Embraer encerrou 2021 em processo de recuperação após o choque severo causado pela pandemia e pelos efeitos da reestruturação dos anos anteriores. O ano marcou uma melhora clara em relação a 2020: houve crescimento de receita, EBIT ajustado positivo, EBITDA ajustado positivo, recuperação da carteira de pedidos e geração de fluxo de caixa livre positiva. Ainda assim, a companhia permaneceu em prejuízo líquido, mostrando que a recuperação operacional ainda não havia se convertido em lucratividade plena para o acionista. A leitura central para o usuário é que 2021 foi um ano de virada operacional parcial.
EMBJ3 - Embraer
Uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo e líder global na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos. A companhia projeta, desenvolve e fabrica aeronaves de alta tecnologia para os segmentos de aviação comercial, aviação executiva, além de defesa e segurança (com destaque para o cargueiro multimissão KC-390). A corporação também possui uma forte e crescente divisão dedicada ao fornecimento de serviços de suporte e pós-venda globalmente.
15/12/2025 R$ 0,11
11/12/2025 R$ 0,11
12/05/2025 R$ 0,07
26/12/2018 R$ 0,01
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Preço já exige a entrega da carteira recorde
Com valor de mercado de R$50,36 bi e cotação de R$72,33, próxima do piso de 52 semanas (mínima de R$63,91 contra máxima de R$106), a Embraer negocia a múltiplos relativamente exigentes: P/L de 25,3x, EV/EBITDA de 10,4x e P/VP de 2,4x. Esses números fazem sentido frente a uma trajetória de melhora clara, com receita anual subindo 84,8% no período 2021–2025, EBITDA evoluindo, lucro líquido positivo pelo terceiro ano e dívida líquida levemente negativa (-0,2x EBITDA). A leitura é de que o mercado já reconheceu a virada operacional e a carteira de pedidos recorde de US$32,1 bi, exigindo continuidade de entregas e conversão do backlog em receita para sustentar esse patamar.
A ressalva é o fôlego de caixa no curto prazo. No 1T26, apesar de receita 18,4% maior e EBIT ajustado melhor, o lucro líquido caiu frente a uma base forte e o fluxo de caixa operacional piorou, com forte consumo de capital de giro por estoques ligados ao aumento de produção. O resultado financeiro segue pesando, a dívida em moeda estrangeira é relevante e a recompra de ações também consome recursos num trimestre de aperto de caixa. Por ser empresa cíclica, global e intensiva em capital, o valuation atual deixa pouca margem para frustração: qualquer atraso na cadeia de suprimentos, piora no câmbio, aumento de custos ou dificuldade na conversão da carteira em entregas tende a pressionar a leitura. Assim, a análise deve tratar o preço atual com cautela operacional: há fundamentos relevantes sustentando a companhia, mas a confirmação do valuation depende da execução dos próximos trimestres e da manutenção da geração de caixa.
Indicadores principais
Carteira de pedidos recorde e 44 aeronaves entregues marcam o 1T26, mas o forte consumo de caixa livre exige atenção no ciclo de crescimento.
A empresa deve ser tratada como empresa em crescimento. O 1T26 mostrou receita em alta, EBIT ajustado maior, EBITDA ajustado positivo, lucro líquido positivo, 44 aeronaves entregues e carteira de pedidos recorde de US$32,1 bilhões. A ressalva é o forte consumo de caixa livre no trimestre, principalmente por capital de giro e estoques, típico de uma fase de aumento de produção. O usuário deve acompanhar entregas, conversão do backlog em receita, margem operacional, estoques, fluxo de caixa livre, caixa líquido sem Eve, recompra de ações e execução da carteira.
Trajetória recente
Embraer avançou em 2022 no processo de recuperação operacional iniciado em 2021, mas ainda sem entregar uma virada completa no lucro líquido. O ano mostrou melhora de atividade, aumento de entregas, crescimento de receita, carteira de pedidos relevante e continuidade do plano de eficiência. Ao mesmo tempo, a companhia continuou pressionada por despesas operacionais elevadas, investimentos em desenvolvimento, resultado financeiro pesado e prejuízo líquido.
A Embraer encerrou 2023 com uma virada operacional mais consistente do que nos anos anteriores. Depois de 2021 e 2022 ainda marcados por recuperação incompleta, prejuízos e pressão financeira, 2023 mostrou avanço relevante: a companhia voltou ao lucro líquido, cumpriu as principais estimativas financeiras, elevou receita, melhorou rentabilidade ajustada, gerou fluxo de caixa livre positivo e encerrou o ano com backlog elevado. A leitura central para o usuário é que 2023 foi o ano em que a tese de recuperação começou a ganhar mais força.
A Embraer encerrou 2024 com uma consolidação clara da recuperação iniciada nos anos anteriores. Depois de 2021 e 2022 ainda marcados por prejuízos e 2023 como ano de virada positiva, 2024 mostrou uma empresa mais forte operacionalmente, com crescimento expressivo de receita, lucro líquido maior, geração de caixa operacional robusta e melhora relevante do patrimônio líquido. A leitura central para o usuário é que 2024 deixou de ser apenas um ano de recuperação e passou a indicar uma fase mais sólida de expansão.
Embraer encerrou 2025 consolidando a recuperação iniciada nos anos anteriores e avançando para uma fase de crescimento operacional mais clara. Depois de 2021 e 2022 ainda marcados por prejuízos, 2023 como ano de virada e 2024 como consolidação da melhora, 2025 mostrou uma companhia com maior escala, receita recorde em dólares, entregas dentro do guidance, margem EBIT ajustada acima da faixa estimada e fluxo de caixa livre ajustado positivo. A leitura central para o usuário é que a tese de Embraer ficou mais forte em 2025.
Resumo fundamentalista
A Embraer iniciou 2026 com crescimento relevante de receita, melhora operacional, carteira de pedidos recorde e manutenção de lucro líquido positivo. O trimestre reforça uma tese operacional positiva, sustentada por demanda forte em Aviação Comercial, Aviação Executiva, Defesa & Segurança e Serviços, além de uma carteira de pedidos historicamente elevada.
A receita líquida consolidada foi de R$7,585 bilhões no 1T26, crescimento de 18,4% em relação ao 1T25. O lucro bruto consolidado subiu para R$1,363 bilhão, contra R$1,103 bilhão no 1T25. O resultado antes do financeiro e dos tributos também melhorou, passando de R$295,9 milhões para R$424 milhões.
O EBITDA ajustado divulgado foi de R$749,4 milhões, com margem de 9,9%, estável em relação ao 1T25. O EBIT ajustado foi de R$488,6 milhões, com margem de 6,4%, acima dos R$359,2 milhões e margem de 5,6% do 1T25. Esses indicadores mostram melhora de eficiência operacional e maior diluição de custos.
O lucro líquido consolidado foi de R$194,2 milhões, abaixo dos R$470,9 milhões do 1T25, mas ainda positivo. O lucro líquido atribuído aos controladores foi de R$174,8 milhões. A queda frente ao 1T25 decorreu principalmente de menor benefício tributário diferido e comparação com uma base forte, apesar da melhora operacional e da redução do resultado financeiro negativo.
O ponto de maior atenção foi o fluxo de caixa livre. A geração livre de caixa ajustada sem Eve foi negativa em R$2,367 bilhões no 1T26, muito pressionada por capital de giro, especialmente estoques e preparação para entregas futuras. Esse consumo de caixa não muda a leitura operacional positiva, mas exige acompanhamento porque a empresa está em fase de aumento de produção e precisa converter backlog em entregas, receita e caixa.
A leitura central para o usuário é que a Embraer deve ser classificada como empresa em crescimento, mas com atenção ao capital de giro. A companhia tem demanda forte, carteira recorde, lucro positivo, margem operacional melhorando e posição competitiva global relevante.
Pontos de atenção
O principal risco de curto prazo é o capital de giro. O crescimento da produção e da carteira exige estoques, ativos de contrato e investimentos antes da conversão em entregas e caixa. O FCL ajustado negativo de R$2,367 bilhões sem Eve mostra que a expansão ainda consome caixa no curto prazo.
O segundo risco é execução industrial. A Embraer precisa transformar carteira recorde em produção, entregas e margem. Isso depende de cadeia de fornecedores, mão de obra qualificada, engenharia, certificações, qualidade, logística e disponibilidade de componentes.
O terceiro risco é câmbio. A companhia tem receitas e custos em moedas diferentes, além de ajustes de conversão relevantes no patrimônio. O resultado abrangente foi negativo no trimestre, principalmente por ajustes de conversão, embora isso não represente necessariamente perda operacional recorrente.
O quarto risco é o ciclo global de aviação. A demanda por aeronaves depende de companhias aéreas, leasing, crédito, juros, crescimento econômico, preço de combustível, geopolítica e capacidade dos clientes de financiar entregas.
O quinto risco é a diferença entre lucro e caixa. A companhia teve lucro líquido positivo e melhora operacional, mas forte consumo de caixa operacional. O usuário deve sempre olhar DRE e fluxo de caixa juntos, especialmente em ciclos de aumento de produção.
Também permanecem riscos ligados a endividamento em moeda estrangeira, juros, investimentos em desenvolvimento, recompra de ações, compromissos com clientes, garantias, pesquisa e desenvolvimento, Eve e execução da carteira de pedidos.
Leitura final
Embraer no 1T26 deve ser lida como uma companhia em crescimento operacional claro, com carteira recorde, receita em alta, margem operacional melhor e lucro líquido positivo. A Embraer está em posição competitiva favorável, com demanda forte em suas principais frentes e visibilidade relevante de receitas futuras por meio do backlog.
A ressalva é a conversão de caixa. O trimestre teve forte consumo de capital de giro, principalmente em estoques, e fluxo de caixa livre ajustado negativo. Esse ponto é importante, mas não necessariamente invalida a tese, porque pode estar ligado ao ciclo de aumento de produção e preparação para entregas futuras.
Para o usuário, Embraer deve ser classificada como empresa em crescimento, com acompanhamento próximo de caixa. O sinal pode ser verde porque a operação é lucrativa, cresce, possui backlog recorde e estrutura patrimonial positiva. O agente, porém, deve monitorar se o crescimento da carteira será convertido em entregas, margem, caixa livre e desalavancagem líquida nos próximos trimestres.