Neutro / cautela

CYRE3 - Cyrela Brazil Realty

1T/2026

Construção civil

Incorporações

Matriz: São Paulo - SP

Uma das maiores e mais tradicionais incorporadoras e construtoras do mercado imobiliário brasileiro, com foco em empreendimentos residenciais de médio, alto e altíssimo padrão. Opera de forma verticalizada desde a aquisição de terrenos e desenvolvimento dos projetos até a construção e venda de imóveis de luxo, além de atuar no segmento econômico e de habitação popular por meio de suas marcas controladas e parcerias estratégicas (como a Cury, Plano&Plano e Lavvi).

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Total de ações 453.446.450
Ações ordinárias 384.000.000
Ações preferenciais 69.446.450
Free float 304.511.864 — 66,66%
Maior acionista Elie Horn — 20,76%
Tesouraria 20.903.881 — 4,61%

Data: 2026-06-01

R$ 21,36
1,23% no dia
R$ 32,19 R$ 7,27
2016 2026
Valor de mercado R$ 9,13 bi
Volume 8,76 mi
P/L externo 4,1x
Dividend yield 12m 12,78%
DIVIDENDO
09/12/2025
R$ 2,73
DIVIDENDO
25/04/2025
R$ 1,07
DIVIDENDO
25/04/2024
R$ 0,60
DIVIDENDO
11/12/2023
R$ 0,33

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 3,8x
EV/EBITDA 5,8x
P/VP 0,8x
Dividend yield 12m 12,78%
Data da análise 12/06/2026

Desconto real, mas com ressalva no caixa

Com valor de mercado de R$9,13 bi e cotação de R$21,36, próxima da mínima de 52 semanas (R$19,76), a Cyrela é negociada com múltiplos comprimidos: P/L de 3,8x, EV/EBITDA de 5,8x e P/VP de 0,8x, abaixo do valor patrimonial. O histórico anual 2021–2025 reforça a leitura de desconto, com receita que saltou para R$9,42 bi, margem bruta estável em torno de 32,6%, lucro líquido de R$2,40 bi e dividend yield estimado em 12,8%. Em termos de resultado contábil e escala, a operação aparece descontada frente aos fundamentos.

A ressalva, porém, é material e impede uma leitura limpa. O caixa operacional consolidado voltou a ser negativo em 2025 (R$358,4 mi) e seguiu negativo no 1T26 (R$109,6 mi), mesmo com lucro elevado, mostrando conversão de lucro em caixa ainda instável. A dívida bruta subiu para cerca de R$8,79 bi, as despesas financeiras e os juros pagos aumentaram, e no 1T26 o lucro líquido recuou frente ao 1T25. Recebíveis e estoques continuam consumindo capital, e o caixa caiu no trimestre. O desconto é real, mas depende de melhora na geração de caixa e no controle da alavancagem para se confirmar, o que justifica o sinal amarelo.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 2.025.033
EBITDA R$ 412.550
Lucro líquido R$ 360.059
Dívida líquida R$ 4.898.844
Margem líquida 17,78%
FCO R$ -109.572

Cyrela teve receita em alta no início de 2026, mas o lucro caiu sob pressão financeira. Analistas sugerem cautela com a conversão em caixa e dívida.

A Cyrela iniciou 2026 com operação consistente, receita em crescimento, margem bruta preservada, lançamentos de R$1,7 bilhão, vendas contratadas de R$2,2 bilhões, VSO de 45%, ROE ajustado de 21,2% e geração de caixa gerencial positiva. Porém, o lucro líquido caiu frente ao 1T25, o resultado financeiro piorou, as despesas financeiras e os juros pagos aumentaram, e o caixa operacional consolidado CVM permaneceu negativo. A companhia segue robusta, mas o usuário deve manter postura neutra/cautelosa até haver maior consistência na conversão de lucro em caixa e controle da dívida bruta.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Cyrela encerrou 2021 com crescimento relevante de receita, lucro bruto e patrimônio líquido, mas com lucro líquido abaixo do nível excepcional de 2020 e caixa operacional consolidado negativo. No consolidado, a receita líquida subiu de R$3,82 bilhões em 2020 para R$4,79 bilhões em 2021. O lucro bruto avançou de R$1,25 bilhão para R$1,66 bilhão. A margem bruta consolidada ficou em aproximadamente 34,8%, acima dos 32,7% de 2020.

Demonstrações Financeiras 2022

Cyrela encerrou 2022 com crescimento de receita e lucro bruto, mas com queda de lucro líquido e nova geração de caixa operacional consolidada negativa. O ano mostra expansão operacional, porém com pressão de despesas, juros, capital de giro e aumento relevante da dívida. No consolidado, a receita líquida subiu de R$4,79 bilhões em 2021 para R$5,41 bilhões em 2022. O lucro bruto avançou de R$1,66 bilhão para R$1,73 bilhão.

Demonstrações Financeiras 2023

Cyrela encerrou 2023 com melhora relevante de resultado em relação a 2022. A companhia cresceu receita, lucro bruto, resultado operacional, resultado financeiro e lucro líquido consolidado. A margem bruta também melhorou frente ao ano anterior. No consolidado, a receita líquida subiu de R$5,41 bilhões em 2022 para R$6,25 bilhões em 2023.

Demonstrações Financeiras 2024

Encerrou 2024 com forte melhora operacional e financeira. A companhia cresceu receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido, patrimônio líquido e voltou a gerar caixa operacional consolidado positivo. No consolidado, a receita líquida subiu de R$6,25 bilhões em 2023 para R$7,96 bilhões em 2024. O lucro bruto avançou de R$2,04 bilhões para R$2,58 bilhões.

Demonstrações Financeiras 2025

Cyrela encerrou 2025 com novo avanço relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A companhia manteve trajetória positiva no resultado contábil, mas voltou a apresentar caixa operacional consolidado negativo, após a geração positiva observada em 2024. No consolidado, a receita líquida subiu de R$7,96 bilhões em 2024 para R$9,42 bilhões em 2025. O lucro bruto avançou de R$2,58 bilhões para R$3,07 bilhões.

Resumo fundamentalista

A Cyrela iniciou 2026 com desempenho operacional consistente, mas em ambiente ainda desafiador. A companhia manteve receita em crescimento, margem bruta saudável e vendas contratadas relevantes, porém apresentou queda de lucro líquido frente ao 1T25 e caixa operacional consolidado ainda negativo.

No consolidado CVM, a receita líquida subiu de R$1,95 bilhão no 1T25 para R$2,02 bilhões no 1T26. O lucro bruto avançou de R$634,3 milhões para R$665,9 milhões. A margem bruta consolidada ficou em aproximadamente 32,9%, levemente acima dos 32,5% do 1T25.

O resultado antes do financeiro e dos tributos caiu de R$378,9 milhões para R$373,5 milhões. A estabilidade com leve queda ocorreu porque o avanço do lucro bruto foi compensado por aumento das despesas com vendas e despesas gerais e administrativas.

O resultado financeiro consolidado foi positivo em R$37,7 milhões, abaixo dos R$59 milhões positivos do 1T25. As receitas financeiras subiram, mas as despesas financeiras cresceram mais, refletindo maior custo financeiro.

O lucro líquido consolidado foi de R$360 milhões, contra R$393,8 milhões no 1T25. O lucro atribuído aos acionistas controladores foi de R$296,7 milhões, contra R$327,6 milhões no 1T25.

O caixa operacional consolidado ficou negativo em R$109,5 milhões, melhor que os R$121,8 milhões negativos do 1T25, mas ainda negativo. A companhia gerou caixa gerencial de R$134 milhões segundo a administração, apoiada por vendas e disciplina financeira, mas a leitura CVM ainda mostra consumo operacional.

A administração destacou ambiente macroeconômico desafiador, juros elevados no Brasil, incertezas externas e potenciais impactos em cadeias de suprimentos e custos de construção. Nesse contexto, a Cyrela manteve postura de seletividade em lançamentos, racionalidade comercial e rigor na alocação de capital.

A leitura central é neutra/cautelosa: a operação segue sólida, com receita, margem e vendas relevantes, mas o lucro caiu frente ao 1T25, as despesas financeiras cresceram, o caixa operacional consolidado permaneceu negativo e a dívida bruta segue elevada.

Pontos de atenção

O primeiro ponto de atenção é a continuidade do caixa operacional consolidado negativo. O fluxo operacional foi negativo em R$109,5 milhões no 1T26, apesar de lucro líquido positivo.

O segundo ponto é o consumo de caixa em contas a receber. A linha consumiu R$242,5 milhões no fluxo operacional consolidado, e a carteira de recebíveis continua elevada.

O terceiro ponto é o consumo de caixa em estoques. Imóveis a comercializar consumiram R$239,8 milhões no fluxo operacional consolidado, e o estoque total consolidado ficou próximo de R$8 bilhões.

O quarto ponto é o nível elevado da dívida financeira bruta. A dívida financeira consolidada ficou próxima de R$8,7 bilhões.

O quinto ponto é o aumento das despesas financeiras. As despesas financeiras consolidadas subiram de R$152,6 milhões no 1T25 para R$223,2 milhões no 1T26.

O sexto ponto é o aumento dos juros pagos. Os juros pagos subiram de R$94,2 milhões para R$143,5 milhões.

O sétimo ponto é o aumento das despesas com vendas. A linha subiu de R$200,7 milhões para R$276,7 milhões.

O oitavo ponto é positivo: a receita cresceu, o lucro bruto cresceu e a margem bruta melhorou levemente.

O nono ponto é positivo: lançamentos de R$1,7 bilhão, vendas contratadas de R$2,2 bilhões e VSO de 45% indicam demanda operacional saudável.

O décimo ponto é positivo: a administração reportou geração de caixa gerencial de R$134 milhões e dívida líquida sobre patrimônio líquido ajustado de 19,6%.

O décimo primeiro ponto é positivo: o relatório de revisão especial foi sem ressalva.

Leitura final

O 1T26 da Cyrela mostrou uma companhia operacionalmente sólida, mas ainda exigindo cautela. A receita cresceu, a margem bruta melhorou levemente, os lançamentos tiveram boa aceitação, as vendas contratadas seguiram fortes e a administração reportou geração de caixa gerencial positiva.

Por outro lado, o lucro líquido caiu frente ao 1T25, o resultado financeiro piorou, as despesas financeiras e os juros pagos aumentaram, e o caixa operacional consolidado CVM permaneceu negativo. A empresa segue com dívida bruta elevada, recebíveis altos e estoques relevantes.

Para o usuário, o trimestre deve ser lido como operacionalmente consistente, mas financeiramente ainda cauteloso. A companhia tem escala, lucro, vendas e patrimônio robustos, porém a qualidade de caixa e o custo financeiro seguem como os principais pontos de acompanhamento.

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