Lojas Renner encerrou 2021 com forte recuperação de receita e geração de caixa em relação a 2020, mas ainda sem retornar ao nível de lucro líquido pré-pandemia. A companhia se beneficiou da reabertura gradual do varejo, retomada de fluxo em lojas, normalização parcial do consumo e recomposição da operação. A receita líquida consolidada subiu de R$7,5 bilhões em 2020 para R$10,5 bilhões em 2021. O lucro bruto avançou de R$4,3 bilhões para R$6,1 bilhões.
LREN3 - Lojas Renner
Maior rede de varejo de moda e vestuário do Brasil, operando como um ecossistema de marcas que adota o conceito de fast fashion. A companhia comercializa vestuário, calçados, bolsas, acessórios e produtos de beleza por meio de um modelo multicanal que inclui as lojas físicas da Renner (foco em moda geral para a família), Camicado (itens para casa e decoração), Youcom (moda jovem urbana) e a marca própria de roupas de alta performance Ashua. Adicionalmente, o grupo atua na oferta de serviços financeiros através da Realize CFI, intermediando cartões de crédito próprios, seguros e linhas de empréstimo pessoal aos seus clientes.
24/03/2026 R$ 0,22
11/12/2025 R$ 0,23
23/09/2025 R$ 0,22
02/07/2025 R$ 0,20
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Valuation em linha com fundamentos em melhora
Com valor de mercado de R$14,87 bi e cotação de R$14,82, próxima da parte baixa do intervalo de 52 semanas (mínima de R$12,43 e máxima de R$19,87), a Lojas Renner negocia com múltiplos comprimidos: P/L de 10,2x, EV/EBITDA de apenas 4,3x e P/VP de 1,4x, com dividend yield estimado em 5,9%. Esses números são sustentados por fundamentos em melhora clara: a receita anual cresceu 49,7% entre 2021 e 2025, o EBITDA evoluiu para R$3,09 bi, a margem EBITDA subiu para 19,5% e a companhia mantém caixa líquido (dívida líquida negativa de R$1,52 bi). O 1T26 reforçou a tendência, com lucro líquido de R$257,2 mi, margem bruta de varejo recorde para o período e fluxo de caixa operacional de R$661,6 mi, indicando que a recuperação operacional segue ganhando tração.
Apesar do quadro positivo, o valuation fica em linha e não como desconto limpo porque ainda há pontos materiais a confirmar. A receita de produtos e serviços financeiros caiu no trimestre, as perdas por não recuperabilidade de ativos aumentaram, os estoques subiram frente ao fim de 2025 e as despesas seguiram pressionadas, com os ganhos de eficiência prometidos para o segundo semestre ainda dependentes de confirmação. Soma-se a isso o consumo intenso de caixa em 2025 com recompras, JCP e arrendamentos, que reduziu o caixa final, mesmo com geração operacional forte. Com capital pulverizado e sem controlador definido (free float de 96,9%), o valor de mercado tende a ser mais sensível ao fluxo institucional, o que reforça a necessidade de acompanhar a recorrência da melhora de margem e crédito antes de tratar os múltiplos baixos como desconto consolidado.
Indicadores principais
Lojas Renner registrou lucro e caixa recordes no 1T26 com forte melhora operacional, mas a queda no braço financeiro e estoques exigem atenção.
Lojas Renner iniciou 2026 com crescimento de receita, margem bruta recorde para um primeiro trimestre, EBITDA varejo em alta, lucro líquido recorde para o período, caixa operacional forte, fluxo de caixa livre recorde e ROIC acima do custo de capital. A leitura é positiva porque a companhia combina expansão operacional, rentabilidade e geração de caixa. Os pontos de acompanhamento são a queda da receita de produtos e serviços financeiros, aumento das perdas de crédito, estoques maiores, despesas, recompras, JCP e a necessidade de confirmar a recorrência dos ganhos de eficiência nos próximos trimestres.
Trajetória recente
Encerrou 2022 com recuperação mais consistente de rentabilidade em relação a 2021. A companhia aumentou receita, ampliou lucro bruto, melhorou o resultado operacional e dobrou o lucro líquido consolidado. O ano mostra avanço claro na recomposição operacional após o período mais difícil da pandemia. A receita líquida consolidada cresceu de R$10,5 bilhões em 2021 para R$13,2 bilhões em 2022.
Lojas Renner encerrou 2023 com uma leitura mista. A companhia manteve crescimento de receita e lucro bruto, mas perdeu rentabilidade operacional e lucro líquido frente a 2022. O ano mostra uma operação ainda resiliente, porém pressionada por despesas, perdas estimadas em ativos, resultado financeiro negativo e menor eficiência na conversão de receita em lucro. A receita líquida consolidada subiu de R$13,2 bilhões em 2022 para R$13,6 bilhões em 2023.
Lojas Renner encerrou 2024 com melhora operacional e recuperação parcial do lucro em relação a 2023. A companhia voltou a acelerar receita de mercadorias, ampliou lucro bruto, elevou o resultado operacional e aumentou o lucro líquido consolidado. A receita líquida consolidada subiu de R$13,6 bilhões em 2023 para R$14,4 bilhões em 2024. O lucro bruto avançou de R$8,2 bilhões para R$8,7 bilhões.
Lojas Renner encerrou 2025 com avanço relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. O ano confirmou a recuperação iniciada em 2024 e mostrou uma companhia mais rentável, com crescimento da operação de mercadorias e retomada da receita de produtos e serviços financeiros. A receita líquida consolidada subiu de R$14,4 bilhões em 2024 para R$15,8 bilhões em 2025. O lucro bruto avançou de R$8,7 bilhões para R$9,7 bilhões.
Resumo fundamentalista
A Lojas Renner iniciou 2026 com um trimestre positivo, combinando crescimento de receita, expansão de lucro bruto, melhora operacional, lucro líquido maior e geração de caixa forte para um primeiro trimestre. A companhia apresentou sinais de continuidade da recuperação observada em 2024 e 2025, agora com melhora de margem, caixa e retorno sobre capital.
A receita líquida consolidada cresceu de R$3,2 bilhões no 1T25 para R$3,3 bilhões no 1T26. O lucro bruto consolidado avançou de R$2 bilhões para R$2,1 bilhões. O resultado antes do financeiro e dos tributos subiu de R$273 milhões para R$289 milhões, e o lucro líquido consolidado cresceu de R$221 milhões para R$257 milhões.
A administração destacou que o 1T26 teve margem bruta, lucro líquido e geração de caixa recordes para um primeiro trimestre. Também informou crescimento de 4,3% na receita de varejo, SSS de 3,2%, vestuário crescendo 5,1%, SSS de vestuário de 3,7%, margem bruta de varejo de 56,7% e margem bruta de vestuário de 58,0%.
A leitura central é positiva. A empresa mostrou melhora operacional real, caixa forte e retorno sobre capital acima do custo de capital. Ainda assim, a classificação deve ser prudente: os serviços financeiros tiveram receita menor no consolidado, as perdas pela não recuperabilidade de ativos aumentaram no trimestre, estoques subiram frente ao fim de 2025, e a companhia continuou usando caixa com recompras, JCP e arrendamentos.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é a operação financeira. A receita consolidada de produtos e serviços financeiros caiu no 1T26, enquanto as perdas pela não recuperabilidade de ativos aumentaram. Mesmo com a administração destacando risco adequado na Realize, o agente deve acompanhar inadimplência, provisões, funding e rentabilidade da carteira.
O segundo risco é o aumento de estoques no trimestre. Os estoques consolidados subiram de R$1,86 bilhão no fim de 2025 para R$2,19 bilhões no 1T26. Em varejo de moda, estoques maiores podem sustentar vendas futuras, mas também aumentam risco de capital parado e remarcações se a demanda não acompanhar.
O terceiro ponto é a pressão de despesas. As despesas com vendas e as despesas gerais e administrativas cresceram. A administração indicou que parte da pressão tem eventos pontuais e que projetos de eficiência devem ser implementados a partir do segundo semestre, mas isso precisa ser confirmado nos próximos trimestres.
O quarto ponto é a continuidade de recompras e remuneração ao acionista. A companhia recomprou R$100 milhões em ações no trimestre e declarou/pagou JCP relevante. A alocação pode ser positiva, mas precisa ser compatível com caixa, crescimento e retorno.
O quinto ponto é que a comparação do caixa melhorou muito frente ao 1T25, mas parte importante veio de contas a receber. É positivo, mas o agente deve verificar se essa melhora é recorrente ao longo do ano ou sazonal do primeiro trimestre.
Leitura final
Lojas Renner iniciou 2026 com sinais consistentes de melhora operacional, margem bruta recorde para um primeiro trimestre, crescimento de receita de mercadorias, EBITDA varejo maior, lucro líquido recorde para o período, caixa operacional forte, fluxo de caixa livre recorde e ROIC acima do custo de capital. A leitura é positiva porque a companhia combina crescimento, rentabilidade e geração de caixa. O usuário deve manter acompanhamento de serviços financeiros, perdas de crédito, estoques, despesas, recompras, JCP e recorrência da melhora de caixa ao longo dos próximos trimestres.