2021 foi um ano de forte virada operacional e financeira para a Eternit. A companhia encerrou o exercício com crescimento expressivo de receita, margens muito elevadas, lucro líquido robusto, caixa operacional positivo, forte aumento do patrimônio líquido e redução relevante do endividamento financeiro. A receita líquida consolidada subiu de R$683,4 milhões em 2020 para R$1,123 bilhão em 2021, crescimento de aproximadamente 64,4%. O lucro bruto avançou de R$227,3 milhões para R$491,1 milhões, com margem bruta próxima de 43,7%.
ETER3 - Eternit
Líder de mercado no Brasil no setor de coberturas, sendo amplamente reconhecida pela fabricação e comercialização de telhas de fibrocimento, telhas de concreto e caixas d'água. A companhia, que atende fortemente o mercado de varejo e grandes construtoras, passou por uma profunda reestruturação nos últimos anos para eliminar o uso do amianto crisotila em sua linha nacional, focando em novas tecnologias sustentáveis como as inovadoras telhas solares fotovoltaicas desenvolvidas com tecnologia própria.
30/03/2026 R$ 0,09
17/03/2025 R$ 0,04
08/11/2024 R$ 0,05
08/11/2024 R$ 0,05
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas dependente de virada de margem
Com valor de mercado de R$218,65 mi e cotação de R$3,62, próxima da mínima de 52 semanas (R$3,40), a Eternit aparece com múltiplos baixos: P/L de 4,5x, EV/EBITDA de 2,7x e, principalmente, P/VP de 0,3x contra patrimônio líquido robusto de R$843,0 mi no último anual. O dividend yield estimado em 12 meses, de 14,1%, e a alavancagem ainda administrável (dívida líquida/EBITDA de 0,9x no anual de 2025) reforçam a leitura de que o mercado está pagando bem abaixo do valor patrimonial. Mesmo na comparação setorial útil com pares de materiais de construção, os múltiplos de EV/EBITDA e P/VP ficam em terreno descontado, o que sustenta a tese de barateza.
O desconto, porém, não é limpo e exige confirmação. O 1T26 mostrou piora: receita caiu 6,5% na comparação anual, o EBITDA ficou negativo, o prejuízo líquido aumentou para R$12,3 mi e o segmento de crisotila sofreu forte pressão de volume, preço e câmbio. A margem bruta vem caindo há anos e o caixa operacional do trimestre foi fraco, sem cobrir o CAPEX, enquanto a dívida líquida subiu e segue concentrada no curto prazo. A tese depende da recuperação de margem, da normalização dos embarques de crisotila e do avanço da construção industrializada; até que essa virada de rentabilidade se confirme, o múltiplo baixo precisa ser tratado com cautela e não como desconto consolidado.
Indicadores principais
Patrimônio robusto e avanço industrial marcam o 1T26, mas prejuízo e pressão no segmento de crisotila exigem transição de portfólio e margem melhor.
A Eternit mantém patrimônio líquido robusto, dívida administrável e avanço em construção industrializada, mas o 1T26 ainda mostrou queda de receita, EBITDA negativo, prejuízo líquido e forte pressão no segmento de crisotila. A tese depende da recuperação de margem e da consolidação da transição de portfólio.
Trajetória recente
2022 foi um ano ainda positivo para a Eternit, mas claramente inferior ao ano excepcional de 2021. A companhia manteve receita bilionária, lucro relevante, caixa operacional positivo e patrimônio líquido crescente, mas teve forte compressão de margem, queda importante do resultado operacional e lucro líquido bem menor. A receita líquida consolidada foi de R$1,187 bilhão em 2022, contra R$1,123 bilhão em 2021, crescimento de aproximadamente 5,7%. A empresa manteve escala elevada, mas perdeu o ritmo de expansão observado no ano anterior.
2023 foi mais um ano de normalização operacional para a Eternit após o pico de recuperação visto em 2021. A companhia continuou lucrativa, manteve receita bilionária, aumentou o patrimônio líquido e seguiu investindo, mas apresentou queda de receita, compressão de margem, redução relevante do resultado operacional e menor geração de caixa. A receita líquida consolidada caiu de R$1,187 bilhão em 2022 para R$1,129 bilhão em 2023, queda de aproximadamente 4,9%. O lucro bruto caiu de R$371,9 milhões para R$290,8 milhões, com margem bruta próxima de 25,8%, abaixo dos cerca de 31,3% de 2022.
2024 foi um ano de contraste para a Eternit. A companhia manteve receita bilionária, voltou a crescer levemente, gerou caixa operacional positivo, reduziu o ritmo de investimentos e aumentou o patrimônio líquido. Porém, a rentabilidade operacional continuou piorando, com queda do lucro bruto, compressão da margem, resultado operacional menor e lucro líquido muito inferior ao de 2023. A receita líquida consolidada foi de R$1,162 bilhão, crescimento de aproximadamente 2,9% frente a 2023.
2025 foi um ano de estabilização parcial para a Eternit. A companhia continuou lucrativa, aumentou o patrimônio líquido, melhorou o lucro líquido frente a 2024 e reforçou a liquidez financeira. Porém, a operação ainda mostrou margem bruta pressionada, receita praticamente estável e geração de caixa operacional menor. A receita líquida consolidada foi de R$1,150 bilhão, crescimento de apenas 0,6% frente a 2024.
Resumo fundamentalista
A Eternit iniciou 2026 em um trimestre de transição operacional, com avanço em construção industrializada, estabilidade relativa no fibrocimento, mas forte pressão no segmento de mineral crisotila. A companhia continua tentando migrar o portfólio para linhas de maior valor agregado e menor volatilidade, mas essa transição ainda não foi suficiente para neutralizar a queda da receita, a compressão da margem bruta e o resultado líquido negativo.
A receita líquida consolidada caiu para R$262 milhões, recuo de 6,5% contra o 1T25. O principal fator de pressão foi o mineral crisotila, cuja receita caiu 29,2%, afetada por menor volume exportado, efeito cambial desfavorável, parada anual programada de manutenção e nova dinâmica de contratação por parte dos importadores. O fibrocimento, por outro lado, mostrou maior resiliência: a receita do segmento caiu apenas 1,8%, enquanto a construção industrializada cresceu 17,7%, reforçando a direção estratégica da companhia.
Apesar da resiliência parcial do portfólio, o resultado consolidado ainda foi fraco. O lucro bruto caiu 17,2%, a margem bruta recuou de 14,6% para 12,9%, o EBITDA ficou negativo em R$1,5 milhão e o EBITDA recorrente também foi negativo, em R$0,7 milhão. O prejuízo líquido foi de R$12,3 milhões, pior que o prejuízo de R$10,8 milhões no 1T25.
Pontos de atenção
O principal risco é a transição de portfólio não avançar rápido o suficiente para compensar a perda de rentabilidade da crisotila. O 1T26 mostrou que o fibrocimento e a construção industrializada ajudam a estabilizar a operação, mas ainda não evitam prejuízo consolidado quando a crisotila sofre.
Outro risco é a pressão de custos. A administração citou inflação de insumos, custos logísticos, efeitos indiretos de tensões geopolíticas e parada de manutenção como fatores que pressionaram margens. Em um ambiente de juros elevados e consumo ainda limitado, repassar preço pode ser difícil.
A qualidade do resultado também exige atenção. A empresa apresentou prejuízo líquido, EBITDA negativo e EBITDA recorrente negativo. Isso indica que a operação, no trimestre, ainda não gerou rentabilidade suficiente para sustentar uma leitura positiva.
A concentração da dívida no curto prazo é outro ponto de monitoramento. Embora a dívida líquida não pareça excessiva em relação ao patrimônio líquido, a empresa precisa recuperar EBITDA e caixa para manter conforto financeiro.
Leitura final
A Eternit não deve ser lida como ativo em crise estrutural grave, porque ainda possui patrimônio líquido robusto, marcas relevantes, base industrial, dívida líquida administrável e sinais positivos em fibrocimento e construção industrializada. Porém, o 1T26 também não permite uma leitura positiva: a empresa ainda apresentou prejuízo, EBITDA negativo, queda de receita, margem pressionada e dependência de uma transição de portfólio que ainda não se refletiu em rentabilidade consolidada.
Para o usuário, Eternit deve ser classificada como empresa em fase de ajuste e transição. O ponto central é acompanhar se a construção industrializada e o fibrocimento conseguirão ganhar escala e margem suficientes para reduzir a dependência da crisotila e restaurar EBITDA positivo de forma recorrente.