Neutro / cautela

DESK3 - Desktop

1T/2026

Telecomunicações

Banda larga

Matriz: Sumaré - SP

Uma das maiores operadoras de internet banda larga e provedoras de serviços de telecomunicações do Brasil, com uma atuação fortemente focada no estado de São Paulo. A companhia especializa-se no fornecimento de conectividade de alta velocidade por meio de uma extensa rede própria de fibra óptica de ponta a ponta, oferecendo soluções integradas que englobam planos de internet residencial e corporativa, telefonia fixa, transmissão de voz e serviços de TV e streaming por assinatura.

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Total de ações 116.217.243
Ações ordinárias 116.217.243
Ações preferenciais Não
Free float 35.017.398 — 30,13%
Controlador Makalu Brasil Partners — 52,91%
Tesouraria 11.622 — 0,01%

Data: 2026-05-29

R$ 17,99
-0,28% no dia
R$ 26,45 R$ 6,28
2021 2026
Valor de mercado R$ 2,10 bi
Volume 303,10 mil
P/L externo 38,4x
Dividend yield 12m 0,81%
DIVIDENDO
29/04/2026
R$ 0,04
DIVIDENDO
18/12/2025
R$ 0,10
DIVIDENDO
23/04/2025
R$ 0,04
DIVIDENDO
19/04/2024
R$ 0,04

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

precificada
P/L 26,0x
EV/EBITDA 5,7x
P/VP 1,5x
Dividend yield 12m 0,81%
Data da análise 08/06/2026

Preço já cobra a entrega operacional

Com valor de mercado de R$2,10 bi e cotação de R$17,99, muito perto da máxima de 52 semanas (R$18,76), a Desktop é negociada a múltiplos que já incorporam boa parte da melhora operacional: P/L de 26,0x, EV/EBITDA de 5,7x e P/VP de 1,5x. A trajetória reforça parte dessa leitura, já que a receita anual chegou a R$1,22 bi em 2025 com margem EBITDA elevada e fluxo de caixa operacional forte (R$392,7 mi), e o 1T26 trouxe receita 9,2% maior e geração de caixa ainda melhor. Frente ao par regional de banda larga, o EV/EBITDA fica em linha com a mediana do grupo (5,4x), mas o P/L acima da mediana (19,0x) mostra que o múltiplo de lucro está mais esticado.

O ponto de atenção é justamente a distância entre operação e lucro final. O lucro líquido caiu de R$100,1 mi em 2024 para R$80,8 mi em 2025 e recuou de novo no 1T26 (R$12,4 mi contra R$22,1 mi um ano antes), pressionado por um resultado financeiro mais negativo e despesas financeiras crescentes. A dívida líquida segue elevada (R$1,15 bi, alavancagem de 3,22x EBITDA Proforma), a base de assinantes ficou praticamente estável com adições orgânicas negativas e ainda há a alienação de controle pendente de aprovações de CADE e ANATEL. Com o valor de mercado já no topo da faixa, o múltiplo depende de continuidade da desalavancagem e da conversão de EBITDA em lucro recorrente para se sustentar.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 321.651
EBITDA R$ 151.824
Lucro líquido R$ 12.369
Dívida líquida R$ 1.202.196
Margem líquida 3,85%
FCO R$ 93.836

Desktop segue em cautela com viés positivo: 1T26 cresceu receita e EBITDA, mas lucro caiu e alavancagem é de 3,22x. Monitorar venda de controle.

A empresa deve seguir em cautela com viés positivo. O 1T26 mostrou crescimento de receita, EBITDA ajustado maior, margem operacional melhor, FCO ajustado forte, CAPEX menor e conversão operacional em caixa muito superior ao 1T25. Porém, o lucro líquido contábil caiu, o resultado financeiro piorou, a dívida líquida segue elevada e a alavancagem ainda está em 3,22x EBITDA proforma anualizado. O usuário deve acompanhar desalavancagem, resultado financeiro, FCO ajustado, CAPEX, base de assinantes, churn, vendas digitais e efeitos da possível alienação de controle.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

Desktop teve em 2021 um ano transformacional. A companhia realizou IPO na B3, reforçou fortemente sua estrutura de capital, acelerou crescimento orgânico e executou uma série relevante de aquisições, consolidando-se como uma das maiores empresas independentes de internet banda larga do Brasil, com foco principal no Estado de São Paulo. A leitura fundamentalista de 2021 é positiva do ponto de vista estratégico e operacional. A empresa aumentou receita, ampliou base de clientes, expandiu cobertura, fortaleceu marca e entrou em novas cidades.

Demonstrações Financeiras 2022

Desktop teve em 2022 mais um ano de forte crescimento operacional, com avanço relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A companhia continuou executando sua estratégia de expansão orgânica e consolidação regional no mercado de internet banda larga, principalmente no Estado de São Paulo. A leitura fundamentalista de 2022 é positiva do ponto de vista operacional. A receita consolidada mais que dobrou em relação a 2021, o lucro bruto cresceu de forma expressiva e o resultado antes do financeiro e dos tributos avançou bastante.

Demonstrações Financeiras 2023

A Desktop teve em 2023 mais um ano de forte crescimento operacional, com avanço relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido e caixa operacional. A companhia continuou expandindo sua plataforma de banda larga por fibra óptica, consolidando a base construída nos anos anteriores e ampliando a escala após o ciclo de IPO, aquisições e expansão orgânica. A leitura fundamentalista de 2023 é positiva do ponto de vista operacional. A receita consolidada cresceu de R$710,8 milhões em 2022 para R$986,4 milhões em 2023, e o lucro bruto subiu de R$420,3 milhões para R$624,5 milhões.

Demonstrações Financeiras 2024

Desktop teve em 2024 mais um ano de crescimento operacional, com avanço de receita, lucro bruto, resultado operacional e caixa operacional. A companhia continuou ampliando sua base de fibra, consolidando a infraestrutura construída nos anos anteriores e mantendo escala relevante no mercado de banda larga. A leitura fundamentalista de 2024 é positiva do ponto de vista operacional, mas mais cautelosa do que em 2023. A receita consolidada cresceu de R$986,4 milhões em 2023 para R$1,129 bilhão em 2024, e o lucro bruto subiu de R$624,5 milhões para R$702,0 milhões.

Demonstrações Financeiras 2025

Desktop encerrou 2025 com uma leitura operacionalmente positiva, mas ainda financeiramente cautelosa. A companhia continuou crescendo receita, lucro bruto, resultado operacional, EBITDA ajustado e geração de caixa operacional. Também mostrou evolução importante na rentabilidade ajustada, na conversão operacional em caixa e na maturidade comercial, com maior disciplina na aquisição de clientes e foco em canais digitais. A receita líquida consolidada cresceu em relação a 2024, atingindo R$1,219 bilhão.

Resumo fundamentalista

A Desktop iniciou 2026 com crescimento de receita, expansão do EBITDA ajustado, melhora relevante da geração operacional de caixa e manutenção de lucro líquido positivo. A companhia segue como uma operadora de telecomunicações regional com base relevante de assinantes, foco em banda larga, serviços B2C/B2B e estratégia de rentabilização da infraestrutura já instalada.

A receita líquida consolidada foi de R$321,7 milhões no 1T26, crescimento de 9,2% em relação ao 1T25. O lucro bruto consolidado foi de R$193,8 milhões, acima dos R$186,3 milhões do 1T25. O resultado antes do financeiro e dos tributos foi de R$100 milhões, também acima do ano anterior. Esses pontos mostram evolução operacional positiva.

A companhia destacou lucro líquido ajustado de R$29 milhões no trimestre, com margem líquida ajustada de 9%. O lucro líquido contábil consolidado foi positivo em R$12,4 milhões, mas menor que os R$22,1 milhões do 1T25. A diferença mostra que a operação cresceu, mas o resultado final ainda foi pressionado por despesas financeiras e impostos.

O EBITDA ajustado divulgado foi de R$120 milhões, crescimento de 13% em relação ao 1T25. A margem EBITDA ajustada ficou em 37%, equivalente a 140 bps acima do 1T25. A companhia também informou EBITDA ajustado anualizado de R$481 milhões e dívida líquida de R$1,55 bilhão, equivalente a 3,22x EBITDA proforma anualizado.

O principal ponto positivo foi a melhora de caixa. O fluxo de caixa operacional consolidado foi positivo em R$93,8 milhões, contra R$58,9 milhões no 1T25. O FCO ajustado alcançou R$140 milhões, representando 43% da receita líquida e 117% do EBITDA ajustado. A conversão operacional em caixa foi de R$1 milhão no 1T25 para R$87 milhões no 1T26, indicando melhora relevante da qualidade financeira.

A leitura central para o usuário é que a Desktop deve ser classificada como cautela, com viés positivo. A empresa cresce, gera caixa, mantém lucro e melhora a rentabilidade, mas ainda possui alavancagem relevante, resultado financeiro pesado e necessidade de continuar convertendo EBITDA em caixa para reduzir risco financeiro.

Pontos de atenção

O principal risco é a alavancagem. A dívida líquida de R$1,55 bilhão e a relação de 3,22x EBITDA proforma anualizado ainda exigem cautela. A melhora sequencial é positiva, mas o nível absoluto continua relevante para uma empresa intensiva em capital.

O segundo risco é o resultado financeiro. O resultado financeiro negativo de R$69,9 milhões consumiu grande parte do resultado operacional. Enquanto as despesas financeiras permanecerem elevadas, o lucro líquido ficará sensível a juros, dívida e refinanciamentos.

O terceiro risco é a desaceleração da base. As adições líquidas orgânicas foram negativas no trimestre. Isso não é necessariamente ruim, porque a empresa está priorizando rentabilidade e qualidade da base, mas o usuário deve acompanhar se a receita continuará crescendo mesmo com base estável.

O quarto risco é CAPEX e manutenção da infraestrutura. A melhora do FCO Ajustado e da conversão de caixa é positiva, mas telecom exige investimentos contínuos em rede, qualidade, atendimento, equipamentos e expansão seletiva. O desafio é manter crescimento e qualidade sem voltar a elevar CAPEX de forma relevante.

O quinto risco é a transação de controle. A alienação do controle pode ser positiva para criação de valor ou consolidação setorial, mas ainda depende de aprovações e pode trazer mudanças de estratégia, integração, governança ou estrutura de capital.

Também permanecem riscos ligados à competição regional, inadimplência, churn, preços, qualidade de rede, capacidade de upsell, concentração geográfica, custo de capital, arrendamentos, contas a pagar por aquisições e execução da disciplina comercial.

Leitura final

A Desktop no 1T26 deve ser lida como uma companhia em melhora operacional e financeira, mas ainda com cautela por causa da alavancagem. A empresa cresceu receita, aumentou EBITDA ajustado, melhorou margem, ampliou geração operacional de caixa e reduziu a intensidade de CAPEX. A estratégia de focar qualidade da base, canais digitais e rentabilização da infraestrutura parece ter melhorado a conversão de caixa.

A ressalva é que o lucro líquido contábil caiu, o resultado financeiro piorou e a dívida líquida ainda é elevada. Além disso, a base de assinantes ficou praticamente estável e as adições líquidas orgânicas foram negativas, mostrando que o crescimento está menos baseado em volume e mais em rentabilização.

Para o usuário, Desktop deve seguir classificada como cautela, com viés positivo. A empresa não tem perfil de ativo de risco elevado, porque é lucrativa, gera caixa, tem patrimônio líquido positivo e operação resiliente. Porém, o sinal ainda não deve ser verde enquanto a alavancagem permanecer elevada e o resultado financeiro continuar consumindo parte relevante do resultado operacional.

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