A Gafisa iniciou 2026 com melhora operacional pontual frente ao 1T25, mas ainda em situação financeira frágil. A companhia voltou a apresentar lucro bruto positivo no consolidado, reduziu parte das despesas e destacou margem bruta ajustada positiva. Mesmo assim, o trimestre ainda teve prejuízo líquido, resultado financeiro negativo, caixa operacional negativo e estrutura de capital pressionada.
No consolidado, a receita líquida foi de R$99,9 milhões no 1T26, contra R$226,8 milhões no 1T25. A queda de receita foi expressiva, mas o custo caiu de forma ainda mais intensa, permitindo lucro bruto positivo de R$15,6 milhões, contra apenas R$350 mil no 1T25.
A margem bruta consolidada contábil ficou em aproximadamente 15,7%. A administração também destacou lucro bruto ajustado de R$42 milhões, margem bruta ajustada de 42% e margem a apropriar de 30%.
O resultado antes do financeiro e dos tributos foi negativo em R$8,3 milhões, melhor que os R$19,5 milhões negativos do 1T25. Houve melhora operacional, mas ainda sem retorno a lucro operacional.
O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$36,4 milhões, pior que os R$33,1 milhões negativos do 1T25. As receitas financeiras caíram para R$206 mil, enquanto as despesas financeiras ficaram em R$36,6 milhões.
O prejuízo líquido consolidado foi de R$45,6 milhões, contra lucro líquido consolidado de R$21,1 milhões no 1T25. O lucro de 1T25 havia sido influenciado por efeito positivo de imposto diferido; em 1T26, a linha de impostos foi negativa em R$868 mil.
O caixa operacional consolidado foi negativo em R$129 milhões, contra geração positiva de R$3,3 milhões no 1T25. O consumo veio principalmente de variações negativas no capital de giro, incluindo clientes, estoques, demais contas a receber e outras obrigações.
A leitura central é de ativo de risco: há sinais de melhora operacional ajustada e disciplina de despesas, mas a companhia ainda apresenta prejuízo, consumo de caixa operacional, dívida elevada, liquidez baixa e dependência de reforço de capital.