A Gafisa encerrou 2021 com lucro líquido consolidado positivo, após prejuízo em 2020, mas ainda com estrutura financeira pressionada, caixa operacional negativo, dívida elevada e aumento expressivo de estoques. No consolidado, a receita líquida caiu de R$884 milhões em 2020 para R$818,3 milhões em 2021. Apesar da queda de receita, o lucro bruto subiu de R$181,2 milhões para R$208,6 milhões, com melhora da margem bruta. O resultado antes do financeiro e dos tributos avançou de R$5,9 milhões em 2020 para R$210,6 milhões em 2021.
GFSA3 - Gafisa
Uma das construtoras e incorporadoras mais tradicionais do Brasil, focada no desenvolvimento de empreendimentos residenciais de médio e alto padrão, além de projetos de alto luxo. Atua de forma verticalizada desde a prospecção de terrenos e concepção arquitetônica até a engenharia das obras e a comercialização dos imóveis, concentrando seus principais lançamentos comerciais nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nos últimos anos, a marca passou por intensas disputas societárias e desafios de reestruturação financeira para tentar reverter prejuízos operacionais.
25/04/2016 R$ 0,05
25/04/2014 R$ 0,08
27/12/2013 R$ 0,31
29/04/2011 R$ 0,23
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto com risco elevado
À primeira vista, a Gafisa parece muito descontada: com valor de mercado de apenas R$203,12 mi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$0,96), o P/VP comprimido de 0,1x mostra que o mercado precifica a empresa a uma fração do patrimônio líquido de R$1,54 bi. Os múltiplos de lucro e EBITDA são negativos (P/L de -0,4x e EV/EBITDA de -3,6x), o que tira utilidade da comparação por resultado e reforça que o desconto reflete muito mais a fragilidade do que uma oportunidade limpa. Não há dividendos relevantes há anos, e o dividend yield estimado em 12 meses é 0,0%.
O ponto de atenção é material e justifica o sinal laranja. O exercício de 2025 trouxe forte deterioração, com receita caindo para R$619,69 mi, prejuízo líquido de R$544,55 mi, EBITDA anual negativo de R$399,07 mi e caixa operacional negativo de R$185,33 mi. No 1T26 a receita ainda recuou 55,9% na comparação anual e a companhia seguiu com prejuízo de R$45,64 mi e queima de caixa operacional de R$129,10 mi, apesar de melhora na margem bruta ajustada e na redução de distratos. Com dívida bruta acima de R$1,6 bi concentrada no curto prazo, liquidez baixa e dependência de novos aumentos de capital, o desconto só ganharia leitura mais limpa se a melhora operacional se converter em lucro líquido e caixa operacional recorrentes.
Indicadores principais
Gafisa iniciou 2026 com melhora operacional e margem de 42%, mas o prejuízo de R$45,6M e o caixa negativo mantêm o sinal vermelho e o alerta de alto risco.
A Gafisa iniciou 2026 com alguns sinais operacionais positivos, incluindo lucro bruto consolidado positivo, margem bruta ajustada de 42%, lucro bruto ajustado de R$42 milhões, redução de G&A frente ao 4T25, queda de distratos e avanço em entregas como o Habite-se do Cidade Jockey. Porém, a companhia ainda registrou prejuízo líquido consolidado de R$45,6 milhões, resultado financeiro negativo, caixa operacional negativo em R$129 milhões, dívida financeira elevada e liquidez baixa frente à dívida de curto prazo. A leitura para o usuário deve permanecer como ativo de risco, com cautela elevada e sinal vermelho, até que a melhora operacional ajustada se converta em lucro líquido, caixa operacional recorrente e redução efetiva do risco financeiro.
Trajetória recente
Gafisa encerrou 2022 com forte deterioração de rentabilidade, mesmo com crescimento relevante de receita. A companhia voltou ao prejuízo, apresentou margem bruta muito pressionada, resultado operacional negativo, caixa operacional negativo e aumento de dívida. No consolidado, a receita líquida subiu de R$818,3 milhões em 2021 para R$1,13 bilhão em 2022. Porém, o custo dos imóveis vendidos subiu em ritmo muito mais forte, levando o lucro bruto a cair de R$208,6 milhões para R$153 milhões.
A Gafisa encerrou 2023 com nova deterioração de resultado. A companhia apresentou queda de receita, lucro bruto negativo, prejuízo líquido maior, resultado financeiro negativo e patrimônio líquido menor. O principal ponto positivo foi a virada do caixa operacional consolidado para positivo, mas essa melhora veio em um contexto de redução de estoques e ajustes no capital de giro, não de rentabilidade operacional saudável. No consolidado, a receita líquida caiu de R$1,13 bilhão em 2022 para R$1,1 bilhão em 2023.
Gafisa encerrou 2024 ainda em situação operacional frágil, mas com prejuízo menor do que em 2023 e caixa operacional positivo. A companhia continuou apresentando receita em queda, lucro bruto negativo, resultado operacional negativo e estrutura financeira pressionada por dívida de curto prazo elevada. No consolidado, a receita líquida caiu de R$1,1 bilhão em 2023 para R$1 bilhão em 2024. O custo dos bens e serviços vendidos foi de R$1,067 bilhão, acima da receita líquida.
Encerrou 2025 com forte deterioração operacional e financeira. A companhia apresentou queda relevante de receita, lucro bruto negativo pelo terceiro ano seguido, forte prejuízo líquido, resultado financeiro negativo e volta do caixa operacional para terreno negativo. No consolidado, a receita líquida caiu de R$1,012 bilhão em 2024 para R$619,6 milhões em 2025. O custo dos bens e serviços vendidos foi de R$818,7 milhões, muito acima da receita líquida.
Resumo fundamentalista
A Gafisa iniciou 2026 com melhora operacional pontual frente ao 1T25, mas ainda em situação financeira frágil. A companhia voltou a apresentar lucro bruto positivo no consolidado, reduziu parte das despesas e destacou margem bruta ajustada positiva. Mesmo assim, o trimestre ainda teve prejuízo líquido, resultado financeiro negativo, caixa operacional negativo e estrutura de capital pressionada.
No consolidado, a receita líquida foi de R$99,9 milhões no 1T26, contra R$226,8 milhões no 1T25. A queda de receita foi expressiva, mas o custo caiu de forma ainda mais intensa, permitindo lucro bruto positivo de R$15,6 milhões, contra apenas R$350 mil no 1T25.
A margem bruta consolidada contábil ficou em aproximadamente 15,7%. A administração também destacou lucro bruto ajustado de R$42 milhões, margem bruta ajustada de 42% e margem a apropriar de 30%.
O resultado antes do financeiro e dos tributos foi negativo em R$8,3 milhões, melhor que os R$19,5 milhões negativos do 1T25. Houve melhora operacional, mas ainda sem retorno a lucro operacional.
O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$36,4 milhões, pior que os R$33,1 milhões negativos do 1T25. As receitas financeiras caíram para R$206 mil, enquanto as despesas financeiras ficaram em R$36,6 milhões.
O prejuízo líquido consolidado foi de R$45,6 milhões, contra lucro líquido consolidado de R$21,1 milhões no 1T25. O lucro de 1T25 havia sido influenciado por efeito positivo de imposto diferido; em 1T26, a linha de impostos foi negativa em R$868 mil.
O caixa operacional consolidado foi negativo em R$129 milhões, contra geração positiva de R$3,3 milhões no 1T25. O consumo veio principalmente de variações negativas no capital de giro, incluindo clientes, estoques, demais contas a receber e outras obrigações.
A leitura central é de ativo de risco: há sinais de melhora operacional ajustada e disciplina de despesas, mas a companhia ainda apresenta prejuízo, consumo de caixa operacional, dívida elevada, liquidez baixa e dependência de reforço de capital.
Pontos de atenção
O primeiro ponto positivo é a volta do lucro bruto contábil consolidado positivo, em R$15,6 milhões.
O segundo ponto positivo é a margem bruta ajustada de 42% destacada pela administração.
O terceiro ponto positivo é o lucro bruto ajustado de R$42 milhões informado pela administração.
O quarto ponto positivo é a redução das despesas com vendas.
O quinto ponto positivo é a redução de 21% das despesas gerais e administrativas frente ao 4T25, segundo a administração.
O sexto ponto positivo é a redução de 81% no volume de distratos.
O sétimo ponto positivo é o Habite-se do empreendimento Cidade Jockey, com VGV total de R$358 milhões, obtido em abril.
O oitavo ponto positivo é a aprovação de aumento de capital entre R$100 milhões e R$250 milhões.
O nono ponto de atenção é a queda relevante da receita líquida consolidada frente ao 1T25.
O décimo ponto de atenção é o resultado antes do financeiro e tributos ainda negativo.
O décimo primeiro ponto de atenção é o resultado financeiro negativo em R$36,4 milhões.
O décimo segundo ponto de atenção é o prejuízo líquido consolidado de R$45,6 milhões.
O décimo terceiro ponto de atenção é o caixa operacional consolidado negativo em R$129 milhões.
O décimo quarto ponto de atenção é a dívida financeira consolidada próxima de R$1,6 bilhão.
O décimo quinto ponto de atenção é a dívida financeira circulante de R$930,2 milhões.
O décimo sexto ponto de atenção é a liquidez bruta baixa frente à dívida de curto prazo.
O décimo sétimo ponto de atenção é a dependência de aumento de capital e refinanciamento.
O décimo oitavo ponto positivo é que o relatório de revisão especial foi sem ressalva.
Leitura final
A Gafisa iniciou 2026 com alguns sinais operacionais positivos, incluindo lucro bruto consolidado positivo, margem bruta ajustada de 42%, lucro bruto ajustado de R$42 milhões, redução de G&A frente ao 4T25, queda de distratos e avanço em entregas como o Habite-se do Cidade Jockey. Porém, a companhia ainda registrou prejuízo líquido consolidado de R$45,6 milhões, resultado financeiro negativo, caixa operacional negativo em R$129 milhões, dívida financeira elevada e liquidez baixa frente à dívida de curto prazo.
A leitura para o usuário deve permanecer como ativo de risco, com cautela elevada e sinal vermelho, até que a melhora operacional ajustada se converta em lucro líquido, caixa operacional recorrente e redução efetiva do risco financeiro.