Neutro / cautela

GRND3

Grendene

1T/2026

Consumo cíclico

Calçados

Matriz: Farroupilha - RS

Uma das maiores produtoras mundiais de calçados casuais de plástico, detendo marcas de enorme capilaridade como Melissa, Ipanema, Rider, Guga Kuerten, Zaxy e Cartago. Seu modelo de negócios baseia-se na produção verticalizada em massa e na comercialização de moda acessível para todas as faixas de renda, monetizando suas operações através de uma gigantesca malha de distribuição que atende do pequeno varejo de bairro a franquias e canais internacionais em dezenas de países.

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Total de ações 902.160.000
Ações ordinárias 902.160.000
Ações preferenciais Não
Free float 240.835.766 — 26,70%
Maior acionista Union SFIFA — 42,85%
Tesouraria Não

Data: 2026-06-15

R$ 3,82
-1,04% no dia
R$ 12,91 R$ 3,81
2016 2026
Valor de mercado R$ 3,48 bi
Volume 2,20 mi
P/L externo 5,4x
Dividend yield 12m 34,45%
DIVIDENDO
21/05/2026
R$ 0,03
JCP
21/05/2026
R$ 0,03
JCP
23/04/2026
R$ 0,09
DIVIDENDO
23/04/2026
R$ 0,00

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 5,4x
EV/EBITDA 5,5x
P/VP 1,1x
Dividend yield 12m 34,45%
Data da análise 30/06/2026

Desconto real, mas operação pede confirmação

Com valor de mercado de R$3,48 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$3,77 contra topo de R$5,68), a Grendene aparece com múltiplos comprimidos: P/L de 5,4x, EV/EBITDA de 5,5x e P/VP de 1,1x. O balanço reforça essa leitura, com posição de caixa e aplicações que deixa a dívida líquida negativa em R$1,16 bi (dívida líquida/EBITDA de -2,7x no último anual), geração operacional ainda positiva e marcas fortes. Em paralelo, a companhia distribuiu remuneração elevada ao acionista nos últimos 12 meses, o que sustenta parte do interesse na tese defensiva.

O desconto, porém, não é limpo. No anual de 2025, o EBITDA caiu 33,8%, a receita líquida recuou e o lucro líquido contábil diminuiu, com a dependência crescente do resultado financeiro para sustentar o lucro recorrente. No 1T26 isolado o quadro piorou: receita caiu 5,3% no comparativo anual, a margem bruta recuou para 43,1%, o EBITDA ajustado caiu 31,6%, o lucro líquido diminuiu e a dívida líquida ficou menos negativa após o pagamento de R$600 mi em dividendos. O ponto a acompanhar é se a empresa consegue recuperar preço médio, margem operacional e EBITDA sem comprometer a retomada de volume no Brasil; enquanto isso não se confirma, o desconto deve ser tratado com cautela e não como oportunidade isenta de risco.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 533.843
EBITDA R$ 66.160
Lucro líquido R$ 102.138
Dívida líquida R$ -819.891
Margem líquida 19,13%
FCO R$ 253.270

Grendene mantém balanço sólido no 1T26, mas queda na receita, recuo na margem bruta e menor lucro líquido ajustado ativam sinal amarelo por cautela operacional.

A Grendene iniciou 2026 ainda sustentada por um balanço muito sólido, aplicações financeiras relevantes, geração operacional de caixa positiva e marcas fortes. O trimestre também trouxe crescimento de volume no mercado interno e avanço do canal digital. A leitura, porém, ficou mais cautelosa porque a receita líquida caiu, a margem bruta recuou, o EBITDA ajustado teve queda relevante e o lucro líquido ajustado diminuiu. A exportação melhorou em preço médio, mas perdeu volume, enquanto o mercado interno vendeu mais pares com receita por par menor. A tese segue defensiva pela qualidade financeira da companhia, mas depende de recuperar margem operacional, preço médio, EBITDA e exportações sem comprometer a retomada de volume no Brasil.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Grendene encerrou 2021 com recuperação relevante de receita, avanço de volume, forte crescimento das exportações e lucro líquido maior frente a 2020. O ano marcou retomada operacional após o período mais pressionado da pandemia, mas também trouxe pressão relevante de custos, principalmente matérias-primas e gargalos logísticos. A receita bruta reportada foi de R$2,8 bilhões, crescimento de 21,9% frente a 2020. A companhia embarcou 154 milhões de pares no ano, alta de 5,9%.

Demonstrações Financeiras 2022

A Grendene encerrou 2022 com crescimento de receita, preço médio maior e exportações mais fortes, mas com queda de volume, margem bruta menor e lucro líquido abaixo de 2021. O ano mostra uma companhia ainda muito sólida financeiramente, mas operando em ambiente de custos elevados e menor volume de pares vendidos. A receita bruta reportada foi de R$3,1 bilhões, crescimento de 9,6% frente a 2021. A companhia vendeu 148,2 milhões de pares no ano, queda de 3,8%.

Demonstrações Financeiras 2023

A Grendene encerrou 2023 com receita levemente menor, queda de volume, recuperação importante de margem bruta e melhora do EBITDA recorrente. O ano foi marcado por menor venda de pares, mas também por alívio de custos, especialmente matérias-primas, o que ajudou a recompor a rentabilidade depois da forte pressão de 2022. A receita bruta reportada foi de R$3 bilhões em 2023, queda de 3,6% frente a 2022. A companhia vendeu 139,6 milhões de pares, queda de 5,8%.

Demonstrações Financeiras 2024

A Grendene encerrou 2024 com crescimento de receita, forte recomposição de margem, EBITDA em alta, lucro líquido maior e geração operacional de caixa robusta. O ano foi positivo porque a companhia conseguiu crescer em valor mesmo com volume praticamente estável, mostrando melhora de preço médio, mix, eficiência de custos e força das marcas. A receita bruta reportada foi de R$3,2 bilhões em 2024, crescimento de 7,5% frente a 2023. A companhia vendeu 139,4 milhões de pares, queda leve de 0,2%.

Demonstrações Financeiras 2025

A Grendene encerrou 2025 com crescimento de receita bruta, exportações mais fortes e lucro líquido recorrente maior, mas com piora relevante da operação reportada. O ano foi marcado por queda de volume, retração da receita líquida, pressão de custos, queda de lucro bruto, redução de EBITDA e forte distribuição extraordinária de dividendos. A receita bruta reportada foi de R$3,4 bilhões em 2025, crescimento de 5,1% frente a 2024. A companhia vendeu 123,9 milhões de pares, queda de 11,1%.

Resumo fundamentalista

A Grendene iniciou 2026 com resultado operacional mais fraco, apesar de manter balanço sólido, geração de caixa positiva e lucro líquido relevante. O trimestre mostrou queda de receita líquida, margem bruta menor, EBITDA ajustado em retração e lucro líquido ajustado menor, mas também trouxe crescimento de volume total e melhora no mercado interno em pares vendidos.

A receita líquida foi de R$533,8 milhões no 1T26, queda de 5,3% frente ao 1T25. A receita bruta foi de R$683 milhões, queda de 3,2%. A companhia vendeu 25,7 milhões de pares, crescimento de 1,6%, com alta de 9,3% no mercado interno e queda de 16,4% na exportação.

O lucro bruto foi de R$230,1 milhões, queda de 12,7%. A margem bruta caiu para 43,1%, contra 46,7% no 1T25. A queda mostra que a melhora de volume não se converteu em rentabilidade, com pressão de preço médio, mix, deduções, custos e menor receita líquida por par.

O EBITDA foi de R$66,2 milhões, queda de 10%. O EBITDA ajustado foi de R$83,7 milhões, queda de 31,6%, com margem EBITDA ajustada de 16,8%. Essa redução mostra piora relevante da geração operacional recorrente.

O lucro líquido foi de R$102,1 milhões, queda de 9,9%. O lucro líquido ajustado foi de R$122,1 milhões, queda de 23,6%. A margem líquida ajustada caiu para 24,6%, contra 29,9% no 1T25.

A leitura central é de cautela. A Grendene segue financeiramente forte, com caixa, aplicações financeiras, marcas relevantes, geração operacional de caixa e capacidade de distribuição. Porém, o 1T26 reforçou alertas operacionais: receita menor, margem bruta comprimida, EBITDA ajustado em queda, exportações mais fracas e maior dependência do resultado financeiro para sustentar lucro.

Pontos de atenção

O primeiro risco é a queda da receita líquida para R$533,8 milhões.

O segundo risco é a queda da margem bruta para 43,1%.

O terceiro risco é a queda do lucro bruto para R$230,1 milhões.

O quarto risco é a queda do EBITDA ajustado para R$83,7 milhões.

O quinto risco é a queda da margem EBITDA ajustada para 16,8%.

O sexto risco é a queda do lucro líquido ajustado para R$122,1 milhões.

O sétimo risco é a queda da receita líquida por par para R$20,78.

O oitavo risco é a queda de 10% da receita bruta por par no mercado interno.

O nono risco é a queda de 16,4% no volume exportado.

O décimo risco é a dependência relevante do resultado financeiro para sustentar o lucro líquido.

O décimo primeiro risco é o aumento dos estoques em um cenário de margem pressionada.

O décimo segundo risco é a saída elevada de caixa por dividendos.

O décimo terceiro risco é a exposição a câmbio, logística internacional, consumo doméstico, renda das famílias, moda e competição.

O décimo quarto risco é sustentar a política de remuneração ao acionista se a operação não recuperar EBITDA.

Leitura final

O 1T26 foi misto para a Grendene, com viés de cautela operacional. A companhia manteve lucro, caixa, aplicações financeiras e geração operacional positiva, além de mostrar recuperação de volume no mercado interno e avanço do canal digital.

A leitura positiva vem da solidez financeira, da força das marcas, da capacidade de gerar caixa e da retomada de pares no Brasil. A exportação também mostrou melhora de preço médio em reais e em dólares, apesar da queda de volume.

A cautela vem da rentabilidade. A receita líquida caiu, a margem bruta recuou, o EBITDA ajustado caiu de forma relevante e o lucro líquido ajustado ficou menor. Para o usuário, o 1T26 deve ser lido como trimestre de balanço ainda forte, mas operação pressionada. A tese depende de recuperar preço médio, margem, EBITDA e exportações sem perder a retomada de volume doméstico.

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