Ativo de risco

LJQQ3 - Lojas Quero-Quero

1T/2026

Consumo cíclico

Produtos diversos

Matriz: Cachoeirinha - RS

Rede de varejo especializada em materiais de construção, eletrodomésticos e móveis, com uma forte e consolidada presença em pequenas e médias cidades da região Sul do Brasil. A companhia adota um modelo de negócios de proximidade, oferecendo uma solução integrada para o lar que combina a venda de mercadorias com a oferta de serviços financeiros, principalmente através da administração e emissão do cartão de crédito de bandeira própria VerdeCard.

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Total de ações 206.917.263
Ações ordinárias 206.917.263
Ações preferenciais Não
Free float 196.513.552 — 94,97%
Maior acionista Alaska Investimentos Ltda — 23,59%
Tesouraria Não

Data: 2026-06-01

R$ 1,22
-7,58% no dia
R$ 24,87 R$ 1,22
2020 2026
Valor de mercado R$ 273,13 mi
Volume 3,08 mi
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%
JCP
26/12/2024
R$ 0,12
JCP
28/12/2023
R$ 0,17
JCP
22/12/2021
R$ 0,12
DIVIDENDO
29/04/2021
R$ 0,02

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -1,7x
EV/EBITDA 1,6x
P/VP 0,7x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 09/06/2026

Desconto com risco elevado

Com valor de mercado de R$273,13 mi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$1,22, contra máxima de R$2,87), a Lojas Quero-Quero negocia com múltiplos bastante comprimidos: P/VP de 0,7x e EV/EBITDA de apenas 1,6x, ajudado por dívida líquida levemente negativa e um FCF yield elevado, já que o caixa operacional anual seguiu positivo em R$158,4 mi. À primeira vista, esses números desenham um ativo descontado, com receita que cresceu 37,1% entre 2021 e 2025 e uma plataforma regional relevante de varejo somada à operação de crédito do VerdeCard.

O desconto, porém, não é limpo. O P/L negativo (-1,7x) reflete o prejuízo líquido anual de R$161,9 mi em 2025, e o quadro piorou no 1T26: receita subiu apenas com serviços financeiros e cartão, enquanto o varejo recuou, o SSS ficou negativo, o EBITDA ajustado praticamente zerou e o prejuízo aumentou para R$61,7 mi. O resultado financeiro segue pesado, a margem do crédito está pressionada por juros altos e o patrimônio líquido caiu para R$343,3 mi, corroendo a folga patrimonial. Por isso a leitura fica em desconto com risco elevado: a tese depende de queda de juros, retomada do consumo, controle da inadimplência e melhora de rentabilidade ainda não comprovados, fatores que precisam ser acompanhados antes de tratar os múltiplos baixos como oportunidade consolidada.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 696.429
EBITDA R$ 27.674
Lucro líquido R$ -61.666
Dívida líquida R$ -204.645
Margem líquida -8,85%
FCO R$ 249.221

Prejuízo cresce para R$61,7M com varejo e SSS em queda. EBITDA zera e custo financeiro pesa; melhora depende de juros menores e menos inadimplência.

Lojas Quero-Quero apresentou crescimento consolidado de receita no 1T26, sustentado por serviços financeiros e cartão, além de caixa operacional positivo e liquidez relevante. Porém, a leitura fundamentalista segue pressionada: o varejo caiu, o SSS ficou negativo, o lucro bruto recuou, o EBITDA ajustado praticamente zerou, o resultado financeiro continuou pesado e o prejuízo líquido aumentou para R$61,7 milhões. A empresa mantém uma plataforma regional relevante, mas ainda depende de queda de juros, retomada do consumo, controle da inadimplência e melhora da rentabilidade para comprovar recuperação.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

O ano de 2021 foi um período de crescimento e expansão orgânica relevante para a Lojas Quero-Quero. A companhia manteve trajetória de ganho de mercado, aumentou receita, abriu novas lojas, entrou em novos estados e reforçou sua posição como varejista de casa e construção com forte presença em cidades de pequeno e médio porte. A leitura operacional é positiva. A administração destacou crescimento de vendas mesmas lojas de 15,1% em 2021, mesmo sobre uma base forte de 2020, quando o SSS havia crescido 18,2%.

Demonstrações Financeiras 2022

O ano de 2022 foi um período de expansão física e avanço estratégico para a Lojas Quero-Quero, mas com deterioração relevante da rentabilidade. A companhia continuou abrindo lojas, ampliou sua presença geográfica, concluiu a implementação do projeto Figital/Loja Infinita e manteve a estratégia de longo prazo baseada em capilaridade, relacionamento local, crédito e solução completa para casa e construção. A leitura operacional é mista. A empresa inaugurou 64 novas lojas, atingiu a marca de 500 lojas durante o ano e encerrou 2022 com 529 lojas em operação em mais de 400 cidades.

Demonstrações Financeiras 2023

O ano de 2023 foi um período de estabilização parcial para a Lojas Quero-Quero, depois da forte pressão observada em 2022. A companhia continuou operando em ambiente desafiador para o varejo de materiais de construção, com juros elevados, renda disponível pressionada, inflação acumulada dos anos anteriores e eventos climáticos que afetaram regiões importantes para sua base de lojas. Mesmo nesse cenário, a empresa manteve sua estratégia de longo prazo. Reformou 38 lojas, inaugurou 28 novas unidades e encerrou o ano com 552 lojas em operação em 464 cidades.

Demonstrações Financeiras 2024

O ano de 2024 foi um período de recuperação operacional para a Lojas Quero-Quero, depois de dois anos de forte pressão no varejo de materiais de construção. A companhia apresentou crescimento de receita consolidada, retomada de vendas mesmas lojas, melhora relevante de EBITDA ajustado, geração de caixa operacional forte e manutenção de dívida líquida em patamar controlado. A leitura operacional foi positiva. A administração destacou crescimento de 11,2% na receita consolidada e avanço de 6,3% em vendas mesmas lojas, chegando a 6,9% no 4T24.

Demonstrações Financeiras 2025

O ano de 2025 foi um período de deterioração relevante dos resultados da Lojas Quero-Quero. A companhia manteve expansão moderada, seguiu investindo no fortalecimento operacional e preservou foco em fluxo de caixa, mas enfrentou um ambiente mais difícil para o varejo, com menor dinamismo no consumo, juros elevados e maior competição promocional. A leitura operacional é cautelosa. A empresa encerrou 2025 com 586 lojas, após a inauguração de 21 unidades, ampliando sua presença nas regiões Sul e Centro-Oeste.

Resumo fundamentalista

O 1T26 foi mais um trimestre de pressão para a Lojas Quero-Quero. A companhia apresentou crescimento de receita consolidada, mas a qualidade do resultado continuou fraca. A receita operacional líquida consolidada cresceu 3,7% em relação ao 1T25, chegando a R$696,4 milhões, mas o lucro bruto caiu, o EBITDA ajustado praticamente zerou e o prejuízo líquido aumentou.

A leitura operacional é cautelosa. O varejo ainda não retomou crescimento consistente: a venda de mercadorias caiu 1,2%, a atividade de varejo recuou 0,8% e as vendas mesmas lojas caíram 2,5%. A companhia explicou que a comparação era difícil, porque o 1T25 teve forte demanda por itens de climatização, mas ainda assim o trimestre mostra que a recuperação do varejo segue lenta.

O crescimento consolidado veio principalmente de Serviços Financeiros e Cartão de Crédito. A receita de serviços prestados cresceu 13,4%, e a RBLD de Serviços Financeiros avançou 12,8%. O cartão também cresceu, com maior uso fora das lojas e expansão da carteira. Esse ponto ajuda a sustentar receita, mas aumenta a dependência da operação financeira em um ambiente de juros altos.

A margem consolidada piorou. O lucro bruto caiu 4,7%, e a margem bruta sobre RBLD recuou 2,3 pontos percentuais. A margem do varejo melhorou levemente, mas a margem de serviços prestados caiu bastante, pressionada por custo de capital, maior provisionamento e uma postura mais restritiva na concessão de crédito.

O resultado final foi negativo. O EBITDA ajustado ficou em apenas R$0,6 milhão, contra R$13,1 milhões no 1T25, e o prejuízo líquido consolidado aumentou para R$61,7 milhões. Portanto, o 1T26 deve ser tratado como um trimestre de receita resiliente, mas com rentabilidade muito pressionada.

Pontos de atenção

O primeiro risco é a rentabilidade muito baixa. O EBITDA ajustado ficou praticamente zerado, em R$0,6 milhão, e a margem EBITDA ajustada sobre ROL foi de apenas 0,1%. Isso mostra que a operação ainda não está gerando resultado recorrente suficiente.

O segundo risco é o prejuízo crescente. O prejuízo líquido consolidado foi de R$61,7 milhões, quase o dobro do prejuízo de R$31,1 milhões no 1T25. A empresa ainda não conseguiu reverter a deterioração vista em 2025.

O terceiro risco é o varejo fraco. A venda de mercadorias caiu, o varejo recuou e o SSS ficou negativo. Mesmo com melhora sequencial em algumas categorias, a operação principal ainda depende de retomada de consumo e juros menores.

O quarto risco é o resultado financeiro. As despesas financeiras continuam elevadas e o resultado financeiro negativo piorou. Juros altos seguem pressionando a rentabilidade da companhia e do VerdeCard.

O quinto risco é a margem de serviços financeiros. A receita financeira cresce, mas a margem caiu por custo de capital, provisionamento e crédito mais restritivo. Esse ponto limita a capacidade do VerdeCard de compensar a fraqueza do varejo.

O sexto risco é o patrimônio líquido em queda. A sequência de prejuízos reduziu o patrimônio líquido consolidado, aumentando a necessidade de recuperação operacional para preservar a estrutura patrimonial.

O sétimo risco é a dependência do cenário macro. A tese de melhora para 2026 depende de queda de juros, melhora da renda disponível, ausência de eventos climáticos extremos e retomada do consumo. Esses fatores ainda não estavam comprovados no 1T26.

Leitura final

A Lojas Quero-Quero iniciou 2026 ainda em fase de recuperação difícil. A companhia mostrou crescimento consolidado de receita, sustentado por serviços financeiros e cartão, e melhorou a geração de caixa operacional no trimestre. Também manteve liquidez relevante e disciplina de despesas.

Mas a leitura fundamentalista segue fraca. O varejo continuou em queda, o SSS ficou negativo, o lucro bruto caiu, o EBITDA ajustado praticamente desapareceu e o prejuízo líquido aumentou. O resultado financeiro segue pesado e a margem dos serviços financeiros está pressionada por juros altos, provisionamento e crédito mais restritivo.

Para o usuário, o 1T26 deve ser tratado como um trimestre de alerta. A empresa ainda tem liquidez e uma plataforma regional relevante, mas precisa provar recuperação operacional. A análise deve acompanhar principalmente retomada de SSS, margem do VerdeCard, inadimplência, resultado financeiro, patrimônio líquido e capacidade de converter caixa operacional em lucro recorrente.

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