Neutro / cautela

FRIO3 - Metalfrio

1T/2026

Bens industriais

Máquinas e equipamentos industriais

Matriz: São Paulo - SP

Uma das maiores empresas do mundo no setor de refrigeração comercial plug-in, especializada no desenvolvimento, fabricação e comercialização de freezers, refrigeradores horizontais e verticais, expositores de bebidas e conservadores de gelados. A companhia atende de forma global às principais marcas de bebidas, sorvetes e alimentos congelados, além de supermercados e lojas de conveniência, destacando-se também por oferecer uma ampla rede de serviços integrados de assistência técnica, logística e locação de equipamentos.

← Voltar para a lista
Total de ações 6.382.377
Ações ordinárias 6.382.377
Ações preferenciais Não
Free float 4.247.131 — 66,55%
Maior acionista BTG Pactual S.A. — 32,63%
Tesouraria Não

Data: 2026-05-29

R$ 205,00
-2,38% no dia
R$ 350,00 R$ 38,00
2016 2026
Valor de mercado R$ 1,31 bi
Volume 200
P/L externo 22,2x
Dividend yield 12m 0,00%
REST CAP DIN
28/06/2011
R$ 0,23
DIVIDENDO
07/04/2011
R$ 0,45
DIVIDENDO
07/05/2010
R$ 0,30
DIVIDENDO
30/04/2010
R$ 0,29

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

precificada
P/L 59,6x
EV/EBITDA 6,9x
P/VP 2,9x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 07/06/2026

Preço já exige a virada confirmada

Com valor de mercado de R$1,31 bi e cotação de R$205, próxima do meio da banda de 52 semanas (mínima de R$167,98 e máxima de R$280), a Metalfrio negocia com múltiplos que já incorporam a recuperação. O P/L de 59,6x é elevado porque o lucro líquido anual de 2025 (R$21,9 mi) ainda é pequeno frente a uma receita de R$2,4 bi; o EV/EBITDA de 6,9x é mais comportado e reflete um EBITDA anual de R$274,7 mi, mas o P/VP de 2,9x sobre patrimônio de R$458,7 mi mostra que o mercado paga prêmio relevante sobre o valor contábil. O lado positivo recente é claro: o 1T26 trouxe receita +11,6%, EBITDA mais forte e reversão de prejuízo para lucro, dando continuidade à melhora operacional vista em 2025.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 606.692
EBITDA R$ 78.105
Lucro líquido R$ 18.926
Dívida líquida R$ 714.983
Margem líquida 3,12%
FCO R$ -104.147

Forte melhora operacional e reversão de prejuízo marcam o 1T26, mas caixa negativo e alavancagem em alta exigem reversão sazonal no segundo semestre.

A Metalfrio apresentou forte melhora operacional no 1T26, com crescimento de receita, EBITDA e lucro líquido, revertendo prejuízo. Porém, o fluxo de caixa operacional foi negativo, contas a receber e estoques consumiram capital de giro, o caixa caiu e a alavancagem subiu para 2,47x dívida líquida/EBITDA. A tese tem viés positivo se a sazonalidade reverter no segundo semestre.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

2021 foi um ano de forte recuperação operacional para a Metalfrio, mas ainda com estrutura financeira muito pressionada. A companhia recuperou escala, superou R$2 bilhões de receita líquida consolidada, melhorou o resultado operacional e reportou EBITDA em patamares históricos, mas continuou com prejuízo líquido, resultado financeiro muito pesado, dívida elevada, capital de giro pressionado e patrimônio líquido negativo. A receita líquida consolidada foi de R$2,046 bilhões, contra R$1,445 bilhão em 2020, crescimento de aproximadamente 41,6%.

Demonstrações Financeiras 2022

2022 foi um ano de forte deterioração financeira para a Metalfrio. A companhia manteve receita elevada, próxima de R$2 bilhões, e ainda apresentou resultado operacional positivo, mas sofreu com queda de margem, resultado financeiro muito negativo, prejuízo líquido elevado, caixa operacional negativo, dívida concentrada no curto prazo e patrimônio líquido consolidado ainda mais negativo. A receita líquida consolidada foi de R$1,990 bilhão, contra R$2,046 bilhões em 2021, queda de aproximadamente 2,7%.

Demonstrações Financeiras 2023

2023 foi um ano de recuperação parcial para a Metalfrio. A companhia manteve receita próxima de R$2 bilhões, melhorou margem bruta, reduziu fortemente o prejuízo financeiro líquido e voltou a gerar caixa operacional relevante. Porém, a estrutura de capital continuou muito pressionada, com dívida elevada, passivo circulante superior ao ativo circulante e patrimônio líquido consolidado negativo. A receita líquida consolidada foi de R$1,967 bilhão, contra R$1,990 bilhão em 2022, queda leve de aproximadamente 1,2%.

Demonstrações Financeiras 2024

2024 foi um ano de reestruturação patrimonial e melhora relevante de solvência para a Metalfrio. A companhia cresceu receita, melhorou resultado operacional, gerou caixa operacional positivo, reduziu fortemente a dívida financeira e voltou a ter patrimônio líquido consolidado positivo. Porém, apesar da melhora estrutural do balanço, ainda reportou prejuízo líquido consolidado. A receita líquida consolidada foi de R$2,189 bilhões, contra R$1,967 bilhão em 2023, crescimento de aproximadamente 11,3%.

Demonstrações Financeiras 2025

2025 foi um ano de consolidação parcial da recuperação da Metalfrio. Depois da grande reestruturação patrimonial de 2024, a companhia conseguiu crescer receita, melhorar lucro bruto, elevar resultado operacional, gerar caixa operacional positivo, voltar ao lucro líquido consolidado e manter patrimônio líquido positivo. A receita líquida consolidada foi de R$2,403 bilhões, contra R$2,189 bilhões em 2024, crescimento de aproximadamente 9,8%. Esse foi o maior patamar de receita do período recente analisado.

Resumo fundamentalista

A Metalfrio apresentou um 1T26 forte do ponto de vista operacional, com crescimento de receita, expansão de margem, forte avanço de EBITDA e reversão de prejuízo para lucro. A companhia deu continuidade ao momento positivo observado em períodos anteriores, beneficiada por aumento de volumes em todas as regiões, demanda robusta nas Américas e melhora relevante de eficiência operacional.

A receita líquida consolidada foi de R$606,7 milhões, crescimento de 11,6% contra o 1T25. O lucro bruto subiu 27,5%, para R$116,9 milhões, e a margem bruta melhorou de 16,9% para 19,3%. O EBITDA foi de R$78,1 milhões, alta de 48,4%, com margem EBITDA de 12,9%. O lucro líquido consolidado foi de R$18,9 milhões, revertendo prejuízo de R$9,2 milhões no 1T25.

Apesar da melhora operacional clara, a leitura ainda exige cautela. O fluxo de caixa operacional consolidado foi negativo em R$104,1 milhões, pressionado por aumento relevante de contas a receber e estoques. A dívida líquida aumentou e a alavancagem subiu de 2,25x para 2,47x dívida líquida/EBITDA. A administração atribuiu parte desse movimento à sazonalidade natural do negócio, especialmente no México e na Turquia, e espera reversão no segundo semestre, mas o usuário deve acompanhar se essa normalização de fato ocorre.

Pontos de atenção

O primeiro risco é financeiro. Apesar da melhora operacional, o fluxo de caixa operacional foi negativo e a dívida de curto prazo é relevante. A companhia precisa transformar lucro e EBITDA em caixa, reduzindo o peso de contas a receber e estoques.

O segundo risco é capital de giro. O crescimento de contas a receber e estoques consumiu muito caixa no trimestre. A administração trata o movimento como sazonal, principalmente no México e na Turquia, mas o agente deve acompanhar a reversão no segundo semestre.

O terceiro risco é alavancagem. A relação dívida líquida/EBITDA subiu para 2,47x. Esse nível ainda pode ser administrável se o EBITDA continuar crescendo e o capital de giro normalizar, mas limita a folga financeira em um ambiente de juros ainda elevados.

O quarto risco é geopolítico e de custos. A companhia citou tensões no Oriente Médio e pressão potencial sobre insumos ligados à nafta, como plásticos e poliuretano. Custos de frete também seguem pressionados. Esses fatores ainda não tiveram impacto material no 1T26, mas podem afetar margens nos próximos períodos.

O quinto risco é regional. A EMEA melhorou rentabilidade, mas ainda opera em ambiente macroeconômico desafiador, especialmente na Turquia. A demanda diretamente relacionada ao Oriente Médio já mostrou retração, embora ainda limitada.

Leitura final

A Metalfrio teve um 1T26 operacionalmente muito melhor que o 1T25. A empresa cresceu receita, melhorou margem, expandiu EBITDA e voltou ao lucro. A melhora foi ampla, com contribuição das Américas, recuperação de rentabilidade na EMEA e crescimento da divisão de serviços.

Mesmo assim, a classificação não deve ser verde neste momento porque a melhora de resultado ainda não se converteu em caixa. O fluxo operacional negativo, o aumento de contas a receber, o crescimento de estoques, a queda do caixa e a elevação da alavancagem exigem cautela. A tese pode melhorar se a reversão sazonal esperada pela administração ocorrer no segundo semestre.

Para o usuário, Metalfrio deve ser tratada como uma empresa em recuperação operacional positiva, mas ainda com risco financeiro e de capital de giro relevante. O foco dos próximos trimestres deve ser confirmar se o EBITDA forte vira caixa e se a alavancagem volta a cair.

Privacidade & Cookies
Utilizamos cookies próprios e de parceiros para medir o desempenho das campanhas e melhorar sua experiência. Ao aceitar, você autoriza a coleta de dados conforme a LGPD — Lei 13.709/2018.