Empresa em crescimento

EMBJ3 - Embraer

1T/2026

Bens industriais

Material aeronáutico e de defesa

Matriz: São José dos Campos - SP

Uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo e líder global na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos. A companhia projeta, desenvolve e fabrica aeronaves de alta tecnologia para os segmentos de aviação comercial, aviação executiva, além de defesa e segurança (com destaque para o cargueiro multimissão KC-390). A corporação também possui uma forte e crescente divisão dedicada ao fornecimento de serviços de suporte e pós-venda globalmente.

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Total de ações 740.465.044
Ações ordinárias 740.465.044
Ações preferenciais Não
Free float 711.833.141 — 96,13%
Maior acionista BlackRock, Inc. — 5,50%
Tesouraria 28.655.997 — 3,87%

Data: 2026-05-29

R$ 72,33
3,82% no dia
R$ 103,96 R$ 6,03
2016 2026
Valor de mercado R$ 50,36 bi
Volume 7,12 mi
P/L externo 31,1x
Dividend yield 12m 0,31%
JCP
15/12/2025
R$ 0,11
DIVIDENDO
11/12/2025
R$ 0,11
DIVIDENDO
12/05/2025
R$ 0,07
DIVIDENDO
26/12/2018
R$ 0,01

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

precificada
P/L 25,3x
EV/EBITDA 10,4x
P/VP 2,4x
Dividend yield 12m 0,31%
Data da análise 10/06/2026

Preço já exige a entrega da carteira recorde

Com valor de mercado de R$50,36 bi e cotação de R$72,33, próxima do piso de 52 semanas (mínima de R$63,91 contra máxima de R$106), a Embraer negocia a múltiplos relativamente exigentes: P/L de 25,3x, EV/EBITDA de 10,4x e P/VP de 2,4x. Esses números fazem sentido frente a uma trajetória de melhora clara, com receita anual subindo 84,8% no período 2021–2025, EBITDA evoluindo, lucro líquido positivo pelo terceiro ano e dívida líquida levemente negativa (-0,2x EBITDA). A leitura é de que o mercado já reconheceu a virada operacional e a carteira de pedidos recorde de US$32,1 bi, exigindo continuidade de entregas e conversão do backlog em receita para sustentar esse patamar.

A ressalva é o fôlego de caixa no curto prazo. No 1T26, apesar de receita 18,4% maior e EBIT ajustado melhor, o lucro líquido caiu frente a uma base forte e o fluxo de caixa operacional piorou, com forte consumo de capital de giro por estoques ligados ao aumento de produção. O resultado financeiro segue pesando, a dívida em moeda estrangeira é relevante e a recompra de ações também consome recursos num trimestre de aperto de caixa. Por ser empresa cíclica, global e intensiva em capital, o valuation atual deixa pouca margem para frustração: qualquer atraso na cadeia de suprimentos, piora no câmbio, aumento de custos ou dificuldade na conversão da carteira em entregas tende a pressionar a leitura. Assim, a análise deve tratar o preço atual com cautela operacional: há fundamentos relevantes sustentando a companhia, mas a confirmação do valuation depende da execução dos próximos trimestres e da manutenção da geração de caixa.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 7.584.756
EBITDA R$ 703.645
Lucro líquido R$ 194.164
Dívida líquida R$ 2.975.013
Margem líquida 2,56%
FCO R$ -2.064.754

Carteira de pedidos recorde e 44 aeronaves entregues marcam o 1T26, mas o forte consumo de caixa livre exige atenção no ciclo de crescimento.

A empresa deve ser tratada como empresa em crescimento. O 1T26 mostrou receita em alta, EBIT ajustado maior, EBITDA ajustado positivo, lucro líquido positivo, 44 aeronaves entregues e carteira de pedidos recorde de US$32,1 bilhões. A ressalva é o forte consumo de caixa livre no trimestre, principalmente por capital de giro e estoques, típico de uma fase de aumento de produção. O usuário deve acompanhar entregas, conversão do backlog em receita, margem operacional, estoques, fluxo de caixa livre, caixa líquido sem Eve, recompra de ações e execução da carteira.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Embraer encerrou 2021 em processo de recuperação após o choque severo causado pela pandemia e pelos efeitos da reestruturação dos anos anteriores. O ano marcou uma melhora clara em relação a 2020: houve crescimento de receita, EBIT ajustado positivo, EBITDA ajustado positivo, recuperação da carteira de pedidos e geração de fluxo de caixa livre positiva. Ainda assim, a companhia permaneceu em prejuízo líquido, mostrando que a recuperação operacional ainda não havia se convertido em lucratividade plena para o acionista. A leitura central para o usuário é que 2021 foi um ano de virada operacional parcial.

Demonstrações Financeiras 2022

Embraer avançou em 2022 no processo de recuperação operacional iniciado em 2021, mas ainda sem entregar uma virada completa no lucro líquido. O ano mostrou melhora de atividade, aumento de entregas, crescimento de receita, carteira de pedidos relevante e continuidade do plano de eficiência. Ao mesmo tempo, a companhia continuou pressionada por despesas operacionais elevadas, investimentos em desenvolvimento, resultado financeiro pesado e prejuízo líquido.

Demonstrações Financeiras 2023

A Embraer encerrou 2023 com uma virada operacional mais consistente do que nos anos anteriores. Depois de 2021 e 2022 ainda marcados por recuperação incompleta, prejuízos e pressão financeira, 2023 mostrou avanço relevante: a companhia voltou ao lucro líquido, cumpriu as principais estimativas financeiras, elevou receita, melhorou rentabilidade ajustada, gerou fluxo de caixa livre positivo e encerrou o ano com backlog elevado. A leitura central para o usuário é que 2023 foi o ano em que a tese de recuperação começou a ganhar mais força.

Demonstrações Financeiras 2024

A Embraer encerrou 2024 com uma consolidação clara da recuperação iniciada nos anos anteriores. Depois de 2021 e 2022 ainda marcados por prejuízos e 2023 como ano de virada positiva, 2024 mostrou uma empresa mais forte operacionalmente, com crescimento expressivo de receita, lucro líquido maior, geração de caixa operacional robusta e melhora relevante do patrimônio líquido. A leitura central para o usuário é que 2024 deixou de ser apenas um ano de recuperação e passou a indicar uma fase mais sólida de expansão.

Demonstrações Financeiras 2025

Embraer encerrou 2025 consolidando a recuperação iniciada nos anos anteriores e avançando para uma fase de crescimento operacional mais clara. Depois de 2021 e 2022 ainda marcados por prejuízos, 2023 como ano de virada e 2024 como consolidação da melhora, 2025 mostrou uma companhia com maior escala, receita recorde em dólares, entregas dentro do guidance, margem EBIT ajustada acima da faixa estimada e fluxo de caixa livre ajustado positivo. A leitura central para o usuário é que a tese de Embraer ficou mais forte em 2025.

Resumo fundamentalista

A Embraer iniciou 2026 com crescimento relevante de receita, melhora operacional, carteira de pedidos recorde e manutenção de lucro líquido positivo. O trimestre reforça uma tese operacional positiva, sustentada por demanda forte em Aviação Comercial, Aviação Executiva, Defesa & Segurança e Serviços, além de uma carteira de pedidos historicamente elevada.

A receita líquida consolidada foi de R$7,585 bilhões no 1T26, crescimento de 18,4% em relação ao 1T25. O lucro bruto consolidado subiu para R$1,363 bilhão, contra R$1,103 bilhão no 1T25. O resultado antes do financeiro e dos tributos também melhorou, passando de R$295,9 milhões para R$424 milhões.

O EBITDA ajustado divulgado foi de R$749,4 milhões, com margem de 9,9%, estável em relação ao 1T25. O EBIT ajustado foi de R$488,6 milhões, com margem de 6,4%, acima dos R$359,2 milhões e margem de 5,6% do 1T25. Esses indicadores mostram melhora de eficiência operacional e maior diluição de custos.

O lucro líquido consolidado foi de R$194,2 milhões, abaixo dos R$470,9 milhões do 1T25, mas ainda positivo. O lucro líquido atribuído aos controladores foi de R$174,8 milhões. A queda frente ao 1T25 decorreu principalmente de menor benefício tributário diferido e comparação com uma base forte, apesar da melhora operacional e da redução do resultado financeiro negativo.

O ponto de maior atenção foi o fluxo de caixa livre. A geração livre de caixa ajustada sem Eve foi negativa em R$2,367 bilhões no 1T26, muito pressionada por capital de giro, especialmente estoques e preparação para entregas futuras. Esse consumo de caixa não muda a leitura operacional positiva, mas exige acompanhamento porque a empresa está em fase de aumento de produção e precisa converter backlog em entregas, receita e caixa.

A leitura central para o usuário é que a Embraer deve ser classificada como empresa em crescimento, mas com atenção ao capital de giro. A companhia tem demanda forte, carteira recorde, lucro positivo, margem operacional melhorando e posição competitiva global relevante.

Pontos de atenção

O principal risco de curto prazo é o capital de giro. O crescimento da produção e da carteira exige estoques, ativos de contrato e investimentos antes da conversão em entregas e caixa. O FCL ajustado negativo de R$2,367 bilhões sem Eve mostra que a expansão ainda consome caixa no curto prazo.

O segundo risco é execução industrial. A Embraer precisa transformar carteira recorde em produção, entregas e margem. Isso depende de cadeia de fornecedores, mão de obra qualificada, engenharia, certificações, qualidade, logística e disponibilidade de componentes.

O terceiro risco é câmbio. A companhia tem receitas e custos em moedas diferentes, além de ajustes de conversão relevantes no patrimônio. O resultado abrangente foi negativo no trimestre, principalmente por ajustes de conversão, embora isso não represente necessariamente perda operacional recorrente.

O quarto risco é o ciclo global de aviação. A demanda por aeronaves depende de companhias aéreas, leasing, crédito, juros, crescimento econômico, preço de combustível, geopolítica e capacidade dos clientes de financiar entregas.

O quinto risco é a diferença entre lucro e caixa. A companhia teve lucro líquido positivo e melhora operacional, mas forte consumo de caixa operacional. O usuário deve sempre olhar DRE e fluxo de caixa juntos, especialmente em ciclos de aumento de produção.

Também permanecem riscos ligados a endividamento em moeda estrangeira, juros, investimentos em desenvolvimento, recompra de ações, compromissos com clientes, garantias, pesquisa e desenvolvimento, Eve e execução da carteira de pedidos.

Leitura final

Embraer no 1T26 deve ser lida como uma companhia em crescimento operacional claro, com carteira recorde, receita em alta, margem operacional melhor e lucro líquido positivo. A Embraer está em posição competitiva favorável, com demanda forte em suas principais frentes e visibilidade relevante de receitas futuras por meio do backlog.

A ressalva é a conversão de caixa. O trimestre teve forte consumo de capital de giro, principalmente em estoques, e fluxo de caixa livre ajustado negativo. Esse ponto é importante, mas não necessariamente invalida a tese, porque pode estar ligado ao ciclo de aumento de produção e preparação para entregas futuras.

Para o usuário, Embraer deve ser classificada como empresa em crescimento, com acompanhamento próximo de caixa. O sinal pode ser verde porque a operação é lucrativa, cresce, possui backlog recorde e estrutura patrimonial positiva. O agente, porém, deve monitorar se o crescimento da carteira será convertido em entregas, margem, caixa livre e desalavancagem líquida nos próximos trimestres.

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