Direcional encerrou 2021 com crescimento relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A companhia também manteve geração de caixa operacional consolidada positiva, embora em patamar menor que 2020. No consolidado, a receita líquida subiu de R$1,5 bilhão em 2020 para R$1,77 bilhão em 2021. O lucro bruto avançou de R$522,5 milhões para R$647,1 milhões.
DIRR3 - Direcional Engenharia
Uma das maiores construtoras e incorporadoras do Brasil, com foco no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários de médio e baixo padrão. A companhia atua em todas as etapas — desde a aquisição de terrenos e planejamento urbanístico até a construção industrializada e comercialização das unidades —, destacando-se como uma das principais operadoras do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Além disso, o grupo atua no segmento de média-alta renda nas regiões Sudeste e Centro-Oeste por meio de sua subsidiária Riva Incorporadora.
16/12/2025 R$ 1,55
27/06/2025 R$ 2,00
03/01/2025 R$ 1,27
17/09/2024 R$ 0,46
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas com ressalvas de caixa e dívida
Com valor de mercado de R$7,05 bi e cotação de R$13,44, próxima da mínima de 52 semanas (R$12,15), a Direcional negocia com múltiplos comprimidos: P/L de 7,2x, EV/EBITDA de 6,9x e dividend yield estimado em 26,4% nos últimos 12 meses. Os fundamentos sustentam parte dessa leitura de desconto: a receita anual cresceu para R$4,34 bi em 2025, a margem bruta avançou para cerca de 39,7%, o lucro líquido foi recorde em R$979,7 mi e o 1T26 reforçou a tendência, com receita 30,2% maior, margem bruta ajustada recorde de 42,9% e ROE anualizado de 38%. O patrimônio mais alto explica o P/VP de 3,0x, mas a rentabilidade elevada justifica esse prêmio sobre o livro.
O desconto, porém, não é totalmente limpo e por isso exige cautela. A geração de caixa operacional, embora crescente (R$398,4 mi no ano e R$131,3 mi no 1T26), segue bem abaixo do lucro, sinal de que o crescimento ainda consome muito capital de giro via contas a receber e estoques. A dívida líquida subiu de forma relevante, fechando o 1T26 perto de R$504 mi, as despesas financeiras quase dobraram contra o 1T25 e o resultado financeiro virou praticamente neutro. Soma-se a isso o passivo de cessão ainda material e o pagamento muito elevado de dividendos, que pressiona o patrimônio da controladora. O que precisa ser acompanhado é justamente a conversão de lucro em caixa, a trajetória do endividamento e o uso de cessão de recebíveis antes de tratar esse desconto como confortável.
Indicadores principais
Com forte alta de 30% na receita e lucro líquido de R$267,5 milhões no 1T26, a Direcional Engenharia iniciou o ano com crescimento rentável e ROE de 38%.
Direcional Engenharia iniciou 2026 com crescimento forte e rentável. A receita líquida consolidada subiu 30% frente ao 1T25, o lucro bruto avançou, a margem bruta consolidada ficou próxima de 40,7%, a margem bruta ajustada atingiu recorde de 42,9%, o lucro líquido consolidado chegou a R$267,5 milhões e o caixa operacional consolidado foi positivo em R$131,2 milhões. A administração também reportou EBITDA de R$315 milhões, ROE anualizado de 38%, vendas brutas de R$1,9 bilhão e REF de R$4,1 bilhões com margem REF de 44,4%. O usuário deve manter visão positiva, acompanhando a evolução de contas a receber, estoques, dívida financeira, passivo de cessão, despesas financeiras e conversão de lucro em caixa.
Trajetória recente
A Direcional encerrou 2022 com crescimento relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A companhia também melhorou a geração de caixa operacional consolidada em relação a 2021. No consolidado, a receita líquida subiu de R$1,77 bilhão em 2021 para R$2,16 bilhões em 2022. O lucro bruto avançou de R$630 milhões para R$733,7 milhões.
Direcional encerrou 2023 com crescimento de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. O ano foi positivo em rentabilidade e resultado contábil, mas negativo na conversão de caixa operacional consolidado. No consolidado, a receita líquida subiu de R$2,16 bilhões em 2022 para R$2,35 bilhões em 2023. O lucro bruto avançou de R$733,7 milhões para R$804,9 milhões.
Direcional encerrou 2024 com forte crescimento de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A companhia também voltou a apresentar caixa operacional consolidado positivo, após consumo de caixa em 2023. No consolidado, a receita líquida subiu de R$2,35 bilhões em 2023 para R$3,34 bilhões em 2024. O lucro bruto avançou de R$804,9 milhões para R$1,21 bilhão.
A Direcional encerrou 2025 com novo avanço relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A companhia manteve forte crescimento e melhorou a geração de caixa operacional consolidada, embora a conversão de lucro em caixa ainda tenha ficado pressionada pelo crescimento de recebíveis e pelo ciclo de capital. No consolidado, a receita líquida subiu de R$3,34 bilhões em 2024 para R$4,34 bilhões em 2025. O lucro bruto avançou de R$1,21 bilhão para R$1,72 bilhão.
Resumo fundamentalista
A Direcional Engenharia iniciou 2026 com desempenho forte. O trimestre mostrou crescimento relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido e caixa operacional consolidado positivo.
No consolidado, a receita líquida subiu de R$894,1 milhões no 1T25 para R$1,16 bilhão no 1T26. O lucro bruto avançou de R$345,2 milhões para R$473,4 milhões. A margem bruta consolidada ficou em aproximadamente 40,7%, acima dos 38,6% do 1T25.
O resultado antes do financeiro e dos tributos subiu de R$196,4 milhões para R$292,6 milhões. A melhora veio do crescimento da receita, do avanço do lucro bruto e da menor pressão de outras despesas operacionais, apesar do aumento das despesas com vendas e G&A.
O resultado financeiro consolidado ficou levemente negativo em R$628 mil, contra resultado positivo de R$16,1 milhões no 1T25. As receitas financeiras cresceram, mas as despesas financeiras cresceram mais, acompanhando maior endividamento e maior custo financeiro.
O lucro líquido consolidado foi de R$267,5 milhões, contra R$191,4 milhões no 1T25. O lucro atribuído aos acionistas controladores foi de R$213,1 milhões, contra R$164,5 milhões no 1T25.
O caixa operacional consolidado foi positivo em R$131,2 milhões, acima dos R$97,1 milhões positivos do 1T25. A geração de caixa ainda ficou abaixo do lucro líquido consolidado, mas o avanço é positivo e indica melhora na conversão operacional.
A administração destacou receita líquida de R$1,2 bilhão, crescimento de 30% sobre o 1T25, margem bruta ajustada recorde de 42,9%, lucro líquido de R$213 milhões, margem líquida de 18,3%, ROE anualizado de 38%, vendas brutas de R$1,9 bilhão, REF de R$4,1 bilhões com margem REF de 44,4% e EBITDA de R$315 milhões com margem EBITDA de 27,1%.
A leitura central é positiva: a companhia manteve crescimento forte, margem elevada, lucro recorde para o trimestre e caixa operacional positivo. Os pontos de atenção são o aumento das despesas financeiras, aumento da dívida de longo prazo, crescimento de recebíveis, estoques, compromissos com imóveis e uso de cessão de recebíveis.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é que, embora o caixa operacional tenha sido positivo, ele ainda ficou abaixo do lucro líquido consolidado. A companhia lucrou R$267,5 milhões e gerou R$131,2 milhões de caixa operacional.
O segundo ponto é o aumento das contas a receber. A carteira total de recebíveis ficou próxima de R$3,03 bilhões e a linha consumiu caixa no fluxo operacional.
O terceiro ponto é o aumento dos estoques totais, que chegaram a aproximadamente R$7,19 bilhões.
O quarto ponto é o crescimento dos terrenos a incorporar no longo prazo, que chegaram a R$4,97 bilhões.
O quinto ponto é o aumento da dívida financeira consolidada, principalmente no longo prazo.
O sexto ponto é o aumento das despesas financeiras, que passaram de R$61,2 milhões no 1T25 para R$119,8 milhões no 1T26.
O sétimo ponto é o resultado financeiro líquido praticamente neutro, após ter sido positivo no 1T25.
O oitavo ponto é o volume ainda relevante de passivo de cessão, embora tenha caído frente ao fim de 2025.
O nono ponto é positivo: receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido cresceram fortemente.
O décimo ponto é positivo: margem bruta consolidada e margem bruta ajustada seguiram em patamar elevado.
O décimo primeiro ponto é positivo: caixa operacional consolidado cresceu frente ao 1T25.
O décimo segundo ponto é positivo: vendas brutas, REF, EBITDA e ROE anualizado reforçam força operacional.
O décimo terceiro ponto é positivo: o relatório de revisão especial foi sem ressalva.
Leitura final
O 1T26 da Direcional foi forte. A companhia cresceu receita, lucro bruto, margem, resultado operacional, lucro líquido e caixa operacional. A administração também reportou vendas brutas robustas, margem bruta ajustada recorde, EBITDA em forte crescimento, ROE anualizado elevado e REF com margem alta.
O principal ponto de atenção é que a expansão continua exigindo capital. Contas a receber e estoques cresceram, a dívida financeira aumentou e as despesas financeiras avançaram de forma relevante. Ainda assim, o caixa operacional positivo e crescente reduz o risco da leitura.
Para o usuário, o trimestre deve ser lido como continuidade de uma tese de crescimento rentável, com boa margem, lucro elevado e geração operacional positiva. A postura é positiva, mantendo acompanhamento de recebíveis, estoques, dívida, cessões, despesas financeiras e conversão de lucro em caixa.