Neutro / cautela

CAMB3

Cambuci

1T/2026

Consumo cíclico

Calçados (artigos esportivos)

Matriz: São Paulo - SP

A Cambuci atua no desenvolvimento, fabricação e comercialização de artigos esportivos, calçados, confecções e bolas, gerenciando de forma proprietária a marca Penalty. Seu modelo de negócios baseia-se na forte capilaridade de distribuição de material esportivo para federações, municípios e redes varejistas do Brasil e exterior, verticalizando a produção para garantir eficiência de custos e mantendo uma forte dominância e liderança no segmento de bolas e acessórios institucionais de quadra.

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Total de ações 42.275.080
Ações ordinárias 42.275.080
Ações preferenciais Não
Free float 20.914.703 — 49,47%
Maior acionista Roberto Estefano — 26,68%
Tesouraria 346.656 — 0,82%

Data: 2026-05-25

R$ 9,50
-0,11% no dia
R$ 12,68 R$ 2,33
2019 2026
Valor de mercado R$ 402,04 mi
Volume 1,10 mil
P/L externo 5,8x
Dividend yield 12m 12,87%
JCP
14/05/2026
R$ 0,14
DIVIDENDO
14/05/2026
R$ 0,20
JCP
18/03/2026
R$ 0,14
JCP
18/11/2025
R$ 0,10

Análise de preço da ação

Leitura de valuation cruzando preço de mercado, proventos e fundamentos auditáveis.

descontada com risco
P/L 5,9x
EV/EBITDA 4,1x
P/VP 1,3x
Dividend yield 12m 12,87%
Data da análise 29/06/2026

Valuation descontado, mas com ressalva operacional

A Cambuci tem valor de mercado de R$402,04 mi, com cotação de R$9,50 próxima da mínima de 52 semanas (R$8,98) e múltiplos comprimidos: P/L de 5,9x, EV/EBITDA de 4,1x e P/VP de 1,3x. O suporte da tese é o balanço, que segue muito conservador, com caixa líquido de R$56,3 mi no 1T26, dívida residual, liquidez corrente de 3,68x e margem bruta elevada (51,1% no trimestre). Some-se a isso uma trajetória anual de melhora desde 2021, lucro líquido de R$68,4 mi em 2025 e remuneração generosa ao acionista, com dividend yield estimado em 18,0% nos últimos 12 meses. Esse conjunto de fundamentos sustenta a leitura de valor de mercado descontado frente à qualidade financeira da companhia.

A ressalva, porém, é material e impede uma leitura totalmente limpa. A receita anual caiu 12,5% em 2025 e cresceu apenas 1,3% no 1T26, ainda tímida; o EBITDA recuou 24,3% no ano e mais 12,4% no trimestre, com margem EBITDA caindo para 20,7%, pressionada por SG&A subindo acima das vendas. O fluxo de caixa operacional da controladora ficou levemente negativo no 1T26 por consumo de capital de giro, e a operação depende fortemente da marca Penalty. O porte menor e a liquidez reduzida da ação também pesam. Para o desconto se confirmar como oportunidade, a companhia precisa converter os investimentos comerciais em retomada mais clara de receita, EBITDA e geração de caixa nos próximos períodos — pontos que merecem acompanhamento.

Indicadores principais

Receita líquida R$ 99.156
EBITDA R$ 20.538
Lucro líquido R$ 19.677
Dívida líquida R$ -56.540
Margem líquida 19,84%
FCO R$ 1.101

Cambuci mantém solidez e caixa líquido no 1T26, mas baixo crescimento da receita e aumento em SG&A acendem sinal amarelo por perda de força operacional.

A Cambuci iniciou 2026 mantendo uma posição financeira muito sólida, com caixa líquido, dívida residual, liquidez corrente elevada, margem bruta em alta e lucro líquido levemente maior. A qualidade do balanço segue sendo o principal suporte da tese, e a marca Penalty ainda sustenta rentabilidade elevada. A leitura, porém, pede cautela porque a receita cresceu pouco, o EBITDA caiu, o SG&A subiu acima das vendas e o capital de giro consumiu caixa no trimestre. A tese continua construtiva, mas depende de a companhia converter investimentos comerciais, marketing e disciplina de preços em retomada mais clara de receita, EBITDA e geração operacional de caixa nos próximos períodos.

Trajetória recente

Demonstrações Financeiras 2021

A Cambuci encerrou 2021 com forte recuperação operacional, crescimento expressivo de receita, melhora de margem bruta, expansão de EBITDA e lucro líquido maior. O ano marcou uma virada importante após o período mais pressionado da pandemia, com retomada comercial relevante e desempenho especialmente forte no 4T21. A receita líquida consolidada foi de R$240,1 milhões em 2021, crescimento de 53,4% frente a 2020. O 4T21 foi o principal destaque, com receita líquida recorde de R$90,8 milhões, alta de 57,6% frente ao 4T20.

Demonstrações Financeiras 2022

A Cambuci encerrou 2022 com crescimento muito forte de receita, expansão relevante de EBITDA, lucro líquido mais que dobrando e melhora clara da estrutura financeira. O ano confirmou a virada operacional iniciada em 2021 e mostrou uma companhia com maior escala, melhor giro de ativos, dívida mais alongada e rentabilidade elevada. A receita líquida consolidada foi de R$440,4 milhões em 2022, crescimento de 83,4% frente a 2021. O 4T22 voltou a ser trimestre recorde, com receita líquida de R$127 milhões, alta de 39,9% frente ao 4T21.

Demonstrações Financeiras 2023

Cambuci encerrou 2023 com mais um ano positivo, combinando crescimento de receita, margem bruta maior, EBITDA recorde no ciclo recente, lucro líquido maior e forte desalavancagem. Depois do salto operacional de 2022, a companhia conseguiu preservar crescimento e transformar a geração de resultado em redução expressiva da dívida. A receita líquida consolidada foi de R$459,1 milhões em 2023, crescimento de 4,2% frente a 2022. O avanço foi bem menor que o de 2022, mas ocorreu sobre uma base muito forte, mantendo a companhia em patamar elevado de vendas.

Demonstrações Financeiras 2024

Cambuci encerrou 2024 com receita consolidada menor, mas com margem bruta mais alta, margem EBITDA consolidada maior, lucro líquido consolidado em alta e estrutura financeira ainda muito confortável. Depois da forte desalavancagem de 2023, a companhia manteve balanço leve, liquidez elevada e capacidade de remunerar acionistas. A receita líquida consolidada foi de R$437,9 milhões em 2024, queda de 4,6% frente a 2023. A receita líquida Brasil, porém, foi de R$437,9 milhões, crescimento de 2,4% frente ao ano anterior.

Demonstrações Financeiras 2025

A Cambuci encerrou 2025 com queda relevante de receita, menor EBITDA e lucro líquido menor, mas preservando margens elevadas, caixa forte, dívida praticamente irrelevante e liquidez corrente muito confortável. O ano foi menos forte operacionalmente que 2024, porém a companhia manteve qualidade financeira acima da média para seu porte. A receita líquida consolidada foi de R$383,1 milhões em 2025, queda de 12,5% frente a 2024. No 4T25, a receita líquida foi de R$80 milhões, queda de 11,7% frente ao 4T24.

Resumo fundamentalista

A Cambuci iniciou 2026 com receita praticamente estável, margem bruta mais alta, lucro líquido levemente maior e balanço ainda muito conservador. O trimestre mostra uma companhia financeiramente forte, com caixa líquido, liquidez elevada e dívida residual, mas com pressão de despesas operacionais e queda de EBITDA.

A receita líquida consolidada foi de R$99,2 milhões no 1T26, crescimento de 1,3% frente ao 1T25. O avanço foi modesto, mas positivo, especialmente após um 2025 de queda de receita.

O lucro bruto foi de R$50,7 milhões, crescimento de 5% frente ao 1T25. A margem bruta subiu para 51,1%, contra 49,3% no período comparável. Esse é o principal ponto operacional positivo do trimestre, porque mostra que a companhia vendeu com rentabilidade maior.

O EBITDA foi de R$20,5 milhões, queda de 12,4% frente ao 1T25. A margem EBITDA caiu para 20,7%, contra 23,9%. A queda veio principalmente do aumento de despesas com vendas, marketing, trade marketing, fretes, serviços de suporte às vendas, consultoria e modernização de infraestrutura de dados.

O lucro líquido foi de R$19,7 milhões, crescimento de 3,1% frente ao 1T25. A margem líquida ficou em 19,9%, acima dos 19,5% do ano anterior. A melhora foi sustentada por margem bruta maior, resultado financeiro positivo e reconhecimento de ativo fiscal diferido.

A leitura central é positiva, mas com cautela. A Cambuci segue rentável, tem balanço forte, caixa líquido e margem líquida elevada. Porém, o crescimento de receita ainda é fraco, o EBITDA caiu, o SG&A subiu acima da receita e o fluxo operacional da controladora ficou levemente negativo por consumo de capital de giro.

Pontos de atenção

O primeiro risco é o crescimento baixo da receita líquida.

O segundo risco é a queda do EBITDA para R$20,5 milhões.

O terceiro risco é a queda da margem EBITDA para 20,7%.

O quarto risco é o aumento de 20,4% do SG&A.

O quinto risco é o aumento de despesas com vendas, marketing, trade marketing e fretes.

O sexto risco é o aumento de contas a receber para R$96,8 milhões no consolidado.

O sétimo risco é o fluxo operacional negativo na controladora no trimestre.

O oitavo risco é a dependência relevante da marca Penalty.

O nono risco é a necessidade de transformar investimentos comerciais em crescimento de receita.

O décimo risco é a presença de controladas com contribuição limitada ou efeitos patrimoniais.

O décimo primeiro risco é a liquidez da ação e o porte menor da companhia no mercado de capitais.

O décimo segundo risco é equilibrar remuneração ao acionista, investimentos e preservação do caixa líquido.

Leitura final

O 1T26 foi positivo no lucro e na qualidade financeira, mas misto na operação. A Cambuci cresceu pouco em receita, melhorou margem bruta, manteve lucro líquido elevado e preservou caixa líquido, liquidez corrente alta e dívida quase inexistente.

A leitura positiva vem da resiliência da margem, do resultado financeiro positivo, da margem líquida alta e do balanço muito conservador. A empresa segue com baixo risco financeiro de curto prazo e boa capacidade de remuneração ao acionista.

A cautela está no crescimento e na eficiência operacional. O EBITDA caiu porque as despesas cresceram acima da receita, e o capital de giro consumiu caixa no trimestre. Para o usuário, o 1T26 deve ser lido como continuidade de uma empresa financeiramente forte, mas que precisa transformar margem e investimentos comerciais em retomada mais clara de receita e EBITDA nos próximos trimestres.

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