EcoRodovias iniciou 2026 com forte geração operacional, crescimento de receita ajustada, EBITDA ajustado elevado e tráfego favorecendo as concessões rodoviárias. Porém, o trimestre também mostrou prejuízo líquido consolidado, resultado financeiro muito pesado, aumento relevante da depreciação/amortização e alavancagem ainda alta, típica de uma empresa intensiva em concessões, investimentos e dívida.
A receita líquida consolidada foi de R$2,559 bilhões no 1T26, crescimento em relação aos R$2,426 bilhões do 1T25. A receita bruta ajustada, excluindo receita de construção, atingiu R$2,035 bilhões, alta de 8,8%. O avanço veio principalmente do crescimento do tráfego de veículos, reajustes de tarifas de pedágio e início de arrecadação em praças da Ecovias Noroeste Paulista e da Ecovias Raposo Castello.
O EBITDA ajustado divulgado foi de R$1,405 bilhão, crescimento de 12% em relação ao 1T25, com margem EBITDA ajustada de 77,6%. A operação rodoviária segue sendo o principal motor do grupo, com alta rentabilidade e geração operacional robusta.
A grande ressalva é que a companhia teve prejuízo líquido consolidado de R$22,1 milhões, contra lucro de R$136,7 milhões no 1T25. O resultado atribuído aos controladores foi negativo em R$10,1 milhões. A piora ocorreu principalmente por resultado financeiro negativo de R$763,1 milhões e pelo aumento de depreciação e amortização, impactado pela amortização integral do saldo remanescente do ativo intangível da Ecovias Sul após o encerramento da concessão.
O caixa operacional consolidado foi muito forte, em R$978,8 milhões, acima dos R$928,3 milhões do 1T25. Esse é o principal ponto positivo do trimestre: a operação continua gerando caixa relevante, mesmo com prejuízo contábil. A leitura central para o usuário é que a EcoRodovias deve seguir em cautela: a empresa tem ativos resilientes e EBITDA forte, mas a dívida, juros e amortizações impedem sinal verde.