2021 foi um ano excepcional para a Kepler Weber. A companhia encerrou o exercício com receita recorde, forte expansão de margem, lucro líquido muito superior ao de 2020, EBITDA ajustado em patamar histórico e cenário operacional muito favorável no agronegócio. A receita líquida consolidada foi de R$1,226 bilhão em 2021, contra R$671,2 milhões em 2020. O crescimento foi de aproximadamente 82,7%.
KEPL3 - Kepler Weber
Empresa líder na América Latina no setor de pós-colheita do agronegócio, especializada no desenvolvimento e fabricação de sistemas completos para armazenagem e conservação de grãos. A companhia produz infraestruturas industriais essenciais para o escoamento agrícola — como silos metálicos, secadores e máquinas de limpeza — atendendo desde pequenos produtores rurais em fazendas até grandes cooperativas, agroindústrias e terminais portuários.
15/12/2025 R$ 0,11
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24/11/2025 R$ 0,14
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Valuation descontado, mas em ciclo agrícola pressionado
Com valor de mercado de aproximadamente R$ 1,15 bi e cotação muito próxima da mínima de 52 semanas, a Kepler Weber negocia com múltiplos comprimidos: P/L de 7,4x, EV/EBITDA de 5,0x e P/VP de 1,5x, acompanhados de um dividend yield estimado em 20,5% nos últimos doze meses. Essa leitura de desconto se apoia em fundamentos auditáveis e numa trajetória de melhora entre 2021 e 2025, em que a receita cresceu 21,5% no período, o último ano fechou lucrativo (lucro líquido de R$ 156,3 mi) e a alavancagem segue muito controlada, com dívida líquida/EBITDA de apenas 0,1x. O free float elevado, perto de 96%, ajuda a sustentar liquidez e reduz risco de distorção do valor de mercado por concentração de controle.
O ponto de atenção é que o desconto convive com um ciclo de curto prazo mais fraco. No último anual de 2025 já houve queda de receita e compressão da margem bruta de 29,9% para 24,3%, e o resultado mais recente (1T26 isolado) confirmou a pressão: receita caiu cerca de 11% contra o mesmo trimestre do ano anterior, com EBITDA e lucro líquido em retração, puxados por crédito mais restrito ao produtor e menor volume no segmento de Fazendas. O contrapeso positivo é a geração de caixa operacional, que melhorou no trimestre e manteve a companhia praticamente sem dívida líquida. Para que o desconto se confirme como oportunidade, e não como reflexo de deterioração, é preciso acompanhar a recomposição de margem e a retomada de demanda nos próximos trimestres.
Indicadores principais
Resultados do 1T26 mostram queda nos lucros e cautela do produtor, mas a empresa mantém caixa líquido positivo e forte solidez financeira.
A Kepler Weber segue com posição financeira sólida, caixa líquido positivo, baixa inadimplência e boa tese estrutural ligada ao déficit de armazenagem. Porém, o 1T26 mostrou queda de receita, EBITDA, margem e lucro, pressionado por crédito mais restritivo, produtor mais cauteloso e menor volume no segmento de Fazendas. A tese exige confirmação de recuperação de demanda e margem nos próximos trimestres.
Trajetória recente
2022 foi mais um ano excepcional para a Kepler Weber. A companhia conseguiu crescer fortemente sobre uma base já muito forte de 2021, com nova expansão de receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido, geração de caixa operacional e patrimônio líquido. A receita líquida consolidada foi de R$1,815 bilhão em 2022, contra R$1,226 bilhão em 2021. O crescimento foi de aproximadamente 48%.
2023 foi um ano de normalização para a Kepler Weber depois do resultado excepcional de 2022. A companhia continuou lucrativa, com geração de caixa operacional positiva, balanço sólido, caixa líquido e patrimônio líquido maior, mas teve queda relevante de receita, margem, EBITDA e lucro líquido. A receita líquida consolidada foi de R$1,512 bilhão em 2023, contra R$1,815 bilhão em 2022. A queda foi de aproximadamente 16,7%.
2024 foi um ano positivo para a Kepler Weber, mas com lucro menor que em 2023. A companhia manteve receita elevada, ampliou faturamento frente ao ano anterior, preservou margens atrativas, gerou caixa operacional relevante e encerrou o período com posição financeira líquida confortável. A receita líquida consolidada foi de R$1,607 bilhão em 2024, contra R$1,512 bilhão em 2023. O crescimento foi de aproximadamente 6,3%.
2025 foi um ano mais fraco para a Kepler Weber em termos operacionais, mas ainda com balanço sólido, lucro relevante, caixa operacional positivo e manutenção de caixa líquido praticamente neutro/positivo. A receita líquida consolidada caiu de R$1,607 bilhão em 2024 para R$1,490 bilhão em 2025, queda de 7,3%. A retração refletiu principalmente menor volume nos segmentos de Fazendas, Agroindústrias e Portos e Terminais, em um ambiente de juros elevados, maior seletividade de investimentos no agronegócio e postergação de projetos. O lucro bruto caiu de R$481,2 milhões para R$362,2 milhões.
Resumo fundamentalista
A Kepler Weber apresentou um 1T26 de pressão operacional, com queda de receita, EBITDA, margem EBITDA e lucro líquido. O trimestre refletiu um ambiente mais seletivo para o agronegócio, marcado por crédito mais restritivo e caro, ciclos de decisão mais longos, margens mais pressionadas para o produtor rural e menor apetite para investimentos em armazenagem nas fazendas.
A receita líquida consolidada foi de R$318,1 milhões, queda de 10,9% contra o 1T25 e de 20,2% contra o 4T25. O EBITDA foi de R$33,7 milhões, queda de 36,4%, com margem EBITDA de 10,6%, abaixo dos 14,8% do 1T25. O lucro líquido foi de R$17,1 milhões, queda de 33,0%, com margem líquida de 5,4%.
Apesar da queda de rentabilidade, a leitura não é de ativo de risco. A companhia continua lucrativa, tem posição de caixa líquido positiva, inadimplência baixa, disciplina de custos, boa marca no setor e uma tese estrutural apoiada no déficit de armazenagem brasileiro. O ponto central é que o ciclo de curto prazo está mais fraco, especialmente em fazendas, e a diversificação ainda não compensou totalmente a pressão no mercado doméstico.
Pontos de atenção
O primeiro risco é o ciclo do agronegócio. Crédito caro, margens pressionadas dos produtores e preços menos favoráveis de commodities podem continuar adiando investimentos em armazenagem, principalmente no segmento de fazendas.
O segundo risco é margem. A margem EBITDA caiu de 14,8% para 10,6%, evidenciando menor diluição operacional. Se o volume continuar baixo, o controle de despesas pode não ser suficiente para recuperar a rentabilidade.
O terceiro risco é mix. A diversificação para Agroindústrias e Negócios Internacionais é positiva, mas esses segmentos têm ciclos de contratação, execução e margem diferentes. O backlog pode ampliar visibilidade, mas não deve ser tratado como garantia de receita ou resultado.
O quarto risco é a dependência de políticas de crédito e financiamento agrícola. Como muitos projetos exigem investimento relevante, restrições de crédito podem afetar a velocidade de fechamento de pedidos.
O quinto risco é a queda em Reposição e Serviços. Esse segmento tende a ter maior recorrência e pode ajudar a suavizar ciclos, mas caiu no trimestre. O usuário deve acompanhar se a recuperação ocorre ao longo do ano.
Leitura final
A Kepler Weber segue sendo uma companhia de qualidade, com marca forte, posição financeira sólida, caixa líquido positivo, baixa inadimplência e exposição a uma tese estrutural relevante no agronegócio brasileiro. Porém, o 1T26 mostrou que o ciclo de curto prazo está mais difícil: produtores mais cautelosos, crédito mais restrito, menor volume em fazendas e queda relevante de margem.
A classificação correta para o usuário é cautela. A empresa não apresenta fragilidade financeira e não deve ser tratada como ativo de risco, mas também não merece sinal verde neste trimestre porque receita, EBITDA, margem e lucro recuaram. A tese melhora se Agroindústrias, Negócios Internacionais e Reposição e Serviços continuarem compensando a fraqueza em fazendas e se a margem EBITDA voltar a se recompor.