A Even encerrou 2021 com recuperação relevante de lucro em relação a 2020 e manutenção de resultado operacional positivo. A companhia apresentou crescimento de receita, lucro bruto e lucro líquido consolidado, mas voltou a consumir caixa operacional no consolidado. No consolidado, a receita líquida subiu de R$1,67 bilhão em 2020 para R$2,27 bilhões em 2021. O lucro bruto avançou de R$482,4 milhões para R$632 milhões.
EVEN3 - Even Construtora e Incorporadora
Uma das principais construtoras e incorporadoras do mercado imobiliário brasileiro, com forte foco no desenvolvimento de empreendimentos residenciais e comerciais de médio, alto e altíssimo padrão. Opera de forma verticalizada desde a prospecção de terrenos e concepção de projetos até a construção integrada e comercialização das unidades, concentrando suas atividades estratégicas nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, a holding detém participação acionária relevante na construtora Melnick, expandindo sua presença no mercado da região Sul do país.
17/11/2025 R$ 0,77
08/10/2024 R$ 0,40
16/05/2024 R$ 0,50
16/05/2024 R$ 0,30
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas caixa exige confirmação
Com valor de mercado de R$1,1 bi e cotação próxima da mínima de 52 semanas (R$5,63, contra mínima de R$5,23), a Even negocia com múltiplos bastante comprimidos: P/L de 3,7x, EV/EBITDA de 6,3x e P/VP de 0,5x, ou seja, metade do patrimônio líquido. O ano de 2025 ajuda a sustentar essa leitura de desconto, com lucro líquido de R$299,05 mi, virada do caixa operacional para positivo (R$88,84 mi após anos de consumo) e dividend yield estimado em 13,6%. O estoque também é qualificado, com 89% do VGV em alto padrão e luxo e land bank de R$9,1 bi, o que reforça a sensação de valor de mercado descontado frente aos ativos.
O desconto, porém, não é limpo e por isso vem com ressalva. O 1T26 mostrou piora relevante: o lucro líquido recuou para R$41,86 mi, o lucro dos controladores caiu para R$32,51 mi, a receita líquida cedeu levemente e o caixa operacional voltou ao negativo em R$78,48 mi. A dívida líquida subiu para R$571,37 mi e os juros pagos cresceram, enquanto o caixa em mãos ficou muito baixo (R$1,14 mi), apoiado quase só nas aplicações financeiras. O histórico anual também é volátil, com geração de caixa negativa em vários anos. Assim, o múltiplo baixo reflete tanto o desconto quanto o risco de execução: a tese depende da Even comprovar conversão recorrente de vendas e estoque de alto padrão em caixa operacional, sem novo avanço de alavancagem.
Indicadores principais
Even iniciou 2026 com lucro de R$41,8 milhões e juros controlados, mas enfrentou queda na receita e caixa negativo de R$78,4 milhões, exigindo postura cautelosa.
A Even Construtora iniciou 2026 com sinais mistos. A companhia preservou lucro positivo, melhorou o lucro bruto, manteve resultado financeiro positivo e apresentou estoque qualificado, com 89% do VGV em alto padrão e luxo, além de land bank relevante de R$9,1 bilhões. Por outro lado, a receita líquida consolidada caiu levemente, o lucro líquido consolidado recuou para R$41,8 milhões, o lucro atribuído aos controladores caiu para R$32,5 milhões e o caixa operacional consolidado foi negativo em R$78,4 milhões. O agente deve manter postura neutra/cautelosa, acompanhando caixa operacional, vendas, lançamentos, recebíveis, estoques, dívida líquida, juros pagos, adiantamentos de clientes, provisões e a conversão do estoque de alto padrão em caixa.
Trajetória recente
Even encerrou 2022 com receita líquida consolidada praticamente estável, mas com queda relevante de lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. O ano também trouxe forte consumo de caixa operacional. No consolidado, a receita líquida subiu levemente de R$2,27 bilhões em 2021 para R$2,31 bilhões em 2022. O lucro bruto caiu de R$632 milhões para R$522,4 milhões.
Even encerrou 2023 com recuperação relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. O ano marcou melhora operacional em relação a 2022, mas a geração de caixa operacional consolidada permaneceu negativa. No consolidado, a receita líquida subiu de R$2,31 bilhões em 2022 para R$2,97 bilhões em 2023. O lucro bruto avançou de R$522,4 milhões para R$646,6 milhões.
Even encerrou 2024 em um ano de transição societária e operacional. O principal evento foi a desconsolidação da Melnick, relacionada à perda de controle da sociedade que concentrava o segmento Sul. A partir de maio de 2024, a Melnick deixou de integrar as demonstrações consolidadas da Even, e seus resultados passaram a ser tratados como operação descontinuada. Por esse motivo, os números consolidados de 2024 devem ser lidos com cuidado, pois a base de comparação foi reapresentada e a companhia passou a refletir uma estrutura mais concentrada em São Paulo.
Encerrou 2025 com recuperação relevante de lucro e melhora clara de caixa operacional. Depois de um 2024 marcado pela desconsolidação da Melnick e por forte transição societária, 2025 mostrou uma base mais limpa, com maior lucro atribuído aos controladores e geração operacional de caixa positiva. No consolidado, a receita líquida foi de R$1,92 bilhão, abaixo dos R$2,15 bilhões de 2024. O lucro bruto foi de R$520,6 milhões, contra R$577,7 milhões em 2024.
Resumo fundamentalista
A Even iniciou 2026 com receita consolidada levemente menor, melhora de lucro bruto, mas queda relevante de lucro líquido e reversão do caixa operacional para negativo frente ao 1T25.
No consolidado, a receita líquida foi de R$330,1 milhões no 1T26, contra R$337,3 milhões no 1T25. O lucro bruto subiu de R$78,7 milhões para R$84,5 milhões. A margem bruta consolidada ficou em aproximadamente 25,6%, acima dos 23,4% do 1T25.
Apesar da melhora bruta, o resultado antes do financeiro e dos tributos caiu de R$49,9 milhões para R$27,4 milhões. A queda foi explicada principalmente pela piora das despesas operacionais, especialmente outras despesas operacionais e provisões, além de menor resultado de equivalência patrimonial.
O resultado financeiro consolidado permaneceu positivo, em R$24,1 milhões, próximo dos R$25,9 milhões positivos do 1T25. As receitas financeiras ficaram em R$35,1 milhões e as despesas financeiras em R$11 milhões.
O lucro líquido consolidado foi de R$41,8 milhões, contra R$67,1 milhões no 1T25. O lucro atribuído aos acionistas controladores foi de R$32,5 milhões, contra R$53,9 milhões no 1T25. O lucro atribuído aos não controladores foi de R$9,35 milhões.
O principal ponto de atenção foi o caixa operacional consolidado, que ficou negativo em R$78,4 milhões. No 1T25, a companhia havia gerado R$62 milhões em caixa operacional. A piora veio principalmente de imóveis a comercializar, adiantamentos de clientes, contas a pagar por aquisição de imóveis, juros pagos e impostos pagos.
A administração destacou que vendeu R$252 milhões em estoques na participação Even, volume 3% acima do 1T25, com VSO de 7% em trimestre sem lançamentos. Para o 2T26, informou a preparação de dois projetos de alto padrão em localização nobre no Itaim: Renato 410 e Janô.
A companhia informou VGV de estoques a valor de mercado de R$3,3 bilhões, dos quais 89% posicionados em alto padrão e luxo. O estoque concluído representava apenas 9,2% do total, e 62% do estoque em construção será entregue de 2029 em diante. O land bank somava 28 projetos ou fases, com VGV total de R$9,1 bilhões e R$5,6 bilhões na participação Even.
A leitura central é de cautela moderada: a companhia mantém liquidez, estoque qualificado e lucro positivo, mas o trimestre mostrou queda de lucro, pressão operacional e caixa operacional negativo.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é a queda do lucro líquido consolidado, de R$67,1 milhões no 1T25 para R$41,8 milhões no 1T26.
O segundo ponto é a queda do lucro atribuído aos controladores, de R$53,9 milhões para R$32,5 milhões.
O terceiro ponto é o caixa operacional consolidado negativo em R$78,4 milhões, contra geração positiva no 1T25.
O quarto ponto é a piora das variações de ativos e passivos, que consumiram R$99,15 milhões.
O quinto ponto é o consumo de caixa por imóveis a comercializar, adiantamentos de clientes e contas a pagar por aquisição de imóveis.
O sexto ponto é o aumento dos juros pagos, que chegaram a R$46,2 milhões no trimestre.
O sétimo ponto é a queda do resultado de equivalência patrimonial, de R$24 milhões para R$1,083 milhão.
O oitavo ponto é a piora das outras despesas operacionais, especialmente provisões.
O nono ponto positivo é a melhora do lucro bruto e da margem bruta consolidada.
O décimo ponto positivo é que a companhia manteve resultado financeiro positivo.
O décimo primeiro ponto positivo é que a liquidez bruta segue relevante, com cerca de R$924 milhões em caixa e aplicações.
O décimo segundo ponto positivo é o posicionamento do estoque em alto padrão e luxo, com estoque concluído baixo.
O décimo terceiro ponto positivo é o land bank relevante, com VGV total de R$9,1 bilhões e foco em localizações nobres.
O décimo quarto ponto positivo é que o relatório de revisão especial foi sem ressalva, com ênfase apenas sobre a política contábil de reconhecimento de receita aplicável às incorporadoras brasileiras.
Leitura final
A Even iniciou 2026 com sinais mistos. A companhia preservou lucro positivo, melhorou o lucro bruto, manteve resultado financeiro positivo e apresentou estoque qualificado, com 89% do VGV em alto padrão e luxo, além de land bank relevante de R$9,1 bilhões. Por outro lado, a receita líquida consolidada caiu levemente, o lucro líquido consolidado recuou para R$41,8 milhões, o lucro atribuído aos controladores caiu para R$32,5 milhões e o caixa operacional consolidado foi negativo em R$78,4 milhões.
O usuário deve manter postura neutra/cautelosa, acompanhando caixa operacional, vendas, lançamentos, recebíveis, estoques, dívida líquida, juros pagos, adiantamentos de clientes, provisões e a conversão do estoque de alto padrão em caixa.