A Cyrela encerrou 2021 com crescimento relevante de receita, lucro bruto e patrimônio líquido, mas com lucro líquido abaixo do nível excepcional de 2020 e caixa operacional consolidado negativo. No consolidado, a receita líquida subiu de R$3,82 bilhões em 2020 para R$4,79 bilhões em 2021. O lucro bruto avançou de R$1,25 bilhão para R$1,66 bilhão. A margem bruta consolidada ficou em aproximadamente 34,8%, acima dos 32,7% de 2020.
CYRE3 - Cyrela Brazil Realty
Uma das maiores e mais tradicionais incorporadoras e construtoras do mercado imobiliário brasileiro, com foco em empreendimentos residenciais de médio, alto e altíssimo padrão. Opera de forma verticalizada desde a aquisição de terrenos e desenvolvimento dos projetos até a construção e venda de imóveis de luxo, além de atuar no segmento econômico e de habitação popular por meio de suas marcas controladas e parcerias estratégicas (como a Cury, Plano&Plano e Lavvi).
09/12/2025 R$ 2,73
25/04/2025 R$ 1,07
25/04/2024 R$ 0,60
11/12/2023 R$ 0,33
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas com ressalva no caixa
Com valor de mercado de R$9,13 bi e cotação de R$21,36, próxima da mínima de 52 semanas (R$19,76), a Cyrela é negociada com múltiplos comprimidos: P/L de 3,8x, EV/EBITDA de 5,8x e P/VP de 0,8x, abaixo do valor patrimonial. O histórico anual 2021–2025 reforça a leitura de desconto, com receita que saltou para R$9,42 bi, margem bruta estável em torno de 32,6%, lucro líquido de R$2,40 bi e dividend yield estimado em 12,8%. Em termos de resultado contábil e escala, a operação aparece descontada frente aos fundamentos.
A ressalva, porém, é material e impede uma leitura limpa. O caixa operacional consolidado voltou a ser negativo em 2025 (R$358,4 mi) e seguiu negativo no 1T26 (R$109,6 mi), mesmo com lucro elevado, mostrando conversão de lucro em caixa ainda instável. A dívida bruta subiu para cerca de R$8,79 bi, as despesas financeiras e os juros pagos aumentaram, e no 1T26 o lucro líquido recuou frente ao 1T25. Recebíveis e estoques continuam consumindo capital, e o caixa caiu no trimestre. O desconto é real, mas depende de melhora na geração de caixa e no controle da alavancagem para se confirmar, o que justifica o sinal amarelo.
Indicadores principais
Cyrela teve receita em alta no início de 2026, mas o lucro caiu sob pressão financeira. Analistas sugerem cautela com a conversão em caixa e dívida.
A Cyrela iniciou 2026 com operação consistente, receita em crescimento, margem bruta preservada, lançamentos de R$1,7 bilhão, vendas contratadas de R$2,2 bilhões, VSO de 45%, ROE ajustado de 21,2% e geração de caixa gerencial positiva. Porém, o lucro líquido caiu frente ao 1T25, o resultado financeiro piorou, as despesas financeiras e os juros pagos aumentaram, e o caixa operacional consolidado CVM permaneceu negativo. A companhia segue robusta, mas o usuário deve manter postura neutra/cautelosa até haver maior consistência na conversão de lucro em caixa e controle da dívida bruta.
Trajetória recente
Cyrela encerrou 2022 com crescimento de receita e lucro bruto, mas com queda de lucro líquido e nova geração de caixa operacional consolidada negativa. O ano mostra expansão operacional, porém com pressão de despesas, juros, capital de giro e aumento relevante da dívida. No consolidado, a receita líquida subiu de R$4,79 bilhões em 2021 para R$5,41 bilhões em 2022. O lucro bruto avançou de R$1,66 bilhão para R$1,73 bilhão.
Cyrela encerrou 2023 com melhora relevante de resultado em relação a 2022. A companhia cresceu receita, lucro bruto, resultado operacional, resultado financeiro e lucro líquido consolidado. A margem bruta também melhorou frente ao ano anterior. No consolidado, a receita líquida subiu de R$5,41 bilhões em 2022 para R$6,25 bilhões em 2023.
Encerrou 2024 com forte melhora operacional e financeira. A companhia cresceu receita, lucro bruto, resultado operacional, lucro líquido, patrimônio líquido e voltou a gerar caixa operacional consolidado positivo. No consolidado, a receita líquida subiu de R$6,25 bilhões em 2023 para R$7,96 bilhões em 2024. O lucro bruto avançou de R$2,04 bilhões para R$2,58 bilhões.
Cyrela encerrou 2025 com novo avanço relevante de receita, lucro bruto, resultado operacional e lucro líquido. A companhia manteve trajetória positiva no resultado contábil, mas voltou a apresentar caixa operacional consolidado negativo, após a geração positiva observada em 2024. No consolidado, a receita líquida subiu de R$7,96 bilhões em 2024 para R$9,42 bilhões em 2025. O lucro bruto avançou de R$2,58 bilhões para R$3,07 bilhões.
Resumo fundamentalista
A Cyrela iniciou 2026 com desempenho operacional consistente, mas em ambiente ainda desafiador. A companhia manteve receita em crescimento, margem bruta saudável e vendas contratadas relevantes, porém apresentou queda de lucro líquido frente ao 1T25 e caixa operacional consolidado ainda negativo.
No consolidado CVM, a receita líquida subiu de R$1,95 bilhão no 1T25 para R$2,02 bilhões no 1T26. O lucro bruto avançou de R$634,3 milhões para R$665,9 milhões. A margem bruta consolidada ficou em aproximadamente 32,9%, levemente acima dos 32,5% do 1T25.
O resultado antes do financeiro e dos tributos caiu de R$378,9 milhões para R$373,5 milhões. A estabilidade com leve queda ocorreu porque o avanço do lucro bruto foi compensado por aumento das despesas com vendas e despesas gerais e administrativas.
O resultado financeiro consolidado foi positivo em R$37,7 milhões, abaixo dos R$59 milhões positivos do 1T25. As receitas financeiras subiram, mas as despesas financeiras cresceram mais, refletindo maior custo financeiro.
O lucro líquido consolidado foi de R$360 milhões, contra R$393,8 milhões no 1T25. O lucro atribuído aos acionistas controladores foi de R$296,7 milhões, contra R$327,6 milhões no 1T25.
O caixa operacional consolidado ficou negativo em R$109,5 milhões, melhor que os R$121,8 milhões negativos do 1T25, mas ainda negativo. A companhia gerou caixa gerencial de R$134 milhões segundo a administração, apoiada por vendas e disciplina financeira, mas a leitura CVM ainda mostra consumo operacional.
A administração destacou ambiente macroeconômico desafiador, juros elevados no Brasil, incertezas externas e potenciais impactos em cadeias de suprimentos e custos de construção. Nesse contexto, a Cyrela manteve postura de seletividade em lançamentos, racionalidade comercial e rigor na alocação de capital.
A leitura central é neutra/cautelosa: a operação segue sólida, com receita, margem e vendas relevantes, mas o lucro caiu frente ao 1T25, as despesas financeiras cresceram, o caixa operacional consolidado permaneceu negativo e a dívida bruta segue elevada.
Pontos de atenção
O primeiro ponto de atenção é a continuidade do caixa operacional consolidado negativo. O fluxo operacional foi negativo em R$109,5 milhões no 1T26, apesar de lucro líquido positivo.
O segundo ponto é o consumo de caixa em contas a receber. A linha consumiu R$242,5 milhões no fluxo operacional consolidado, e a carteira de recebíveis continua elevada.
O terceiro ponto é o consumo de caixa em estoques. Imóveis a comercializar consumiram R$239,8 milhões no fluxo operacional consolidado, e o estoque total consolidado ficou próximo de R$8 bilhões.
O quarto ponto é o nível elevado da dívida financeira bruta. A dívida financeira consolidada ficou próxima de R$8,7 bilhões.
O quinto ponto é o aumento das despesas financeiras. As despesas financeiras consolidadas subiram de R$152,6 milhões no 1T25 para R$223,2 milhões no 1T26.
O sexto ponto é o aumento dos juros pagos. Os juros pagos subiram de R$94,2 milhões para R$143,5 milhões.
O sétimo ponto é o aumento das despesas com vendas. A linha subiu de R$200,7 milhões para R$276,7 milhões.
O oitavo ponto é positivo: a receita cresceu, o lucro bruto cresceu e a margem bruta melhorou levemente.
O nono ponto é positivo: lançamentos de R$1,7 bilhão, vendas contratadas de R$2,2 bilhões e VSO de 45% indicam demanda operacional saudável.
O décimo ponto é positivo: a administração reportou geração de caixa gerencial de R$134 milhões e dívida líquida sobre patrimônio líquido ajustado de 19,6%.
O décimo primeiro ponto é positivo: o relatório de revisão especial foi sem ressalva.
Leitura final
O 1T26 da Cyrela mostrou uma companhia operacionalmente sólida, mas ainda exigindo cautela. A receita cresceu, a margem bruta melhorou levemente, os lançamentos tiveram boa aceitação, as vendas contratadas seguiram fortes e a administração reportou geração de caixa gerencial positiva.
Por outro lado, o lucro líquido caiu frente ao 1T25, o resultado financeiro piorou, as despesas financeiras e os juros pagos aumentaram, e o caixa operacional consolidado CVM permaneceu negativo. A empresa segue com dívida bruta elevada, recebíveis altos e estoques relevantes.
Para o usuário, o trimestre deve ser lido como operacionalmente consistente, mas financeiramente ainda cauteloso. A companhia tem escala, lucro, vendas e patrimônio robustos, porém a qualidade de caixa e o custo financeiro seguem como os principais pontos de acompanhamento.