformar esses recebíveis em repasses e caixa; enquanto isso não se confirma, e considerando dividendos e recompras concorrendo pelo caixa, o desconto nos múltiplos pede acompanhamento em vez de ser lido como oportunidade sem ressalvas.
Indicadores principais
Moura Dubeux atinge lucro recorde no início de 2026, com receita 43% maior e margem bruta de 40%. A baixa alavancagem de 4% justifica o sinal verde para o papel.
Moura Dubeux Engenharia iniciou 2026 com crescimento forte e alta rentabilidade. A receita líquida consolidada cresceu 43,0%, o lucro bruto atingiu R$251,2 milhões, a margem bruta chegou a 40% e o lucro atribuído aos controladores foi de R$156,1 milhões, mais que o dobro do 1T25. A administração destacou o maior lucro trimestral da história da companhia, margem líquida de 24,8%, ROAE de 27,2%, EBITDA ajustado de R$168,4 milhões e dívida líquida de apenas 4% do patrimônio líquido. A cautela fica no caixa operacional negativo, no aumento de contas a receber, na dívida bruta elevada e nos juros pagos. Mesmo assim, a combinação de crescimento, margem, lucro recorde, liquidez reforçada e baixa alavancagem líquida justifica classificação como empresa em crescimento.
Trajetória recente
Moura Dubeux encerrou 2022 com novo avanço operacional e financeiro. A companhia aumentou receita, lucro bruto, lucro líquido consolidado e lucro atribuído aos controladores, mantendo geração positiva de caixa operacional e reforçando sua posição como incorporadora relevante no Nordeste. A receita líquida consolidada foi de R$799,5 milhões em 2022, contra R$619,6 milhões em 2021. O lucro bruto consolidado foi de R$266,4 milhões, acima dos R$225,7 milhões do ano anterior.
A Moura Dubeux encerrou 2023 com forte crescimento de receita, lucro bruto, lucro líquido e patrimônio líquido. A companhia atingiu o maior patamar de vendas de sua história, manteve baixo nível de alavancagem ao fim do ano e reforçou a estratégia de crescimento disciplinado no mercado imobiliário do Nordeste. A receita líquida consolidada foi de R$1,15 bilhão em 2023, contra R$799,5 milhões em 2022. O lucro bruto consolidado foi de R$399,7 milhões, acima dos R$266,4 milhões do ano anterior.
Encerrou 2024 com novo avanço forte de receita, lucro bruto, lucro líquido e patrimônio líquido. A companhia ampliou escala operacional, manteve margem bruta relevante, voltou a gerar caixa operacional positivo no consolidado e distribuiu dividendos, confirmando uma fase mais madura do ciclo iniciado após o IPO. A receita líquida consolidada foi de R$1,57 bilhão em 2024, contra R$1,15 bilhão em 2023. O lucro bruto consolidado foi de R$526,6 milhões, acima dos R$399,7 milhões do ano anterior.
Moura Dubeux encerrou 2025 com crescimento muito forte de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A companhia ampliou escala de forma relevante e entregou o maior lucro da série recente, com lucro atribuído aos controladores acima de R$420 milhões. A receita líquida consolidada foi de R$2,35 bilhões em 2025, contra R$1,57 bilhão em 2024. O lucro bruto consolidado foi de R$822,7 milhões, acima dos R$526,6 milhões do ano anterior.
Resumo fundamentalista
A Moura Dubeux iniciou 2026 com resultado muito forte, crescimento relevante de receita, expansão de lucro bruto, margem bruta elevada, lucro líquido recorde e estrutura de capital ainda conservadora. A companhia manteve trajetória de crescimento com rentabilidade, reforçando a maturidade operacional construída nos anos anteriores.
A receita líquida consolidada foi de R$627,8 milhões no 1T26, contra R$438,9 milhões no 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$251,2 milhões, contra R$148,4 milhões no mesmo período do ano anterior. A margem bruta consolidada foi de 40%, patamar elevado para o setor e acima do observado no 1T25.
O lucro líquido consolidado foi de R$155,5 milhões, contra R$70,3 milhões no 1T25. O lucro atribuído aos sócios da controladora foi de R$156,1 milhões, contra R$70,1 milhões no 1T25. A administração destacou que esse foi o maior lucro líquido trimestral da história da companhia, com margem líquida de 24,8% e ROAE de 27,2%.
A companhia também reportou EBITDA ajustado de R$168,4 milhões, com margem de 26,8%, refletindo ganho de escala, controle de custos e eficiência operacional. A administração destacou que o resultado não veio de evento isolado, mas de um modelo de execução baseado em disciplina, método, diversificação de portfólio e controle de risco.
A leitura central para o usuário é positiva. A Moura Dubeux apresentou crescimento forte, margem alta, lucro recorde e baixa alavancagem líquida. A dívida líquida representava apenas 4% do patrimônio líquido ao final do período, segundo a administração.
A cautela fica na conversão de lucro em caixa no trimestre. O caixa operacional consolidado foi negativo em R$78,6 milhões, pior que o consumo de R$4 milhões no 1T25. A principal pressão veio de contas a receber, que consumiram R$282,4 milhões no caixa operacional. Isso mostra que o crescimento segue exigindo capital de giro e conversão futura de recebíveis em repasses.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é a conversão de lucro em caixa. Apesar do lucro líquido consolidado de R$155,5 milhões, o caixa operacional consolidado foi negativo em R$78,6 milhões. O trimestre ainda consumiu caixa operacional por capital de giro.
O segundo ponto é o crescimento de contas a receber. A linha consumiu R$282,4 milhões no caixa operacional e o saldo total consolidado chegou a R$2,38 bilhões. A tese depende da conversão desses recebíveis em repasses e caixa.
O terceiro risco é a dívida bruta. A dívida financeira consolidada ficou em R$907,2 milhões. Embora a dívida líquida seja baixa por causa da liquidez reforçada, a dívida bruta e os juros pagos devem ser acompanhados.
O quarto ponto é o aumento dos juros pagos. Os juros pagos no caixa operacional foram de R$28,4 milhões no trimestre, acima dos R$15,8 milhões no 1T25. O custo financeiro do ciclo segue relevante.
O quinto ponto é o uso simultâneo de emissão de ações, dividendos e recompra. A emissão fortalece o balanço, mas dividendos e recompra retiram caixa. O usuário deve monitorar a alocação de capital e a consistência desses movimentos com o ciclo de obras.
Também é importante acompanhar o desafio estrutural de mão de obra no setor. A administração destacou escassez de profissionais qualificados, perda de produtividade e pressão de custos e prazos. A companhia afirma mitigar isso com padronização, industrialização e plataformas como Mood e Ún1ca, mas o risco setorial permanece.
Leitura final
A Moura Dubeux iniciou 2026 com crescimento forte e alta rentabilidade. A receita líquida consolidada cresceu 43%, o lucro bruto atingiu R$251,2 milhões, a margem bruta chegou a 40% e o lucro atribuído aos controladores foi de R$156,1 milhões, mais que o dobro do 1T25. A administração destacou o maior lucro trimestral da história da companhia, margem líquida de 24,8%, ROAE de 27,2%, EBITDA ajustado de R$168,4 milhões e dívida líquida de apenas 4% do patrimônio líquido. A cautela fica no caixa operacional negativo, no aumento de contas a receber, na dívida bruta elevada e nos juros pagos. Mesmo assim, a combinação de crescimento, margem, lucro recorde, liquidez reforçada e baixa alavancagem líquida justifica classificação como empresa em crescimento.