Ativo de risco

HBSA3 - Hidrovias do Brasil

1T/2026

Bens industriais

Transporte hidroviário

Matriz: São Paulo - SP

Uma das maiores empresas de soluções logísticas integradas do país, especializada no transporte hidroviário e na operação de terminais portuários. A companhia atua com foco no escoamento de grandes volumes de commodities agrícolas (como grãos e fertilizantes), minerais (como minério de ferro e bauxita), celulose e combustíveis. Integrando o transporte por barcaças e navios de cabotagem com a gestão de portos de origem e destino, ela opera em corredores logísticos estratégicos na América Latina — como o Corredor Norte (Bacia Amazônica), o Corredor Sul (Hidrovia Paraguai-Paraná) e o Porto de Santos.

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Total de ações 1.360.382.643
Ações ordinárias 1.360.382.643
Ações preferenciais Não
Free float 543.500.343 — 39,95%
Controlador Ultra Logística Ltda — 60,00%
Tesouraria Não

Data: 2026-05-29

R$ 2,98
-4,79% no dia
R$ 7,56 R$ 1,73
2020 2026
Valor de mercado R$ 4,26 bi
Volume 3,40 mi
P/L externo -
Dividend yield 12m 0,00%

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -30,2x
EV/EBITDA 7,2x
P/VP 2,0x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 07/06/2026

Desconto com risco elevado

A Hidrovias do Brasil chega com valor de mercado de R$4,26 bi e cotação de R$2,98, exatamente na mínima de 52 semanas, depois de recuar perto de 5% no pregão. Nos múltiplos, o EV/EBITDA de 7,2x e o P/VP de 2,0x não destoam do contexto do setor de logística e portos, e a base operacional de 2025 ajuda a sustentar a leitura de desconto: a receita anual cresceu para R$2,24 bi, o EBITDA chegou a R$892,3 mi com margem perto de 40%, o caixa operacional bateu recorde em R$1,05 bi e a dívida líquida/EBITDA recuou para 2,5x após o aumento de capital e a venda da Navegação Costeira. Visto só pelo balanço operacional do último anual, há motivos para o valor de mercado parecer comprimido.

O desconto, porém, não é limpo. O lucro do último anual ainda foi negativo em R$140,9 mi, o que distorce o P/L de -30,2x, e o 1T26 reforçou o sinal de cautela: receita caiu 7,6% contra o mesmo trimestre do ano anterior, EBITDA e lucro pioraram, o fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$24,7 mi e o resultado financeiro segue pesado, com a alavancagem voltando a subir na comparação sequencial. Some-se a isso o histórico volátil, com prejuízo em mais de um ano da série, a forte dependência das condições hidrológicas e o desafio de volumes no Corredor Norte. Por isso a classificação é descontada com risco: os múltiplos são atrativos, mas a recuperação ainda precisa se provar recorrente em geração de caixa e lucro antes de o desconto ser tratado como confortável.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 445.163
EBITDA R$ 185.006
Lucro líquido R$ -34.172
Dívida líquida R$ 2.407.165
Margem líquida -7,68%
FCO R$ -24.682

Hidrovias do Brasil reduziu dívida após venda, mas 1T26 teve queda de receita, EBITDA menor e prejuízo. Tese depende de volumes no Norte e conversão em caixa.

A Hidrovias do Brasil reduziu a alavancagem após a venda da Navegação Costeira, mas o 1T26 ainda mostrou queda de receita, queda de EBITDA ajustado recorrente, prejuízo líquido, fluxo operacional negativo e resultado financeiro pesado. A tese depende da recuperação de volumes no Norte, manutenção da melhora no Paraguai e conversão de EBITDA em caixa.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A empresa encerrou 2021 em um ano de forte pressão operacional e financeira, apesar de manter ativos logísticos relevantes e contratos de longo prazo em corredores estratégicos. A companhia atua em logística e infraestrutura hidroviária, rodoviária e multimodal, incluindo transporte de mercadorias, exploração de portos e terminais, navegação fluvial e marítima, cabotagem, armazenagem e serviços de logística. O negócio permaneceu essencial durante a pandemia, por estar ligado às cadeias de alimentos, metais básicos e insumos, sem restrições relevantes de operação associadas à COVID-19.

Demonstrações Financeiras 2022

A empresa teve em 2022 um ano de recuperação operacional importante depois de um 2021 muito pressionado por problemas climáticos, menor disponibilidade de grãos, interrupções de navegação e custos elevados. A companhia voltou a crescer de forma relevante em receita e resultado operacional, com avanço nos principais corredores e melhora expressiva do EBITDA. O prejuízo líquido foi muito menor do que no ano anterior, mas a empresa ainda não conseguiu converter a melhora operacional em lucro líquido consistente, principalmente por causa do peso financeiro, da estrutura de dívida, depreciação, amortização e imposto.

Demonstrações Financeiras 2023

A empresa apresentou em 2023 mais um ano de melhora operacional, com crescimento de receita, avanço do resultado operacional e retorno ao lucro líquido contábil. Depois de um 2021 muito pressionado e de uma recuperação parcial em 2022, 2023 marcou uma evolução mais clara da tese operacional: a companhia mostrou maior escala, melhor utilização dos ativos e geração de caixa operacional relevante. Apesar disso, a leitura fundamentalista ainda exige cautela. O lucro líquido foi positivo, mas baixo em relação ao tamanho da operação e ao capital empregado.

Demonstrações Financeiras 2024

A empresa teve em 2024 uma forte deterioração operacional e contábil depois da melhora observada em 2022 e 2023. O ano foi marcado por queda relevante de receita, forte compressão do resultado bruto, prejuízo líquido elevado e perda de patrimônio líquido. A companhia continuou tendo ativos logísticos estratégicos, presença relevante em corredores hidroviários e portuários e geração operacional positiva, mas 2024 mostrou de forma clara a vulnerabilidade do modelo a choques climáticos, alavancagem, hedge accounting, dívida dolarizada, CAPEX e eventos não recorrentes.

Demonstrações Financeiras 2025

A empresa teve em 2025 um ano de recuperação operacional forte após o estresse severo de 2024. A normalização das condições de navegabilidade nos corredores Norte e Sul permitiu retomada de volumes, crescimento relevante de receita operacional e forte expansão do EBITDA ajustado recorrente. A companhia também avançou em uma reorganização financeira importante, com aumento de capital, venda da operação de Navegação Costeira, redução da dívida líquida e queda expressiva da alavancagem. Apesar da melhora operacional e financeira, a leitura fundamentalista ainda exige cautela.

Resumo fundamentalista

A Hidrovias do Brasil apresentou um 1T26 ainda pressionado, com queda de volume, queda de receita, menor EBITDA ajustado recorrente, prejuízo líquido e consumo de caixa operacional. A companhia segue em processo de reorganização após a venda da Navegação Costeira, concluída em novembro de 2025, que reduziu dívida e melhorou a alavancagem frente ao 1T25, mas também reduziu a base de receita e EBITDA comparável.

A receita operacional líquida foi de R$445 milhões, queda de 20% contra o 1T25. Considerando apenas operações continuadas, a queda foi de 9%. O EBITDA ajustado recorrente foi de R$182 milhões, queda de 29% contra o 1T25 e queda de 23% nas operações continuadas. O lucro líquido ficou negativo em R$34 milhões, pior que o prejuízo de R$2 milhões no 1T25. O fluxo de caixa das atividades operacionais foi negativo em R$25 milhões.

A leitura central é de ativo de risco, ainda que com alguns pontos de estabilização. A alavancagem caiu para 2,7x, bem abaixo dos 5,8x do 1T25, mas acima dos 2,3x do 4T25. O caixa ainda é relevante, mas o resultado operacional piorou e o custo financeiro segue pesado. A tese depende de recuperação de volumes, normalização operacional no Norte, manutenção da performance no Paraguai e disciplina de CAPEX.

Pontos de atenção

O primeiro risco é operacional. A queda de volumes no Brasil, especialmente no Norte, mostra que a companhia ainda está exposta a condições de navegação, infraestrutura, disponibilidade da via transportuária e eficiência logística. Quando há interrupções ou restrições, a receita cai e os custos de mitigação sobem.

O segundo risco é financeiro. O resultado financeiro foi negativo em R$119 milhões, pior que os R$79 milhões do 1T25. A administração explicou que a piora reflete maior custo da dívida líquida, aumento do CDI e efeito de comparação com variação cambial positiva no 1T25 pela liquidação do Bond 25. Esse resultado financeiro consumiu o resultado operacional e levou a prejuízo líquido.

O terceiro risco é caixa. O fluxo operacional negativo no trimestre, mesmo que explicado como timing de recebimentos, precisa reverter. Para uma empresa alavancada, a geração de caixa operacional é essencial.

O quarto risco é a base comparável pós-Navegação Costeira. A venda melhorou a estrutura de capital, mas reduziu receita e EBITDA. O usuário deve evitar comparar diretamente com 1T25 sem ajustar as operações descontinuadas, mas também precisa reconhecer que a empresa ficou menor e ainda precisa provar crescimento nas operações remanescentes.

O quinto risco é alavancagem. A queda anual para 2,7x foi positiva, mas a alta contra o 4T25 indica que o indicador ainda pode oscilar se EBITDA cair ou caixa for consumido.

Leitura final

A Hidrovias do Brasil melhorou sua estrutura de capital em relação ao 1T25 com a venda da Navegação Costeira, mas o 1T26 ainda mostrou uma operação pressionada. O EBITDA ajustado recorrente caiu, a receita caiu, a geração de caixa operacional foi negativa e o resultado financeiro continuou pesado, levando a prejuízo líquido.

A empresa não está na mesma situação crítica de alavancagem de 2025, mas ainda precisa provar que consegue gerar caixa e EBITDA de forma consistente nas operações remanescentes. A leitura do usuário deve ser conservadora: a recuperação estrutural ainda não está comprovada.

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