A Fica Empreendimentos encerrou 2025 ainda sem comprovar retomada operacional efetiva. A companhia permaneceu em fase de maturação de projetos, com baixa geração de receita, prejuízo recorrente, fluxo operacional negativo, patrimônio líquido em queda e aumento da dependência de financiamentos, partes relacionadas e monetização de ativos imobiliários.
O ano trouxe avanços pontuais de reorganização e continuidade estratégica, mas ainda não uma virada operacional. A administração manteve o foco na atuação no Estado de São Paulo, principalmente em projetos voltados para Habitação de Mercado Popular e Habitação de Interesse Social, segmentos que considera mais resilientes e com demanda reprimida. O projeto Livre Alto da Boa Vista/Santo Amaro, lançado ao fim de 2024 em parceria com a Longitude, foi apresentado como marco da retomada, mas em 2025 sofreu ajustes contratuais e societários que postergaram o ritmo esperado de comercialização e afetaram temporariamente a geração de caixa prevista.
A companhia também manteve o projeto Greenville/Paradiso, em Nova Iguaçu, como principal landbank e ativo de maior potencial. O terreno possui aproximadamente 2,9 milhões de metros quadrados, e a administração informa que vem avançando com a aprovação de um novo projeto imobiliário em área inicial de aproximadamente 100mil m², com potencial para cerca de 4.750 unidades habitacionais. O lançamento era esperado ainda em 2026, condicionado à obtenção de licenças e à conclusão de negociações com parceiros estratégicos.
Em outubro de 2025, a companhia realizou a venda da SPE51, relacionada ao projeto Vicente de Carvalho, que foi descontinuado. O valor recebido foi de R$20 mil, apenas para ressarcimento de custos incorridos. Esse evento reforça a leitura de limpeza e racionalização do portfólio, mas também mostra que parte dos projetos antigos não gerou valor econômico relevante.
No consolidado gerencial apresentado pela administração, a receita líquida de incorporações e venda de imóveis foi negativa em R$29 mil em 2025, contra positiva em R$2,5 milhões em 2024. O lucro bruto consolidado foi negativo em R$91 mil, contra positivo em R$1,627 milhão em 2024. Esse dado mostra que a companhia ainda não tem operação imobiliária recorrente em escala.
O prejuízo líquido consolidado foi de R$8,275 milhões em 2025, contra prejuízo de R$639 mil em 2024. O prejuízo atribuível aos acionistas controladores foi de R$8,268 milhões, contra prejuízo de R$636 mil no ano anterior. A piora veio de baixa receita, outras despesas operacionais, equivalência patrimonial negativa e resultado financeiro líquido negativo.
No individual, o ativo total subiu de R$95,4 milhões em 2024 para R$103,7 milhões em 2025, mas essa alta não veio de uma operação recorrente forte. O crescimento ocorreu principalmente pelo aumento de valores a receber de partes relacionadas no circulante, aplicações financeiras e manutenção de estoques relevantes no não circulante. O patrimônio líquido individual caiu de R$79,4 milhões para R$71,1 milhões, refletindo o prejuízo do exercício.
No consolidado, o ativo total subiu de R$105,3 milhões em 2024 para R$110,2 milhões em 2025. Os estoques consolidados totais somavam R$101,3 milhões, contra R$98,6 milhões em 2024, reforçando que a maior parte do valor da companhia continua concentrada em imóveis a comercializar e terrenos.
A leitura central para o usuário é de ativo de risco. A empresa tem ativos imobiliários relevantes e projetos que podem gerar valor, mas ainda não demonstrou receita recorrente, lucro, geração operacional de caixa ou desalavancagem. O crescimento do passivo, a baixa liquidez imediata, o aumento de empréstimos e financiamentos e a dependência de eventos futuros tornam a tese altamente dependente de execução.