Neutro / cautela

DOTZ3

Dotz

1T/2026

Tecnologia

Programas de Fidelização

Matriz: São Paulo - SP

A Dotz opera como uma plataforma de engajamento e fidelidade do consumidor, combinando um ecossistema de coalizão de pontos, soluções de marketplace e serviços financeiros digitais (Techfin). A companhia monetiza seu negócio por meio da venda de pontos para empresas parceiras (varejistas, bancos e indústrias), pela intermediação de compras em sua plataforma de e-commerce e pela oferta de produtos de microcrédito e pagamentos, utilizando a inteligência de dados de sua ampla base de usuários cadastrados para otimizar vendas e campanhas de marketing de terceiros.

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Total de ações 13.321.978
Ações ordinárias 13.321.978
Ações preferenciais Não
Free float 4.100.490 — 30,78%
Controlador Ascet FIP — 66,53%
Tesouraria Não

Data: 2026-05-29

R$ 4,74
-3,85% no dia
R$ 137,20 R$ 2,66
2021 2026
Valor de mercado R$ 65,68 mi
Volume 82,80 mil
P/L externo 8,6x
Dividend yield 12m 0,00%

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L -140,0x
EV/EBITDA 2,1x
P/VP -0,3x
Dividend yield 12m 0,00%
Data da análise 27/06/2026

Múltiplos comprimidos com fragilidade patrimonial

A Dotz possui valor de mercado de R$65,7 mi e cotação próxima da mínima de 52 semanas, negociando a 2,1x EV/EBITDA. A empresa virou operacionalmente em 2025, com EBITDA de R$61,1 mi, praticamente zerou o prejuízo anual (R$469 mil contra R$16,5 mi em 2024) e entregou lucro líquido de R$6,9 mi no 1T26. A vertical de TechFin já responde por 44% da receita, com originação de crédito de R$581,8 mi no ano e crescimento de EBITDA de 172%. O P/L negativo e o P/VP de -0,3x refletem os prejuízos acumulados e o patrimônio líquido negativo de R$246,9 mi, mas os múltiplos operacionais indicam desconto frente à virada recente.

O risco central está na fragilidade patrimonial e financeira. A empresa mantém patrimônio líquido negativo, capital circulante líquido negativo de R$172,4 mi, fluxo de caixa operacional negativo em 2025 e dívida líquida consolidada de R$60,0 mi. As despesas financeiras subiram para R$22,3 mi anuais por conta de debêntures e estrutura de funding, consumindo parte relevante da melhora operacional. A obrigação com cotistas de FIDC saltou para R$134,1 mi no 1T26, ampliando a exposição a crédito, inadimplência e funding. A virada é real, mas ainda precisa se confirmar com caixa recorrente, controle de carteira e recomposição patrimonial.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 90.201
EBITDA R$ 31.846
Lucro líquido R$ 6.868
Dívida líquida R$ 50.240
Margem líquida 7,61%
FCO R$ -112.956

Dotz reverte prejuízo no 1T26 com lucro de R$6,9 milhões, mas patrimônio líquido negativo e custo financeiro mantêm o sinal amarelo de cautela.

A Dotz apresentou melhora operacional clara no 1T26, com receita líquida consolidada de R$90,2 milhões, lucro bruto de R$62,8 milhões, EBITDA de R$31,8 milhões, lucro líquido de R$6,9 milhões e originação de crédito de R$155 milhões. A empresa saiu do prejuízo, mostrou ganho de escala em TechFin e manteve fluxo operacional individual positivo. Mesmo assim, a leitura ainda exige cautela porque o patrimônio líquido segue negativo em R$240 milhões, o capital circulante consolidado continua negativo, o resultado financeiro foi negativo em R$12 milhões, as despesas financeiras subiram, as contas a receber cresceram muito e a obrigação com cotistas de FIDC chegou a R$134,1 milhões. A postura é neutra/cautelosa porque a virada operacional é real, mas ainda precisa se repetir com caixa recorrente, controle de crédito, funding estável e recomposição patrimonial. O sinal é amarelo porque há melhora relevante, mas a fragilidade financeira ainda impede uma leitura plenamente verde.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Dotz encerrou 2021 em fase de transição importante, marcada pela abertura de capital, entrada no Novo Mercado, reforço de caixa e continuidade dos investimentos em Marketplace, TechFin e expansão digital. A companhia ainda não apresentava lucro e seguia com patrimônio líquido negativo, mas ganhou fôlego financeiro com a oferta pública de ações. A receita líquida consolidada foi de R$123,5 milhões em 2021, contra R$111 milhões em 2020. O crescimento foi moderado, mas veio em um contexto de retomada gradual de consumo, reabertura de lojas físicas e recuperação das campanhas promocionais com bancos parceiros.

Demonstrações Financeiras 2022

A Dotz encerrou 2022 com crescimento de receita, avanço de lucro bruto, evolução das frentes digitais e aquisição estratégica da Noverde, mas ainda sem comprovar rentabilidade. A empresa continuou em fase de investimento e expansão, com prejuízo maior, patrimônio líquido negativo mais profundo e operação ainda deficitária. A receita líquida consolidada foi de R$ 139,1 milhões, contra R$ 123,5 milhões em 2021. O crescimento mostra evolução da operação, mas ainda em ritmo insuficiente para cobrir a estrutura de despesas.

Demonstrações Financeiras 2023

A Dotz encerrou 2023 com receita líquida praticamente estável, melhora relevante de eficiência operacional, redução do prejuízo e avanço da frente TechFin. O ano ainda não mostrou lucro nem recomposição patrimonial, mas apresentou sinais melhores de controle de despesas e caminho para breakeven. A receita líquida consolidada foi de R$138,7 milhões, praticamente em linha com os R$139,1 milhões de 2022. A estabilidade da receita mostra que o crescimento das novas frentes ainda não compensou totalmente a queda de receitas ligadas a resgate e menor faturamento de algumas linhas tradicionais.

Demonstrações Financeiras 2024

A Dotz encerrou 2024 com melhora relevante do prejuízo, aumento da receita líquida consolidada e redução forte das despesas operacionais, mas ainda com estrutura patrimonial muito frágil, caixa baixo, capital circulante líquido negativo e patrimônio líquido negativo. A receita líquida consolidada foi de R$ 154 milhões, contra R$138,7 milhões em 2023. A alta mostra retomada de crescimento contábil depois de um 2023 praticamente estável. A principal mudança no mix foi o crescimento da receita de serviços, que subiu para R$79,4 milhões, contra R$52,8 milhões em 2023.

Demonstrações Financeiras 2025

A Dotz encerrou 2025 com melhora operacional muito relevante, praticamente eliminando o prejuízo anual e consolidando TechFin como principal motor de crescimento e rentabilidade. O ano marcou avanço importante em EBITDA, originação de crédito, faturamento de produtos financeiros e eficiência operacional. O prejuízo individual foi de R$469 mil, contra prejuízo de R$16,5 milhões em 2024. Essa melhora é relevante porque mostra que a empresa ficou muito próxima do breakeven contábil anual.

Resumo fundamentalista

A Dotz iniciou 2026 com melhora operacional muito relevante. O trimestre confirmou a virada que começou a aparecer em 2025: crescimento forte de receita, lucro bruto maior, EBITDA em expansão, lucro líquido positivo e avanço da vertical de TechFin.

A receita líquida consolidada foi de R$90,2 milhões no 1T26, contra R$44,4 milhões no 1T25. A alta foi expressiva e mostra que o modelo de fidelidade, crédito e serviços financeiros ganhou escala.

O lucro bruto consolidado foi de R$62,8 milhões, contra R$34,9 milhões no 1T25. A margem bruta continuou elevada, com crescimento importante da contribuição de TechFin e Loyalty.

O resultado antes do financeiro e dos tributos consolidado foi positivo em R$25,3 milhões, contra R$3,8 milhões no 1T25. Esse avanço mostra que a operação passou a gerar resultado operacional mais consistente antes da pressão financeira.

O lucro líquido consolidado foi de R$6,9 milhões, revertendo prejuízo de R$945 mil no 1T25. Essa virada é relevante porque a Dotz vinha de vários anos de prejuízo, caixa pressionado e patrimônio líquido negativo.

A administração destacou EBITDA de R$31,8 milhões no 1T26, contra R$10,6 milhões no 1T25. O crescimento de R$21,2 milhões mostra ganho de escala e eficiência, principalmente pela evolução de TechFin e pela otimização de despesas.

A vertical de TechFin seguiu como principal motor de crescimento e rentabilidade. A originação de crédito alcançou R$155 milhões no trimestre, crescimento de 4% frente ao 1T25 e de 9% frente ao 4T25.

A receita líquida de TechFin foi de R$62,9 milhões no 1T26. A receita líquida de Loyalty foi de R$27,3 milhões. Isso mostra que TechFin já representa a maior parte da receita operacional por segmento.

O resultado antes do financeiro por segmento também foi positivo: TechFin gerou R$21,8 milhões, e Loyalty gerou R$4,8 milhões. Isso indica que as duas frentes contribuíram positivamente, com TechFin como principal vetor.

O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$12 milhões, contra negativo em R$2,4 milhões no 1T25. As despesas financeiras consolidadas foram de R$15,3 milhões, parcialmente compensadas por receitas financeiras de R$3,3 milhões.

No individual, o lucro líquido foi de R$6,9 milhões, contra prejuízo de R$945 mil no 1T25. O resultado antes do financeiro e dos tributos individual foi positivo em R$14,9 milhões, puxado por equivalência patrimonial positiva de R$16,2 milhões.

O fluxo de caixa operacional individual foi positivo em R$1,8 milhão, contra positivo em R$9,3 milhões no 1T25. Apesar de positivo, o fluxo foi menor que no ano anterior e ainda mostra que a conversão de resultado em caixa precisa ser acompanhada.

O patrimônio líquido individual melhorou de R$246,9 milhões negativos no fim de 2025 para R$240 milhões negativos no 1T26. A melhora veio do lucro líquido do trimestre, mas a situação patrimonial segue frágil.

A leitura central para o usuário é de virada operacional clara, mas ainda com risco financeiro e patrimonial relevante. A Dotz já mostra lucro, EBITDA forte, crescimento de TechFin e geração operacional positiva, mas ainda precisa resolver patrimônio líquido negativo, capital circulante negativo, dívida, FIDCs, funding e qualidade da carteira de crédito.

Pontos de atenção

A estrutura de FIDCs ganhou ainda mais relevância no 1T26. A obrigação com cotistas de FIDC no consolidado subiu para R$134,1 milhões, contra R$7,5 milhões no fim de 2025.

Esse movimento indica que a Dotz passou a financiar parcela relevante da originação de crédito por meio de fundos estruturados. Isso amplia a capacidade de crescimento e reduz a necessidade de capital próprio direto.

O lado positivo é que a Dotz consegue escalar crédito usando funding dedicado, com classes de cotas e regras próprias de subordinação, amortização, elegibilidade e risco.

O lado de atenção é que o balanço consolidado passa a carregar mais contas a receber, obrigações com cotistas, risco de inadimplência, custo de funding e sensibilidade à qualidade da carteira.

As contas a receber de clientes no consolidado chegaram a R$172,2 milhões. Esse valor é muito superior ao de 2025 e mostra que a frente de crédito ganhou materialidade.

Nas entidades consolidadas ligadas aos FIDCs, a carteira de contas a receber de clientes somava R$149,2 milhões, sendo R$136,7 milhões ligados à Dotz Noverde. A obrigação com cotistas FIDC era de R$134,1 milhões.

A receita de direitos creditórios das entidades consolidadas foi de R$44,1 milhões. O custo operacional foi de R$16,4 milhões, a PECLD foi de R$12,3 milhões, e a remuneração de cotistas foi de R$3,5 milhões.

A Dotz Noverde teve lucro líquido de R$27,3 milhões no período, enquanto a Dotz Fin teve prejuízo de R$790 mil. O resultado líquido das entidades consolidadas foi positivo em R$26,5 milhões.

Esses números reforçam que a frente de crédito já é muito relevante para a rentabilidade, mas também introduz um risco típico de operação financeira: qualidade de crédito e custo de funding passam a ser fundamentais.

Para o usuário, TechFin é o motor da virada, mas também é a principal fonte de risco novo. O acompanhamento precisa focar em originação, inadimplência, PECLD, rentabilidade das cotas, spread, funding e liquidez.

Leitura final

O 1T26 foi o trimestre mais positivo da Dotz na sequência recente. A companhia cresceu receita, lucro bruto, EBITDA e lucro líquido, com TechFin consolidado como principal motor de crescimento e rentabilidade.

A leitura, porém, ainda não é totalmente confortável. A Dotz segue com patrimônio líquido negativo, capital circulante negativo, dívida financeira relevante e maior exposição a crédito por meio de FIDCs. O crescimento de contas a receber e da obrigação com cotistas mostra que a empresa mudou de escala, mas também assumiu mais complexidade financeira.

Para o usuário, o 1T26 deve ser interpretado como uma virada operacional importante, mas não como tese completamente normalizada. A Dotz agora precisa provar repetição de lucro, geração de caixa recorrente, controle de inadimplência, eficiência dos FIDCs e recomposição gradual do patrimônio líquido.

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