Encerrou 2021 com forte recuperação operacional e lucro líquido elevado. A receita consolidada cresceu de forma relevante em relação a 2020, o lucro bruto avançou, o resultado antes do financeiro e dos tributos mais que dobrou e o lucro líquido consolidado voltou a patamar muito robusto. O ano mostra uma companhia varejista regional, conservadora e rentável, com resultado operacional forte, resultado financeiro positivo e patrimônio líquido crescente. A empresa também manteve prática de remuneração ao acionista via dividendos e juros sobre capital próprio, além de recompra de ações.
CGRA3 - Grazziotin
Tradicional rede de varejo de moda e variedades com forte atuação na região Sul do Brasil. A companhia opera no comércio multicanal por meio de quatro redes de lojas físicas com focos diferentes: a Grazziotin (moda e artigos para o lar), Pormenos (vestuário de baixo custo e confecções), Franco Giorgi (moda masculina premium) e Tottal (ferramentas e materiais para casa). Além da atividade comercial, o grupo atua na intermediação de serviços financeiros (oferecendo crédito próprio aos clientes) e possui investimentos no segmento de agricultura com a gestão de fazendas de grãos.
17/12/2025 R$ 3,95
16/12/2025 R$ 1,14
04/06/2025 R$ 1,79
18/12/2024 R$ 1,39
Análise de preço da ação
Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.
Desconto real, mas varejo ainda precisa confirmar
Com valor de mercado de R$596,84 mi e cotação de R$24,90, próxima da mínima de 52 semanas (R$21,64), a Grazziotin negocia com múltiplos comprimidos: P/L de 7,1x e P/VP de 0,7x, ou seja, abaixo do próprio patrimônio líquido de R$878,11 mi. A empresa segue conservadora, lucrativa (lucro de R$83,85 mi em 2025), com geração operacional de caixa positiva (R$148,07 mi) e estrutura sem dependência relevante de dívida tradicional. O dividend yield estimado em 12 meses, próximo de 20,4%, e o resultado mais recente (1T26), com melhora de margem bruta, EBITDA e lucro líquido, reforçam a leitura de que há desconto sobre os fundamentos.
O desconto, porém, não é limpo. Em 2025 o lucro líquido recuou frente a 2024, o resultado operacional caiu de forma relevante, as despesas cresceram e o caixa final encolheu por distribuição elevada de proventos e recompra. No 1T26, apesar da melhora de margem, a receita consolidada caiu, o varejo recuou cerca de 9%, as mesmas lojas tiveram queda de 7,06% e parte importante do resultado veio de financeiro, equivalência patrimonial e investidas, e não do varejo orgânico. Os estoques cresceram e consumiram caixa. Por isso o desconto exige cautela: a tese depende de a empresa confirmar retomada de vendas, giro de estoques e crescimento operacional recorrente nos próximos trimestres.
Indicadores principais
Grazziotin melhora margem e lucro no 1T26 com caixa sólido, mas queda na receita e SSS negativo exigem cautela na retomada operacional.
Grazziotin segue sendo uma empresa conservadora, lucrativa e com geração operacional de caixa positiva. No 1T26, a companhia melhorou margem bruta, EBITDA e lucro líquido, além de manter caixa final maior que no fim de 2025. Porém, a receita consolidada caiu, o varejo recuou, o SSS foi negativo e parte importante do resultado veio de financeiro, equivalência patrimonial e investidas. A leitura é de cautela construtiva: não há sinal de fragilidade financeira relevante, mas a empresa precisa confirmar retomada de vendas, giro de estoques e crescimento operacional recorrente nos próximos trimestres.
Trajetória recente
Grazziotin encerrou 2022 com crescimento de vendas, lucro bruto maior e forte recuperação de caixa operacional. A receita líquida consolidada avançou em relação a 2021, mostrando continuidade da retomada do varejo e preservação da capacidade comercial da companhia. O lucro líquido caiu em relação a 2021, mas essa queda precisa ser lida com cuidado. O ano anterior havia sido favorecido por receita não recorrente ligada ao êxito em ação tributária, o que elevou artificialmente a base de comparação.
Grazziotin encerrou 2023 com uma leitura mais fraca que a de 2022. A receita consolidada caiu levemente, o lucro bruto recuou, o resultado operacional diminuiu e o lucro líquido consolidado caiu pelo segundo ano seguido. O ano mostra uma companhia ainda lucrativa e conservadora, mas enfrentando pressão comercial e operacional. A administração destacou que 2023 foi desafiador para o varejo em geral, especialmente na região Sul do país, onde a operação da companhia está concentrada.
Apresentou em 2024 uma recuperação parcial depois do ano mais fraco de 2023. A receita consolidada voltou a crescer, o lucro bruto avançou, o resultado operacional melhorou e o lucro líquido consolidado subiu em relação ao ano anterior. O desempenho é relevante porque ocorreu em um ambiente ainda desafiador. A administração destacou que o Rio Grande do Sul foi atingido por uma enchente histórica em maio de 2024, afetando diretamente a operação do grupo.
Grazziotin encerrou 2025 com uma leitura mais cautelosa que a de 2024. A receita consolidada cresceu levemente, o lucro bruto avançou, mas o resultado operacional caiu de forma relevante e o lucro líquido recuou. A companhia permaneceu lucrativa e com geração de caixa operacional positiva, mas a qualidade do resultado perdeu força. O ambiente descrito pela administração foi desafiador para o varejo brasileiro, com consumo mais seletivo, inflação persistente, maior rigor na concessão de crédito e efeitos climáticos em períodos sazonais relevantes na Região Sul.
Resumo fundamentalista
A Grazziotin iniciou 2026 com um trimestre de recuperação qualitativa, mas ainda sem retomada clara de crescimento no varejo. O 1T26 trouxe melhora de margem bruta, avanço relevante do EBITDA, lucro líquido acima do 1T25 e geração de caixa operacional positiva. Esses pontos reforçam a imagem de uma empresa conservadora, resiliente e capaz de preservar rentabilidade mesmo em um ambiente de consumo mais difícil.
A parte operacional, porém, ainda exige cautela. A receita consolidada caiu, a receita da controladora também recuou, o varejo apresentou retração e as vendas em mesmas lojas ficaram negativas. Isso mostra que a melhora do resultado não veio de uma expansão forte da demanda, mas principalmente de ajustes de margem, controle operacional, contribuição de equivalência patrimonial, resultado financeiro positivo e melhor composição das operações investidas.
A administração descreveu o trimestre como um período de normalização do consumo após o pico sazonal de fim de ano, somado às pressões típicas do início do exercício sobre o orçamento das famílias. Nesse contexto, a companhia buscou proteger a rentabilidade por meio de gestão operacional, política de crédito, adequação do mix de produtos e reorganização de formatos de loja, incluindo a migração de unidades GZT para bandeiras mais aderentes ao consumo regional.
A leitura central é, portanto, de solidez financeira com tração operacional ainda limitada. A Grazziotin continua lucrativa, gera caixa, mantém resultado financeiro positivo e possui estrutura patrimonial relevante. No entanto, o varejo ainda precisa confirmar recuperação mais consistente de vendas, produtividade por loja e crescimento recorrente. O trimestre melhora a percepção de resiliência, mas ainda não comprova uma nova fase de expansão operacional.
Pontos de atenção
O principal risco do 1T26 é a queda de vendas no varejo. A receita consolidada caiu, a receita da controladora caiu, o varejo recuou 9% e as mesmas lojas caíram 7,06%. Isso mostra que a empresa ainda enfrenta dificuldade de crescimento orgânico.
O segundo risco é a dependência de linhas não puramente varejistas para sustentar o lucro. O resultado financeiro positivo, a equivalência patrimonial, a Grazziotin Financeira e a Grato Agropecuária contribuíram para o lucro. São partes legítimas do grupo, mas o agente deve separar a operação de varejo da contribuição financeira e das investidas.
O terceiro ponto é o estoque. Os estoques cresceram no trimestre e consumiram caixa. Em um ambiente de vendas mais fracas, estoque maior precisa ser acompanhado para evitar remarcações, perda de margem e maior necessidade de capital de giro.
O quarto risco é a exposição regional. A companhia atua principalmente no Sul, e já vinha sendo afetada por eventos climáticos em anos anteriores. Em 2026, a administração voltou a mencionar pressões típicas sobre consumo e necessidade de adequação de mix ao perfil dos clientes.
Apesar desses riscos, a empresa continua com perfil conservador. A liquidez é razoável, o caixa aumentou no trimestre, o caixa operacional foi positivo e a estrutura de dívida tradicional não parece pressionada. O risco principal está mais na retomada operacional do varejo do que em solvência.
Leitura final
O 1T26 da Grazziotin reforça a imagem de uma empresa conservadora, resiliente e financeiramente sólida, mas ainda com crescimento operacional limitado. A companhia melhorou margem bruta, elevou EBITDA, voltou a apresentar resultado operacional consolidado levemente positivo e aumentou o lucro líquido frente ao 1T25. Também manteve caixa operacional positivo e encerrou o trimestre com caixa maior que no fim de 2025.
A cautela está no varejo. A receita consolidada caiu, a receita da controladora recuou, o varejo teve queda de 9% e as vendas em mesmas lojas caíram 7,06%. As migrações de bandeiras e o redesenho da GZT indicam uma tentativa de tornar a operação mais aderente ao consumo regional, mas essa estratégia ainda precisa se traduzir em crescimento mais consistente de vendas.
Além disso, parte relevante do lucro veio de resultado financeiro positivo, equivalência patrimonial e das investidas Grazziotin Financeira e Grato Agropecuária. Esses fatores reforçam a diversificação do grupo, mas não substituem a necessidade de recuperação da operação principal de varejo.
Para o usuário, a leitura final é de cautela construtiva. A Grazziotin não mostra fragilidade financeira relevante, mas a tese de crescimento ainda precisa ser confirmada. Os próximos trimestres devem ser acompanhados principalmente em vendas mesmas lojas, margem bruta, despesas, estoques, qualidade do crédito, contribuição das investidas e preservação de caixa.