Desconto exige confirmação de caixa
Com valor de mercado de R$3,46 bi e cotação de R$11,19, próxima da mínima de 52 semanas (R$9,44) e bem distante da máxima (R$21,30), a C&A aparece com múltiplos comprimidos: P/L de 5,9x, EV/EBITDA de apenas 2,4x e P/VP de 0,9x, abaixo do valor patrimonial. O histórico anual reforça a leitura de desconto, com receita crescendo de R$5,15 bi em 2021 para R$7,98 bi em 2025, EBITDA em expansão, lucro líquido de R$587,1 mi no último ano e dívida líquida negativa (caixa líquido), além de um dividend yield em torno de 4,7%. A virada operacional de 2024 e 2025 dá base concreta para os múltiplos baixos.
O desconto, porém, não é limpo e por isso a classificação fica em "descontada com risco". No 1T26 isolado, o lucro líquido praticamente zerou (R$1,7 mi), o fluxo de caixa operacional despencou para R$38,8 mi, o caixa caiu de forma relevante e a dívida líquida voltou ao positivo (R$131,7 mi), pressionada por capital de giro, estoques crescentes, CAPEX maior e arrendamentos. A tese de recuperação segue de pé na operação, mas precisa ser confirmada nos próximos trimestres pela recomposição de caixa e pela conversão da melhora de margem em lucro e geração recorrente, o que justifica tratar o desconto com cautela em vez de leitura totalmente positiva.