Neutro / cautela

COGN3

Cogna Educação

1T/2026

Educação

Serviços educacionais

Matriz: Belo Horizonte - MG

Cogna Educação é a maior holding do setor educacional do Brasil, operando de forma integrada desde a educação básica até o ensino superior e pós-graduação. O modelo de negócios da companhia é dividido em três grandes verticais: a Kroton, que oferece cursos presenciais e à distância (EAD) por meio de marcas como a Anhanguera; a Vasta, provedora B2B de sistemas de ensino e tecnologia para escolas privadas; e a Saber, focada em escolas próprias e contratos públicos com o PNLD, gerando receitas diversificadas de mensalidades e venda de conteúdos educacionais.

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Total de ações 2.064.266.831
Ações ordinárias 2.064.266.831
Ações preferenciais Não
Free float 1.916.572.404 — 92,85%
Maior acionista Alaska Investimentos Ltda — 15,34%
Tesouraria 66.675.819 — 3,23%

Data: 2026-06-01

R$ 2,30
0,88% no dia
R$ 19,30 R$ 0,90
2016 2026
Valor de mercado R$ 4,70 bi
Volume 22,71 mi
P/L externo 6,9x
Dividend yield 12m 5,61%
DIVIDENDO
27/04/2026
R$ 0,01
DIVIDENDO
23/12/2025
R$ 0,05
DIVIDENDO
23/12/2025
R$ 0,07
DIVIDENDO
28/04/2025
R$ 0,07

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 8,0x
EV/EBITDA 5,0x
P/VP 0,3x
Dividend yield 12m 5,61%
Data da análise 27/06/2026

Múltiplos comprimidos exigem confirmação operacional

A Cogna Educação opera com valor de mercado de R$4,70 bi e múltiplos comprimidos: P/L de 8,0x, EV/EBITDA de 5,0x e P/VP de 0,3x. A cotação ronda a mínima de 52 semanas (R$2,24), refletindo desconfiança do mercado mesmo com lucro positivo de R$586 mi em 2025, receita crescente de R$7,02 bi e EBITDA robusto de R$1,99 bi. O dividend yield de 5,6% também aparece elevado. O desconto existe porque o histórico foi volátil: houve prejuízo em mais de um ano da série 2021–2025, embora o último trimestre tenha mostrado melhora real com receita 31,9% maior e lucro de R$141 mi.

O risco está na qualidade do crescimento e na pressão financeira. A PCLD consolidada de R$191 mi no 1T26, contas a receber de R$2,8 bi, resultado financeiro negativo de R$194 mi e fluxo operacional individual negativo de R$51 mi mostram que a recuperação ainda não se consolidou em caixa livre. Parte relevante do crescimento da Educação Básica veio do deslocamento temporal do PNLD, reduzindo a recorrência. A empresa precisa confirmar margens, crédito, adimplência e conversão operacional nos próximos trimestres antes que o desconto possa ser lido de forma mais limpa.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 2.146.128
EBITDA R$ 521.866
Lucro líquido R$ 141.217
Dívida líquida R$ 5.285.884
Margem líquida 6,58%
FCO R$ 393.192

Cogna cresce no 1T26 com lucro de R$141,4 milhões, mas custo financeiro e receita temporária do PNLD mantêm a tese sob sinal amarelo devido aos riscos.

A Cogna Educação apresentou crescimento operacional relevante no 1T26, com receita líquida consolidada de R$2,1 bilhões, alta de 31,9%, EBITDA ajustado de R$679,6 milhões, lucro líquido consolidado de R$141,2 milhões e lucro individual de R$141,4 milhões. A Educação Superior cresceu 10,9%, a Educação Básica cresceu 72,9% e a integração de Vasta e Saber simplifica a estrutura, podendo gerar sinergias. Mesmo assim, a postura deve ser neutra/cautelosa porque o resultado financeiro consolidado ainda foi negativo em R$194,2 milhões, o resultado financeiro individual foi negativo em R$113,4 milhões, o fluxo operacional individual foi negativo em R$51 milhões, a PCLD consolidada foi de R$190,7 milhões, as contas a receber consolidadas subiram para R$2,8 bilhões e parte relevante do crescimento da Educação Básica veio do deslocamento temporal do PNLD. O sinal é amarelo porque há crescimento e lucro reais, mas ainda existe risco financeiro, de crédito, de caixa e de recorrência da receita.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Cogna Educação encerrou 2021 em um ano de recuperação parcial, reorganização estratégica e ainda com pressão relevante no lucro líquido. A companhia deixou para trás o impacto mais severo de 2020, quando houve impairment elevado e forte deterioração do resultado, mas ainda não voltou a uma situação plenamente confortável. A receita líquida consolidada foi de R$4,8 bilhões em 2021, queda frente a 2020. A redução foi explicada principalmente pela vertical Kroton, ligada à queda na base de alunos do ensino superior, além de menor receita em Vasta.

Demonstrações Financeiras 2022

Cogna Educação encerrou 2022 com melhora operacional relevante, crescimento de receita, expansão de margem EBITDA recorrente, melhora de inadimplência e avanço nos principais negócios, especialmente Kroton e Vasta. Mesmo assim, a companhia ainda terminou o ano com prejuízo, resultado financeiro pressionado e dívida relevante. A receita líquida consolidada foi de R$5,1 bilhões em 2022, contra R$4,8 bilhões em 2021. O crescimento de 6,6% mostra retomada de escala após os impactos da pandemia e da reorganização do portfólio.

Demonstrações Financeiras 2023

Cogna Educação encerrou 2023 com melhora operacional clara, crescimento de receita em todas as unidades de negócio, avanço de EBITDA recorrente, melhora de eficiência e redução de impairment. A companhia continuou avançando no processo de recuperação operacional iniciado após os anos mais difíceis de pandemia, reestruturação e pressão de inadimplência. A receita líquida de 2023 foi de R$5,9 bilhões, crescimento de 15,8% frente a 2022. O avanço mostra ganho de escala e melhora simultânea em Kroton, Vasta e Saber.

Demonstrações Financeiras 2024

A Cogna Educação encerrou 2024 com melhora operacional relevante e retorno ao lucro na controladora. O ano marcou uma etapa mais forte da recuperação iniciada nos anos anteriores, com crescimento de receita, avanço expressivo de EBITDA recorrente, melhora em Kroton e Vasta e maior eficiência operacional. A receita líquida consolidada foi de R$6,4 bilhões em 2024, contra R$5,8 bilhões em 2023 na abertura por segmentos. O crescimento mostra ganho de escala e continuidade da recuperação operacional.

Demonstrações Financeiras 2025

Cogna Educação encerrou 2025 mantendo a recuperação operacional iniciada nos anos anteriores. A companhia cresceu receita, manteve lucro líquido positivo, avançou em Kroton e Vasta, reorganizou a estrutura societária da Saber e ampliou o controle econômico sobre a Vasta após a oferta pública de aquisição de ações. A receita líquida consolidada foi de R$7 bilhões em 2025, contra R$6,4 bilhões em 2024. O crescimento mostra continuidade de escala e avanço nas principais unidades de negócio.

Resumo fundamentalista

A Cogna Educação iniciou 2026 com aceleração operacional relevante, crescimento forte de receita, lucro líquido positivo, EBITDA ajustado maior e nova estrutura organizacional mais simples.

O trimestre marca o início de uma nova fase de divulgação da companhia. Após o fechamento de capital da Vasta na Nasdaq, a Cogna Educação integrou Vasta e Saber em uma única unidade chamada Educação Básica. Com isso, a companhia passou a reportar duas unidades principais: Educação Superior e Educação Básica.

A receita líquida consolidada foi de R$2,1 bilhões no 1T26, crescimento de 31,9% frente ao 1T25. O avanço veio das duas unidades de negócio, com destaque para Educação Básica, beneficiada pelo PNLD, e Educação Superior, sustentada por captação presencial, rematrícula e aumento de tíquete.

A Educação Superior teve receita líquida de R$1,2 bilhão, crescimento de 10,9% frente ao 1T25. Todas as modalidades cresceram, com destaque para o presencial, que cresceu 15,2%.

A Educação Básica teve receita líquida de R$950,8 milhões, crescimento de 72,9% frente ao 1T25. O principal fator foi o PNLD, cujo faturamento foi deslocado do 4T25 para o 1T26 por descasamento temporal do calendário do governo.

O lucro bruto consolidado foi de R$1,4 bilhão, contra R$1,2 bilhão no 1T25. A geração bruta cresceu e acompanhou o aumento da receita.

O lucro operacional antes do resultado financeiro consolidado foi de R$411,1 milhões, contra R$301,8 milhões no 1T25. A melhora mostra avanço operacional relevante, especialmente na Educação Básica.

O EBITDA ajustado consolidado foi de R$679,6 milhões, contra R$556 milhões no 1T25. O EBITDA contábil foi de R$638,6 milhões, e o EBITDA gerencial foi de R$659,9 milhões.

O lucro líquido consolidado foi de R$141,2 milhões, contra R$94,2 milhões no 1T25. O lucro atribuível à controladora foi de R$141,4 milhões, contra R$95,1 milhões.

No individual, a controladora também teve lucro de R$141,4 milhões, acima dos R$95,1 milhões do 1T25. A melhora veio principalmente da equivalência patrimonial positiva de R$253,7 milhões.

O resultado financeiro individual foi negativo em R$113,4 milhões, pior que o negativo de R$89,1 milhões no 1T25. As despesas financeiras individuais foram de R$155,9 milhões, enquanto as receitas financeiras foram de R$42,5 milhões.

No consolidado, o resultado financeiro foi negativo em R$194,2 milhões, contra negativo de R$177,6 milhões no 1T25. A linha financeira continua sendo o principal limitador da conversão da melhora operacional em lucro líquido maior.

O fluxo operacional individual foi negativo em R$51 milhões, melhor que o negativo de R$74,6 milhões no 1T25. A melhora é positiva, mas a holding ainda consumiu caixa operacional no trimestre.

A dívida líquida consolidada caiu para R$2,8 bilhões, contra R$2,8 bilhões no fim de 2025, com leve redução. O índice de alavancagem financeira caiu para 20,47%, contra 21,08% no fim de 2025.

A leitura central para o usuário é de empresa em crescimento, mas ainda com postura neutra/cautelosa. A Cogna Educação mostrou crescimento forte, lucro, EBITDA maior, Educação Superior resiliente e Educação Básica muito beneficiada pelo PNLD, mas ainda precisa controlar PCLD, resultado financeiro, juros, caixa da holding e dependência de eventos sazonais em educação básica pública.

Pontos de atenção

O primeiro risco é o resultado financeiro ainda elevado. O resultado financeiro consolidado foi negativo em R$194,2 milhões.

O segundo risco é o resultado financeiro individual. A linha foi negativa em R$113,4 milhões.

O terceiro risco é a despesa financeira individual. As despesas financeiras foram de R$155,9 milhões.

O quarto risco é o fluxo operacional individual negativo. A controladora consumiu R$51 milhões em caixa operacional.

O quinto risco é a queda da liquidez direta da holding. Caixa e aplicações financeiras individuais somavam cerca de R$49,1 milhões, abaixo do fim de 2025.

O sexto risco é a PCLD. A provisão consolidada foi de R$190,7 milhões, com R$172,9 milhões concentrados na Educação Superior.

O sétimo risco é o crescimento das contas a receber consolidadas. A linha subiu para R$2,8 bilhões.

O oitavo risco é a sazonalidade do PNLD. Parte relevante da alta da Educação Básica veio do deslocamento de faturamento do 4T25 para o 1T26.

O nono risco é a margem da Educação Superior. A receita cresceu, mas o lucro operacional da unidade caiu levemente.

O décimo risco é o fornecedor risco sacado. A linha consolidada somava R$664,7 milhões.

O décimo primeiro risco é o intangível elevado. O intangível consolidado somava R$14,7 bilhões e depende da geração futura de caixa das unidades.

O décimo segundo risco é a sensibilidade a juros. A dívida líquida caiu, mas o resultado financeiro ainda é relevante.

Leitura final

O 1T26 reforçou a recuperação da Cogna Educação. A companhia cresceu forte, apresentou lucro, elevou EBITDA ajustado, reduziu levemente a dívida líquida e entrou em uma estrutura mais simples, com Educação Superior e Educação Básica.

A Educação Superior mostrou resiliência mesmo em ambiente regulatório mais exigente, enquanto a Educação Básica teve forte crescimento por PNLD, B2G e Soluções Complementares.

A leitura ainda não é plenamente confortável porque o resultado financeiro permanece pesado, a holding ainda teve fluxo operacional negativo, a liquidez direta individual caiu e a PCLD voltou a exigir atenção.

Para o usuário, o trimestre deve ser interpretado como continuidade da recuperação operacional, com melhora real de escala e lucro, mas ainda com sinal amarelo. A Cogna Educação precisa repetir o desempenho nos próximos trimestres, provar crescimento recorrente fora do efeito temporal do PNLD, controlar inadimplência, preservar caixa e seguir reduzindo a pressão financeira.

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