Neutro / cautela

ECOR3 - EcoRodovias

1T/2026

Bens industriais

Exploração de rodovias

Matriz: São Paulo - SP

Uma das maiores empresas de infraestrutura do Brasil, focada na gestão e operação de concessões rodoviárias. A companhia administra mais de 4 mil quilômetros de vias nos principais corredores de exportação, importação e circulação de bens do país — com destaque para o complexo Sistema Anchieta-Imigrantes, que liga a capital paulista ao Porto de Santos. Além do pedágio e da manutenção asfáltica, o grupo atua em ativos logísticos estratégicos, controlando plataformas integradas e terminais portuários como o Ecoporto Santos.

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Total de ações 696.334.224
Ações ordinárias 696.334.224
Ações preferenciais Não
Free float 328.954.615 — 47,24%
Controlador Igli do Brasil Part. Ltda — 52,65%
Tesouraria 696.334 — 0,10%

Data: 2026-05-28

R$ 7,22
1,69% no dia
R$ 19,10 R$ 3,87
2016 2026
Valor de mercado R$ 4,94 bi
Volume 7,21 mi
P/L externo 6,9x
Dividend yield 12m 4,28%
DIVIDENDO
04/08/2025
R$ 0,31
DIVIDENDO
13/05/2024
R$ 0,19
DIVIDENDO
14/11/2023
R$ 0,08
DIVIDENDO
05/12/2022
R$ 0,01

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 5,7x
EV/EBITDA 4,7x
P/VP 1,1x
Dividend yield 12m 4,28%
Data da análise 07/06/2026

Múltiplos baixos, mas financeiro pesa na tese

Com valor de mercado de R$4,94 bi e cotação de R$7,22, próxima da mínima de 52 semanas (R$6,33) e bem distante da máxima (R$12,38), a EcoRodovias aparece com múltiplos comprimidos: P/L de 5,7x, EV/EBITDA de 4,7x e P/VP de 1,1x, com dividend yield estimado de 4,3%. O lastro operacional é real: no anual de 2025 a receita chegou a R$11,5 bi, com EBITDA de R$5,64 bi e margem perto de 49%, e o caixa operacional foi robusto, em R$4,81 bi. A trajetória 2021–2025 é de melhora consistente, o que ajuda a sustentar a leitura de desconto frente aos fundamentos operacionais.

Mesmo assim, esse desconto não é limpo. O 1T26 trouxe prejuízo líquido de R$22,1 mi (contra lucro de R$136,7 mi no 1T25), resultado financeiro pesado de cerca de R$763 mi, dívida líquida que subiu para R$22,2 bi e efeito contábil de amortização ligado ao encerramento da Ecovias Sul. O CAPEX seguiu intenso (R$6,88 bi no anual), pressionando o caixa livre, e a tese depende fortemente de desalavancagem, custo da dívida, reajustes tarifários, tráfego e recorrência do lucro líquido. Por isso o sinal não é verde: a operação é forte e os múltiplos são baixos, mas o peso financeiro e o lucro fraco recente exigem confirmação antes de tratar o desconto como confortável.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 2.558.875
EBITDA R$ 1.383.763
Lucro líquido R$ -22.126
Dívida líquida R$ 22.219.542
Margem líquida -0,86%
FCO R$ 978.762

EcoRodovias segue em cautela: 1T26 teve receita e EBITDA em alta, mas registrou prejuízo por resultado financeiro pesado e dívida alta. Monitorar desalavancagem.

A empresa deve seguir em cautela. O 1T26 mostrou crescimento de receita ajustada, EBITDA ajustado elevado, margem forte e caixa operacional robusto. Porém, a companhia teve prejuízo líquido, resultado financeiro muito pesado, dívida elevada, juros pagos relevantes e efeito contábil de amortização ligado ao encerramento da Ecovias Sul. O agente deve acompanhar desalavancagem, custo financeiro, CAPEX, caixa livre, tráfego, reajustes tarifários, obrigações com poder concedente e recorrência do lucro líquido.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

EcoRodovias encerrou 2021 com forte recuperação operacional e volta ao lucro, após um 2020 marcado por prejuízo, efeitos negativos relevantes e ambiente mais difícil para mobilidade. A companhia aumentou a receita consolidada, ampliou o lucro bruto, elevou o resultado antes do financeiro e dos tributos e registrou lucro consolidado positivo. A leitura central para o usuário é que 2021 foi um ano de recuperação e expansão, mas também de aumento relevante de complexidade e alavancagem.

Demonstrações Financeiras 2022

EcoRodovias encerrou 2022 com crescimento relevante de receita e manutenção de forte geração de caixa operacional, mas com lucro menor e estrutura financeira mais pesada. A companhia continuou ampliando sua plataforma de concessões, elevou o ativo total consolidado, aumentou o intangível e manteve investimentos relevantes em infraestrutura. Porém, a última linha foi pressionada pelo resultado financeiro negativo, impairment de ativos e operações descontinuadas. A leitura central para o usuário é que 2022 foi um ano de expansão operacional, mas com piora na qualidade do lucro.

Demonstrações Financeiras 2023

EcoRodovias encerrou 2023 com forte avanço operacional, crescimento expressivo de receita, lucro maior e geração de caixa operacional muito robusta. O ano mostrou uma companhia maior, com plataforma de concessões em expansão, receita consolidada em forte crescimento e resultado operacional bem superior ao de 2022. A leitura central para o usuário é que 2023 foi positivo do ponto de vista operacional, mas ainda exigente do ponto de vista financeiro. A companhia elevou a receita, o lucro bruto, o resultado antes do financeiro e dos tributos e o lucro líquido consolidado.

Demonstrações Financeiras 2024

EcoRodovias encerrou 2024 com crescimento operacional relevante, lucro maior e geração de caixa operacional muito forte. A companhia continuou ampliando sua plataforma de concessões, elevou receita, lucro bruto, resultado antes do financeiro e dos tributos e lucro líquido consolidado. O ano confirma a força operacional do modelo de concessões rodoviárias. A leitura central para o usuário é que EcoRodovias segue sendo uma empresa de infraestrutura relevante, com ativos estratégicos, geração de caixa robusta e crescimento operacional.

Demonstrações Financeiras 2025

EcoRodovias encerrou 2025 com forte crescimento operacional, geração de caixa operacional recorde e manutenção de lucro relevante. A companhia continuou ampliando sua plataforma de concessões, elevou receita, lucro bruto, resultado antes do financeiro e dos tributos e patrimônio líquido consolidado. O modelo de concessões rodoviárias seguiu mostrando grande capacidade de geração de caixa. A leitura central para o usuário é que EcoRodovias continua sendo uma empresa de infraestrutura de boa qualidade operacional, com ativos estratégicos, receitas recorrentes e caixa operacional robusto.

Resumo fundamentalista

EcoRodovias iniciou 2026 com forte geração operacional, crescimento de receita ajustada, EBITDA ajustado elevado e tráfego favorecendo as concessões rodoviárias. Porém, o trimestre também mostrou prejuízo líquido consolidado, resultado financeiro muito pesado, aumento relevante da depreciação/amortização e alavancagem ainda alta, típica de uma empresa intensiva em concessões, investimentos e dívida.

A receita líquida consolidada foi de R$2,559 bilhões no 1T26, crescimento em relação aos R$2,426 bilhões do 1T25. A receita bruta ajustada, excluindo receita de construção, atingiu R$2,035 bilhões, alta de 8,8%. O avanço veio principalmente do crescimento do tráfego de veículos, reajustes de tarifas de pedágio e início de arrecadação em praças da Ecovias Noroeste Paulista e da Ecovias Raposo Castello.

O EBITDA ajustado divulgado foi de R$1,405 bilhão, crescimento de 12% em relação ao 1T25, com margem EBITDA ajustada de 77,6%. A operação rodoviária segue sendo o principal motor do grupo, com alta rentabilidade e geração operacional robusta.

A grande ressalva é que a companhia teve prejuízo líquido consolidado de R$22,1 milhões, contra lucro de R$136,7 milhões no 1T25. O resultado atribuído aos controladores foi negativo em R$10,1 milhões. A piora ocorreu principalmente por resultado financeiro negativo de R$763,1 milhões e pelo aumento de depreciação e amortização, impactado pela amortização integral do saldo remanescente do ativo intangível da Ecovias Sul após o encerramento da concessão.

O caixa operacional consolidado foi muito forte, em R$978,8 milhões, acima dos R$928,3 milhões do 1T25. Esse é o principal ponto positivo do trimestre: a operação continua gerando caixa relevante, mesmo com prejuízo contábil. A leitura central para o usuário é que a EcoRodovias deve seguir em cautela: a empresa tem ativos resilientes e EBITDA forte, mas a dívida, juros e amortizações impedem sinal verde.

Pontos de atenção

O principal risco é o peso financeiro. O resultado financeiro negativo de R$763,1 milhões consumiu quase todo o resultado operacional antes dos tributos. Enquanto a dívida e os juros permanecerem elevados, o lucro líquido continuará sensível a CDI, IPCA e custo de financiamento.

O segundo risco é a intensidade de CAPEX. A companhia investiu valor relevante em intangível no trimestre. Concessões rodoviárias exigem investimentos obrigatórios, manutenção e construção de obras, o que pode pressionar caixa livre mesmo com EBITDA elevado.

O terceiro risco é a amortização contábil. O encerramento da Ecovias Sul gerou amortização integral de ativo intangível remanescente, afetando o lucro contábil. O agente deve separar efeitos contábeis de encerramento de concessão da geração operacional recorrente.

O quarto risco são as obrigações com poder concedente. O balanço mostra obrigações relevantes no curto e longo prazo. Além disso, contratos de concessão envolvem riscos de reequilíbrio econômico-financeiro, investimentos obrigatórios, cumprimento de cronogramas e decisões regulatórias.

O quinto risco é a diferença entre EBITDA forte e prejuízo líquido. A empresa gerou EBITDA ajustado elevado e caixa operacional robusto, mas fechou o trimestre no prejuízo. Essa divergência mostra que a tese depende mais de desalavancagem, custo financeiro e caixa livre do que apenas de crescimento operacional.

Também permanecem riscos ligados a tráfego, atividade econômica, inflação, juros, IPCA, renegociação regulatória, obras, manutenção, decisões judiciais, ANPC, acordo de leniência, portos, contratos de transição, dividendos e captações futuras.

Leitura final

EcoRodovias no 1T26 deve ser lida como uma companhia operacionalmente forte, mas financeiramente pressionada. Cresceu receita ajustada, entregou EBITDA ajustado elevado, manteve margem operacional muito alta e gerou caixa operacional robusto. A operação de concessões rodoviárias segue resiliente, com tráfego, tarifas e novas praças sustentando crescimento.

A ressalva é que o lucro líquido foi negativo. O resultado financeiro aumentou, a dívida segue muito elevada, os juros pagos foram altos e a amortização ligada ao encerramento da Ecovias Sul pressionou o resultado contábil. O negócio continua intensivo em CAPEX e obrigações de concessão.

Para o usuário, EcoRodovias deve ser classificada como cautela. A empresa não parece ativo de risco extremo, porque tem ativos regulados, receita recorrente, EBITDA alto, caixa relevante e forte geração operacional. Porém, o sinal não deve ser verde enquanto a dívida e o resultado financeiro continuarem consumindo a geração operacional e impedindo lucro líquido recorrente mais robusto.

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