2021 foi um ano transformacional para o Grupo GPS. A companhia abriu capital, fortaleceu o balanço, cresceu receita, aumentou lucro, gerou caixa operacional e acelerou sua estratégia de aquisições. A receita líquida consolidada foi de R$6,615 bilhões, contra R$4,942 bilhões em 2020, crescimento de aproximadamente 34%. O crescimento orgânico informado pela companhia foi de 9%, com o restante explicado principalmente por aquisições e consolidação de empresas adquiridas.
GGPS3 - Grupo GPS
Maior empresa do Brasil no setor de prestação de serviços terceirizados integrados e gestão de facilities. A companhia atua fornecendo soluções completas de infraestrutura corporativa para milhares de clientes corporativos e industriais, operando em frentes que abrangem segurança patrimonial, limpeza e conservação, manutenção industrial, logística interna (indoor), engenharia de utilidades e serviços de alimentação industrial.
16/12/2025 R$ 0,32
10/04/2025 R$ 0,32
11/04/2024 R$ 0,32
05/04/2023 R$ 0,26
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Valuation em linha, com lucro pressionado
Com valor de mercado de R$8,91 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$11,57), o Grupo GPS negocia a múltiplos que não indicam desconto claro nem esticamento: P/L de 12,8x, EV/EBITDA de 7,1x e P/VP de 2,2x, com FCF yield de 5,9% e dividend yield de 2,7%. O pano de fundo é de uma empresa que cresceu muito (receita avançou 161% entre 2021 e 2025, chegando a R$17,28 bi no último anual), manteve geração de caixa operacional positiva (R$786,1 mi) e alavancagem controlada em 1,5x dívida líquida/EBITDA. Esse conjunto sustenta uma leitura de valor de mercado relativamente compatível com os fundamentos atuais.
O ponto de atenção está na qualidade recente do resultado. No 1T26, a receita cresceu apenas 9,3% sobre o mesmo trimestre do ano anterior, o lucro líquido recuou (de R$148,1 mi para R$125,1 mi), a margem líquida ajustada caiu para 3,5% e a dívida líquida subiu de forma relevante, com juros sobre debêntures e despesas financeiras pesando cada vez mais sobre a linha final. A margem EBITDA segue pressionada por custos de implantação e desmobilização de contratos, e a tese ainda depende de recomposição de margem e captura de sinergias da GRSA. Por isso, o sinal amarelo: os múltiplos não justificam classificar como descontado limpo enquanto o lucro e a margem não confirmarem recuperação.
Indicadores principais
GPS manteve alta de receita e EBITDA no 1T26, com alavancagem controlada. Porém, lucro caiu por despesas financeiras. Tese exige recomposição de margem.
O Grupo GPS manteve crescimento de receita, EBITDA ajustado maior, caixa robusto e alavancagem controlada no 1T26. Porém, o lucro líquido ajustado caiu, pressionado por custos de implantação e desmobilização de contratos e pelo aumento das despesas financeiras. A tese segue boa, mas exige recomposição da margem líquida nos próximos trimestres.
Trajetória recente
2022 foi mais um ano de forte expansão para o Grupo GPS. A companhia cresceu receita, aumentou EBITDA ajustado, elevou lucro líquido, manteve geração de caixa operacional positiva, preservou baixa alavancagem e continuou executando sua estratégia de aquisições. A receita líquida consolidada foi de R$9,219 bilhões, contra R$6,615 bilhões em 2021, crescimento de aproximadamente 39%. A companhia também reportou crescimento orgânico de 11%, mostrando que a expansão não dependeu apenas das aquisições.
2023 foi mais um ano positivo para o Grupo GPS. A companhia cresceu receita, aumentou EBITDA ajustado, expandiu margem operacional ajustada, elevou lucro líquido, manteve geração operacional de caixa positiva e continuou avançando na estratégia de aquisições. A receita líquida consolidada foi de R$10,631 bilhões, contra R$9,219 bilhões em 2022, crescimento de aproximadamente 15%. A companhia também reportou crescimento orgânico de 10%, mostrando que a expansão continuou vindo tanto de novos contratos quanto de aquisições.
2024 foi um ano de expansão transformacional para o Grupo GPS. A companhia cresceu muito em receita, ampliou escala operacional, manteve lucro líquido positivo, aumentou a geração de caixa operacional e realizou a maior aquisição de sua história, a GRSA. A receita líquida consolidada foi de R$14,774 bilhões, contra R$10,631 bilhões em 2023, crescimento de aproximadamente 39%. A companhia também reportou crescimento orgânico de 6%, abaixo dos anos anteriores, refletindo ambiente competitivo e pressão de clientes por redução de preços.
2025 foi mais um ano de crescimento para o Grupo GPS, com aumento relevante de receita, lucro líquido positivo, geração de caixa operacional forte, avanço da integração da GRSA e continuidade da estratégia de aquisições. A companhia terminou o ano maior, mais líquida e ainda lucrativa, mas com margens pressionadas e dívida bruta mais alta. A receita líquida consolidada foi de R$17,283 bilhões em 2025, contra R$14,774 bilhões em 2024, crescimento de aproximadamente 17%. A companhia também reportou crescimento orgânico de 8%, com aceleração no segundo semestre.
Resumo fundamentalista
O Grupo GPS apresentou um 1T26 de crescimento operacional, mas com pressão na linha final. A companhia manteve expansão de receita, crescimento orgânico positivo, EBITDA ajustado maior e geração de caixa operacional relevante, reforçando a força do seu modelo de serviços terceirizados, escala nacional e ampla base de clientes. Porém, o lucro líquido ajustado caiu, impactado por custos pontuais de implantação e desmobilização de contratos, além de maior despesa financeira.
A receita líquida consolidada foi de R$4,484 bilhões, crescimento de 9% contra o 1T25. O crescimento orgânico foi de 7%, já incorporando a safra de aquisições de 2024 ao cálculo orgânico. O EBITDA ajustado ex-IFRS16 foi de R$437 milhões, também 9% acima do 1T25, com margem de 9,7%, praticamente estável contra o ano anterior. O lucro líquido ajustado foi de R$158 milhões, queda de 12%, com margem líquida ajustada de 3,5%.
A leitura central é de cautela com viés positivo. A empresa continua crescendo e mantendo margem EBITDA estável, mas a queda do lucro líquido e o aumento da despesa financeira mostram que o crescimento ainda não está se traduzindo integralmente em expansão de lucro. O negócio segue saudável, mas o trimestre pede acompanhamento da recomposição de margem, do custo financeiro e da capacidade de converter crescimento em lucro líquido.
Pontos de atenção
O primeiro risco é margem. O EBITDA cresceu, mas a margem EBITDA ajustada ex-IFRS16 ficou levemente abaixo do 1T25. A empresa atribui isso a custos de implantação e desmobilização de contratos, mas o usuário deve verificar se esses efeitos realmente se normalizam.
O segundo risco é lucro líquido. O lucro líquido ajustado caiu 12%, e a margem líquida ajustada caiu 0,9 ponto percentual. Isso mostra que o crescimento da receita e do EBITDA ainda não chegou de forma plena ao lucro final.
O terceiro risco é despesa financeira. O pagamento de juros cresceu de forma relevante, impactando o caixa e a margem líquida. Mesmo com alavancagem controlada, o ambiente de juros elevados reduz a atratividade da linha final.
O quarto risco é execução de contratos. O modelo do Grupo GPS depende de milhares de contratos, alta intensidade de mão de obra, contratação, treinamento e eficiência operacional. Implantações mal precificadas ou desmobilizações podem afetar margem.
O quinto risco é M&A. A estratégia de aquisições é importante para o crescimento, mas exige integração, ajuste de contratos, retenção de gestores e preservação da cultura operacional. A incorporação da safra de 2024 no crescimento orgânico mostra que aquisições podem trazer efeitos temporários de ajuste de receita e margem.
Leitura final
O Grupo GPS segue sendo uma companhia de qualidade, com escala, liderança, base ampla de clientes, portfólio diversificado e modelo de crescimento consistente. O 1T26 confirmou crescimento de receita e EBITDA, além de boa geração operacional de caixa antes de juros e IR.
Ao mesmo tempo, a queda do lucro líquido ajustado e o aumento da despesa financeira impedem uma leitura totalmente positiva no período. A empresa continua saudável, mas precisa mostrar nos próximos trimestres que os custos de implantação/desmobilização são temporários e que o crescimento voltará a aparecer com mais força no lucro líquido.
Para o usuário, Grupo GPS deve ser classificada como cautela com viés positivo. Não é ativo de risco, mas também não merece sinal verde neste trimestre porque a margem líquida e o lucro ajustado recuaram.