Desconto com risco elevado
A Hidrovias do Brasil chega com valor de mercado de R$4,26 bi e cotação de R$2,98, exatamente na mínima de 52 semanas, depois de recuar perto de 5% no pregão. Nos múltiplos, o EV/EBITDA de 7,2x e o P/VP de 2,0x não destoam do contexto do setor de logística e portos, e a base operacional de 2025 ajuda a sustentar a leitura de desconto: a receita anual cresceu para R$2,24 bi, o EBITDA chegou a R$892,3 mi com margem perto de 40%, o caixa operacional bateu recorde em R$1,05 bi e a dívida líquida/EBITDA recuou para 2,5x após o aumento de capital e a venda da Navegação Costeira. Visto só pelo balanço operacional do último anual, há motivos para o valor de mercado parecer comprimido.
O desconto, porém, não é limpo. O lucro do último anual ainda foi negativo em R$140,9 mi, o que distorce o P/L de -30,2x, e o 1T26 reforçou o sinal de cautela: receita caiu 7,6% contra o mesmo trimestre do ano anterior, EBITDA e lucro pioraram, o fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$24,7 mi e o resultado financeiro segue pesado, com a alavancagem voltando a subir na comparação sequencial. Some-se a isso o histórico volátil, com prejuízo em mais de um ano da série, a forte dependência das condições hidrológicas e o desafio de volumes no Corredor Norte. Por isso a classificação é descontada com risco: os múltiplos são atrativos, mas a recuperação ainda precisa se provar recorrente em geração de caixa e lucro antes de o desconto ser tratado como confortável.