O 1T26 foi mais um trimestre de pressão para a Lojas Quero-Quero. A companhia apresentou crescimento de receita consolidada, mas a qualidade do resultado continuou fraca. A receita operacional líquida consolidada cresceu 3,7% em relação ao 1T25, chegando a R$696,4 milhões, mas o lucro bruto caiu, o EBITDA ajustado praticamente zerou e o prejuízo líquido aumentou.
A leitura operacional é cautelosa. O varejo ainda não retomou crescimento consistente: a venda de mercadorias caiu 1,2%, a atividade de varejo recuou 0,8% e as vendas mesmas lojas caíram 2,5%. A companhia explicou que a comparação era difícil, porque o 1T25 teve forte demanda por itens de climatização, mas ainda assim o trimestre mostra que a recuperação do varejo segue lenta.
O crescimento consolidado veio principalmente de Serviços Financeiros e Cartão de Crédito. A receita de serviços prestados cresceu 13,4%, e a RBLD de Serviços Financeiros avançou 12,8%. O cartão também cresceu, com maior uso fora das lojas e expansão da carteira. Esse ponto ajuda a sustentar receita, mas aumenta a dependência da operação financeira em um ambiente de juros altos.
A margem consolidada piorou. O lucro bruto caiu 4,7%, e a margem bruta sobre RBLD recuou 2,3 pontos percentuais. A margem do varejo melhorou levemente, mas a margem de serviços prestados caiu bastante, pressionada por custo de capital, maior provisionamento e uma postura mais restritiva na concessão de crédito.
O resultado final foi negativo. O EBITDA ajustado ficou em apenas R$0,6 milhão, contra R$13,1 milhões no 1T25, e o prejuízo líquido consolidado aumentou para R$61,7 milhões. Portanto, o 1T26 deve ser tratado como um trimestre de receita resiliente, mas com rentabilidade muito pressionada.